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sábado, 15 de março de 2008

Braços duros de torcer


House Calls (1978), de Howard Zieff, com Walter Matthau e Glenda Jackson.
Para mim, o melhor parceiro que Walter Matthau teve na telas foi Jack Lemmon.








The Only Thrill (1997) de Peter Masterson, com Diane Keaton e Sam Shepard.








Os adoráveis Before Sunrise (1995) e Before Sunset (2004) são de Richard Linklater, com Julie Delpy e Ethan Hawke.

















Quatro filmes encantadores e sem quaisquer efeitos especiais, que primam pelo perfeito entrosamento entre os atores e pelos diálogos ágeis, inteligentes e agradáveis, e expõem a queda de braço, ou melhor, a temporária dureza de braços que desconhecem o torcer básico em prol da felicidade e da prevalência do verdadeiro amor.

Anthony Quinn era o mexicano mais grego que jamais vi, graças a sua genial interpretação de Zorba. Foi divertido assistí-lo como um esquimó, no filme The Savage Innocents de 1960, que hoje seria o horror de ecologistas, ambientalistas e da sociedade protetora dos animais. Um ou outro ficaria chocado com a cena da senhora esquimó - por sinal, seu inglês era o melhor - que foi deixada no meio da imensidão gelada para servir de alimento para o urso polar, que posteriormente serviria de alimento para sua família. Enfim, foi divertido assistir a Anthony Quinn esquimó, às vezes, sorridente demais, ingênuo e meio bobão, a contracenar com o jovem e desajeitado Peter O'Toole, com quem depois esteve em Lawrence of Arabia de 1962.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Fases

Atualmente vivo cinco fases distintas e interligadas, que formam diferente e interessante rede.
Concluída uma, as demais se diluirão.

Aprendo a apreciar Wong Kar-wai:

Chungking Express (1994),
Days fo being wild (1991)
As tears go by (1998),
In the mood for love (2000),
2046 (2004).

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Atores

Um anglo-irlandês, uma francesa, uma inglesa e um espanhol. Para eles foram as premiações mais significativas e merecidas do octogésimo Oscar.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Cineastas

O filme “Tropa de Elite”, de José Padilha, ganhou o Urso de Ouro do 58º Festival de Berlim e é muito provável que esse diretor consiga sucesso similar ao de Fernando Meirelles e Walter Sales. Em 1998, no mesmo festival, a atriz Fernanda Montenegro recebeu o Urso de Ouro de melhor atriz pelo encantador “Central do Brasil”, filme que depois da premiação alemã, ganhou outros quarenta troféus mundo afora, o que nos faz pensar sobre os reais benefícios desses festivais.
Li vários textos sobre o filme, ouvi comentários entusiasmados de amigos, mas reconheço que ainda não assisti “Tropa de Elite”, por estar em fase de recuperação e evitar o quanto posso quaisquer cenas de violência, físicas e emocionais. Assistirei a esse filme mais tarde, o que não me impede de acompanhar o noticiário.
O presidente o júri do festival berlinense deste ano foi Costa Gavras, um dos meus cineastas favoritos. A filha dele, Julie Gavras, também é cineasta, segue a mesma trajetória do pai, mas com o diferencial marcante registrado na sutileza e sensibilidade de seu filme “A culpa é de Fidel”.
No aeroporto de Tegel, Luiz Carlos Merten, do Estadão, encontrou o famoso cineasta e perguntou se ele não se importaria de virar o pai de Julie Gavras. A resposta foi imediata: “Que pai se importaria?” e o comentário complementar do jornalista: O sorriso não deixa margem à dúvida de que Costa Gavras é o pai feliz de uma cineasta talentosa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Dupla perfeita

Bem sei que ninguém em juízo perfeito escreve deste jeito, mas é inevitável.
Você olhou o câncer de frente, ou alguma outra enfermidade que lhe fez parar para projetar seu fim?

