quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

From you have I been absent in the winter



"Then hate me when thou wilt, if ever, now,
Now, while the world is bent my deeds to cross,
Join witn the spite of fortune, make me bow,
And do not drop in for an after-loss.
Ah, do not, when my heart hath' scaped this sorrow,
Como in the rearward of a conquered woe;
Give not a windy night a rainy morrow,
To linger out a purposed overthrow.
If thou wilt leave me, do not leave me last,
When other petty griefs have done their spite;
But in the onset come, so shall I taste
At first the very worst of fortune's might;
And other strains of woe, wich now seem woe,
Compared with loss of thee, will not seem so."

Shakespeare

domingo, 2 de dezembro de 2007

Tepelatia

Ando em fase na qual o verbo deve ser acompanhado pela ação.
Em certos casos, mais ação do que verbo.
Não, ainda não desenvolvi a capacidade telepática para saber o que vai pela cabeça dos outros.
Nem quero desenvolver. Algumas vezes essa descoberta é ruim.
Não, nunca quis convivências fugazes e vazias por que a vida é muito mais do que isso.
Não, continuo a não admitir a perda de preciosas oportunidades para resgate.

Reincidência

Mas era justamente sobre isso mesmo que você reclamava, não?
Que coisa! Comprou reincidente gato por lebre.
Certos comportamentos não mudam.























Let's have a party

Em casa sempre fizemos as coisas pelo outro e quando as coisas são feitas pelo outro, ainda mais num círculo tão restrito, ocorre o retorno que, muitas vezes, é mais intenso e pleno de carinho do que o nosso próprio dedicar.
Igualmente, cultivamos muito o respeito mútuo. Com naturalidade consideramos o espaço, as coisas, os sentimentos, os gostos e quereres do outro e fortalecemos a saudável convivência que, dificilmente, será encontrada em outro lugar. Praticamos a querência.
Mesmo quando sabemos que o outro está errado em suas escolhas e ações, nosso julgamento não nos impede de sempre manter o mesmo comportamento: O respeito e a dedicação permanecem, até aumentam.
Assim, em constante processo, as qualificações de cada um, servem para suplantar os defeitos do outro.
Sem dúvida, tudo isso e um pouco mais, nada mais é do que praticar o amar que se torna correlato do permanecer; assim, do amor incondicional e respeitoso que é demonstrado, alimentado, prevalece e se firma, surje a única e exclusiva causa do prosseguir e do persistir.
Reconheço não existir relacionamento melhor do que este, que se expande e contagia os que estão próximos, que passam a integrar nosso núcleo familiar e a compartilhar parte dos mesmos privilégios.
Desde que voltamos para nossa cidade, não havíamos aberto nossa casa para os que nos são queridos; mas como tudo tem seu tempo certo, passadas enfermidades e pesares, aproveitamos datas distintas pelo mesmo motivo. Arregacei as mangas e disse para meu filho que comemoraríamos a entrada do ultimo mês do ano e ele, com seu divertido jeito, convidou seus melhores amigos para comemorarmos meu aniversário.
Elaboramos a lista de convidados com a preocupação de recebermos pessoas afins em quatro núcleos diferentes, para que todos se sentissem bem e partimos para os detalhes.
Reconheço que desde garota os detalhes do preparo de um encontro me encantam. Gosto muito de arrumar a casa, ofertar coisas gostosas, criar afinidades entre as diferenças e conferir aos detalhes parte do que sou.
Quero que todo o ambiente interaja sem que ocorra a perda da possibilidade de se manter algum diálogo mais reservado. Escolho as músicas de fundo, dou especial atenção ao colorido dos tapetes e complementos, à iluminação, às flores, às velas, ao arejamento, ao aroma (lógico que me preocupo em aspergir deliciosa água de flores provençais, ou, libanesas, em ritual que pratico com muito carinho), à circulação, ao conforto e ao segundo ambiente para maior diversão – jogos sempre são bem-vindos – e às particularidades de cada um. Quero que a minha casa se torne extensão da casa dos meus convidados o que somente é possível quando as pessoas se sentem confortáveis e bem-vindas. Penso na melhor refeição, no sabor e na facilidade que quero que desfrutem, sem que tenham que praticar qualquer malabarismo para ingerir o alimento. Preocupo-me em ter alimentos frescos e opções para todos os gostos porque, mesmo sem que eu saiba, cada vez mais meus amigos se tornam vegetarianos, ou, abandonam a carne vermelha (eu não), além de bebidas que satisfaçam – ah! Filho, que prazer reconhecer que as bebidas ficaram sob sua responsabilidade e você me superou.
Enquanto circulava para me certificar que todos estavam bem ouvi comentários sobre nossas amizades que duram anos. É verdade. Enquanto apresentava alguns convidados, me dei conta que nos acompanhamos, no mínimo, há mais de vinte anos. Outro reconhecimento: Eu mesma estou mais à vontade, a ponto de compartilhar imagens e matar a saudade de alguns, e chamar minha amiga querida para juntas cortarmos as frutas da incrementada salada – qual fruta combina melhor com qual e o suco fresco de laranja no final - enquanto conversávamos sobre melões, tapete e o guarda-chuva italiano cheio de detalhes de minha mãe.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Táticas e estratégias

