quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Não postergar a felicidade e o bem-estar

Dizem que Hemingway, Picasso e Matisse usavam Moleskine.
Imaginei Hemingway e Martha Gellhorn sentados em um dos charmosos cafés, que ficam próximos do Gran Canal de Veneza, cada qual com seu dry Martini e ele, devidamente inspirado, a escrever em seu Moleskine.
Ganhei o meu de presente e, por enquanto, ficará guardado na mesma caixa turquesa da agenda com capa tecida com lã, ao estilo anatoliano, e da caneta especialíssima pela história que representa. É a mania de guardar certas coisas para momentos inesquecíveis. O perfume, o cristal, o tecido, o champagne, a lingerie, o adorno, a bolsa, os sapatos, que ficam para depois. É comportamento que vem de longe, herdado, não constituído.
Aprendo que certos prazeres, por menores que sejam, podem ser usufruídos no presente. Mesmo porque o futuro começa no próximo minuto, e nossa existência é efêmera demais para postergar o bem-estar e a felicidade.
É uma forma também, de não esperar por momentos inesquecíveis, mas de criá-los agora, tornando-os bem mais freqüentes.

Preparativos para o ano novo chinês

Para bebericar e curtir os amigos, as refeições na Grécia, e na Turquia, também são servidas em pequenas porções (mezethes) que ficam dispostas sobre a mesa para apreciação de todos - comer bem e de forma variada.
Um bom copo de vinho, boa música, pessoas agradáveis e mezethakia são garantias para horas inesquecíveis.

O ano novo chinês terá início no próximo dia sete de fevereiro e, segundo o aquele zodíaco, será o ano do rato. O rato, tal qual o porco – javali – têm características bem diferenciadas do nosso entendimento ocidental.

Programo esta nova folia desde o tradicional reveillon. Neste ano, nasceu a idéia de comemorar o reveillon, o ano novo ortodoxo baseado no calendário gregoriano e o ano novo chinês. Rituais especiais e amorosos de passagem, com o regozijo e paz internos. Nada das habituais crendices e costumes. Precisa renascer por dentro para entender.


Babette à chinesa

Para começar, águas-vivas, ovos de mil anos, peixe defumado, saborosas natas de soja, nozes açucaradas, línguas e moela de pato. Tudo frio - e isso ainda é só um aquecimento. Uma fumegante tigela com sopa de barbatana de tubarão chega à mesa. Ao lado, um "steamer" de bambu mantém aquecidas as panquecas que envolverão o pato laqueado. Entram uma lagosta e um peixe.
Num piscar de olhos, não há mais vazios na mesa. É difícil conceber, mas ainda faltam um joelho de porco supercheiroso, um abalone (molusco caríssimo) e outro "steamer" com siao-lun-baos (macios pãezinhos recheados com porco) bem-arrumados sobre fatias de cenoura. Ao final, uma sopa de ninho de andorinha ligeiramente quente e adocicada.
Doze pratos em uma refeição? Nem sempre. Num banquete chinês eles podem chegar a 18. Ou mais. E, se a ocasião for o Ano Novo chinês, com início na próxima quinta, haverá ainda jiau-zi (guioza) e arroz.
A máxima é comer bem, não em excesso, e de maneira variada.
Provar bocados de tudo, como se estivesse beliscando, e compartilhar cada prato com quem estiver à mesa -aquela redonda, com o indispensável centro giratório. Não há pratos individuais, por assim dizer. Pinça-se o pedaço desejado, que vai diretamente à boca ou a um pequeno prato ou potinho de apoio."Banquete é uma tradição chinesa. Não é algo cotidiano, e sim reservado para momentos especiais", diz Liu Xiyuan, responsável pelo setor de cultura do consulado chinês em São Paulo. "É uma mostra da boa qualidade de vida da família."
A ocasião exige, de fato, condições financeiras. Na China, um banquete requintado, com iguarias raras, pode chegar a US$ 10 mil (quase R$ 18 mil).
"Comer bem faz parte da cultura chinesa. E a comida é muito diversificada", diz Paul Liu, 57, presidente-executivo da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico.
"No passado, as famílias preparavam as comidas do Ano Novo. Hoje, ninguém quer ter o trabalho de fazer o banquete em casa. Os restaurantes têm um cardápio pronto. É uma semana de comer e beber."
Ninho de andorinha - À maneira das refeições ocidentais, os pratos frios iniciam o banquete. Variam de quatro a oito opções servidas de uma só vez. O que soa mais improvável é comer peixe ou frango à temperatura ambiente. A seguir, vêm de seis a oito pratos quentes. Se uma sopa especial será servida (como a de ninho de andorinha), cabe à ela dar início a esta etapa -quem a encerra é um peixe, que pode ser seguido por fruta e alguma sobremesa.
O ninho, aliás, merece um capítulo à parte. Trata-se de um delicado emaranhado de fios construídos pelo pássaro com sua própria saliva (100 g podem custar até US$ 1.000, cerca de R$ 1.800). Quase sem sabor, é cobiçado graças à crença de que faz bem à saúde. "Dizem que quem come ninho diariamente vive mais e melhor", diz Liu.

