domingo, 8 de novembro de 2009
Rituais de passagem
Reconheço a sabedoria de alguns ritos e percebo a total desnecessidade de outros. Não há motivo para mantermos alguns comportamentos praticados no passado, mas há certos comportamentos que devem ser mantidos para firmarmos nossas raízes e não esquecermos de nossos valores.Dormi bem e sequer ouvi a movimentação madrugadora do meu filho e do cão. Eu relaxei e queria passar um domingo tranquilo em casa, descansar da maratona da semana, do sábado de exames, do calor. Eu cochilava quando o garotão entrou animado no meu quarto e perguntou seu eu iria com ele visitar a yayá (vovó em grego). Visitar a yayá? Hoje? Mas a yayá faleceu no dia onze de novembro, dia de São Raphael... Este texto aparentemente mórbido merece explicação: Em geral os gregos têm nomes de santos da igreja ortodoxa (há gregos que escolhem nomes mitológicos para seus filhos) e comemoram o aniversário onomástico no dia do santo, de acordo com o calendário litúrgico. Meu pai chamava-se Raphael e minha mãe faleceu aos noventa anos, em casa, na madrugada de oito de novembro, dia de São Raphael. A primeira frase que meu filho conseguiu dizer após o susto, o choque e a dor imensa sentida pela yayá tão amada, foi sobre a coincidência de data e a ideia do papuli (vovô em grego) ter vindo, em seu dia, buscar a mulher com quem fora casado por mais de quarenta anos. Pedi meia horinha, meu filho se deitou ao meu lado, conversamos sobre tradição, rituais, valores, educação de filhos. Desde já o liberei da chatice dos almoços-obrigatórios-familiares de todos os domingos e combinamos que, ao menos uma vez por semana, estaremos juntos no jantar, no almoço, no café, no lanche - não importa - para colocarmos nossas vidas em dia, rirmos e trocarmos conselhos. Pedi para que ele compartilhe ao menos uma refeição por dia com seus filhos e os ensine a alegria, a harmonia e o prazer que os gregos sentem ao preparar e compartilhar a refeição com os demais. O garotão desceu para o passeio do cão e eu tomei minha xícara de chocolate morno. Dia oito de novembro, dia dos santos arcanjos Miguel, Raphael e Gabriel; três anos que minha mãe faleceu.
Assim, deixei de lado o descanso e com a dedicação e o amor recebidos a vida inteira fomos ao cemitério, que mais parece um lindo jardim pleno de árvores, flores e grama, sem mausoléus, estátuas, construções pesadas que assustam e impressionam. Durante o percurso conversamos bastante, rimos de várias situações, juntos escolhemos as flores, limpamos o jazigo com água que trouxemos da torneira próxima nos vasos de metal - a placa de cimento sobre a grama com a cruz de cobre e as placas com os nomes e as datas de nascimento e de morte de meus pais, trouxemos o banco verde de praça para bem perto, dividimos os quatro maços de flores para os dois, tiramos as folhas da parte de baixo dos caules para não entrarem em contato com a água, paramos nossa respeitosa e amorosa folia em consideração a um cortejo fúnebre que passou, fizemos o sinal da cruz em homenagem a quem havia partido, mantivemos silêncio, lembrei ao meu filho que era só exumar o corpo da yayá para abrir mais uma vaga - eu havia me esquecido que há vaga aberta porque exumamos o corpo do meu pai no dia que enterramos minha mãe - meu filho me avisou sobre sua criação de novo repertório para frases imbecis, sentamos no banco, reparamos como a árvore que era tão nanica, com caule mirrado e baixinha, está frondosa e cheia de lindas flores lilases, da cor exata que minha mãe mais gostava, muitas recém caídas sobre a grama a enfeitar mais ainda o lugar. Lembramos das vezes que o garotinho de quatro anos trazia os brinquedos novos para mostrá-los ao papuli, do dia que ele quis ver como ficava o caixão enterrado na terra e percebi que consegui criar um filho que respeita seus mortos, mantém alguns rituais, honra suas memórias, se lembra de seus ensinamentos, pede à Deus por eles e recorre à eles em orações. Espero que meu filho ensine certos rituais aos seus filhos e, de alguma maneira, mais valores sejam resgatados nesta vida. Na saída, enquanto descíamos a rampa para um dos dois grandes portões e conversávamos sobre a restauração de carros antigos, o telefone tocou pela segunda vez neste dia, eu fiquei entre o atendo e o não atendo, respondi com minha voz meio rouca, comentei com A o que fizemos, comentei sobre a minha confusão de datas - não é pouca coisa trocar o dia do aniversário onomástico de pessoa tão amada, o mesmo dia da morte de minha mãe - e justo pelo dia 11, minha cisma superada somente após a consulta ao calen
dário litúrgico e, surpresa, a descoberta do santo desconhecido daquele dia. Coincidência? Jamais! O garotão fez um comentário e, de repente, virei a mensageira do papo entre A e C sobre futebol, pijama e velhice. Retomamos a animada conversa sobre a restauração de carros antigos enquanto eu rapidamente pensei que havia algo estranho naquela triangulação dos rapazes com esta moça e no quanto o vértice contrário perde por não curtir a harmonia e a coisa toda. Dos carros antigos para a escolha do lugar para comemorarmos o aniversário onomástico, o delicioso almoço livre e fora de horário, assistimos parte da partida entre Palmeiras e Flamengo, conversamos mais sobre tantas coisas, nos divertimos com nossos comentários sobre a família sentada à mesa próxima: Pai, mãe, filha jovem, marido jovem e dois netos pequenos, as caras de tédio dos adultos, as crianças fora do controle, deixamos de lado exames e consultas, eu pedi ao meu filho para que ele saiba reconhecer e evitar os rituais desnecessários e organize sua vida em prol do respeito e da felicidade, sua e dos demais.
