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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Vida saudável

A pausa nunca é simples, ou, por outra, nunca é contemplativa e quieta.
Invento comidinhas gostosas, tento mostrar para meu filho que estou bem, inteira, também tento me convencer que estou bem e inteira. Foi assim à tarde em casa: Mansa, tranqüila, boa música, refeição preparada com carinho, plantas regadas, chá quentinho, televisão e cochilos.
Foi no programa da Oprah que assisti à última palestra do professor da Carnegie Mellon University, Randy Pausch. Não me impressionei com as difíceis flexões que ele fez em pleno palco, nem com o fato de ele ter sido criado com extremo amor pelos pais e ser ele pai de três encantadoras crianças, uma delas ainda bebê. Não me impressionei com o fato de ele ter câncer e ter recebido o diagnóstico de três meses de vida, mas fiquei muito comovida com o que ele faz com o tempo que lhe resta, com o legado que ele se esforça para deixar aos seus filhos, em detrimento do seu próprio emocional.
Comovi-me com esse amor imenso de quem parte e quer que os que ficam estejam bem.
“Estou enfrentando um problema de planejamento. Embora em geral eu esteja em excelente forma física, tenho dez tumores no fígado e me restam apenas alguns meses de vida. Sou pai de três crianças e sou casado com a mulher dos meus sonhos. Seria cômodo ficar me lamentando, mas isso não faria bem a eles nem a mim. Então, como viver esse meu tempo tão limitado? O óbvio é ficar com minha família e cuidar dela. Enquanto posso, estou com eles todos os instantes e tomo as providências logísticas necessárias para lhes facilitar o caminho na vida sem mim. O menos óbvio é como ensinar a meus filhos o que eu lhes ensinaria nos próximos vinte anos. Agora eles são jovens demais para essas conversas. Todo nós, pais, desejamos ensinar os filhos a distinguirem o certo do errado, o que consideramos importante e como lidar com os desafios que a vida lhes trará. Também queremos que conheçam histórias de nossas vidas, uma maneira de ensinar-lhes a lidar com suas próprias vidas.”

“A lição final” de Randy Pausch vale a leitura.
Outro que descobri neste período e está aqui, ao meu lado, deveria ser leitura obrigatória para todos, sem exceção: “Anticâncer” de David Servan-Schreiber, um psiquiatra e pesquisador de neurociência que, acidentalmente, há quinze anos, descobriu ter um tumor no cérebro. Lista de alimentos e exercícios anticâncer; a competição de ácidos em nosso organismo; o gasto de energia associado a diferentes atividades em MET por hora; o desejo de viver e as células imunológicas e muito mais.
Esqueça a palavra câncer e leia esse manual da vida saudável: “Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais - Sempre pensei que o único problema da medicina científica fosse o fato de ela não ser suficientemente científica. A medicina moderna só se tornará verdadeiramente científica quando os médicos e seus pacientes tiverem aprendido a tirar partido das forças do corpo e do espírito que agem através do poder de cura da natureza.”

sábado, 29 de março de 2008

Folias culinárias

Fiz questão de assistir ao primeiro programa da nova série da Nigella Lawson e observei que ela está mais prática, rápida, bonita e gordota.
E quem mais prepararia deliciosos e crocantes biscoitinhos para presentear uma amiga e, durante o percurso até a casa da amiga, os comeria sozinha? Ora, Nigella. Mas ela pode e durante a apresentação tomou sua sopa de ervilhas frescas no parque, lambuzou-se com o frango assado e a salada cole slawe, comeu pedaços e mais pedaços de doces de chocolate com nozes, além das garfadas de sua mistura de macarrão com legumes, creme de amendoim e gengibre.