Texto escrito por Janaina Fidalgo, para a Folha de São Paulo, em 31.01.08

Vocação para a coisa certa

A maioria dos médicos deveria ser mais eficiente, atenta, humana, respeitosa e solidária.
Às vezes, eles se revestem de dura armadura oxigenada e dispensam informações cruciais para o correto entendimento de qualquer enfermidade.

Será que presumem nossa incapacidade de compreender os males que nos acometem?
Hoje, a pesquisa sensata na internet auxilia aos pacientes e supre a deficiência de comunicação dos profissionais de saúde. Nenhum deles disse: Leva em média seis meses para se recuperar. Em média e seis meses, são informações cruciais, uma vez que cada organismo reage no seu tempo e modo. Aliás, a lacuna deixada pelos jalecos brancos, também foi preenchida pelo aprendizado contínuo do ouvir, sentir e entender meu corpo e ritmo.
Na minha área de atuação e por anos, defino a justa e correta margem de risco através da apurada observação e análise de cada caso. Não há como gerenciar riscos sem conhecer bem a unidade, assim como não há cura sem saber como é cada paciente.
Decididamente, a medicina não é ciência exata e bons médicos vocacionais são cada vez mais raros.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mário Quintana


O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!

* * *

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais,
ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

* * *

Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é
tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
"O que fizeste de mim?" Eu pai?
Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga...
Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo
menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se
foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a
longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados
olhos um orgulho triste...

* * *

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em
cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

* * *

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

* * *

Se as coisas são inatingíveis...ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

* * *

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

* * *

Bem sabes Tu, Senhor, que o bem melhor é aquele
Que não passa, talvez, de um desejo ilusório.
Nunca me dê o Céu... quero é sonhar com ele
Na inquietação feliz do Purgatório.

* * *

A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

* * *

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

* * *

O luar,
é a luz do sol que está sonhando

* * *

O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas
pararem no tempo...

* * *

Os verdadeiros versos não são
para embalar, mas para abalar

* * *

A grande tristeza dos rios
é não poderem levar a tua imagem

* * *

Coração que bate-bate
Antes de deixar de bater!
Só um relógio é que as horas
Vão passando sem sofrer

* * *

Tão lenta e serena e bela e majestosa
vai passando a vaca
Que, se fora na manhã dos tempos, de rosas a coroaria
A vaca natural e simples como a primeira canção
A vaca, se cantasse,
Que cantaria?
Nada de óperas, que ela não é dessas, não!
Cantaria o gosto dos arroios bebidos de madrugada,
Tão diferente do gosto de pedra do meio-dia!
Cantaria o cheiro dos trevos machucados.
Ou, quando muito,
A longa, misteriosa vibração dos alambrados...
Mas nada de superaviões, tratores, êmbolos
E outros truques mecânicos!

