segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

You’d be so proud of us now



It’s me speaking


Hello, customer service, it’s me speaking,
yes, how may I help you?
I’m sorry ma’am, I know you’ve waited a long time in the queue
no, I cannot transfer you to my supervisor,
ma’am, protocol talks here, contracts, performance reviews,
bonuses for outstanding human resources,
and on the first of the month a cheque that doesn’t quite cover
the roots of grey hair.
(Ma’am, can’t you hear your baby crying?)


It’s me, a human answering service, speaking to you
twenty-four hours a day seven days a week
we are here, crowded together underground
from sunrise till the soul expires
in a place they call open space, neon-lit,
windowless, with a loo in the corner, a supervisor who listens in
and fines me when I impolitely force
the same package of lies on each person,
ma’am, it doesn’t matter what you say,
(your baby won’t stop crying)
every person has a price and a lie that lights
the way down from above.
How may I help you?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Billie Holiday, Fine and mellow, 1957

Do psicopata de cada dia nos livrai

A quantidade de fãs é imensa e todos são aficionados pelas peripécias do protagonista da premiada série televisiva do psicopata cronico que mata outros psicopatas. “Ele é genial”, “é o outro lado do espelho”, “você é preconceituosa” são alguns dos inúmeros comentários que tentam justificar o forte apelo que  Dexter, “o cara do bem”, exerce. Como? Por favor, repita. Um psicopata homicida do bem?
Para ele nossa permissividade foi base da criação de duas categorias bizzaras antes inimaginadas: O “psicopata do bem” e o “psicopata do mal”, o primeiro, pelo entendido, o novo protótipo de justiceiro que lavaria a nossa alma de todas as injustiças e erros resultantes de um sistema policial e judiciário corrompido e inepto, não importam os métodos utilizados - certamente, um novo limite para a máxima dos fins justificantes dos meios.
Relembro experiência e imagino que seria possível, pela considerável revolta sentida na década de oitenta, que os então quartanistas da Faculdade de Direito quisessem o Dexter por perto para uma boa conversa com o entrevistado em pesquisa realizada na Penitenciária do Estado, um estuprador confesso de crime praticado contra uma garotinha de três anos e responsável pela enfática afirmação de que havia de fato estuprado e de novo estupraria. Não! Não seria esse o caminho. Era necessário que existisse alguma diferença - a grande diferença - entre aquele cruel psicopata e seu corretor. Afinal, se um psicopata nos protege dos demais psicopatas, quem dele nos protegerá? Talvez um terceiro psicopata, quem sabe.
Eu sei que meu desinteresse por Dexter me situa fora do grande oceano que rege suas marés com base nas aventuras desse novo protótipo de justiceiro e me faz confessar o meu estranhamento pelo forte fascínio que ele provoca, tanto quanto considero estranho o encantamento por vampiros e lobisomens assumido pela geração Crepúsculo. Há vários vieses nesses caminhos que fazem pensar.
A minha preocupação está no reflexo em nossos comportamentos diários e a presença do psicopata abusivo no local de trabalho, mas um bom técnico; o marido psicopata e violento, mas um ótimo provedor; o vizinho psicopata, mas um competente organizador de churrascos. Esse 'mas' é temeroso e tenta justificar os riscos aos quais nos expomos. Até que esse mesmo 'mas' inicie outra justificativa, a da essencia da própria psicopatia.


As pesquisas indicam que vez mais pessoas optam por obter na internet filmes (as salas de projeção estão em baixa) e capítulos de seriados. Considerando a péssima qualidade de serviço prestado pelas transmissoras da TV a cabo, que atrasam em demasia a apresentação de novas temporadas, insistem na sofrível programação dublada e repetem mil vezes cada episódio, eu também atualizo pela internet as séries de minha preferência para meu uso exclusivo. É uma pena que um serviço caro apresente resultado ruim. 
     

