segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mini Cooper


Longe de todos os símbolos esse bem móvel e relativamente durável (tento iniciar a descrição dessa gracinha, pela qual senti atração imediata desde a primeira vez que a vi, há vários anos, durante viagem ao exterior) tem quase quatro metros de comprimento, metro e quarenta de altura e é ideal para mulheres, como eu, que querem dirigir e estacionar com facilidade, agilidade e, atualmente, cada vez entendem menos a utilização de carros grandes em centros urbanos, nos quais, o trânsito é problema crônico e afeta a vida e a saúde de todos.
Com câmbio automático, por favor, por que não sinto mais prazer em trocar marchas, reduzir, sentir ou ouvir a resposta do motor (mas que mocinha mais doidinha) e por um tempo tornar-me una com o carro durante sua movimentação, (guardadas as devidas proporções) na tentativa de imitar meu pai, que com maestria dirigia e, às vezes, ousava ao dirigir em avenida segura, lateral ao aeroporto, e apostar corrida com algum avião que se preparava para o pouso - meu pai sabia sobre a corrida imaginária, mas o piloto do avião, não.
Os detalhes de seu interior, que em parte me lembram alguns visores de certas aeronaves, são charmes adicionais. Em particular sou encantada por um detalhe que é muito semelhante ao que mais chamava minha atenção no Studebaker cinza claro do meu pai.
Acho que é esse jeito meio antigo que me encanta. Jeito da minha meninice, com qualidades ideais para minha adultice (brincar palavras é preciso, entristecer não é preciso). O preço? Ora, imaginar não tem preço.
A cor do modelo acima não é aleatória.

domingo, 12 de abril de 2009

sábado, 11 de abril de 2009

José Luis Peixoto

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

* * *

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

Mitos gregos

Gostamos e fazemos questão dos nossos almoços semanais, que costumam ser tranquilos e em paz, sem notarmos o relógio, com boa conversa para colocarmos a vida, os sentimentos, as ideias em dia, lembrarmos de pessoas e acontecimentos, trocarmos experiência e aprendermos, porque mãe também aprende muito com filho. Encerramos nosso almoço com cappuccino gostoso em um de nossos lugares de infância (da minha e da infância do meu filho).
Sabemos que estamos em nova e tão ansiada fase que passará, como dizem que tudo passa, porque a mãe terá outras atenções e não é eterna e o filho também terá outras atenções, formará seu próprio diálogo com seus filhos, sua mulher, além de concordarmos que os almoços familiares obrigatórios de todos os domingos, em restaurantes lotados ou em casa, são chatíssimos, desgastantes e cansativos.
Enquanto tomávamos café e meu filho conversava com o pai ao telefone, fui à livraria bem próxima em busca de um livro rápido, que lemos em uma sentada, para espairecer e aliviar a mente. Algo com humor inteligente.
Do jeito que as livrarias estão abarrotadas, imensas, com inúmeras seções e subseções, encontrar algum livro ao acaso tornou-se pequena aventura e considerável exercício de paciência, ainda mais no final de semana. Encontrei um livro de Nora Ephron, com adorável capa com ilustração dos anos sessenta. Li na contracapa a bem humorada relação entre a torta de mirtílio e o linóleo do piso, pesquisei o preço e descobri que o livro custava menos do que uma revista semanal recheada de fofocas e sem qualquer conteúdo.
Gosto de assistir as entrevistas de Nora Ephron – ela é rápida e inteligente nas respostas, além de exercer com maestria e excelente humor a autocrítica (antes que os outros o façam) e sou fã de três de seus roteiros: Silkwood (1983), Heartburn (1986) e When Harry met Sally (1989). Voltei para casa feliz e já me aconchegava no meu canto preferido quando descobri que eu lera o livro que acabara de comprar. Sinal dos tempos, ou, a mudança de editora me levou ao equívoco?
Voltei à livraria e decidi que queria um livro sobre mitologia - há tempos tenho vontade de aprender mais sobre mitologia, mas daquela vez contaria com o auxílio do vendedor mais experiente, por que eu não tinha a mínima noção onde estariam os livros sobre mitologia - na seção de filosofia ( ) ? Antropologia ( )? Religião (X)? Nenhuma das anteriores ( )? - e decididamente, eu não queria um livro de mitologia grega que descrevesse os feitos de Minerva, Diana e Baco. Danilo, o super vendedor da seção religiosa, encontrou dois volumes de um autor nacional (dois volumes? Dois volumes de um total de três?!), mostrou-me um outro livro sobre mitologia greco romana e acertou em cheio com Mitos gregos de Robert Grave. Nova consulta pelo scanner resultou na conta do menos, menos, menos (menos desconto da livraria, menos valor do livro trocado, menos valor correspondente à quantidade de pontos acumulados) mais minha fase de quietude aconchegada para energizar a alma. Contente com o livro que só poderei ler sentada e com o apoio de uma almofada, graças às 880 páginas, gostei do comentário que ouvi no caixa ao lado: Um pai, acompanhado pelo filho e por uma amiga, teve reação exagerada ao conhecer o preço do livro que o pimpolho escolhera (o exagero não foi pelo valor do livro, mas pela possibilidade do guri ler um livro: você não prefere comprar agora, uma camiseta nova do Corinthians?) seguido do comentário da amiga: Considere um investimento. Livro sempre é um investimento. Só podemos gostar de um comentário desses e ficarmos felizes que ele continua a ser feito.