* * *

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado-
muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalara
me quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
... a um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

* * *

Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...

* * *

Fere de leve a frase... E esquece... Nada
Convem que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

* * *

Sábias agudezas...refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraires
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

* * *

Eu agora- que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

* * *

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais um necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

* * *

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Ele passarão.
Eu passarinho!

* * *

Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro
e leitor. Este não quer saber de terceiros, n ão quer que interpretem, que cantem, que dancem
um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...

* * *

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

* * *

Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem
distringuir as diferentes nuanças de uma cor.

* * *

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

* * *

Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...

* * *

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

* * *

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

* * *

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

tem de ser bem devagarinho,
amada,

que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda.

* * *

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

* * *

O amor é quando a gente mora um no outro.

* * *

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

* * *

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão
de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!

* * *

Se um autor faz você voltar atrás na leitura, seja de um período ou de uma simples frase, não
o julgue profundo demais, não fique complexado: o inferior é ele.

A atual crise de expressão, que tanto vem alarmando a velha-guarda que morre mas não se
entrega, não deve ser propriamente de expressão, mas de pensamento. Como é que pode
escrever certo quem não sabe ao certo o que procura dizer?

Em meio à intrincada selva selvaggia de nossa literatura encontram-se às vezes, no entanto,
repousantes clareiras. E clareira pertence à mesma família etimológica de clareza... Que o
leitor me desculpe umas considerações tão óbvias. É que eu desejava agradecer, o quanto
antes, o alerta repouso que me proporcionaram três livros que li na última semana: Rio 1900 de
Brito Broca, Fronteira, de Moysés Vellinho e Alguns Estudos, de Carlos Dante de Moraes.

Porque, ao ler alguém que consegue expressar-se com toda a limpidez, nem sentimos que
estamos lendo um livro: é como se o estivéssemos pensando.

E, como também estive a folhear o velho Pascall, na edição Globo, encontrei providencialmente em meu apoio estas palavras, à pág. 23 dos Pensamentos:

"Quando deparamos com o estilo natural, ficamos pasmados e encantados, como se esperássemos ver um autor e encontrássemos um homem".

* * *

Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a
ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que
subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível
silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

* * *

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

* * *

O estilo é uma dificuldade de expressão.

* * *

Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de músicaUma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

* * *

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

* * *

Deus criou este mundo. O homem, todavia,
Entrou a desconfiar, cogitabundo...
Decerto não gostou lá muito do que via...
E foi logo inventando o outro mundo.

* * *

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

* * *

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

* * *

Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.

* * *

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

* * *

Sempre que chove
Tudo faz tanto tempo...
E qualquer poema que acaso eu escreva
Vem sempre datado de 1779!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Garota realizada

Reunião marcada para o meio dia. Interessante chegar para uma reunião que começa na habitual hora do almoço, quando todos saem para cumprir seu reduzido intervalo entre as duas etapas do período integral de trabalho. Realmente, parece que o lugar fica mais leve e o tempo rende mais.
Para não me preocupar com o trânsito e onde estacionar o carro, fui de táxi e resolvi levar um bom par de tênis e meias em um saco plástico dentro da bolsa - para mim, algo inédito. Folia garantida. Assim, voltei a pé da marginal pinheiros até minha casa, pela avenida Rebouças inteirinha. Não sei quantos quilômetros, mas sei que levei exatos sessenta minutos nessa gostosa brincadeira.
Foi o desafio do dia, com a liberdade, não usufruída, de pegar um táxi em qualquer ponto do percurso, caso eu me sentisse cansada.
A sensação que tive foi de prazer. Feliz prazer com um quê de gratidão por ter seguido sempre em frente e chegado ao meu destino. Garota realizada.