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Because, often, and now especially, I hear the sound of my own dress like the sound of two powerful wings opening and closing




Vigilant

The poet should be ever
vigilant, be above all tender.
Be willing to always fall from the sky for her,
take care the jazz loosens up his muscles.

He should be ever
vigilant that there’s entertainment to our
heart’s content, that we might mumble
the poet’s verses into a woman’s ear.

He should be ever
vigilant to be weak sometimes.
So than the wind will win against his hearing, whisper
lines to him with which he’ll build a body

around his finger.
For then the poet can say: o, embrace me,
time has yet to pass me by.


Maarten Inghels

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Martha Argerich - Scarlatti Sonata in D minor K141

O exercício da poesia, a busca verbal de finalidade desconhecida, a percepção das palavras

É duro escrever sobre descobertas áridas e aprendizados tão cruéis quanto necessários, pedaços feridos desprendidos, arrancados, cicatrizados e outros cuidados com o zelo do distanciamento e do tempo curadeiro, a constatação que o fim, ah, o nosso fim independe do nosso entendimento e até mesmo do nosso querer.
Recentemente e no momento certo, tudo parece estar ligado ao momento certo, iniciei a leitura do livro de Andrew Solomon, “O demônio do meio-dia uma anatomia da depressão” e enfeito suas páginas com adesivos coloridos, minhas bandeirolas pessoais que definem quais ideias e frases merecem releitura, quais devem ser repensadas e assimiladas com mais atenção. Esta não será leitura fácil, caracterizada pela fluidez habitual, mas um bom desafio para concordar, discordar, se entristecer, descobrir e concluir: É isso! Não é apenas isso! 
“A depressão é a imperfeição no amor. Para podermos amar, temos que ser criaturas capazes de se desesperar ante as perdas, e a depressão é o mecanismo desse desespero. Quando ela chega, degrada o eu da pessoa e finalmente eclipsa sua capacidade de dar ou receber afeição. É a solidão dentro de nós mesmos que se torna manifesta, e destrói não apenas a conexão com os outros, mas também a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo. Embora não seja nenhum profilático contra a depressão, o amor é o que acolchoa a mente e a protege de si mesma” ou a rasteira inicial, o primeiro soco no estômago, o empurrão violento e inesperado da pessoa amada que estatela a moça preterida no chão. A moça não merecia ser empurrada, ninguém merece ser empurrado.
Considere o temor que o desconhecido provoca, porque pouco sabemos sobre a depressão, e acrescente a dificuldade de encontrar bons profissionais de saúde que saibam lidar com essa enfermidade. Sim, a depressão é doença; um desequilíbrio químico dizem alguns (tudo é química, já repararam?) estigmatizado socialmente pela nossa imensa ignorância, nosso estúpido preconceito. Há o risco de, com o tempo, tornar-se a genérica “virose" dos diagnósticos médicos imprecisos e limitados - eu temo a futura banalização da depressão.
Fatores genéticos e o meio externo colaboram para o desenvolvimento da depressão, mas não são preponderantes. A tristeza profunda e momentânea não pode ser confundida com a depressão, muito menos o comportamento menos positivo ou otimista diante das agruras da vida. Seria bom (ou desastroso) se todos tivessem o leve, positivo e alegre modo tralalá conectado tempo integral, o que não é humano tampouco normal, porque a minha reação diante de alguma circunstância não é igual a reação de outra pessoa, cuja reação difere da terceira. Somos complexos e parte da nossa complexidade é decorrente da nossa formação, da nossa vida familiar, dos valores assimilados e tantas outras variantes possíveis. É o que faz com que os estudos sobre a depressão apontem possibilidades e parametros por vezes arbitrários e ineptos, afinal, lidamos com o complexo estado de espírito para o qual a equação C1 (MHPG) - C2 (VMA) + C3 (NE) - C4 (NMN + MN) / VMA + C0 = escore tipo D agrupa lindamente um monte de letrinhas sem qualquer nexo e define mostrengos esquisitos como o 3-metoxi-4-hidroxifenilglicol, que nada mais é do que um composto que os não depressivos teriam em seus xixis. No entanto é quase impossível determinar até que ponto uma experiência específica conduz a um tipo de depressão.