Ver Nigella preparar com muita facilidade tantas coisas e deliciar-se com todas as guloseimas deixa qualquer um encantado com a arte da culinária.
Outro representante do máximo sabor com pouco esforço é Jamie Oliver, que amadureceu, continua competente e agitado, e realiza um belo trabalho com a reeducação alimentar das crianças de seu país. A salada Caesar que ele preparou em seu último programa apresentado pelo canal GNT parece divina e será a próxima folia que tentarei realizar.
Vi que Jamie também adotou o modelo plante em qualquer lugar seus próprios temperos e seja feliz.
No meio desse festival gastronômico assisti novamente aos filmes A Festa de Babette (1987), Chocolate (2000) e O Tempero da Vida (2003) e curti cada movimento tão feminino que as atrizes oferecem. Pela primeira vez pude comparar o jeito elegante e organizado que minha mãe tinha ao preparar as deliciosas e inigualáveis refeições que nos proporcionou ao longo de sua vida e o meu próprio jeito, um tantinho mais caótico e rebelde. Lena Olin, que interpreta a personagem Josephine Muscat em Chocolate, é idêntica à minha mãe na cozinha; já a vigorosa Juliette Binoche, a Vianne Rocher do mesmo filme, tem o meu jeito. Por sinal, Chocolate e O Tempero da Vida retratam bem a alquimia dos ingredientes e a pura magia de seus resultados.
Foi com esse espírito que resolvi dar uma mudadinha no cardápio e quis botar por terra os dois mais famosos pratos à grega que encontramos por ai: O camarão e o arroz.
O verdadeiro camarão à grega é preparado da seguinte maneira: Esquente a água e quando ela começar a borbulhar coloque os camarões inteiros - sim, as cabeças ficam porque conferem mais sabor - mas não deixe de limpar os dejetos desses crustáceos com um pouco de habilidade e a ponta de uma faca. É muito feio ofertar camarões com a sujeira que costumam ter. Quando ficarem rosados retire-os da água e prepare azeite de oliva extra-vigem de boa qualidade, sal e suco de limão. Bata essa mistura com um garfo e coloque os camarões descascados. Só isso. Camarões cozidos no tempo ideal e mergulhados no azeite com sal e limão. O arroz à grega também é simples e feito com azeite de boa qualidade e sal.
Volto à mini-horta de temperos e outras delícias. É muito fácil de criar, manter e curtir em qualquer lugar. Não precisa de mais nada além de mudas, terra, água e sol.

terça-feira, 11 de março de 2008

Pode, não pode? Pode.

Para encerrar o tema compartilho um pouco mais de informação recém assimilada sobre a tireóide:

1- As doenças da tireóide não escolhem sexo, idade ou raça e podem atingir a todos, sem distinção. Conheço um garoto de doze anos que tem hipotireoidismo bravo e não consegue desempenhar suas atividades normais sem a dose diária de hormônios.

2- Nem sempre conseguimos identificar os sintomas conseqüentes do precário funcionamento dessa glândula. Insônia, alteração no peso, queda de cabelos, mudança de pele e unhas, irritabilidade, frio, confusão mental, insegurança, medo, tontura, alterações da menstruação, depressão, diminuição da visão e da audição são alguns dos inúmeros sintomas que as doenças tireoideanas trazem e, na maioria das vezes, são confundidos, ou pior, desconsiderados e até criticados.

3- Os exames da tireóide devem ser feitos habitualmente em cada check up periódico. O exame de sangue, que mede a dosagem dos hormônios específicos, pode não ser suficiente para identificar o grau de enfermidade da glândula. O ultra-som e o exame físico, realizados por bom médico, detectam nódulos que podem ser benignos, ou não.

4- O tamanho do nódulo é outro tema polêmico: Determinada corrente médica indica que nódulos com um centímetro devem ser puncionados e operados. Outra grupo entende que nódulos com um centímetro e meio mereceriam maior atenção.

5- Com o tempo, a tireóide enferma adere aos demais órgãos próximos. Portanto, a espera para a realização da cirurgia, quando sua indicação é clara e correta, só prejudica ao enfermo.

6- Os riscos imediatos de uma cirurgia de retirada da tireóide são: o dano que pode ocorrer nas cordas vocais e nas paratireóides. As paratireóides são responsáveis pela absorção do cálcio pelo organismo.

7- É comum o aumento de peso, do colesterol e da pressão sanguínea nas pessoas que operaram a tireóide. Sim, essa glândula também auxilia no equilíbrio desses índices.