Café e sonho, com creme

Mas você toma café com todo mundo. Não, eu não tomo café com todo mundo, nem vejo em todo mundo os seus olhos brilhantes, a pele do seu rosto vermelha ou ouço a sua voz inconfundivelmente amorosa, o aconchego de suas mãos, a fome da sua boca, nem as borboletas que insistem em voar dentro do seu estômago – tudo tão fora de qualquer controle.
Não, eu não tomo café com todo mundo, nem vejo o mundo parar enquanto a magia se firma embaixo do imenso ombrellone branco, apesar da chuva, que cúmplice, propiciou uma trégua. Eu não tomo café e não vejo a sua encantadora falta de jeito em mais ninguém.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Mães, filhas, filho e neto

Você sabe que sentimos sua falta. Nesta semana seu neto sonhou com você e durante o jantar ele contou com detalhes o que sentiu e viu. Foi um sonho pleno de significâncias, com um quê de previsão e esclarecimentos. Você estava bem e ao lado dele, como sempre.
As madrinhas do seu neto ligaram quinta e disseram que viriam na tarde de ontem, para nos visitar. Você sabe como preparo a casa, a mesa e as gostosuras que ofereço.
Seu neto foi um encanto, participou e conversou de forma tão carinhosa e correta sobre vários assuntos, com um tom de voz que cativa – eu sei que você ficou orgulhosa, porque você está conosco.
Depois, ele saiu para buscar a namorada e ficamos as cinco a curtir boa conversa e lembranças.
Agora, que escrevo sobre a tarde gostosa, me dou conta que estiveram conosco duas mães e duas filhas e eu a mantive o tempo todo em meu coração e mente. De fato, éramos três filhas e três mães, e você ocupou o lugar mais especial.

Tarde divertida

Marquei hora e cortei os cabelos. Já comentei como gosto de freqüentar este salão há décadas e encontrar pessoas conhecidas, interessadas e de confiança.
- Corte mais.
- Na frente?
- Não, o comprimento, mesmo. Considere meu queixo como parâmetro.
Tesouras nas mãos e a pausa para o espelho
- Corte mais.
- Não cortarei porque quando seu cabelo secar ficará mais curto por estar ondulado.
Acho que sou uma das raras que pedem para cortar o cabelo mais, mais.
Saiu volume, bastante volume.
Nada de escova ou qualquer outra coisa que o deixe liso, sem graça.
Cabelos lisos são sem graça.
Depois, resolvi conhecer as novidades em tênis para caminhadas e confesso que fiquei confusa com tamanha variedade de amortecedores, solados, tecnologia para melhor impulso, suporte para o calcanhar, couro, nylon com furinho desse e daquele jeito, formas largas e finas, cores, brilhos, feitos para caminhar na cidade, em trilhas, no parque e as várias tendências existentes. Ainda bem que desde garota sou fiel à mesma marca.
Quis respirar um pouco e procurei o clássico Gazelle, mas achei o antigo remodelado com cores que ofuscavam a visão. Conseguiram alterar o clássico! Por sorte encontrei um vendedor interessado, prestativo e paciente, que respondeu todas as minhas perguntas – mesmo as mais absurdas e, por conta própria, trouxe cinco pares para que eu sentisse nos pés as diferenças existentes.
Gostei do tênis que abraçou meus pés - o de forma estreita, segundo explicação do Milton.
Não resisti também a um modelo de couro escuro todo transado e diferente com os seguintes dizeres na sola: Whoever said let the best man win, forgot to ask the girls to play.
Sim, mantenho a aptidão para a negociação simpática e ganhei um bom desconto, uma camiseta e um boné.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O tudo em quarenta letras e doze palavras

O essencial desta vida, o que realmente importa e é a verdadeira motivação para todas as boas realizações possiveis, única fonte de tudo que é positivo de fato, resumido em apenas quarenta letras e doze palavras. A melhor coisa do mundo é amar e em troca ser amado. Não basta, nunca bastou e jamais bastará amar só. O amor é para dois.