Assim, deixei de lado o descanso e com a dedicação e o amor recebidos a vida inteira fomos ao cemitério, que mais parece um lindo jardim pleno de árvores, flores e grama, sem mausoléus, estátuas, construções pesadas que assustam e impressionam. Durante o percurso conversamos bastante, rimos de várias situações, juntos escolhemos as flores, limpamos o jazigo com água que trouxemos da torneira próxima nos vasos de metal - a placa de cimento sobre a grama com a cruz de cobre e as placas com os nomes e as datas de nascimento e de morte de meus pais, trouxemos o banco verde de praça para bem perto, dividimos os quatro maços de flores para os dois, tiramos as folhas da parte de baixo dos caules para não entrarem em contato com a água, paramos nossa respeitosa e amorosa folia em consideração a um cortejo fúnebre que passou, fizemos o sinal da cruz em homenagem a quem havia partido, mantivemos silêncio, lembrei ao meu filho que era só exumar o corpo da yayá para abrir mais uma vaga - eu havia me esquecido que há vaga aberta porque exumamos o corpo do meu pai no dia que enterramos minha mãe - meu filho me avisou sobre sua criação de novo repertório para frases imbecis, sentamos no banco, reparamos como a árvore que era tão nanica, com caule mirrado e baixinha, está frondosa e cheia de lindas flores lilases, da cor exata que minha mãe mais gostava, muitas recém caídas sobre a grama a enfeitar mais ainda o lugar. Lembramos das vezes que o garotinho de quatro anos trazia os brinquedos novos para mostrá-los ao papuli, do dia que ele quis ver como ficava o caixão enterrado na terra e percebi que consegui criar um filho que respeita seus mortos, mantém alguns rituais, honra suas memórias, se lembra de seus ensinamentos, pede à Deus por eles e recorre à eles em orações. Espero que meu filho ensine certos rituais aos seus filhos e, de alguma maneira, mais valores sejam resgatados nesta vida. Na saída, enquanto descíamos a rampa para um dos dois grandes portões e conversávamos sobre a restauração de carros antigos, o telefone tocou pela segunda vez neste dia, eu fiquei entre o atendo e o não atendo, respondi com minha voz meio rouca, comentei com A o que fizemos, comentei sobre a minha confusão de datas - não é pouca coisa trocar o dia do aniversário onomástico de pessoa tão amada, o mesmo dia da morte de minha mãe - e justo pelo dia 11, minha cisma superada somente após a consulta ao calen
dário litúrgico e, surpresa, a descoberta do santo desconhecido daquele dia. Coincidência? Jamais! O garotão fez um comentário e, de repente, virei a mensageira do papo entre A e C sobre futebol, pijama e velhice. Retomamos a animada conversa sobre a restauração de carros antigos enquanto eu rapidamente pensei que havia algo estranho naquela triangulação dos rapazes com esta moça e no quanto o vértice contrário perde por não curtir a harmonia e a coisa toda. Dos carros antigos para a escolha do lugar para comemorarmos o aniversário onomástico, o delicioso almoço livre e fora de horário, assistimos parte da partida entre Palmeiras e Flamengo, conversamos mais sobre tantas coisas, nos divertimos com nossos comentários sobre a família sentada à mesa próxima: Pai, mãe, filha jovem, marido jovem e dois netos pequenos, as caras de tédio dos adultos, as crianças fora do controle, deixamos de lado exames e consultas, eu pedi ao meu filho para que ele saiba reconhecer e evitar os rituais desnecessários e organize sua vida em prol do respeito e da felicidade, sua e dos demais. sábado, 7 de novembro de 2009
E ri cheia de graça
Calor em demasia, secura, poluição, tosse, dor de cabeça, chiado no peito, cansaço e a primavera esturrica as sedentas plantas. Regá-las uma vez por semana não é suficiente. O cão também sente o calor insuportável. Com esse tempo tão louco no próximo verão fará um frio de lascar, ou, o calor ultrapassará todos os limites anteriores, mais ainda os aceitáveis. Espero que inventem iglus portáteis.Vento foi a palavra mágica deste dia. Ontem, à noite, uma chuvinha de nada, quase não conseguiu molhar as calçadas, mas o ventinho desta manhã amenizou um pouco o abafado. Do jeito que tudo parece interligado talvez a chuva tenha trazido o vento, ou será o contrário? Reparei na rápida chuva noturna porque a tosse impediu meu sono. É muito chato tossir a noite inteira e ainda se preocupar em não fazer barulho que atrapalhe o sono do filho e do cão. Tosse noturna é solitária, ninguém tosse junto pra cair na gargalhada e da tosse tirar a porção de folia. O dia clareava e eu cai no sono. Lógico que o despertador tocou, eu anulei o ruído - uma amiga inclui em seu sono o som do despertador e continua a dormir - e me atrasei para o exame da manhã deste sábado, apesar de ter saído de casa sem tomar minha xícara de chocolate morno. Qual a importância de uma xícara de chocolate morno? É parte do adorável carinho matinal.