"Minha tática é
olhar-te
aprender como és
querer-te como és


minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível


minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
mas ficar-me em vós


minha tática é
ser franco
e saber que és franca
e que não nos vendamos
simulacros
para que entre os dois


não haja cortina
nem abismos

minha estratégia é
por outro lado
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites"


Mario Benedetti

Balão

Errou na mão. Errou feio na mão.
Foi tamanha a ausência que acostumei a não sentir tanta falta.
Se fosse equânime - o mínimo - eu ainda estaria na palma da mão.

Átomos dançantes

Ando boba, boba de tudo. Meio anestesiada, meio etérea. Talvez faça parte do binômio brisa marinha e iceberg, a leveza suave permeada pelo duro gelo compacto. Há dois dias quebrei por dentro. Quando quebro choro sem parar. E quanto mais tento estancar o aguaceiro, mais choro.
Puxa, será que você não entende o mecanismo do choro? Será que você não percebeu que ainda não sucumbiu de vez, por que deixa a alma aguar? Quer dizer, você não deixa, mas sua alma é rebelde.
Várias vezes me disseram que sou marcante. Não sei bem o que isso significa. Sei que há algum tempo faço esforço danado para passar desapercebida, ensimesmada que estou (não sou). Às vezes incomodados sem querer. Pessoas incomodadas incomodam ainda mais. Sinceramente, não quero incômodo algum.
Foi a primeira vez que vi isso: Grupinhos se formaram para me encher de carinho, ânimo, presentes, cartões e mágicos dizeres. Gosto muito de ler o que as pessoas escrevem.
As rosas, estas rosas, são as mais belas que já ganhei. Há muito tempo não vejo rosas com esta qualidade: Cabo longo e perfeito, pétalas que parecem veludo e cor forte, densa. Até pensei se eram de verdade... Que absurdo! Tomar o artificial pelo natural. Desta vez não chorei. Mas vi duas queridinhas chorarem e isso não esperava.Certas coisas que acontecem em determinados cenários merecem registro. Subverter os cenários é uma das gostosas brincadeiras.
Acho que de alguma forma sou marcante, embora não faça absolutamente nada para ser.


"A franja da encosta
Cor de laranja
Capim rosa chá
O mel desses olhos luz
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Criança cor de romã
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
Ficando
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
Que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul
Quase inexistente azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açai
E aqui trem das cores
Sábios projetos
Tocar na central
E o céu de um azul
Celeste celestial."