Leitura rápida, leve, bem humorada e um livro sobre mitologia grega? A edição original é de 1955, e apresenta a visão inovadora sobre o tema de um professor de poesia em Oxford, pesquisador e tradutor de obras gregas. Sua ideia sobre a famosa ambrosia e o néctar dos deuses (sinônimos de iguaria sofisticada e apetitosa, que elevaria o espírito) largamente consumida pelos deuses mitológicos, principalmente, por Dionísio, pelas mênades, centauros e sátiros, nada mais seria do que um cogumelo alucinógeno, que provocaria reações agradabilíssimas.

Imagem obra de Gustav Klimt

Calendários litúrgicos - Páscoa

- Em 753 a.C., Rômulo teria estabelecido o calendário romano com as seguintes características: Março era o primeiro mês, o ano era composto por 304 dias e dez meses.
- Posteriormente, a cada dois anos um mês de 22 ou 23 dias era intercalado (mercedonius) e a sequência anual compreendia períodos irregulares de 355, 377, 355, 378 dias.
- Em 46 a.C., para padronizar os sistemas de contagem cronológica dos territórios ocupados, Júlio César teria solicitado ao astrônomo alexandrino Sosígenes outra alteração do calendário romano: Foram acrescidos dois meses iniciais (januarius e februarius) e os doze meses compreendiam sequência alternada de 31, 30, 31, 30 dias, a exceção de februarius, que possuia 29 dias e a cada três anos 30 dias. Dessa forma, com base solar, o mês de março (martius) marcava o equinócio e as comemorações romanas à primavera.
- No ano 8, Augusto teria corrigido o alinhamento das estações e os anos bissextos passaram a ocorrer a cada quatro anos. A contribuição de Augusto não alterou o nome do calendário juliano, mas rendeu-lhe a homenagem do dia adicional ao mês de augusto, que passou de 30 para 31 dias, com a redução do mês de fevereiro para 28 dias, a cada quatro anos alterados para 29.
- Em 325, Constantino Magno convocou o Concílio Ecumênico de Nicéia, no qual, por unanimidade, resolveu-se que a páscoa seria comemorada por todos os cristões no mesmo dia respeitadas as seguintes determinações:
A páscoa deveria ser comemorada num domingo;
A páscoa seria comemorada no domingo que segue a lua cheia do equinócio da primavera no oriente, isto é, depois do dia 21 de março;
A páscoa cristã sempre se realizaria após a páscoa judaica.
- Em 525, o historiador grego Dionísio, baseado no calendário juliano, calculou a data da páscoa cristã e tomou o nascimento de Jesus Cristo como ano 1 do século I. Logo, o período anterior ao nascimento de Jesus Cristo passou a receber a sigla a.C. e a ser contado de trás para frente.
- Em 1582, o papa Gregório XIII retirou dez dias do calendário juliano e definiu a desconsideração de três anos bissextos a cada 400 anos, o que deu origem ao calendário gregoriano ou calendário civil.
Tudo isso, para tentar explicar que a igreja católica ortodoxa celebra a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o calendário juliano, em data baseada na astromonia (e as demais celebrações religiosas de acordo com o calendário gregoriano), além de manter na íntegra as resoluções do Concílio Ecumênico de Nicéia, e evitar os rostinhos de espanto e as perguntas sobre nossa crença em Jesus Cristo e na Virgem Maria.
O próximo passo será entender porque, no final do século XIX, a moderna historiografia teria descoberto um erro no calendário e considerado o nascimento de Jesus Cristo no ano 4 a.C., bem como a coincidência de datas das páscoas católicas ortodoxa e romana em alguns anos (p.ex. assim foi no ano de 2007 e será no ano de 2010, no dia 04 de abril).