A responsável pelo setor de medicina nuclear comentou que, pelo meu atraso, quase fiquei sem a dose de tecnécio.
- Como assim, doutora? Sem o meu tecnécio não terei os meus superpoderes. Veja, mostrei minha bolsa fechada, até trouxe a minha capinha.
Ninguém espera essa resposta. O mais divertido é que durante alguns segundos, por mim os mais ansiados, acreditam no que digo e se entreolham assustados. Se demoram um pouquinho para retomar os procedimentos fico mais ousada e olho pela janela para ver se o andar é alto.
- A senhora não pretende pular pela janela como fez aquele garotinho que acreditava ter superpoderes? perguntou o enfermeiro preocupado. A médica bem humorada ria, injetou o tecnécio e me deu duas horas livres. Livres, livres? Livres. Radioativa liberdade. É a segunda vez que faço cintilografia óssea e sei que devemos usar banheiros separados, não compartilhar talheres, copos, xícaras... Duas horas, hum, palavras cruzadas na bolsa (não tive tempo de escolher o livro) fui tomar meu chocolate morno e sonso, tão diferente do que preparo em casa. Ao sair da lanchonete vi que o hospital do câncer tem pronto-socorro - e como poderia não ter? - lembrei da tosse e dos demais sintomas e resolvi que uma pequena parte da radioativa liberdade seria passada lá. Meu único engano foi a projeção do tempo passado nas alas nuclear e emergencial, o que me fez ficar no vai e volta entre os dois prédios até concluir todos os procedimentos: Cortisona injetada no outro braço, inalação, raio x, hemograma, cintilografia, descartar a gripe suína e receber o diagnóstico de alguma alergia no começo da tarde quente. Alergia? eu pensava enquanto voltava para casa, sem me esquecer do delicioso suco de melancia e do folhado de centeio com queijo branco. Alergia nesta altura do campeonato? Sim, só pode ser isso! Eu sei o que me causa tamanha alergia. Mais uma das minhas ideias, a tornar a vida mais leve e alegre.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Como a doce maça rubra, muito rubra, lá em cima, no alto do mais alto ramo, os colhedores não esqueceram, apenas não puderam alcançar
O texto foi escrito por Ailton Amélio da Silva, doutor em psicologia e professor da USP, em São Paulo. Há tempos assisti a entrevista desse psicólogo sobre sinais corporais e fiquei impressionada com as dicas inconscientes que costumamos transmitir aos outros. É lógico que o espanto da descoberta passou: perder a naturalidade? Jamais! Agir dessa ou daquela maneira, administrar sinais e movimentos corporais? Em tempo algum! Apesar de reconhecer a desvantagem diante das pessoas que dominam a arte de interpretar corretamente os diversos sinais e fazer bom uso deles. Regras? Será que há espaço para regras no amor verdadeiro? Não sei. Regras presumem razão, manipulação e coerção - sem coerção, quem seguiria regras? Muito foi dito, filmado, projetado, firmado e imaginado sobre o amor e relacionamentos amorosos perfeitos, mas estamos bem distantes da verdadeira realização. Na literatura, por exemplo, Stendhal, Proust, Goethe, Shakespeare, os gregos antigos e muitos outros nos deram verdadeiras lições e continuamos no jardim da infância. Parece que dificultamos a coisa, depositamos expectativas em demasia, esquecemos da natural fluidez.
Amar presume coragem. Coragem para dar e para receber amor. Coragem para ser e estar inteiro e receber o outro inteiro.
Parei para pensar sobre a primeira condição: "Ser capaz de atrair parceiros atraentes e compatíveis". Confesso que continuo a pensar.
O amor é míope e o namoro, um bom par de óculos
Ao contrário do que muita gente pensa, o grau de sucesso para iniciar relacionamentos amorosos não se mede apenas pela quantidade de parceiros que são atraídos, pela quantidade de encontros que são marcados ou mesmo pela habilidade para desenvolver este tipo de relacionamento. Este sucesso também depende do grau de acerto na escolha de um parceiro atraente e compatível.
Condições necessárias para iniciar um bom relacionamento
Geralmente são necessárias várias tentativas para achar um parceiro compatível e é necessário um bom tempo para conhecer esse parceiro. As seguintes condições são necessárias para realizar estas duas atividades com eficiência:
(1) Ser capaz de atrair parceiros atraentes e compatíveis.
(2) Estar apto para tomar iniciativas amorosas e responder eficientemente a estas iniciativas quando elas são tomadas por parte de possíveis parceiros interessantes.
(3) Estar disposto a conviver com o parceiro em diversos tipos de situações e por um tempo razoável para conhecê-lo melhor antes de assumir um compromisso muito sério.
(4) Ser capaz de absorver da melhor forma possível os términos de relacionamentos que aconteceram por iniciativa dos parceiros.
(5) Ser capaz de terminar na hora certa e com o menor desgaste possível os relacionamentos que se mostram inviáveis.
(6) Ter condições para desenvolver relacionamentos satisfatórios e duradouros.
Neste artigo vamos nos concentrar na terceira destas condições: namorar até conseguir “enxergar” bem o parceiro e, desta forma, fazer boas escolhas. As outras condições serão abordadas em outros artigos.