Esta imagem é do fotógrafo Luciano Oliveira, confira sua obra:
http://www.flickr.com/photos/lucky_oliveira/

Hoje você ganhou flores?


O bem que você consegue fazer

Não adianta nossa percepção ou entendimento a respeito do que causamos nas pessoas, animais e plantas que se encontram em nosso convívio. É fundamental saber o efetivo resultado de nossa atuação, através da observação desinteressada e do retorno que nos dedicam. A planta cresce com cor viva, sem qualquer enfermidade e permanece firme, forte e bonita? Foi você que a plantou e cuida dela? Então sua ação sobre a planta é válida e benéfica.
Seu animal de estimação é saudável, valente, normal, forte, confiante, vigoroso, mantém sua natureza e instintos, obedece e não é agressivo sem motivo ? Logo, a convivência com você é positiva.

As pessoas com as quais você interage ficam mais felizes, leves, em paz, alegres, saudáveis, mantém seu vigor e força, produzem com satisfação e resultado, além de se sentirem mais confiantes e independentes ? Sem dúvida é sua influência que auxilia em tudo isso.
Triste é quando se observa o contrário, sempre ligado à verdadeira intenção dos agentes. Há pessoas que extinguem a natureza dos animais e os tornam mansos, medrosos, insalubres e limitados; assim como há as que exercem o mesmo efeito sobre as pessoas com as quais convivem.
Sem dúvida, é muito mais fácil manipular seres em crise e carentes. Torná-los mais dependentes, organizar suas vidas e centralizar o comando, mesmo que com aparente suavidade e sem que percebam as reais intenções de quem assim atua.
Difícil, mas difícil mesmo, é doar-se a ponto de não deixar qualquer marca sua negativa no outro. É deixar os outros realmente livres. Há pessoas que, infelizmente, exercem influência tão contrária que conseguem emascular quem está próximo.

Balões, pipas e gaivotas


Cães e seus donos

Como tudo nesta vida, ter um cachorro demanda considerável dose de responsabilidade para cuidar apropriadamente do animal, e para evitar quaisquer prejuízos que o cão possa causar a terceiros.
Reconheço que neste ponto sou zelosa, ainda mais quando meu filho se ausenta e o cão fica sob os meus cuidados.
O bairro no qual moramos é e sempre foi pródigo em cães. Lembro que desde minha infância, quando eu estudava na Cultura Inglesa que ainda se encontra no mesmo prédio, chamava minha atenção a quantidade de cachorros que passeavam com seus donos pela avenida principal.
Localidade com muitos cães tem três problemas iniciais: A displicência de determinados donos, a sujeira das calçadas e o excesso de pulgas.
Evitamos as incômodas pulgas não freqüentando a praça local, com o banho semanal, a casa bem aspirada e limpa, além das gotinhas de remédio que são pingadas no cogote do animal. Para a sujeira das calçadas educação, estômago meio forte e três saquinhos plásticos por dia são essenciais. Já a displicência de determinados donos é o principal problema.
Não deixem de segurar com firmeza as guias de seus cães! Sim, pode machucar e requer certa força, mas enrolem boa parte das guias em suas mãos e não permitam que o cão ande desembestado de um lado para outro da calçada e, muito menos, que ele avance sobre os demais animais. Sim, cachorros prescindem de socialização com outros cachorros. Cães estressados, enfermos, hostis, traumatizados, agressivos devem andar na esteirinha de casa e não compartilhar do mesmo espaço com os demais de sua espécie. Não existe esteirinha da cor e do modelo de sua preferência? Então, caminhe com seu cão em horários diferenciados e em hipótese alguma permita que sua filha, desmiolada e sem a necessária robustez física, caminhe na rua com o cão que tem quase o tamanho e o quíntuplo da força da infanta. Guias enroscadas somente em filmes ou em ocasiões especialíssimas.
Três perguntas costumam ser feitas: É macho ou fêmea? Como se isso, garantisse a manutenção de comportamento racional, além de ele é bravo? e sua variante: Ele morde? Sim, minha senhora, o cão é muito bravo e morde tudo e todos que vê pela frente.