Você conviveu com qualquer doença, daquelas que as pessoas têm medo de dizer o nome, reagem acompanhadas pela ignorância de quem quer evitar a contaminação inexistente e perdem a naturalidade ao assumir a condescendente cara de dó misturada com o aliviado Deus me livre?
Você esqueceu o que é ser feliz e fazer os outros felizes?
Perdeu a noção do bem-viver?
Mantém e vive mentiras e teatros?
Desaprendeu o que é solidariedade e generosidade?
Desconhece o que é bom humor e alegria?

Não perde tempo com listas, por que as considera idiotas?
Desconsidera a fidelidade e a amizade?
Desacreditou o amor?
Então, assista a este filme. Assista.

The bucket list, escrito por Justin Zackham e dirigido por Rob Reiner, com Jack Nicholson e Morgan Freeman.

Jerônimo!

domingo, 20 de janeiro de 2008

Nifes

É muito bom passar horas com amigas, ainda mais quando surgem dicas preciosas como a do filme Noivas (Nifes) dirigido pelo grego Pantelis Voulagaris e produzido por Martin Scorsese.
A encantadora música de Stamatis Spanoudakis e a belíssima fotografia de Yorgos Arvanitis merecem especial apreciação.
O filme, baseado na obra de Ioanna Karistian é primoroso, comovente e retrata com especial cuidado a difícil existência de mulheres russas, turcas, búlgaras, armênias e das ilhas gregas, que sofreram em seus países com as guerras, estupros, orfandade e a pobreza, e foram obrigadas a se tornarem noivas por correspondência de imigrantes solteiros que moravam nos Estados Unidos.
Sobre essas mulheres foram depositadas, por suas famílias, todas as esperanças e a responsabilidade pela subsistência.
Portanto, além de amedrontadas com a vida que teriam em um país distante, com um homem que jamais haviam encontrado, ainda eram responsáveis pelos seus irmãos e pais.
- Na América, minha primeira tarefa é mandar lápis de cor para minha irmã caçula. Ela tem quinze anos. Ela pinta a areia, a onda.
Tudo se inicia na ilha grega de Samotrácia, no ano de 1922, enquanto Niki Doukas aguardava o regresso de sua irmã, Eleni, dos Estados Unidos, para onde ela havia seguido para casar-se com um imigrante grego. Eleni foi uma noiva por correspondência, mas não conseguiu viver longe de sua ilha de origem. Niki, por sua vez, seria a noiva substituta da própria irmã, em acordo que foi firmado por sua madrinha, que morava nos Estados Unidos e também havia sido noiva por correspondência. Alguma vez costurei um vestido novo para ir a um encontro?
Alguma vez coloquei jasmim nos meus seios?
Alguma vez esperei o carteiro? Amor, Eleni, é para os desocupados. Estou bem sem ele. Se houvesse uma outra pessoa, uma pessoa que esperasse por mim primeiro...Vou para um país estrangeiro com o mesmo vestido de noiva e com a mesma foto que você levou no ano passado.
Em Smirne, na Turquia, o fotógrafo americano de origem irlandesa, Norman Harris (Damian Lewis), desiste de sua profissão após ter suas fotos da guerra greco-turca rejeitadas por um jornal e resolve retornar para os Estados Unidos.
Não menos do que setecentas noivas por correspondência embarcaram no transatlântico King Alexander. A cena dos barcos que levavam as jovens para o navio é belíssima, assim como o fino bordado que une suas histórias e o paralelo demonstrado entre a primeira e a terceira classe da embarcação. A crueza é tratada com sutileza e o encanto crescente entre Niki Doukas e Norman Harris, o marco amoroso do filme.
E sua bagagem Niki levou lentilhas, folhas de louro e alho - o alho americano não teria cheiro - para preparar a comida favorita de seu noivo, que teria comentado que se casaria com qualquer uma, desde que não vivesse choramingando, nem