8- Receber a confirmação do câncer não é tarefa fácil e cada um tem a sua reação. Eu pensei se valeria a pena continuar, arregacei as mangas e tentei olhar o bicho de frente. No entanto, depois da briga o que fica é a sensação de uma espada que flutua sobre o pescoço. São necessários cinco anos para que a recidiva seja afastada de forma mais firme. Eu olho para a espada, a espada olha para mim e decido o que fazer e como fazer.
Está em minhas mãos torná-la um canhão, um canivete ou uma leve pena branca de ganso. Conquistar a capacidade de escrever sobre o tema, após alguns meses, já é pequena vitória.

Dois dias antes da minha cirurgia fiz questão de prestigiar a apresentação de um grupo musical, que foi organizada pelo meu filho, e lá encontrei dois amigos meus: uma mais recente e o outro querido há mais de vinte anos. Minha amiga deu-me de presente o livro Ame-se e cure sua vida e comentou que havia procurado outro, da mesma autora, que estaria esgotado. Por sua vez, o meu amigo, que naquela ocasião soube da cirurgia, comentou sobre o mesmo livro. Seria coincidência duas pessoas que não se conhecem, em ocasião idêntica, sugerirem a leitura de um mesmo livro? Com esta introdução justifico a compra posterior do meu primeiro livro de auto-ajuda denominado Você pode curar sua vida de Louise L. Hay, que parece ser o hit de todos os enfermos, operados e cancerígenos. Está aqui, ao meu lado, e ainda não foi lido. Abro no capítulo quinze a lista, sou saudável, pleno e completo – e eu posso com isso? – para ler, segundo a autora, as possíveis causas das duas coisas que surgiram em minha vida: Câncer – mágoa profunda, ressentimento antigo, grande segredo ou pesar comendo o eu. Tireóide – humilhação, nunca consigo fazer o que quero. A lista de causas prováveis de todos os males que nos acometem é vasta e inclui arroto, celulite, zumbido, calosidade, gases, frieiras e flacidez. Se alguém tiver algum interesse basta escrever que a simpática administração providenciará a cópia das causas prováveis do que for perguntado.
Inauguro inédita fase zen e a principal atenção, pela primeira vez, sou eu.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Punção e tireoidectomia

A seguinte entrevista feita com o dr. Orlando Parise, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, encontra-se no site do médito Drauzio Varella http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/ntireoide5.asp

Drauzio – Existe relação entre o aparecimento de nódulos na tireóide e eventos como obesidade, dieta ou estilo de vida?

Orlando Parise – Não existe. No entanto, hoje se observa que as pessoas andam mais ansiosas do que eram antigamente, ansiedade que interfere na conduta diante dos nódulos. Por exemplo, uma jovem de 25 anos vai ao ginecologista que pede um ultra-som de tireóide e verifica a presença de um nódulo. Imediatamente, é indicada uma punção para complementar o diagnóstico e acaba havendo a indicação exagerada de tireoidectomias.

Drauzio – Você poderia definir as palavras punção e tireoidectomia?

Orlando Parise – Tireoidectomia é a remoção terapêutica - parcial ou total - da tireóide e punção, o exame padrão que se realiza para conhecer o tipo de células que constituem o nódulo. A punção pode indicar que se trata de um nódulo maligno e a indicação, nesse caso, é cirúrgica; ou que é francamente benigno e a postura recomendada é observá-lo periodicamente pelo ultra-som. No entanto, muitas vezes, o resultado que deveria dar tranqüilidade para o paciente gera muita ansiedade e são tomadas atitudes mais radicais e desnecessárias.

Drauzio – Como é feita a punção?

Orlando Parise – Para fazer a punção, o paciente não precisa de anestesia geral. No máximo, pessoas mais sensíveis recebem anestesia na pele. O exame consiste em introduzir uma agulha no nódulo e aspirar seu conteúdo com seringa especial para analisar sua celularidade. Esse exame dá informação sobre o conteúdo do nódulo, mas não sobre sua arquitetura. Isso é um problema, porque para distinguir as doenças malignas das benignas é necessário conhecer a arquitetura da glândula e não apenas a celuridade do nódulo, uma vez que ela pode dar indícios, mas não permite fechar o diagnóstico. Por essa razão, muitas vezes, é indicada uma cirurgia para esclarecer as dúvidas geradas pela punção.