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Caixa amarela


Veio do Rio uma caixa amarela.
Primeiro o principal: O cartão. A querida Mana me conhece e sabe o que escreve. Mana quer que eu renasça. Mana nunca faz nada à toa.
O livro "A alma imoral" de Nilton Bonder, que Mana gostou e mandou um exemplar para mim. Está na contra-capa: "Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo. Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito. Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos. Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade. Este olhar é o da alma."
Com os olhos fechados abri página aleatória: "Sem medo de ser perverso. Uma das formas que o mar que nos imposibilita de caminhar assume em nosso imaginário é a da perversidade. 'Não posso fazer isso' é uma expressão que nos paralisa e nos faz acampar. Magoar outras pessoas ou agir de maneira imoral para com nossa formação e edudação são argumentos usados pelo corpo constantemente. Não há, no entanto, nenhuma maneira de ultrapassar o mar sem enfrentar a possibilidade de nossa perversidade..."
O super rímel da Lâncome 'hypnôse', 'noir hypnotic'. Mana trouxe do Caribe, via Nova York. Só eu sei, querida, o que significa este rímel. Retomo, aos poucos retomo.
O primeiro sebento "Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo" de Nelson Rodrigues. Outra página aleatória com os mesmos olhos fechados: "É preciso merecer a fidelidade. A rigor, esta seção é destinada às mulheres, aos seus problemas, às suas alegrias e tristezas. De vez em quando, porém, abro exceção e respondo a uma carta masculina..." Mana foi buscar num sebo em Ipanema. Edição mais do que esgotada retornará ao Rio para que Mana também se divirta.
Aqui, igualmente, agradeço a preciosa dica de Nelson. Obrigada.
Por incrível que pareça deixei a caixa fechada até o dia vinte e oito como prometi. Ficou desafiadora sobre meu baú a me chamar o tempo todo. Não cedi.
Isso é um marco.
Resumo a história: Letras, olhar, bem querer. Tudo vinculado como deve ser.
Amizade de mana e verdadeiro carinho não reconhecem a geografia. Macaé não é ai. E nada é à toa. Obrigada, querida. Muito obrigada.

Palavras

As boas e verdadeiras palavras têm fantástica energia e são capazes de mudar o universo.
Bem-vinda e abençoada esta responsabilidade.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Seasons of Love

525.600 minutes - I mesure my life in love

Five hundred twenty five thousand six hundred minutes
Five hundred twenty five thousand moments so dear
Five hundred twenty five thousand six hundred minutes
How do you measure - measure a year?
In daylights, in sunsets
In midnights, in cups of coffee
In inches, in miles
In laughter, in strife
Five hundred twenty five thousand six hundred minutes
How do you measure a year in the life?
How about love?
How about love?
How about love?
Measure in love seasons of love.
Seasons of love.
Five hundred twenty five thousand six hundred minutes
Five hundred twenty five thousand journeys to plan
Five hundred twenty five thousand six hundred minutes
How do you measure the life of a woman or a man
In truth that she learned or in times that he cried
In bridges he burned or the way that she died
It's time now, to sing out
Though the story never ends
Let's celebrate
Remember a year in the life of friends
Remember the love
Remember the love
Remember the love
Measure in love
Oh you got to you got to remember the love
You know that love is a gift from up above
Share love, give love, spread love
Measure, measure your life in love.
Seasons of love
Measure your life, measure your life in love