Os inícios de relacionamentos amorosos podem ser encarados como períodos de experiência. Os principais objetivos desta fase do relacionamento são permitir que os parceiros se conheçam melhor, e verificar se há atração e compatibilidade entre eles. Os estudiosos do comportamento animal afirmam que todas as espécies que têm relacionamentos conjugais prolongados (por exemplo, a arara azul geralmente fica com o mesmo parceiro durante toda a vida) também têm uma fase longa de cortejamento antes da primeira cópula. Um dos motivos para este “namoro prolongado” é a necessidade de escolher bem o parceiro, porque os resultados desta escolha têm tremendas conseqüências. Dela depende, por exemplo, o desempenho sexual do casal e a coordenação eficaz de múltiplas atividades diárias como construir o ninho, encontrar comida e defender os filhotes contra predadores. Devido a estas grandes conseqüências, testar a compatibilidade com o parceiro antes de se vincular com ele de forma profunda, ampla e duradoura é essencial.
São necessárias várias tentativas para encontrar um parceiro compatível
Não é razoável esperar que um ótimo parceiro seja encontrado logo na primeira tentativa. Pelo contrário, é comum que as pessoas não se casem com o primeiro amor, com o primeiro namorado e, muito menos, com a primeira pessoa com quem flertaram. Muitos parceiros que parecem adequados à primeira vista, se mostram indesejáveis ou incompatíveis durante o namoro: à medida que vão se sentindo mais seguros e mostrando como realmente são (é comum só mostrar as qualidades e omitir os defeitos nos inícios dos relacionamentos) ou vão tendo que lidar com diversos tipos de situações que só aparecem durante um relacionamento mais duradouro (características indesejáveis ou incompatíveis com o outro parceiro vêm à tona). Um levantamento que realizei recentemente com 368 universitários mostrou que eles, em média, já haviam se apaixonado quatro vezes, ficado com 26 parceiros diferentes, praticado sexo com cinco parceiros sexuais e namorado três pessoas diferentes. Em cada um destes acontecimentos amorosos, houve uma troca de parceiro, ou seja, um relacionamento foi iniciado e terminado ou um sentimento nasceu e se extinguiu ou não foi correspondido. Este estudo confirma, portanto, que fazer várias tentativas é uma experiência comum para a maioria da pessoas antes que elas iniciem um relacionamento mais duradouro e compromissado.
Para conhecer o parceiro é necessário conviver com ele
Para conhecer bem o parceiro é necessário uma boa dose de convivência com ele em diversos tipos de situações. A necessidade desta convivência foi confirmada por um estudo que verificou que os casamentos precedidos por namoros breves demais ou longos demais tinham menor chance de dar certo do que aqueles precedidos por namoros que duravam um tempo razoável.
O que é um namoro “breve demais” ou “longo demais”? Não existe uma resposta simples para esta pergunta. É mais fácil pensar nos motivos da influência do tempo de namoro no sucesso do relacionamento posterior. O motivo provável para a menor chance de sucesso dos namoros muito breves é que eles não permitem que os parceiros se conheçam o suficiente antes do casamento, o que aumenta as chances de o casal descobrir posteriormente muitas incompatibilidades graves. A menor chance de sucesso daqueles casamentos que são precedidos por namoros que se prolongam demais é que esta demora pode indicar que um ou ambos os parceiros estão hesitantes, não se amam o suficiente, estão com motivação insuficiente para dar este passo. É claro que este prolongamento também pode acontecer por motivos alheios às suas vontades (por exemplo, ambos os parceiros ainda não têm idade e condições econômicas para assumir um compromisso) e, neste caso, isto não influi nas chances de sucesso do casamento
Outro motivo para a maior chance de sucesso daqueles que já se conheciam ou que foram apresentados antes do início do namoro é que eles são mais cautelosos para iniciar este tipo de relacionamento amoroso. Isto acontece porque eles correm o risco de estragar o relacionamento que já havia entre eles anteriormente e podem criar constrangimentos para o convívio posterior, caso o namoro não dê certo. Aqueles que foram apresentados, geralmente também pertencem ao mesmo círculo de relacionamentos. Além disso, eles também têm o afiançamento daquele que os apresentou e, por isso, devem se portar de modo a não decepcioná-lo ou a trair a sua confiança.
No entanto, conhecer o parceiro ou ter sido apresentado para ele anteriormente não é uma garantia de que o relacionamento vai dar certo. Cada tipo de relacionamento implica em tipos especiais de interação que não podem ser bem testados em outros tipos de relacionamento. Por exemplo, um ótimo amigo pode ser um péssimo parceiro romântico ou sexual.
O tempo necessário para conhecer o parceiro e testar a compatibilidade com ele no campo amoroso depende de diversos fatores, tais como:
• Quão bem já conhecia o parceiro antes do início do relacionamento amoroso. Quanto melhor já o conhecia e gostava dele antes do início do namoro, menor a chance de decepção nas áreas já conhecidas.
• Oportunidades de convivência. Quantas vezes e por quantas horas os parceiros se vêem por semana? Em que situações eles se encontram? Por exemplo, quem só se encontra nos fins de semana para fazer programas agradáveis vai conhecer menos o parceiro do que alguém que o vê no dia-a-dia em diversos tipos de situações.