Politiki Kouzina - Encantador


O tempero da vida (2003)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Adília Lopes

Gostávamos muito de doce de framboesa
e deram-nos um prato com mais doce de framboesa
do que era costume
mas
a nossa criada a nossa tia-avó no doce de framboesa
para nosso bem
porque estávamos doentes
esconderam colheres do remédio
que sabia mal
o doce de framboesa não sabia à mesma coisa
e tinha fiapos brancos
isso aconteceu-nos uma vez e chegou
nunca mais demos pulos por ir haver
doce de framboesa à sobremesa
nunca mais demos pulos nenhuns
não podemos dizer
como o remédio da nossa infância sabia mal!
como era doce o doce de framboesa da nossa infância!
ao descobrir a misturado doce de framboesa com o remédio
ficámos calados
depois ouvimos falar da entropia
aprendemos que não se separa de graça
o doce de framboesa do remédio misturados
é assim nos livros
é assim nas infâncias
e os livros são como as infâncias
que são como as pombinhas da Catrina
uma é minha
outra é tua
outra é doutra pessoa

* * *

Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever

Dois em um


Alice Ruiz

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ponha um pouco de amor numa cadência

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Senão é como amar uma mulher só linda E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza. Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado. Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor. E pra ser só perdão.

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinicius de Moraes poeta e diplomata. O branco mais preto do Brasil na linha direta de Xangô, saravá! A bênção, Senhora, a maior ialorixá da Bahia terra de Caymmi e João Gilberto. A bênção, Pixinguinha, tu que choraste na flauta todas as minhas mágoas de amor. A bênção, Cartola, a benção, Sinhô. A bênção, Ismael Silva. Sua bênção, Heitor dos Prazeres. A bênção, Nelson Cavaquinho. A bênção, Geraldo Pinheiro. A bênção, meu bom Cyro Monteiro. Você, sobrinho de Nonô. A bênção, Noel, sua bênção, Ary. A bênção, todos os grandes sambistas do Brasil branco, preto, mulato, lindo como a pele macia de Oxum. A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim, parceiro e amigo querido, que já viajaste tantas canções comigo e ainda há tantas por viajar. A bênção, Carlinhos Lyra, parceiro cem por cento. Você que une a ação ao sentimento e ao pensamento, feito essa gente que anda por aí, brincando com a vida, cuidado, companheiro! A vida é pra valer. E não se engane não, tem uma só. Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem, sem provar muito bem provado. Com certidão passada em cartório do céu e assinado embaixo: Deus. E com firma reconhecida! A vida não é brincadeira, amigo. A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Há sempre uma mulher à sua espera com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão. Ponha um pouco de amor na sua vida como no seu samba. A bênção, a bênção, Baden Powell amigo novo, parceiro novo, que fizeste este samba comigo. A bênção, amigo. A bênção, maestro Moacir Santos, não és um só, és tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive meu São Sebastião. Saravá! A bênção, que eu vou partir. Eu vou ter que dizer adeus.