Aberta para balanço

Vinte e oito minutos. Vinte e oito minutos do dia vinte e oito.
Momento do balanço.
Arvore filho e livro, entregues para o mundo.
Trinta minutos. Géiser de letras.
A vida molda. De um jeito, ou, de outro, a vida sempre molda; muda a consistência da massa, lapida a pedra, desarruma cada trigo do campo com seu vento.
Somente agora entendi que foi necessário, temporariamente, virar meio dura, meio árida para prosseguir. Aquela que prevalecia não seria capaz de manter-se sem perder seu melhor.
Foi necessário enterrar, desenterrar, exumar, vestir o corpinho frio, alvo e mole com seus últimos sopros de ar saindo pela boca e não se perder.
A vida não vem com manual, prazo de validade, certificado de garantia e possibilidade de troca, ou, devolução. Vai desistir?
Pegue ai o manual, minha filha, procure na letra ‘e’ exumação, leia o significado, a receita de como fazer, o que sentir, como reagir. Não encontrou? Nem os sábios atenienses lhe ensinaram algo sobre isso?
Exumação, exumação, deixe-me ver os registros... Ah! Lembrei-me que na década de oitenta uma amiga de faculdade comentou que havia exumado a avó em Minas, e o quanto eu havia ficado mal impressionada com o detalhe dos cabelos brancos e compridos misturados com os ossos. Mas é isso? Só isso.
A receita para exumar quem durante um tempo mais se amou é a seguinte: Reúna um grupo de empregados do cemitério mais próximo e acompanhe a rotina. Não esmoreça quando um deles perguntar: "Mas a senhora assistirá a exumação sozinha?” Sim! O sim firme e cortante de quem finge que sabe o que virá pela frente e esgota qualquer possibilidade de manutenção do mórbido diálogo. Rigidez, utópica força. Desceu um – o mais moço da turma – para quebrar o cimento e tirar o que estava enterrado.
Vai continuar? Como? Onde está você? Acorda!
Pois é, rapaz, pelo visto sobrou para você todo trabalho ai embaixo. O que vocês fizeram? Sortearam quem desce e quem fica? Quebrou-se o encanto. Nada de cabelos e impressões ruins. Faz parte da vida, apesar de não constar do manual.
Igualmente não se encontra no livro de regras e etiquetas o que fazer com os paramédicos parados no meio da sala de estar de sua casa a olhar para o mesmo corpinho alvo e frio sem nada para fazer. Não há qualquer registro sobre como reagir ao único choro explosivo do filho, ao definir que a avó amada não iria para qualquer instituto médico da vida.
Meu filho e a imensa dor por ele sentida ao presenciar a partida de alguém tão querido, fizeram com que eu encontrasse força.
Não lhe ensinei como agir e reagir por que eu mesma não sabia, mas estava ao seu lado para segurar as rédeas e, mesmo naquele momento, ao menos lhe garantir algum exemplo. Não irá! Por ele. É este o segredo: Por ele.
Por ele sai do consultório da endocrinologista com o papelzinho na mão que me orientava a procurar cirurgião de cabeça e pescoço. Mas que raio é esse de cirurgião de cabeça e pescoço. Onde encontro esse senhor? Ora, em frente ao hospital, na casa com a placa ‘cirurgia cabeça e pescoço’.
Por favor, quem é o melhor cirurgião da equipe? Perguntou para quem, menina? Para a recepcionista do consultório? Mas é lógico, não haveria indicação melhor. Você escolhe algum par de sapatos e pergunta para a vendedora se são confortáveis. Luz! Quando nos perdemos precisamos de luz.
A recepcionista virou a simpática Ana e o cirurgião o competente doutor com mais de trinta anos de experiência que não deixou um restinho sequer da glândula para contar história, e a quem tive que consolar – eu tive que consolar – quando ele abriu o envelope com o resultado da biópsia e descobriu que era câncer.
Em menos de seis meses quanto fingir que sabe e consegue.
Passei uma semana em total angustia misturada com desespero, solidão e choro para me acostumar com a idéia antes mesmo de saber o resultado dos exames, e logo após receber alta com a garantia que não havia qualquer possibilidade de câncer. “Parabéns! Fique tranqüila! Foram três horas de cirurgia, sua tireóide estava totalmente aderente, mas não havia qualquer sinal de malignidade!” O garotão aliviado deu um salto da cama ao lado, na qual descansava da espera da mãe.
Imaginaram que tudo estaria resolvido? Pessimista eu? Não. Simplesmente, eu sabia.
Logo após a cirurgia e na primeira longa noite sozinha no quarto do hospital, com o dreno apelidado de Totó pendurado no pescoço, não foi a presença do pai que sempre curou as dores que senti, mas a de minha mãe que não saiu do meu lado. Os especialistas em almas penadas dirão que havia passado pouco tempo da “passagem” da querida nonagenária e eu responderei que cada um sente e sabe o que sente.
Foi por ele, também, que decidi enfrentar o tratamento e seguir adiante. Virar sparkly girl, radioativa, injetada e combater o medo. Descer às catacumbas radioativas do doutor rádio e seus isótopos selvagens e voltar a pé para casa, ou, ir direto para o escritório e trabalhar.
Confesso que na fase da calibragem hormonal senti vontade de desistir, mas reconheço tanto esforço e acho uma pena largar de vez.
As regras que escrevi em meu manual serviram para mim.
Quem sabe podem ajudar mais alguém.