• Grau de exposição aos diversos círculos de relação. Observar o parceiro desempenhando diversos papéis (por exemplo: amigo, filho, profissional) é muito mais informativo do que apenas conhecê-lo como parceiro amoroso em momentos de lazer. Além disso, as informações fornecidas por outras pessoas que o conhecem também são muito valiosas. A permissão e o incentivo para participar destes círculos, na condição de parceiro amoroso, é um forte sinal de comprometimento por parte do parceiro.
Uma boa escolha de parceiro deve acontecer durante o período de namoro e não depois, durante a união estável ou o casamento, quando os custos da separação podem ser bem maiores devido aos investimentos já realizados e aos compromissos já assumidos.
Escolha bem aquele que pode ser o seu companheiro pelo resto da vida e viva feliz!
Ao contrário do que muita gente pensa, o grau de sucesso para iniciar relacionamentos amorosos não se mede apenas pela quantidade de parceiros que são atraídos, pela quantidade de encontros que são marcados ou mesmo pela habilidade para desenvolver este tipo de relacionamento. Este sucesso também depende do grau de acerto na escolha de um parceiro atraente e compatível.
Condições necessárias para iniciar um bom relacionamento
Geralmente são necessárias várias tentativas para achar um parceiro compatível e é necessário um bom tempo para conhecer esse parceiro. As seguintes condições são necessárias para realizar estas duas atividades com eficiência:
(1) Ser capaz de atrair parceiros atraentes e compatíveis.
(2) Estar apto para tomar iniciativas amorosas e responder eficientemente a estas iniciativas quando elas são tomadas por parte de possíveis parceiros interessantes.
(3) Estar disposto a conviver com o parceiro em diversos tipos de situações e por um tempo razoável para conhecê-lo melhor antes de assumir um compromisso muito sério.
(4) Ser capaz de absorver da melhor forma possível os términos de relacionamentos que aconteceram por iniciativa dos parceiros.
(5) Ser capaz de terminar na hora certa e com o menor desgaste possível os relacionamentos que se mostram inviáveis.
(6) Ter condições para desenvolver relacionamentos satisfatórios e duradouros.
Neste artigo vamos nos concentrar na terceira destas condições: namorar até conseguir “enxergar” bem o parceiro e, desta forma, fazer boas escolhas. As outras condições serão abordadas em outros artigos.
Os inícios de relacionamentos amorosos podem ser encarados como períodos de experiência. Os principais objetivos desta fase do relacionamento são permitir que os parceiros se conheçam melhor, e verificar se há atração e compatibilidade entre eles. Os estudiosos do comportamento animal afirmam que todas as espécies que têm relacionamentos conjugais prolongados (por exemplo, a arara azul geralmente fica com o mesmo parceiro durante toda a vida) também têm uma fase longa de cortejamento antes da primeira cópula. Um dos motivos para este “namoro prolongado” é a necessidade de escolher bem o parceiro, porque os resultados desta escolha têm tremendas conseqüências. Dela depende, por exemplo, o desempenho sexual do casal e a coordenação eficaz de múltiplas atividades diárias como construir o ninho, encontrar comida e defender os filhotes contra predadores. Devido a estas grandes conseqüências, testar a compatibilidade com o parceiro antes de se vincular com ele de forma profunda, ampla e duradoura é essencial.
São necessárias várias tentativas para encontrar um parceiro compatível
Não é razoável esperar que um ótimo parceiro seja encontrado logo na primeira tentativa. Pelo contrário, é comum que as pessoas não se casem com o primeiro amor, com o primeiro namorado e, muito menos, com a primeira pessoa com quem flertaram. Muitos parceiros que parecem adequados à primeira vista, se mostram indesejáveis ou incompatíveis durante o namoro: à medida que vão se sentindo mais seguros e mostrando como realmente são (é comum só mostrar as qualidades e omitir os defeitos nos inícios dos relacionamentos) ou vão tendo que lidar com diversos tipos de situações que só aparecem durante um relacionamento mais duradouro (características indesejáveis ou incompatíveis com o outro parceiro vêm à tona). Um levantamento que realizei recentemente com 368 universitários mostrou que eles, em média, já haviam se apaixonado quatro vezes, ficado com 26 parceiros diferentes, praticado sexo com cinco parceiros sexuais e namorado três pessoas diferentes. Em cada um destes acontecimentos amorosos, houve uma troca de parceiro, ou seja, um relacionamento foi iniciado e terminado ou um sentimento nasceu e se extinguiu ou não foi correspondido. Este estudo confirma, portanto, que fazer várias tentativas é uma experiência comum para a maioria da pessoas antes que elas iniciem um relacionamento mais duradouro e compromissado.
Para conhecer o parceiro é necessário conviver com ele
Para conhecer bem o parceiro é necessário uma boa dose de convivência com ele em diversos tipos de situações. A necessidade desta convivência foi confirmada por um estudo que verificou que os casamentos precedidos por namoros breves demais ou longos demais tinham menor chance de dar certo do que aqueles precedidos por namoros que duravam um tempo razoável.