A minha experiência, e só posso expor a minha experiência, inicia pela influência da depressão de alguém extremamente próximo, respeitado e amado: Minha mãe era depressiva e, às vezes, a depressão dela me fundeava, diminuía o meu "joie de vivre”; dedicar-se em demasia ao trabalho foi fuga (estudo recente determinou que o excesso de trabalho causa depressão) e também necessidade de suprir a limitação da equipe e dos recursos geridos por tantos anos; credulamente relacionar-se com pessoa abusiva deixaria a mais forte das criaturas depressiva; o enfrentamento solitário de doença grave pode ser motivo de depressão, assim como a descoberta parcial de informações fundamentais sobre si. Sem dúvida foi um amontoado de fatores costurados pela vida com esmero e criatividade ímpares. Um único desses elementos seria suficiente e o conjunto deles foi insuportável. E, cá entre nós, é mais do que dispensável o insensível e descabido comentário “você é forte”, porque para determinadas circunstâncias ninguém é.
No meu processo de cura desconsiderei o clínico geral que nos assiste em todos os males e pesquisei o psiquiatra mais adequado (não o neurologista, mas o psiquiatra). Cumpri religiosamente todas as orientações, afastei os focos e pessoas negativas, tomei os medicamentos nas dosagens prescritas: Venlafaxina, fumarato de quetiapina, bupropiona e cloxazolam. Remédio para dormir, para levantar, para viver e foi toda essa química usada para equilibrar a química do meu cérebro, que me fez tocar o fundo do abismo e nele me aconchegar até recuperar o fôlego para iniciar a subida à superfície. Cuidado! A medicação ajuda mas por si não cura, o esforço pessoal do enfermo é fundamental. Recuperar a fé foi essencial e não desacreditar do amor também. Após um ano, a depressão severa e incapacitante deixou de ocupar todo o espaço e desistiu de comandar minha vida. 
Para enfrentar a depressão considero importante a assunção da enfermidade da mesma maneira que alguém faria ao, por exemplo, comentar ser diabético ou alérgico a pelos de animais. Eu tenho depressão ou eu sou depressivo dito com a mesma normalidade do eu sou hipertenso, sem qualquer desconforto social. O depressivo não é mais fraco que os demais ou desequilibrado, como acreditam os preconceituosos e ignorantes. Procure o auxílio que estiver ao seu alcance e se afaste das causas da sua depressão, ou, no mínimo, diminua a influência que possuem sobre você. Engordar é uma das consequencias da depressão, não salutar é óbvio, mas inicie a arrumação do seu interno para depois se ocupar do exterior. Tenha paciência, aceite seu próprio carinho e dedicação. O tempo é fundamental para a cura assim como o amor. 
Para fortalecer a recuperação exercite o reconhecimento do seu próprio comportamento, das suas reações, e aprenda a se prevenir contra a depressão.
E aqui vai uma afirmação de entendimento temeroso, mas não menos verdadeiro: Se a depressão é a exaustão e a aridez emocional, o ausentar-se de si mesmo, a decadência e o caos, também é nascimento ou renascimento. É o refazer-se da ruína, uma das mais valentes e belas lições de vida. 

Nothing twice





“Nothing can ever happen twice.
In consequence, the sorry fact is
that we arrive here improvised
and leave without the chance to practice.

Even if there is no one dumber,
if you’re the planet’s biggest dunce,
you can’t repeat the class in summer:
this course is only offered once.

No day copies yesterday,
no two nights will teach what bliss is
in precisely the same way,
with precisely the same kisses.