Drauzio – Em nódulos grandes, palpáveis, é fácil introduzir a agulha para realizar a punção. Todavia, se medem 4mm ou 5mm, como o médico faz para localizá-los?

Orlando Parise – Ele é guiado pelo ultra-som. Na verdade, o exame resulta da combinação de dois métodos. Ao mesmo tempo em que realiza o ultra-som, o médico posiciona a agulha para ter certeza de que está dentro do nódulo. Isso representa uma vantagem e uma desvantagem. Como já mencionei, 10% das pessoas possuem microcarcinomas e a polêmica quanto à conduta a ser tomada diante do achado é muito grande. Se os nódulos forem muito pequeninos, a tendência é não fazer nada, nem mesmo a punção. Por quê? Porque microcarcinomas de tireóide, com 1mm, 2mm, 3mm, não têm a menor relevância clínica e a pessoa, provavelmente, jamais irá desenvolver a doença.

Drauzio – Por isso, é preciso eleger um critério de seleção. Nódulos muito pequenos não devem ser puncionados. Os maiores, a partir de que tamanho a punção devem ser feita?

Orlando Parise – Geralmente, a partir de 1cm. Esse é um número mágico, pois outros fatores também devem ser considerados. Nódulos malignos costumam ter consistência mais endurecida. Portanto, nódulo único de 0,9mm, mas de consistência endurecida, surgimento rápido ou crescimento acelerado, merece sempre mais atenção do que a presença de vários nódulos, todos pequenos e de palpação inocente.Um dos critérios de tratamento mais usados é não precipitar a indicação da cirurgia, mas aguardar a evolução do nódulo em termos de tamanho. Colocar a glândula em descanso por meio de hormônios é uma estratégia válida. Teoricamente, a supressão hormonal congela a atividade proliferativa da glândula. Se o nódulo continuar crescendo na vigência desse tratamento, é motivo para preocupação.

Drauzio – Nódulos de consistência firme, que crescem com maior rapidez, são candidatos à punção porque podem ser malignos?

Orlando Parise – Nódulos celulares causam maior preocupação do que os nódulos císticos com líquido em seu interior. O exame de ultra-som permite estabelecer a diferença entre um tipo e outro.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O tudo em quarenta letras e doze palavras

O essencial desta vida, o que realmente importa e é a verdadeira motivação para todas as boas realizações possiveis, única fonte de tudo que é positivo de fato, resumido em apenas quarenta letras e doze palavras. A melhor coisa do mundo é amar e em troca ser amado. Não basta, nunca bastou e jamais bastará amar só. O amor é para dois.







Esta imagem é do fotógrafo Luciano Oliveira, confira sua obra:
http://www.flickr.com/photos/lucky_oliveira/

Alimento sem desperdício

Todos sabem que o Brasil é um dos países que mais jogam comida boa na lata do lixo e esta matéria, publicada na revista SAÚDE, relembra idéias básicas.
É inadmissível o desperdício, ainda mais se considerarmos a fome que, infelizmente, ainda existe em nosso país e no mundo.

De 30 a 40% de todos os alimentos produzidos no país vão parar no lixo. Em países desenvolvidos, esse índice não chega aos 10%. Aqui, são toneladas e mais toneladas de comida perdidas diariamente.
Boa parte do desperdício ocorre logo na colheita e no transporte, mas os consumidores também têm sua parcela de responsabilidade. O brasileiro pasme! joga fora mais comida do que a que de fato leva à mesa.
Um estudo da Embrapa Agroindústria de Alimentos mostra que só em hortaliças, por exemplo, o total de perda a cada ano é de 37 quilos por habitante, enquanto a ingestão desses vegetais não passa dos 35 quilos no mesmo período de tempo.
Toda essa comida desperdiçada equivale a 12 bilhões de reais que o país despeja nas lixeiras a cada ano para se ter uma idéia, isso é quase metade do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome ou 24 vezes o da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Estamos, literalmente, botando dinheiro e saúde no lixo.
Veja o que está ao seu alcance para mudar esse panorama desde a hora em que você seleciona vegetais fresquinhos na feira ou no supermercado até o momento em que os leva para a panela, e repare a porcentagem da produção de determinados alimentos que é jogada fora
NA HORA DE COMPRAR
Escolha os alimentos sem cutucá-los. Esqueça a velha mania de enfiar a unha no chuchu e quebrar a ponta da vagem para checar a qualidade dos hortifrútis. Os vegetais ficam machucados e aí quem vai querer levá-los pra casa? Sem contar que acabam se estragando mais rápido, explica o químico Antônio Gomes, da Embrapa Agroindústria de Alimentos.
Na dúvida, na hora de escolher peça ajuda ao feirante ou ao repositor de estoque do supermercado. Eles entendem do riscado e podem dar uma mão na seleção dos produtos.