O que é um namoro “breve demais” ou “longo demais”? Não existe uma resposta simples para esta pergunta. É mais fácil pensar nos motivos da influência do tempo de namoro no sucesso do relacionamento posterior. O motivo provável para a menor chance de sucesso dos namoros muito breves é que eles não permitem que os parceiros se conheçam o suficiente antes do casamento, o que aumenta as chances de o casal descobrir posteriormente muitas incompatibilidades graves. A menor chance de sucesso daqueles casamentos que são precedidos por namoros que se prolongam demais é que esta demora pode indicar que um ou ambos os parceiros estão hesitantes, não se amam o suficiente, estão com motivação insuficiente para dar este passo. É claro que este prolongamento também pode acontecer por motivos alheios às suas vontades (por exemplo, ambos os parceiros ainda não têm idade e condições econômicas para assumir um compromisso) e, neste caso, isto não influi nas chances de sucesso do casamento
Outro motivo para a maior chance de sucesso daqueles que já se conheciam ou que foram apresentados antes do início do namoro é que eles são mais cautelosos para iniciar este tipo de relacionamento amoroso. Isto acontece porque eles correm o risco de estragar o relacionamento que já havia entre eles anteriormente e podem criar constrangimentos para o convívio posterior, caso o namoro não dê certo. Aqueles que foram apresentados, geralmente também pertencem ao mesmo círculo de relacionamentos. Além disso, eles também têm o afiançamento daquele que os apresentou e, por isso, devem se portar de modo a não decepcioná-lo ou a trair a sua confiança.
No entanto, conhecer o parceiro ou ter sido apresentado para ele anteriormente não é uma garantia de que o relacionamento vai dar certo. Cada tipo de relacionamento implica em tipos especiais de interação que não podem ser bem testados em outros tipos de relacionamento. Por exemplo, um ótimo amigo pode ser um péssimo parceiro romântico ou sexual.
O tempo necessário para conhecer o parceiro e testar a compatibilidade com ele no campo amoroso depende de diversos fatores, tais como:
• Quão bem já conhecia o parceiro antes do início do relacionamento amoroso. Quanto melhor já o conhecia e gostava dele antes do início do namoro, menor a chance de decepção nas áreas já conhecidas.
• Oportunidades de convivência. Quantas vezes e por quantas horas os parceiros se vêem por semana? Em que situações eles se encontram? Por exemplo, quem só se encontra nos fins de semana para fazer programas agradáveis vai conhecer menos o parceiro do que alguém que o vê no dia-a-dia em diversos tipos de situações.
• Grau de exposição aos diversos círculos de relação. Observar o parceiro desempenhando diversos papéis (por exemplo: amigo, filho, profissional) é muito mais informativo do que apenas conhecê-lo como parceiro amoroso em momentos de lazer. Além disso, as informações fornecidas por outras pessoas que o conhecem também são muito valiosas. A permissão e o incentivo para participar destes círculos, na condição de parceiro amoroso, é um forte sinal de comprometimento por parte do parceiro.
Uma boa escolha de parceiro deve acontecer durante o período de namoro e não depois, durante a união estável ou o casamento, quando os custos da separação podem ser bem maiores devido aos investimentos já realizados e aos compromissos já assumidos.
Escolha bem aquele que pode ser o seu companheiro pelo resto da vida e viva feliz!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Janela é o bater das asas de borboleta

Para enfrentar o calor insuportável que faz em São Paulo - calor de primavera! Como será o calor do verão?- busquei por coisas antigas, esquecidas, guardadas pela casa, não ut
ilizadas ou pouco utilizadas.Eu não gosto de ar condicionado, não o considero saudável, tampouco higiênico. Com o tempo, o ar condicionado fica viciado e mantém no ambiente odores, bactérias, vírus e outras coisas esquisitas que estão por aí. Sim, todos acreditam que é feita manutenção e limpeza apropriada dos dutos do ar condicionado, de seus filtros e demais componentes. Acreditam até surgir a primeira virose inexplicável. Não há nada como abrir a janela, apreciar as árvores, o som dos passarinhos, o colorido do dia e deixar entrar a poluiçã
o, o barulho, a poeira desta cidade. Eu sei. O
o, o barulho, a poeira desta cidade. Eu sei. Oque fazer para evitar que nosso organismo seja exposto às mudanças bruscas de temperatura, dos diversos ambientes frequentados? Agora, por exemplo, em pleno calor, estou com tosse, dor de cabeça e voz rouca. No escritório, em dois dias, mais da metade dos empregados sentem os mesmos sintomas. Por esta e outras razões juntei algumas coisas e criei o meu kit de verão, que inclui a mudança do hor
ário do almoço e outras coisitas mais: Litros de água mineral. Litros. Suco de melancia - adoro suco gelado e docinho de melancia. Leque, por que não? Charmoso, misterioso e, por vezes, trabalhoso, é bom ter um leque na bolsa. Chapéu de verão n
a cidade, sim, porque nenhuma cabeça sã consegue aguentar o sol super quente desses dias de calor. Num site europeu encontrei a seguinte descrição: Chapeau d'été uv, protège contre les UV, então, é chique e, segundo o apelo comercial, protege contra os raios UVA e UVB.