One day, perhaps some idle tongue
mentions your name by accident:
I feel as if a rose were flung
into the room, all hue and scent.

The next day, though you’re here with me,
I can’t help looking at the clock:
A rose? A rose? What could that be?
Is it a flower or a rock?

Why do we treat the fleeting day
with so much needless fear and sorrow?
It’s in its nature not to stay:
Today is always gone tomorrow.

With smiles and kisses, we prefer
to seek accord beneath our star,
although we’re different (we concur)
just as two drops of water are.”

Wislawa Szymborska 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Emmanuel Pahud - Corrente from Bach's Partita BWV 1013

Transforma-se o amador na coisa amada, corre pelas formas dentro. E a coisa amada é uma baía estanque.

1. Que está ou vive sozinho, ou gosta de estar só (navegador solitário); ISOLADO [antôn.: Antôn.: acompanhado.]
2. Que ocorre na solidão (existência solitária); RECLUSO; RETRAÍDO
3. Que não convive com seus pares ou semelhantes (caçador solitário); DESACOMPANHADO [Antôn.: acompanhado.]
4. Que se encontra em lugar longínquo, afastado das concentrações humanas (cabana solitária)
5. Que foi abandonado por todos; que se encontra só; APARTADO [antôn.: Antôn.: congregado.]
6. Bot. Que nasce e floresce de maneira isolada (arbusto solitário); SÓ
7. Bot. Que só tem um caule; UNICAULE
8. Indivíduo que vive em solidão; EREMITA; ERMITÃO; MISANTROPO
9. Monge que vive em isolamento; ANACORETA
10. Nome comum a certos religiosos que vivem isolados do mundo
11. Joia em que se coloca apenas uma pedra preciosa
12. P.ext. A pedra que se coloca nessa joia, esp. o diamante
13. Vaso longo e estreito no qual se colocam ger. uma ou duas flores de haste comprida



“Atirado ao deserto, era agora um animal solitário"

Isole, bata na madeira, segure o patuá, reze fervorosamente todas as orações conhecidas e crie suas próprias orações, entoe mantras, medite, dê três pulinhos meia volta e volta e meia, prometa, reprometa, ofereça o sacrifício e, principalmente, não cite a palavra, a tal, diga apenas “so”, a mesma atitude adotada com o cancer, céus! o “ca”, nós não dizemos essas palavras. Nós não dizemos!
Acreditamos que evitar a palavra impede sua materialização, a mantém irreal e distante. “Ca”, “so” e outros monossílabos baseados em nossos temores.
Sim, é fato que aceitamos o inaceitável, contaminamos nossas vidas com relacionamentos sofríveis, perdemos precioso tempo, diminuímos nossas expectativas ou deixamos de ter expectativas, nos enganamos e consideramos verdade a mentira e a meia mentira, nos iludimos com fictícia qualidade de vida, cerceamos nossa intuição, desconsideramos todos os sinais de nosso organismo, fechamos os olhos e a mente, tudo para evitar a solidão amorosa e a sensação de animais solitários atirados no deserto sem um oásis, a sombra de uma tamareira, sequer uma gota de água.
Estar só é considerado castigo ou, no mínimo, incapacidade para encontrar a cara metade (não tão cara nem metade, comumente diversas pseudometades mantidas por períodos variados ao longo da vida) que nos firme socialmente, nos enquadre em categoria super valorizada e nos poupe do estigma de criaturas problemáticas, desequilibradas, idiossincráticas e, quem sabe, com a casa cheia de gatos.
Posicionar-se optante da solidão amorosa parece coisa de outro mundo e desafia o entendimento dos que, consciente ou inconscientemente, temem a solitude. Pois é esta a minha certeza atual, baseada na vivência dos últimos anos: A solidão amorosa é opção corajosa que em nossa vida adulta deve ser abraçada e aproveitada para nosso melhor aprendizado, para reconhecer e se desfazer de amalgamas emocionais, para observar a vida sem influencias e definir com exatidão o que queremos, arrumar nosso interno, fortalecer nossas referências e qualidades, concluir nossa construção e, no futuro, melhor conviver com o outro. Longe de ser eremita, reclusa, retraída, isolada, mantenho a opcional solidão amorosa a meu favor e afastada da inevitável assimilação do outro, sempre resultante das relações amorosas, pela primeira vez na vida eu me encontro. 
O meu timbre de voz, a minha maneira de falar, o meu pensar, os meus trejeitos, as minhas crenças e certezas, o meu gostar e o desgostar, finalmente identificados, meus, sem a influência de algum ser amado. Como é possível viver com o outro sem nele se perder? Como é possível viver bem com o outro sem se conhecer? A solidão amorosa traz bem-vinda oportunidade única e dela não necessito qualquer resgate - por mais que você entenda o contrário.
Longe de ser sinonimo de vulnerabilidade, a solidão amorosa é o melhor caminho para se encontrar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011