Ontem, durante o passeio vespertino, encontramos dois pitbulls que caminhavam com seu dono. Como é mesmo a idéia da esteirinha?

Alimento sem desperdício

Todos sabem que o Brasil é um dos países que mais jogam comida boa na lata do lixo e esta matéria, publicada na revista SAÚDE, relembra idéias básicas.
É inadmissível o desperdício, ainda mais se considerarmos a fome que, infelizmente, ainda existe em nosso país e no mundo.

De 30 a 40% de todos os alimentos produzidos no país vão parar no lixo. Em países desenvolvidos, esse índice não chega aos 10%. Aqui, são toneladas e mais toneladas de comida perdidas diariamente.
Boa parte do desperdício ocorre logo na colheita e no transporte, mas os consumidores também têm sua parcela de responsabilidade. O brasileiro pasme! joga fora mais comida do que a que de fato leva à mesa.
Um estudo da Embrapa Agroindústria de Alimentos mostra que só em hortaliças, por exemplo, o total de perda a cada ano é de 37 quilos por habitante, enquanto a ingestão desses vegetais não passa dos 35 quilos no mesmo período de tempo.
Toda essa comida desperdiçada equivale a 12 bilhões de reais que o país despeja nas lixeiras a cada ano para se ter uma idéia, isso é quase metade do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome ou 24 vezes o da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Estamos, literalmente, botando dinheiro e saúde no lixo.
Veja o que está ao seu alcance para mudar esse panorama desde a hora em que você seleciona vegetais fresquinhos na feira ou no supermercado até o momento em que os leva para a panela, e repare a porcentagem da produção de determinados alimentos que é jogada fora
NA HORA DE COMPRAR
Escolha os alimentos sem cutucá-los. Esqueça a velha mania de enfiar a unha no chuchu e quebrar a ponta da vagem para checar a qualidade dos hortifrútis. Os vegetais ficam machucados e aí quem vai querer levá-los pra casa? Sem contar que acabam se estragando mais rápido, explica o químico Antônio Gomes, da Embrapa Agroindústria de Alimentos.
Na dúvida, na hora de escolher peça ajuda ao feirante ou ao repositor de estoque do supermercado. Eles entendem do riscado e podem dar uma mão na seleção dos produtos.

Dê preferência às frutas da época porque são mais frescas e duram mais, recomenda, ainda, a professora Jocelem Salgado, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, no interior paulista. Ora, se duram mais, menores são as chances de virarem lixo.
Pela mesma razão, fique atento ao prazo de validade de produtos industrializados.

Faça uma lista de compras e leve para casa somente e tão-somente o necessário, completa Jocelem. Por causa do (mau) hábito de comprar comida além da conta, uma família de classe média desperdiça aproximadamente 500 gramas de alimentos dia após dia ou incríveis 180 quilos de comida por ano! Em 20 anos, o total de perdas representaria o suficiente para alimentar uma criança na primeira década de vida.
O JEITO CERTO DE ARMAZENAR