Dê preferência às frutas da época porque são mais frescas e duram mais, recomenda, ainda, a professora Jocelem Salgado, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, no interior paulista. Ora, se duram mais, menores são as chances de virarem lixo.
Pela mesma razão, fique atento ao prazo de validade de produtos industrializados.

Faça uma lista de compras e leve para casa somente e tão-somente o necessário, completa Jocelem. Por causa do (mau) hábito de comprar comida além da conta, uma família de classe média desperdiça aproximadamente 500 gramas de alimentos dia após dia ou incríveis 180 quilos de comida por ano! Em 20 anos, o total de perdas representaria o suficiente para alimentar uma criança na primeira década de vida.
O JEITO CERTO DE ARMAZENAR

Pequenos cuidados fazem dobrar o tempo de vida dos vegetais "Frutas, verduras e legumes devem ser colocados em sacos plásticos, transparentes e hermeticamente fechados, na prateleira mais baixa da geladeira, onde a temperatura é um pouco maior", recomenda a nutricionista Denise Meira, do Mesa Brasil, projeto do Sesc São Paulo que promove oficinas de combate ao desperdício por todo o estado. "Assim as hortaliças conservam o frescor e a umidade por mais tempo", garante.
Ah, não as lave antes de botá-las na geladeira. Acredite: a terra e outras impurezas ajudam a prolongar a vida do alimento. Além disso, gotículas que sobram da lavagem aceleram o amadurecimento. Também evite guardar os vegetais já cortados porque em pedaços ficam com maior área de contato com o ar outro fator que acelera a deterioração, alerta Denise.
Para conservar tomates por mais tempo, este truque é ótimo: passe um pouco de margarina naquele furinho que fica na parte superior do fruto. Mais uma dica: quando não for comer uma fruta inteira, ponha a outra metade dentro de um saco plástico na geladeira e consuma em até 48 horas.