Este é excelente presente, coisa para ser lida e relida, esquecida e reaprendida com certa frequência. Poema de Constantino Kavafis certamente postado em outra ocasião aqui, sempre sábio e pertinente. Aproveitem.

"Se partires um dia rumo a Ítaca, 
faz votos de que o caminho seja longo, 
repleto de aventuras, repleto de saber. 
Nem Lestrigões nem os Ciclopes 
nem o colérico Posídon te intimidem; 
eles no teu caminho jamais encontrarás 
se altivo for teu pensamento, se sutil 
emoção teu corpo e teu espírito tocar. 
Nem Lestrigões nem os Ciclopes 
nem o bravio Posídon hás de ver, 
se tu mesmo não os levares dentro da alma, 
se tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo. 
Numerosas serão as manhãs de verão 
nas quais, com que prazer, com que alegria, 
tu hás de entrar pela primeira vez um porto 
para correr as lojas dos fenícios 
e belas mercancias adquirir: 
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos, 
e perfumes sensuais de toda a espécie, 
quanto houver de aromas deleitosos. 
A muitas cidades do Egito peregrina 
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente. 
Estás predestinado a ali chegar. 
Mas não apresses a viagem nunca. 
Melhor muitos anos levares de jornada 
e fundeares na ilha velho enfim, 
rico de quanto ganhaste no caminho, 
sem esperar riquezas que Ítaca te desse. 
Uma bela viagem deu-te Ítaca. 
Sem ela não te ponhas a caminho. 
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. 
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência, 
e agora sabes o que significam Ítacas."