ário do almoço e outras coisitas mais: Litros de água mineral. Litros. Suco de melancia - adoro suco gelado e docinho de melancia. Leque, por que não? Charmoso, misterioso e, por vezes, trabalhoso, é bom ter um leque na bolsa. Chapéu de verão n
a cidade, sim, porque nenhuma cabeça sã consegue aguentar o sol super quente desses dias de calor. Num site europeu encontrei a seguinte descrição: Chapeau d'été uv, protège contre les UV, então, é chique e, segundo o apelo comercial, protege contra os raios UVA e UVB. O ventilador quanto mais antigo melhor. É sempre divertido, embora possa fazer barulho semelhante ao das hélices do Electra. Quem não gostaria de ter um ventilador GE dos anos cinquenta? Lenços umedecidos e os da kleenex são facilmente encontrados, mas não têm um cheirinho agradável. Enfim, coloque um pacotinho na bolsa perto do leque. Óculos escuros, bem escuros, para proteger nossos olhos d
o sol, que é uma das causas da catarata precoce. Óculos antigos da Ray-Ban são charmosos, receberam a classifica
ção vintage e fazem par com o ventilador da GE. O meu está aqui, tem mais de trinta anos e sobreviveu ao meu jeito meio estabanado. Spray de água de rosas, ou, de água de flor de laranjeira. No século passado, a rua Barão de Itapetininga era charmosa e na Drogasil, perto do Teatro Municipal, a dona Haydé, com seus cabelos azulados e avental cor-de-rosa, fazia a limpeza de pele de dez entre dez senhoras elegantes, além de vender vidrinhos de água de rosas e cosméticos de primeira linha. Agora, a Barão de Itapetininga não é
mais aquela e água de flores encontramos em casas de guloseimas libanesas e sírias. Água de flores importada, mas, afinal, merecemos armazená-la em uma garrafinha de plástico com spray, para refrescar nosso rosto e nuca. Você burrificou água de flores no seu rosto? Por favor, não se esqueça de reforçar o filtro solar. Deixei para o final a sombrinha japonesa, ou chinesa, e confesso que pago minha língua porque eu consid
erava frescura das senhoras que andavam sob o sol protegidas por essas sombrinhas. Fato é que ando em fase mais autêntica e não me importaria de usar uma sombrinha, como um a jovem senhora, nem de amarrar meus cabelos com uma fita de cetim colorida. A isso, também chamam liberdade. O que não pode faltar de jeito algum no kit de verão? Bom humor. Bom humor é fundamental. Bom humor e paciência.
o sol, que é uma das causas da catarata precoce. Óculos antigos da Ray-Ban são charmosos, receberam a classifica
ção vintage e fazem par com o ventilador da GE. O meu está aqui, tem mais de trinta anos e sobreviveu ao meu jeito meio estabanado. Spray de água de rosas, ou, de água de flor de laranjeira. No século passado, a rua Barão de Itapetininga era charmosa e na Drogasil, perto do Teatro Municipal, a dona Haydé, com seus cabelos azulados e avental cor-de-rosa, fazia a limpeza de pele de dez entre dez senhoras elegantes, além de vender vidrinhos de água de rosas e cosméticos de primeira linha. Agora, a Barão de Itapetininga não é
mais aquela e água de flores encontramos em casas de guloseimas libanesas e sírias. Água de flores importada, mas, afinal, merecemos armazená-la em uma garrafinha de plástico com spray, para refrescar nosso rosto e nuca. Você burrificou água de flores no seu rosto? Por favor, não se esqueça de reforçar o filtro solar. Deixei para o final a sombrinha japonesa, ou chinesa, e confesso que pago minha língua porque eu consid
erava frescura das senhoras que andavam sob o sol protegidas por essas sombrinhas. Fato é que ando em fase mais autêntica e não me importaria de usar uma sombrinha, como um a jovem senhora, nem de amarrar meus cabelos com uma fita de cetim colorida. A isso, também chamam liberdade. O que não pode faltar de jeito algum no kit de verão? Bom humor. Bom humor é fundamental. Bom humor e paciência. terça-feira, 3 de novembro de 2009
Dobrar mulher não custa, se ela pensa por alto no que é próximo e querido
Entremear abobrinhas com outras abobrinhas é forma de tornar a vida um pouco mais leve, fluída, menos maçante. Durante esta semana recebi telefonemas do hospital para postergar um exame e do laboratório - o preferido pelos melhores médicos - essa conversa bem mais preocupante. Conhecer-se, cuidar-se da melhor forma possível manter a atenção sobre os índices dos exames feitos periodicamente. Em outras palavras: Por mais que dependamos de profissionais da saúde, especialistas em suas atividades, pesquisar, aprender e desconfiar são três palavras essenciais. Pois, aparentemente, trocaram, ao menos essa foi a justificativa da enfermeira que telefonou, os tubos de ensaio: Etiquetaram minhas amostras como se fossem de outra pessoa, ou, ao contrário. Sim, não são nada bobos e cuidam para que causa e efeito não fiquem registradas. Resultado? Boa dose de preocupação adicional, exames apresentados a três médicos distintos, um deles alterou a medicação por conta dos resultados e a iniciativa de exigir que meu filho também fizesse exames, graças ao temor de possível contaminação. A médica que, a exemplo de seus colegas, acredita piamente nos exames realizados nesse laboratório, tentou justificar de todas as maneiras os resultados atípicos: Os índices ficaram mais sensíveis, isso se pega no ar e outras ideias tão furadas quanto a troca das etiquetas dos tubos. Qual seria a reação de um paciente que recebesse resultados que indicassem, por exemplo, a presença da AIDS, de câncer e demais enfermidades assustadoras? E se desses exames dependesse a decisão sobre a realização de alguma cirurgia? A cabeça habitualmente enrolada de todos nós, não está habituada a esse tipo de descuidos.Assim, nesta manhã, os trinta e cinco exames solicitados por três médicos foram refeitos e senti meus pais bem mais próximos, porque, no começo da década de sessenta, nesse mesmo laboratório, à época, igualmente considerado o melhor pelos melhores médicos, entregou resultado que atestava ser minha mãe portadora de câncer ginecológico. Imagino as reações distintas de meus pais e do ginecologista. Talvez, quem sabe, este tenha sido sinal para alguma coisa que ainda não entendi, porque nada costuma ser tão à toa. Falei sobre cabeças enroladas, não? Estou cansada. Passará.