Você pode também congelar os legumes frescos. Primeiro ferva 2 litros dágua. Então, mergulhe-os inteiros na panela e deixe por apenas cinco minutos. Tire-os da água e enxugue bem. Ponha em um saco plástico no congelador. Assim, eles chegam a durar mais de um mês.
APROVEITE TUDO
Utilizar os alimentos por inteiro é uma forma de diminuir o desperdício e fazer render o orçamento da casa.
Sempre que possível, aproveite cascas, folhas e talos. Muitas vezes, eles contêm mais nutrientes
do que as partes normalmente consumidas, garante a nutricionista Denise Meira. Uma pesquisa da Universidade Estadual de São Paulo, a Unesp, mostrou que a folha da couve-flor, por exemplo, concentra uma quantidade quatro vezes maior de vitamina C do que a polpa da laranja (veja a receita). Já as folhas de nabo, rabanete e beterraba são melhores fontes de cálcio, fósforo e vitaminas A e C do que a própria raiz, que é a parte mais comestível desses vegetais. As da cenoura e as da salsa são ricas em vitamina A e devem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas e picadinhos. O modo de preparo de frutas e hortaliças também é importante. O ideal é cozinhá-las com casca e, de preferência, inteiras. O invólucro exterior impede a perda de vitaminas e minerais, conta Jocelem. A casca da laranja e a parte branca da melancia podem até mesmo virar ingrediente de doces.
O que sobrou de ontem, transforma-se em uma opção de prato para a refeição de hoje, por que não? O purê de batatas, por exemplo: Forme pequenas bolinhas, polvilhe com farinha de rosca e frite como croquetes, sugere a professora Jocelem Salgado. Com imaginação, você faz surgir receitas até mais saudáveis do que as preparadas na frigideira. O arroz e a salada do dia anterior dão origem a risotos e o feijão pode virar uma bela sopa.
Suflê de folhas de couve-flor: Ingredientes - 4 xícaras de folhas de couve-flor cozidas e picadas, 2 colheres de farinha de trigo, 2 colheres de manteiga, 1 colher de café de fermento em pó, 1 xícara de café de leite, 2 ovos, sal a gosto. Modo de fazer - Aqueça a manteiga, junte a farinha, o leite e misture as folhas de couve-flor, cozidas e picadas. Deixe descansar até amornar. Junte 2 gemas e o fermento. Bata as claras em neve e misture bem. Coloque em fôrma untada e leve ao forno por 20 minutos.
Se depender da iniciativa de algumas escolas infantis, em poucos anos o Brasil vai deixar de ser um campeão em desperdício. A be.Living, por exemplo, inclui em seu projeto pedagógico verdadeiras lições de sustentabilidade e cidadania. Mostramos que aproveitar os alimentos integralmente faz bem para a saúde e ajuda a diminuir a quantidade de lixo, explica a educadora ambiental Laruana Oliveira, do Instituto Verdescola, uma ONG que, entre outras iniciativas, elabora projetos desse tipo em escolas tanto públicas como privadas, realizando um trabalho pioneiro. As atividades organizadas pelo instituto incluem aulas de culinária com cascas, folhas e talos, além de oficinas que ensinam a criança a transformar em adubo tudo o que não dá para ser aproveitado na cozinha de casa.


Texto de Anderson Moço

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Parte da receita mediterrânea para viver melhor

"Consumo moderado de álcool e exercícios
são receitas para vida longa, diz pesquisa

O consumo moderado de álcool combinado a um estilo de vida ativo e saudável pode ser a melhor receita para uma vida longa, segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde Pública de Copenhague, na Dinamarca, publicada na revista especializada European Heart Journal.
O estudo, que acompanhou cerca de 12 mil pessoas por quase 20 anos, sugere que a combinação pode diminuir o risco de doenças cardíacas - as pessoas com vida ativa tinham risco menor, mas ele fica ainda mais baixo quando combinado ao consumo moderado de álcool.
Especialistas britânicos alertaram, no entanto, que as pessoas não devem ser encorajadas a beber, já que o consumo excessivo de álcool faz mal.
Ao longo da pesquisa, 1.242 pacientes morreram de isquemia cardíaca. A conclusão foi de que as pessoas que não bebiam e levavam uma vida inativa eram as que tinham maior risco de desenvolver doenças cardíacas - 49% mais alto do que as que bebiam, faziam exercícios, ou os dois.
Ao comparar os pacientes que levavam uma vida ativa, os cientistas perceberam que aqueles que bebiam moderadamente - de uma a 14 unidades de álcool por semana - tinham cerca de 30% menos chances de desenvolver doenças cardíacas do que os que não bebiam.
A conclusão se repetiu entre os pacientes totalmente inativos, com o risco diminuindo à medida que aumentava a atividade física.
Os abstêmios que tinham vida ativa tinham um risco de 31% a 33% menor de desenvolver isquemia em comparação com os abstêmios inativos.
Mas quando se compararam as pessoas de vida ativa que bebem moderadamente, o risco delas desenvolverem doenças cardíacas era quase 50% menor do que o dos abstêmios inativos.
Efeitos bioquímicos
Pesquisas anteriores já sugeriram que o consumo de álcool pode diminuir o risco de doenças cardíacas por aumentar o nível do colesterol "bom" e, possivelmente, afinar o sangue.
O resultado foi parecido quando os cientistas analisaram mortes por outras causas: a atividade física parecia reduzir o risco, mas aqueles que consumiam álcool moderadamente se saíram melhor nos resultados do que os abstêmios, em todos os níveis de atividade física.
'Nosso estudo mostra que ser fisicamente ativo e beber álcool com moderação é importante para diminuir o risco de isquemia fatal e de morte em geral', disse o pesquisador Morton Gronbaek, do Instituto Nacional de Saúde Pública de Copenhague.
Segundo a enfermeira cardíaca Ellen Mason, da British Heart Foundation, 'a combinação de consumo moderado de álcool e atividade física parece ser a vencedora para reduzir o risco de doenças cardíacas. Mas o excesso de bebida contrabalança os benefícios do consumo de álcool e pode aumentar a pressão sanguínea. Em pesquisas anteriores, as atividades físicas já demonstraram ser mais benéficas à saúde do coração e à saúde em geral, em comparação ao consumo de álcool', acrescentou Mason.
O álcool é um depressivo, enquanto o exercício libera hormônios que melhoram o humor, que podem beneficiar a qualidade de vida, além de diminuir o risco de morte."