Voltar também faz parte do bom caminho

Acostumar-se com algo é ultrapassado, talvez até inapropriado. Novidades sempre. Nossa (combalida) capacidade de adaptação é constantemente desafiada. Como? Mais de um ano longe deste blog? Ah, querida, você encontrou tanta novidade (gráficos, estatísticas, novo layout interno, dados sem-fim, informações úteis e inúteis) e pensou ser bem mais interessante sair desta página e cuidar da vida, curtir um bom livro e música de primeira, bater um longo papo com pessoas queridas, passear com o cão, ir ao cinema, preparar alguma gostosura (aprendeu a cozinhar gostosuras e, principalmente, aprendeu a gostar de cozinhar). Mas persistente e um tanto curiosa respira fundo, alonga a coluna, cruza os braços e finca o pé direito enquanto pensa: Este aqui também é meu pedaço, sem dúvida amorosamente compartilhado, e resolve ficar enquanto quiser ficar. Eu sei bem como é. Você oscilou entre o que chatice tanta mudança e o fato desta coisa cheia de textos e fotos e vídeos e poesias ter sido, em parte, o que ajudou a segurar o que se apresentou para ser segurado - e o que se apresentou para ser segurado foi um monstrengo malvado e indócil do tamanho do mundo, ou, uma pena suave e frágil, porque o todo não passa de nada dependendo da perspectiva; assim, o caos se  torna a melhor fonte de criação e superação. Afinal, o caos é o princípio de tudo.
Lições, preciosas lições, que somente um ser totalmente desprovido de sensibilidade e inteligência - da mediana, nada muito especial - deixaria de reconhecer e aprender e entender que a vida, bom a vida tem uma criatividade surpreendente e a disposição de dedicada e incansável professora que, carinhosamente, sorri para determinado aluno, depois, dá uma carinhosa piscadela, joga o giz na cabeça do aprendiz, uma pedrinha, uma bolinha de gude, um tijolo, uma pedreira inteira, até a adorável criaturinha acordar e, finalmente, aprender. E a dedicação da vida não se limita à pedreira jogada sobre a cabeça (ainda bem que ela, a vida, não sofre da síndrome da Rainha de Copas de Alice), mas também de repetir a lição até confirmar que a garota realmente aprendeu - no caso, em especial, a dizer não, simples assim.
Em outra ocasião virá texto sobre a depressão e tudo o que essa coisa ruim faz com a gente. Quem sabe algo sobre solidão adorável e construtiva. Sobre odisseias internas, tão assustadoras e dolorosas quanto abençoadas e admiráveis. Sobre Cíclopes e Lestrigões apavorantes e imaginários. Sobre vida e entusiasmo. 
No mais, se quiser e puder guarde bem esta imagem: Os 50 são adorável e exclusiva ponte entre os 40 e os 60. É a segunda adolescência desprovida da angústia e dos incômodos da primeira. É a época mais espetacular da nossa vida. Acredite. Por isso, cuide para atravessar essa ponte tão especial com o máximo de leveza que puder, acompanhado pela essencial fluidez. Tudo apenas começa. 
  

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Snooky Ookums , Fred Astaire and Judy Garland, 1948



Cute cute, bizuquinho, bizuquinha, vida, benhê, mãe, moorr, bebê, duduquinho, pai, nhumy nhumy, princesa... A sofrível linguagem pseudo amorosa.

Fairy tales are full of impossible tasks

The hounds, you know them all by name.        
You fostered them from purblind whelps
At their dam’s teats, and you have come
To know the music of their yelps:

High-strung Anthee, the brindled bitch,
The blue-tick coated Philomel,
And freckled Chloe, who would fetch
A pretty price if you would sell -

All fleet of foot, and swift to scent,
Inexorable once on the track,
Like angry words you might have meant,
But do not mean, and can’t take back.

There was a time when you would brag
How they would bay and rend apart
The hopeless belling from a stag.
You falter now for the foundered hart.

Desires you nursed of a winter night -
Did you know then why you bred them -
Whose needling milk-teeth used to bite
The master’s hand that leashed and fed them?

*        *        *

The blackbird sings at
the frontier of his music.
The branch where he sat

marks the brink of doubt,
is the outpost of his realm,
edge from which to rout

encroachers with trills
and melismatic runs sur -
passing earthbound skills.

It sounds like ardor,
it sounds like joy. We are glad
here at the border

where he signs the air
with his invisible staves,
“Trespassers beware” -

Song as survival -
a kind of pure music which
we cannot rival.

*        *        *

So long I have been carrying myself
Carefully, carefully, like a small child
With too much water in a real glass
Clasped in two hands, across a space as vast
As living rooms, while gazes watch the waves
That start to rile the little inland sea
And slap against its cliffs’ transparency,
Revise and meet, double their amplitude,
Harmonizing doubt from many ifs.
Distant frowns like clouds begin to brood.
Soon there is overbrimming. Soon the child
Looks up to find a face to match the scolding,
And just as he does, the vessel he was holding
Is almost set down safely on the bookshelf. 

domingo, 10 de outubro de 2010

Maintaining ideas

"Think peace, act peace, spread peace."
"War is over (if you want it!)."