Para sobreviver ao câncer:
- Se afaste das pessoas egoístas, mesquinhas e ruins.
- Respeite seu tempo e ritmo.
- Aprenda a escutar seu organismo.
- Cuide do que entra e do que sai: Palavras, alimento, sentimento.
- Tenha um cachorro fiel, companheiro, carinhoso e brincalhão ao lado.
- Realize algo, trabalhe, produza de fato.
- Faça tricô.
- Aprenda a cozinhar com afeto.
- Curta a solidão. Jamais se sinta desolado.
- Ouça música.
- Leia poemas.
- Reconheça a magia e a beleza das cores do pôr-do-sol e do nascer do dia.
- Caminhe.
- Chore.
- Estipule e cumpra pequenos desafios diários.
- Aprenda coisas novas.
- Reconheça que a vida é esta, uma, única.
- Não desperdice tempo, nem sentimento.
- Desenvolva memória seletiva: Mantenha o bom e esqueça o ruim.
- Aprenda mais sobre gratidão e solidariedade.
- Reze.
- Perdoe.
- Ame.

Para sobreviver a funerárias e que tais:
- Aprenda a pintar.
- Mude a cor das paredes.
- Refresque a casa: Aromas, sol, ar, luzes e cores.
- Mude de quarto.
- Arrume os armários.
- Lave todas as porcelanas e cristais.
- Mantenha lamparina acesa.
- Aprecie fotografias antigas.
- Aprenda a plantar, a cuidar e a apreciar o crescimento.
- Respeite seu tempo e ritmo.
- Tenha um cachorro fiel, companheiro, carinhoso e brincalhão ao lado.
- Chore.
- Realize algo, trabalhe, produza de fato.
- Ouça música.
- Leia poemas.
- Reconheça a magia e a beleza das cores do pôr-do-sol e do nascer do dia.
- Caminhe.
- Estipule e cumpra pequenos desafios diários.
- Aprenda coisas novas.
- Desenvolva memória seletiva: Mantenha o bom e esqueça o ruim.
- Respeite seu luto.
- Reze.
- Perdoe.
- Ame.

Para realmente comemorar a vida após funerais e câncer:
- Ame.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Paulo Leminski e Alice Ruiz

"No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas."

Paulo Leminski

* * *

"já não temo os fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites

entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me falta"

Alice Ruiz

* * *

"eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha"

Paulo Leminski

* * *

"ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube

ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza

ainda te sinto
em tudo que permanece
como se tua pressa
de vida que se extingue
ficasse um pouco em tudo
ainda"

Alice Ruiz

* * *

"isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além"

Paulo Leminski

* * *

"tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado"

Alice Ruiz

* * *

"quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto"

Paulo Leminski

* * *

"devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa
dizer não vou mais voltar
sumir pelo mundo afora
alguém com tudo pra dar
tirar o seu corpo fora
devia ser proibido estar
do lado de cá
enquanto a lembrança voa
reviver, ter que lembrar
e calar por mais que doa
chorar, não mais respirar (ar)
dizer adeus, ir embora
você partir e ficar
pra outra vida, outra hora
devia ser proibido..."

Alice Ruiz

Alice Ruiz


quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Cabelo, cabeleira, descabelada


Bom isso de descobrir xampu que deixa o cabelo
gostoso de mexer e com aroma que faz bem.
Experimentei um novo de algodão e completei com o
de camomila e própolis. Ficou com cheirinho de coco.