domingo, 16 de agosto de 2009

Miscelânia

Sim, sim. Quer dizer a coisa é meio caótica. Mas, puxa! Se fosse algo normalzinho, limitado, enquadrado, definido por regras, contornos disformes, chatices, etiquetas, protocolos e coisas parecidas, não teria o meu jeito, a minha cara, a minha alma. Adoravelmente desordenada, encantadoramente confusa. Deve ser coisa de sagitariana desconsiderar a arrumação do arrumadinho e do semi-arrumadinho. Essas coisas organizadas, etiquetadas, dispostas de acordo com o tema, o tempo, o tamanho, um monte de ‘tês’ seguidos tenebrosos e tacanhos que deixam tudo com o mesmo jeito, cara, forma. A organização é meio de manipulação, de controle, de exercício do poder. Afinal, qual é a primeira atitude de toda a mulher centralizadora? Organizar as coisas do marido / namorado/ amante / noivo /amigo / aspirante. Céus! Organizar roupas, alimentos, regimes, horários, saúde, remédios, bebidas, cigarros, maneiras, livros, viagens, papéis, fotografias, e-mails, gavetas, armários, escrivaninhas, amigos, amigas, rebentos, família, sonhos, aspirações, projetos, planos, festas, dias, meses, anos, vida. Controle. Tornar-se necessária - "minha tática é que me necessites" - pode até conferir encanto inicial, lá, no início bem longínquo de qualquer relação, mas com o tempo (e a prática) tamanha dedicação cansa, sufoca, reprime, enquadra, limita e entedia pelo constante empenho para tornar cativo o que jamais pode sequer se controlado.
Sim, depende do tema, do dia, um espaçozinho aqui, outro acolá, pode ficar por um tempo vazio para posterior preenchimento em paz, mansidão e evitar que letras jorrem da torneirinha sem parar. Se fosse algo normalzinho, limitado e chato, decididamente, não seria meu.

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