fosse preguiçosa.
O primeiro diálogo entre Niki e Norman foi sobre fotografias:
- Você rasgou fotografias? Se tiver mais fotografias, não as rasgue. Dê-as para mim.
- O que fará com elas?
- Mesmo fotografias de estranhos são muito boas para decoração.
- Sua casa dever ser cheia de fotografias.
- Somente uma.
- Do casamento de seus pais?
- Não. Do meu pai no caixão.
- Sinto muito.
- Sim... Meu pai em seu caixão e toda família reunida em volta dele. Na minha ilha, só assim as pessoas conseguem ter sua foto. Quando morrem. Que tipo de fotografias fazia?
- Fotos incomuns. Gosto de fotografar coisas que os outros não percebem. Detalhes, coisas pequenas.
Niki sabia costurar, auxiliava as demais noivas com seus vestidos e sugeriu que Norman fotografasse as jovens de sua ilha, o que fez com que ele resgatasse o prazer de fotografar. No meu baú tenho um vestido de noiva que já cruzou o Atlântico várias vezes, indo e vindo, indo e vindo. 1909, com minha madrinha, 1921 e, agora, 1922. Um vestido bastante azarado. Indo e vindo, indo e vindo.
No diálogo de Niki com o capitão do navio a comparação da rota das estrelas com o destino dos imigrantes que partiram para o Novo Mundo:
- A primeira a aparecer será Vênus. Depois, Sírius. Após, Órion. E quando o céu ficar iluminado, limpo e escuro, você conseguirá ver até as menores estrelas. Todas elas viajam juntas para o oeste. Todas as estrelas vêm do leste.
- As estrelas vêm do leste para o oeste. Assim como nós.
E as lembranças de algumas características de povos imigrantes:
- Gregos morrem sem o mar.
- Minha avó irlandesa sempre falava das ondas batendo nas rochas em Cork
No começo, ela era nostálgica; depois, ficava melancólica.Quando estava nostálgica, fazia comida salgada. Se melancólica fazia bolos. Você entende?
- Nostalgia e melancolia são palavras gregas.
- Niki, my darling, I thought about you all last night. Se agapo.
- Não.
- Não consigo evitar.
- Não me ame.
- Mas eu amo!
- Sou grega.
- E daí?
- Pare!
Assim ficou a tristeza do verdadeiro amor não vivido para que a tradição se mantivesse.
- Você jamais o esquecerá e esta será sua punição.
- Não é punição lembrar de alguém que se ama. A punição é esquecê-lo.
Em menos de um instante os olhos encararão uma vida que passará e nunca será esquecida.
Eis parte do texto de Celso Sabadin sobre o filme:
O jornalista Fernando Morgado, meu editor na época em que eu trabalhava na finada Folha da Tarde, uma vez me disse uma frase que eu jamais esqueci: "Existem filmes que são distribuídos e existem filmes que escapam". Definitivamente, Noivas é um filme que acaba de escapar. Produzido em 2004 e exibido para a imprensa paulista uma única vez em agosto de 2006, Noivas estréia de surpresa, num circuito minúsculo e praticamente sem divulgação. Com Martin Scorsese assinando como um dos produtores e um pano de fundo baseado em fatos reais (sempre me pergunto se um filme pode ser baseado em "fatos irreais"), Noivas ganhou cinco prêmio do Festival de Tessalônica (Grécia) e participou da mostra competitiva de Moscou. Tem tudo para agradar a um público que prefere narrativas mais clássicas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Conceitos

Para ela, o amor nunca termina.
Para ele, é um conceito abstrato.


"Os amantes" de John Cassavetes,
com Gena Rowlands.