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Vinicius de Morais

Falemos sobre sexo, por que não? Desconsidero todas e quaisquer conotações sobre o tema e lanço palavras soltas. Somos adultos e estamos em uma fase muito interessante e feliz da vida, um período muito legal que causaria inveja a jovens intrépidos e plenos de si que acreditam viver o paraíso. Enganam-se.
Bem menos suscetíveis e fora do alcance de quaisquer comentários, imunes a expectativas de nova prole, leves e livres, suaves, temos espaço, disposição, saúde, tempo e sabemos encantar, além de permitirmos o nosso próprio encantamento pelo outro.
Longe dos eventuais olhares de reprovação e das acusações de nossos ascendentes e com descendentes condescendentes, nossos melhores amigos que nossos filhos adultos são, pela primeira vez sabemos o que significa liberdade e estamos bem próximos do ideal liberdade e felicidade.
Culpa? Mas qual é mesmo o significado de culpa? Erro, pecado, tabu desatualizado? Tudo tão longínquo, praticamente inexistente. Provar alguma coisa? Não temos mais a necessidade de provar nada para alguém, nem para nós.
Preocupações com filhos, escolas de filhos, faculdades de filhos, brotoejas de filhos? Participar das amizades dos filhos, dos namoros dos filhos, se esforçar para desencalhar os filhos? Fingir não ver a traição do parceiro? Fingir não ver a infelicidade e a insatisfação do parceiro? Fingir que o relacionamento não acabou? Fingir o gozo, fingir o amor, fingir que é feliz? Fazer um esforço danado para manter a vazia e insatisfatória relação? Foi-se o tempo. Aliás, para várias dessas situações, nunca houve o tempo.
Finalmente, conseguimos perceber os olhares e as reações que causamos e aos poucos dominamos a sedução. Já era tempo.
Sexo? O que é melhor para você? Escolha. Você quer um parceiro certo e constante, livre, inteiro, saudável e que sabe se cuidar, carinhoso, generoso e dedicado, alguém feito na vida, com apartamento próprio, independente, bem empregado, viril e sem qualquer motivo para a perda da fluidez do ato (por conta da chatice, dos problemas de dinheiro, de filhos, de enteados, de pais, de tios, de irmãos, da saúde, da mulher bruxa que tem em casa, do horário que tal qual criança tem que cumprir para evitar aborrecimento, dos cabelos que caem, da barriga que cresce, da pressão alta, do cliente que não paga, do chefe que berra...) com quem você queira compartilhar a vida na medida exata que você quer compartilhar? Tem. Você quer um amigo muito bacana, honesto e sincero, com quem você possa contar sempre, com quem você tenha excelente entrosamento e sexo, sem que a amizade acabe? Tem. Você quer um companheiro fiel e divertido, com caráter e valores? Tem. Você precisa de alguém só para chamar de marido e resolver as questões que marido resolve? Tem. Você prefere dar um tempo, ajeitar a mente, decidir o rumo, cuidar-se mais, gostar-se mais, reconhecer-se mais, amar-se mais? Pode. Você quer viajar e curtir adoidado em terras distantes, em idiomas diferentes? Pode. Você gosta do sexo com amor? Tem. Você gosta de sexo com amor, lealdade e paixão? Tem. O que você quer? Você acredita que a melhor coisa desta vida é amar e ser amado? Pode.
É muito bom sabermos exatamente o que queremos para que esta fantástica liberdade seja plenamente vivida. Sabemos que não é bom brincar com a vida e conquistamos a consciência da nossa tenuidade e da nossa grandeza.
Hoje, estamos menos vulneráveis ao que magoava e totalmente refratários a rótulos, qualificações, predadores e relações vazias que nada acrescentam, portanto, mais sábios para chegar ao prazer supremo pela própria leveza que conquistamos.
É o máximo!