Pequenos cuidados fazem dobrar o tempo de vida dos vegetais "Frutas, verduras e legumes devem ser colocados em sacos plásticos, transparentes e hermeticamente fechados, na prateleira mais baixa da geladeira, onde a temperatura é um pouco maior", recomenda a nutricionista Denise Meira, do Mesa Brasil, projeto do Sesc São Paulo que promove oficinas de combate ao desperdício por todo o estado. "Assim as hortaliças conservam o frescor e a umidade por mais tempo", garante.
Ah, não as lave antes de botá-las na geladeira. Acredite: a terra e outras impurezas ajudam a prolongar a vida do alimento. Além disso, gotículas que sobram da lavagem aceleram o amadurecimento. Também evite guardar os vegetais já cortados porque em pedaços ficam com maior área de contato com o ar outro fator que acelera a deterioração, alerta Denise.
Para conservar tomates por mais tempo, este truque é ótimo: passe um pouco de margarina naquele furinho que fica na parte superior do fruto. Mais uma dica: quando não for comer uma fruta inteira, ponha a outra metade dentro de um saco plástico na geladeira e consuma em até 48 horas.

Você pode também congelar os legumes frescos. Primeiro ferva 2 litros dágua. Então, mergulhe-os inteiros na panela e deixe por apenas cinco minutos. Tire-os da água e enxugue bem. Ponha em um saco plástico no congelador. Assim, eles chegam a durar mais de um mês.
APROVEITE TUDO
Utilizar os alimentos por inteiro é uma forma de diminuir o desperdício e fazer render o orçamento da casa.
Sempre que possível, aproveite cascas, folhas e talos. Muitas vezes, eles contêm mais nutrientes
do que as partes normalmente consumidas, garante a nutricionista Denise Meira. Uma pesquisa da Universidade Estadual de São Paulo, a Unesp, mostrou que a folha da couve-flor, por exemplo, concentra uma quantidade quatro vezes maior de vitamina C do que a polpa da laranja (veja a receita). Já as folhas de nabo, rabanete e beterraba são melhores fontes de cálcio, fósforo e vitaminas A e C do que a própria raiz, que é a parte mais comestível desses vegetais. As da cenoura e as da salsa são ricas em vitamina A e devem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas e picadinhos. O modo de preparo de frutas e hortaliças também é importante. O ideal é cozinhá-las com casca e, de preferência, inteiras. O invólucro exterior impede a perda de vitaminas e minerais, conta Jocelem. A casca da laranja e a parte branca da melancia podem até mesmo virar ingrediente de doces.
O que sobrou de ontem, transforma-se em uma opção de prato para a refeição de hoje, por que não? O purê de batatas, por exemplo: Forme pequenas bolinhas, polvilhe com farinha de rosca e frite como croquetes, sugere a professora Jocelem Salgado. Com imaginação, você faz surgir receitas até mais saudáveis do que as preparadas na frigideira. O arroz e a salada do dia anterior dão origem a risotos e o feijão pode virar uma bela sopa.
Suflê de folhas de couve-flor: Ingredientes - 4 xícaras de folhas de couve-flor cozidas e picadas, 2 colheres de farinha de trigo, 2 colheres de manteiga, 1 colher de café de fermento em pó, 1 xícara de café de leite, 2 ovos, sal a gosto. Modo de fazer - Aqueça a manteiga, junte a farinha, o leite e misture as folhas de couve-flor, cozidas e picadas. Deixe descansar até amornar. Junte 2 gemas e o fermento. Bata as claras em neve e misture bem. Coloque em fôrma untada e leve ao forno por 20 minutos.
Se depender da iniciativa de algumas escolas infantis, em poucos anos o Brasil vai deixar de ser um campeão em desperdício. A be.Living, por exemplo, inclui em seu projeto pedagógico verdadeiras lições de sustentabilidade e cidadania. Mostramos que aproveitar os alimentos integralmente faz bem para a saúde e ajuda a diminuir a quantidade de lixo, explica a educadora ambiental Laruana Oliveira, do Instituto Verdescola, uma ONG que, entre outras iniciativas, elabora projetos desse tipo em escolas tanto públicas como privadas, realizando um trabalho pioneiro. As atividades organizadas pelo instituto incluem aulas de culinária com cascas, folhas e talos, além de oficinas que ensinam a criança a transformar em adubo tudo o que não dá para ser aproveitado na cozinha de casa.


Texto de Anderson Moço