domingo, 4 de novembro de 2007

Juliette Binoche

Decalage Horaire (Jet Lag) é um filme encantador de Daniele Thompson escrito em parceria com seu filho, Christophe, que estreou em 2002, e fez considerável sucesso no circuito europeu de cinema.
Li sobre a sutileza emocional e a elegância formal que estão presentes nessa obra e mantenho as mesmas palavras.
É impossível não deixar-se arrebatar pela especial atuação da sempre genial Juliette Binoche e do truculento estereotipado Jean Reno, que formam uma das mais improváveis duplas da história do cinema. Durante todo o filme os dois conservam a magia, realizam maravilhas e praticam interessante exercício de íntima cumplicidade.
No movimentado aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, a esteticista, massagista, maquiadora e especialista em reflexologia, Rose, espera o embarque para Acapulco, lugar que escolheu para recomeçar a vida e fugir do namorado covarde, agressivo e vil.
Por sua vez, Felix, famoso e estressado chef de cuisine que tem sério problema com o café da manhã, também espera seu atrasado vôo para encontrar sua companheira na Alemanha.
Demora demasiada, suposta greve de aeroviários e os passageiros são obrigados a passar a noite no aeroporto. Felix consegue reserva em hotel próximo e condoído com o recente maltrato sofrido por Rose (o insuportável namorado marca sua infeliz e escandalosa presença na sala de espera do aeroporto), sugere que dividam o espaço e se refaçam do cansaço.
Assim, óleo e água se unem. A sonhadora e otimista Rose mantém adorável, inteligente e ágil diálogo com o seco e duro Felix (excelente caracterização do típico cozinheiro francês), que lhe sugere o uso de Ajax amoníaco para retirar a maquiagem do rosto. Não são pessoas felizes e seus invisíveis parceiros estão presentes o tempo todo – pelo celular a companheira de Felix não lhe dá trégua.
Apesar de suas mazelas e inseguranças, juntos descobrem sentimentos e sensações fundamentais.
Na manhã seguinte ela parte para Acapulco e ele muda seus planos e procura pelo pai, com quem havia rompido desde a adolescência. Esse é outro efeito do breve e especial encontro dos dois.
Ao chegar a seu destino, Rose encontra representante da empresa aérea com um cartaz na mão escrito Rose de Luxemburgo, que lhe entrega recado de Felix. Ela pega um táxi e segue seu percurso pelas belas e ensolaradas praias, enquanto ouve demorada e amorosa mensagem deixada por Felix no celular. Por fim, assume seu destino, pede ao motorista que dê meia volta e a leve ao aeroporto.

Gosto muito da talentosa Juliette Binoche e acompanho seu consistente desempenho, ao longo de sua brilhante carreira.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Elizabethtown



You have only five minutes to enjoy your delicious misery.


Enjoy it. Embrace it. Let it go. Proceed.


Sometimes the road ahead is paved with anything but good intentions.


sábado, 13 de outubro de 2007

Surrender, Dorothy. The hardest part is letting go.

"Fresh off of her Academy Award nominated triumph in 'Something's Gotta Give', the next logical move for Diane Keaton wa a low budget, made-for-television weeper with an unknown cast.
A grieving mother is attempting to come to terms with her daughter's sudden death. In an attempt to better understand her daughter's life, she moves in with her daughter's friends in the rundown beach house where the group spent their summers. In her journey toward healing, she bonds with the group of young friends.
'The Wizard of Oz' must be the single most referenced work in movie history. In this particular case, Natalie (Diane Keaton) always begins phone calls to her daughter Sara, with the phrase "Surrender, Dorothy." The phrase early in the movie is a touchstone for the mother/daughter bond between Natalie and Sara. Later, it becomes symbolic of Natalie's loss.
Sara dies in a car accident while riding with her best friend Adam (Tom Everett Scott). He - along with a young couple and their baby - has shared a beach house with Sara every summer for years. When tragedy strikes, it isn't long before Natalie pays a visit and decides to stay awhile (much to the chagrin of Sara's friends). What follows is a character piece in which a group of people come to a deeper understanding of each other on the occasion of the death of one they all
loved. As Natalie gets to know Sara's friends, she realizes that her daughter had many secrets and was not the girl she thought she knew. The movie's di
alogue is fairly well written. 'Surrender, Dorothy' contains moments of self-discovery, forgiveness, and revelation that the viewer will see coming a mile away. You can found yourself quite emotionally detached during what should have been a touching climax to the film. The straightforward screenplay doesn't go much for subtlety or nuance, and performances are merely adequate. This seems to be what we've got in 'Surrender, Dorothy': We can feel better now."