Sem sentido

Talvez a normalidade utópica, totalmente onírica, inexistente. Como está assim, desse jeito, mas foi para isso, foi para isso que tantas montanhas saíram do lugar. Olha veja mas foi para isso. Mais um? Outro? Sufocado.Triste.
Enfraquecido. Insatisfeito. Em busca. Perdido. Desencantado.
Insistências, palavras, curtinhas, acenos contidos, alteráveis situações inalteradas situações impertinentes, pensamentos, sonhos, sensações, imaginações, vidas, sentimentos, mentes, carinhos, palavras, vazios, celeridades, insistentes olhos, persistentes olhos, olham para frente, para os lados, para baixo e se apresentam com novos véus nunca antes vistos carregados de semelhanças com, com, céus! Essa incongruência de tanto querer ver e ser incapaz de olhar. Peso, peso maluco, peso demente, peso triste, peso carente, pesos debilitantes enfraquecem tanto, tolhem a natureza, dominam a mente, aprisionam a essência, enfeiam, frustram, empurram o bem para o fundo do poço, criam o medo incapacitante dependente, criam enfermidades dominantes medos. Bóia e quem nessa altura da vida ainda pensa em bóia e não desconsidera de vez as perniciosas bóias bóia bóia transmutada em porto bóia em cais bóia em marina bóia em iate clube bóia e bate um pé na água bate o outro pé na água e movimenta um braço na água e movimenta o outro braço na água e descobre a água e conhece a água e se reconhece na água e com a água se torna uno e delphís ganha todos os mares, a essência a natureza a humanidade e perde de vez o medo e esquece o que significa medo, medo? Você tem medo de que? Toma o spray prateado e cura o pescoço ralado, ferido, pesado, antes que venha nova bicada. Segura bicada. Talvez dois pensamentos soltos. Ventos e frutas. A intencional abrupta inesperada alteração do curso natural das águas e pedras colocadas no rio e o pensamento que seria fácil seria pleno seria verdadeiro manter o rio com águas represadas amarradas gotas fios contornaram a pedra a pedra a pedra a corredeira e o curso natural das águas. Assim, assim, quem sabe, ninguém. Quanto custa? Arrematado. Quem disse que seria fácil possível controlar o incontrolável. Ansiedade a prima irmã da depressão pressão angústia horror pânico medo insegurança torna controlável eis pedras novas e outro rio. Alegre e eficaz pajelança, no caminho de madeira com árvores e nomes de árvores e mais árvores e mais árvores e o imenso jequitibá, para afastar os peraltas voadores mais peraltas voadores das pernas que pousavam que pousavam. Tanques de água entre árvores e névoa e vida e arroz com limão e aquele arroz com limão que vem do céu. Compromisso, comprometimento, combinação. Nomes. Dia a dia. Alguém se lembra. Uma mini trufa de chocolate (1) uma mini trufa de chocolate (2): A leveza e a suavidade. Primeira lufada.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Nuno Júdice

Chego em frente do mar, das suas ondas,
das marés que setembro enfurece, dos cinzentos
e azuis que alternam com verdes estranhos;
uma voz trata da loucura, ou do olhar vazio
dos peixes, ou de um tema ressequido como as algas
da maré baixa; um vento percorreu a praia,
no silêncio da tarde, devolvendo ao corpo das águas
uma unidade antiga. O mar, no entanto, supõe
que o esqueçam. Nos seus fundos dormem as imagens
que o sonho já não guarda; braços que se agarram
aos mastros do naufrágio. Um barco abstracto
passou devagar pelo horizonte que a manhã não viu,
entrando no outro lado da terra, esquecido
por instantes da música dos portos. O poema, disseram-me,
ignorou essa distracção: atravessou
o limite da eternidade, vestiu-se com as palavras
nocturnas, deixou que a morte o contaminasse.
À beira-mar, não dou por isso; e digo-o,
devagar, repetindo em voz baixa
todas as suas contradições.

* * *

Morreram da epidemia, os melhores: a uns,
levou-os a peste; a outros, a gripe a que
chamaram pneumónica; e houve os da
doença de S. Vito; os da lepra, os da
tísica, galopante ou não. Isto, quando
não davam um tiro na cabeça, não se
enforcavam num candeeiro, não se deitavam
ao rio. Houve ainda os que deixaram
de escrever; os que beberam até perder
o juízo; os que, pura e simplesmente,
desistiram sem nada explicar. Como
se a vida dependesse de tão pouco –
linhas rabiscadas em papéis baratos,
frases que podiam ou não rimar,
pensamentos . . . que poderiam ter
guardado para eles próprios. No
entanto, quando os leio, percebo o seu
desespero. A beleza não aparece
todos os dias à vista do homem;
a perfeição nem sempre parece
uma coisa deste mundo. Sim:
subo as escadas até ao fim,
de onde se vê a cidade, embora
o tempo esteja de tempestade. O
que se passa, neste instante, sob
aqueles tectos? Que epidemia, mais
subtil, prende ao chão os que,
ainda há pouco, sonhavam com o voo?

