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domingo, 10 de agosto de 2008

O sonho não acabou

Você tem alguém que, do nada, no lugar e tempo mais improváveis, faz carinhosa surpresa e canta esta para você? Que sorte a sua!

Hoje a minha pele já não tem cor
Vivo a minha vida seja onde for
Hoje entrei na dança e não vou sair
Vem eu sou criança, não sei fingir
Eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Lá onde eu estive o sonho acabou
Cá onde eu te reencontro só começou
Lá colhi uma estrela pra te trazer
Bebe o brilho dela até entender
Que eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Só feche o seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube a sombra, não sabe a luz
Vem não perde o amor de quem te conduz
Eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Eu preciso, eu preciso de você
Nós precisamos, precisamos sim
Você de mim, eu de você
Taiguara

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Quem explica ?

Mais uma vez um sonho indesejado pleno de detalhes e significados, que atormentou a noite e alguns poucos dias seguintes. É incrível sonhar com alguém jamais visto e que não se quer ver, que atropela e muda a vida da pior maneira possível, sobre quem se aprendem as piores referências, além de, infelizmente, nos obrigar a desacreditar valores e idéias fundamentais.
Que coisa incontrolável é essa, que nos faz entristecer até em sonho.
Parece que estamos em período de sonhos conturbados e desalentadores, porque duas pessoas queridas e próximas comentaram sobre o mesmo transtorno: Sonhos e sensações ruins que deles vieram.
Pensando bem, o sonho recente de uma querida amiga foi bem pior, porque – até agora, em dúvida se acordada ou adormecida – ouviu sons e ainda por cima, viu vultos.
Na manhã seguinte o mal estar era tão forte, que voltei ao pronto-socorro (depois da última experiência fui valente, ou, idiota o suficiente para insistir no conhecimento da causa e cura de tanto mal estar) para diagnóstico e medicação imediata, antes da ida ao escritório. Os mesmos sintomas, alguns agravados, novas possíveis causas e a certeza de mais exames e da opinião de especialista. O duro é segurar isso quieta, para não expor o que vai por dentro.
Dois dias depois toca o telefone e ensaio o início de um comentário, um desabafo necessário para encontrar força, carinho, mas ouço palavras agressivas
e bem duras, mescladas com injustos gritos sobre culpa, que em momento algum pretendi fazer sentir. Fico triste e sem ação. Há tempos me pergunto que força ruim é essa, que impregna de tal forma negativa o bom sentimento e impede a realização do melhor. Não, não é força alguma, por que não há nada tão ruim que dure tanto tempo; é o medo, apenas o medo.
Não é normal ligar só para destruir. Não é normal.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Esse sonho mão mais

Algum dia, quem sabe, eu aprenda mais sobre sonhos. Quase não sonho. Dizem que todos sonham, mas há os que não se lembram de seus sonhos. Eu não sei.
Mas reconheço a existência de sonhos premonitórios. Ou será que nosso subconsciente registra com rapidez certas situações, não assimiladas racionalmente, e as traz de volta nos sonhos para nossa compreensão?
Recentemente, meu filho sonhou com determinado animal. Procurei o significado e o alertei: Tinha tudo a ver com uma situação que ele vivia.
Sonhar com algumas pessoas é sinal certo de tristeza ou contrariedade.
Eu que não sonho, ou não me lembro dos meus sonhos, tive um sonho triste e ruim na noite passada. Corrijo: Tive um pesadelo, rico em detalhes, entre as cinco e seis da manhã. Vi nesse sonho o que eu jamais quis ver na vida real. Com certeza se encaixou no sonho com pessoas que deixam o dia da gente ruim e esquisito; afetam nossa concentração e ânimo, desequilibram nossa boa energia.
Assim como a memória, talvez devamos ter sonhos seletivos.
Não segui o conselho de um amigo, que me falou para colocar uma tesoura de baixo do travesseiro para cortar pesadelo. Será que isso adianta? Com tesoura, ou sem, aquele foi um sonho para nunca mais.


Hoje eu sonhei contigo
Tanta desdita, amor
Nem te digo
Tanto castigo
Que eu tava aflita de te contar

Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina todo
E quer sufocar

Meu amor
Vi chegando um trem de candango
Formando um bando
Mas que era um bando de orangotango
Pra te pegar

Vinha nego humilhado
Vinha morto-vivo
Vinha flagelado
De tudo que é lado
Vinha um bom motivo
Pra te esfolar

Quanto mais tu corria
Mais tu ficava
Mais atolava
Mais te sujava
Amor, tu fedia
Empestava o ar

Tu, que foi tão valente
Chorou pra gente
Pediu piedade
E olha que maldade
Me deu vontade
De gargalhar

Ao pé da ribanceira
Acabou-se o liça
E escarrei-te inteira
A tua carniça
E tinha justiça
Nesse escarrar

Te rasgamo a carcaça
Descemo a ripa
Viramo as tripa
Comemos os ovo
Ai, e aquele povo
Pôs-se a cantar

Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina todo
E já não tem paz

Pois eu sonhei contigo
E caí da cama
Ai, amor, não briga
Ai, não me castiga
Ai, diz que me ama
E eu não sonho mais.

Chico Buarque

Imagem de Ansel Adams