Imagem obra de Cezanne
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O poema é uma flor de sílabas, em que as pétalas são vogais e o caule uma consoante
Provavelmente noutro tempo, noutras circunstânciaschegaríamos a iguais resultados
pelo que de nada adianta imaginar um almajesto
ou tabelas de paralaxe para isto
a que convencionalmente chamamos amor,
nem calcular o ângulo
entre nós e o centro da terra,
de nada nos aproveitara, tu e eu
centros escorraçados de irregular gravitação.
Porém, isso não me impediu de ver plêiades
cada vez que surgias (só
não te dizia nada) plêiades iluminando
meu Hades
com suas cabrinhas coruscantes
pascendo
o vale da sombra da morte.
E a questão hoje é: who’s gonna drive you home tonight?
quando o melancólico transístor
destila também outras perguntas, mas nenhuma
tão dura quanto essa,
por exemplo: porque é que a água tem mais tendência
a subir em tubos estreitos
ao contrário do mercúrio?
Isto é view-master e são coisas que faço
na tua ausência.
* * *
Não quero nada claro ou helênico.
Prefiro turbinas de aviões comerciais, a sua fuligem
doméstica
às velas de alabastro do veleiro de Ulisses
lá em mar alto.
Prefiro o eclipse a Calipso.
Não quero nada de verdadeiramente branco.
Dispenso a asa delta de garças,
o seu voo aerodinâmico,
troco-o pela arribação de ratos no esgoto,
a sua pressa chinesa,
o seu stress pós-traumático:
orgulham-me criaturas tão limpas.
Assim também recuso o papel branco:
trato de o desfigurar
com sangue negro, como se desfigura
um branco em Harlem.
Não quero começar a imaginar como se sentiriam
escravos nos campos de algodão.
* * *
O meu poema teve um esgotamento nervoso.
Já não suporta mais as palavras.
Diz às palavras: palavras
ide embora,
ide procurar outro poema
onde habitar.
O meu poema tem destas coisas
de vez em quando.
Posso vê-lo: ali distendido
em cama de linho muito branco
sem perspectivas ou desejo
quedando-se num silêncio
pálido
como um poema clorótico.
Pergunto-lhe: posso fazer alguma coisa por ti?
mas apenas me fixa o olhar;
fica a li a fitar-me de olhos vazios
e boca seca.
* * *
Eu ficarei à espera de que as uvas
das minhas videiras
amadureçam
à luminosidade da palavra
dia
* * *
As luzes elétricas, pode ser que as luzes elétricas
impeçam o outono de cair e a ave
de à janela surgir
na sua gabardina cinzenta.
A mandíbula aperta um verbo
e ave alguma surge
e coisa alguma acontece: é o outono
das folhas que caem, só –
nem um verbo cai assim.
Só soldado
e um sino entortado, toldado
badalamento frio,
pode ser que as luzes elétricas
e os paralelepípedos por exemplo,
pode ser que impeçam
a irregularidade no pavimento ou as horas
de se chocarem umas contra as outras
e as conchas dos guarda-chuvas
que toldam a cidade
pode ser que desenhem o teu nome
como num musical
pode ser que as lojas fiquem
e as lajes vão,
pode ser que não seja assim
dessa forma tão iníqua
que a chuva insista.
Loving myself actually
Ah, pela primeira vez, desde que ingressei na chamada 'vida adulta' - expressão tão duvidosa essa - não farei a contagem diária regressiva, porque o corre-corre é considerável, mas, sim, abraçarei o dia vinte e oito deste mês de forma especial e, ao meu jeito, darei as boas-vindas ao novo ciclo. Com a simplicidade, a leveza e a gratidão que essa passagem requer.
domingo, 1 de novembro de 2009
November - time can but make her beauty again, make it easier to be wise

Em novembro Cummings se dilui nas pétalas da orquídea elegante e em poesia traz o verdadeiro amor. Novembro tem as cores da paz e do equilíbrio, tem cheiro de grama recém cortada, barulho do movimento das águas cristalinas a correr entre as pedras arredondadas do rio, sabor de doce de amêndoas e de pistache, de fruta fresca e suculenta, de chá gostoso e de chocolate. Novembro tem mais leveza, colorido diferente e alegria, a alegria que só novembro é capaz. Novembro tem o jeito do carinho e da segurança do colo do pai, do sorriso e do abraço apertado da mãe, do aconhego inigualável no ser amado e da proteção divina reforçada pela fé. Novembro é pleno de proteção e fé.
it is at moments after i have dreamed
of the rare entertainment of your eyes,
when (being fool to fancy) i have deemed
with your peculiar mouth my heart made wise;
at moments when the glassy darkness holds
the genuine apparition of your smile
(it was through tears always) and silence moulds
such strangeness as was mine a little while;
moments when my once more illustrious arms
are filled with fascination, when my breast
wears the intolerant brigthness of your charms:
one pierced moment whiter than the rest
turning from the tremendous lie of sleep
i watch the roses of the day grow deep.
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