Texto publicado em 09.01.08, na Folha on line e originário da BBC Brasil

http://cienciaesaude.uol.com.br/ultn/bbc/2008/01/09ult4432u921.jhtm

Serotonina, adrenalina e endorfina

Aquela tristeza que vira sua companheira constante por mais de seis meses pode ceder espaço para a depressão — a segunda doença mais comum nos ambulatórios de psiquiatria de todo o país (superada apenas pela ansiedade). Além do fator hereditário, o estresse, as pressões, as cobranças, os problemas amorosos, de saúde e financeiros contribuem para levar as pessoas ao fundo do poço. Já que nem sempre é possível evitar as chateações, que tal tomar atitudes para driblar a crise?
- Caminhe ao sol: Andar por 30 minutos relaxa o corpo e tranqüiliza a mente, garante Fernando Torres, médico fisiologista de São Paulo. Sob o sol, o exercício torna-se ainda mais eficiente, pois os raios estimulam a produção de serotonina, um neurotransmissor que faz você se sentir bem-humorada, segura e menos ansiosa. Como toda atividade aeróbica, a caminhada ainda libera adrenalina e endorfina, substâncias responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar. Elas atuam no cérebro de forma semelhante à das drogas antidepressivas.
- Prepare uma poção mágica: Os odores também são capazes de estimular o bem-estar. Eles chegam ao sistema límbico, no cérebro, onde ficam registradas as lembranças, evocando, assim, sensações agradáveis, capazes de alterar o humor. Por isso, tire partido das lavandas, das águas de flores e dos óleos essenciais, criando seu próprio aroma antimelancolia. A mistura de três ou quatro óleos essenciais chama-se blend na aromaterapia, ensina Sâmia Maluf, psicóloga. Você pode usar como perfume pessoal ou adicioná-lo a cremes, loções para o corpo e aromatizadores para a casa. Vale até pingar gotinhas nas roupas de cama. Ela sugere uma receitinha de blend contra a depressão: 4 gotas de bergamota, 1 gota de gerânio e 2 gotas de lavanda.
- Ter plantas e flores em casa também afasta a depressão, porque proporcionam sensação de bem-estar e felicidade.
- Fique de olho no gato ou no cachorro: Impossível não se sentir feliz ao chegar em casa e ser recebida com a maior festa pelo seu bichinho de estimação. O animal acaba com a solidão, sensação quase sempre seguida de melancolia e que pode surgir mesmo quando estamos rodeadas de muitas pessoas, diz a psicoterapeuta Sônia Knopf, de São Paulo. Então, se você é sujeita a crises de tristeza, adote um animal de estimação.
- Coloque peixe no prato: Estudos confirmam que quem inclui peixes e frutos do mar no cardápio diário previne a depressão. Isso por causa do Ômega 3, uma gordura saudável presente no salmão, na truta, no bacalhau, no atum e na sardinha. Os peixes, de um modo geral, também são ricos em zinco e selênio, minerais importantes para dar um chega-pra-lá na depressão. E, o melhor, sem ameaçar as suas curvas.
- Aposte em boas cores: Vestir vermelho, laranja ou amarelo espanta a tristeza. Tons frios como azul, rosa, lilás, marrom e verde acentuam o desânimo.