Contra o vício, contra o verdadeiro mal do tabagismo

Sei bem o que é fumar, não conseguir parar de fumar, adoecer, definhar, morrer. Foi essa a sequência de atos que meu pai sofreu. Ele era sábio, valente, forte, mas se enganava ao optar pelo cigarro “free” (vendido com o apelo de conter menos porcarias) e ao diminuir a quantidade de cigarros por dia.
Morreu hemiplégico, por conta dos derrames, e com câncer na pleura.
Meu filho fuma. Suga o cigarro do jeito que meu pai sugava. Não é o fumar meio besta de quem precisa manter um cigarro entre os dedos, para se sentir mais seguro, ou, acha charmoso o ato de fumar.
Meu filho fuma e gosta, ou acha que gosta, e cada vez mais perde a briga pelo controle de sua saúde. Por enquanto, o cigarro ganha e a saúde dele perde.
Na semana passada eu quis comprar um maço de cigarros. Enquanto caminhava eu pensava, ora, um maço só, que durará um ano e tirará essa vontade repentina de fumar – cheguei a sentir o cheiro do cigarro – e sem dúvida seria um cigarro ou dois, por que eu não gosto de fumar, estou na fase de exames e pesquisas pós câncer e ainda não perdi o juízo; mas, o que foi aquela repentina vontade de fumar? Conversei com meu filho, que também fuma em casa.
O cardiologista comentou sobre o remédio caro e eficaz para quem quer parar de fumar e sobre o programa do HCor (psicólogos, pneumologistas, cardiologistas, fisioterapeutas, toda a estrutura voltada para auxiliar os fumantes a deixarem de fumar) e perguntou: Mas ele quer parar de fumar? Por que ele fuma?
Você quer parar de fumar, meu filho? Por que realmente você fuma?
O cigarro vicia, mata e qualquer um compra maços de cigarros na banca de jornal da esquina. Quem fuma é viciado e quem é viciado precisa de ajuda. Muita ajuda.
Procurei na mídia o texto da tão falada lei. Ponto para o Estadão, que além de comentar sobre mais essa aparente novidade e realizar sua enquete, como todos os demais jornais fizeram, também publicou a pérola que está aí, em baixo.
Há onze anos, essa mesma medida foi adotada em Brasília. Garçons sem jeito tentaram ingressar nas trincheiras antitabagistas, alguns realmente acreditaram que o cigarro desapareceria, mas de nada adiantou. Ao contrário, tal qual a chamada 'lei seca', que não é cumprida por que não existem fiscais para evitar que a garotada bêbada dirija de volta para algum lugar (e também evitar que adultos bêbados dirijam, apesar da velha história do exemplo), a 'lei antifumo' terá eficácia vazia.
Li o texto e veio à minha mente a palavra atrevimento. O fundamento é fraco, carece de dados inéditos e presume interpretação limitada de texto específico. Ao citar o Tratado Internacional de Saúde Pública, expande o local fechado de trabalho, os meios de transporte e lugares públicos, para ambientes fechados, sem distinção: “Como se vê, esse tratado … em ambientes fechados..."
Cita os direitos básicos do consumidor, mas se esquece dos direitos básicos do cidadão, os fundamentos constitucionais da cidadania e da dignidade da pessoa humana (art.1º, incisos II e III, Constituição da República Federativa do Brasil); os objetivos fundamentais desta República: construir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 2º, incisos I, III e IV, Constituição da República Federativa do Brasil).

Há certo exagero na premissa “trata-se, enfim, de passo decisivo no sentido de propiciar melhores condições da saúde à população paulista” e impressiona ao citar “qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco”, uma vez que fumígeno significa “que produz fumo ou fumaça”, incluindo, portanto, o turíbulo das igrejas greco ortodoxas e os incensários de tantas religiões e crenças, cujos usuários somente estariam isentos da prática de ato delituoso e contrário a essa lei, se ficarem restritos “aos locais de culto religioso em que o uso de produto fumígeno faça parte do ritual”. Logo, por exemplo, se um padre ortodoxo abençoar um escritório, ou, uma fábrica e além da água benta usar o turíbulo, agirá contra a lei.
E se equivoca ao afirmar que a lei contra o fumo não se aplica “às residências”, visto que esse diploma legal não teria competência para legislar sobre residências.
Os fumantes que querem parar de fumar não encontram medicamentos apropriados nos postos de saúde, nem tratamento público disponível para esse fim. Relembro: São viciados.
A notícia veiculada hoje, no Estadão, sobre a contratação de centenas de fiscais para que o rigor dessa lei seja cumprido, me fez pensar sobre os milhões de brasileiros famintos, sem residência, sem saúde, sem trabalho, sem esperança e sem futuro.

Por favor, meu filho adulto fuma cigarros comprados na banca de jornal da esquina. A mãe dele não fuma, teve câncer e todos sabem que a genética não se rende aos olhares bonitos, nem aos sorrisos encantadores. Meu filho fuma e não precisa de uma lei que o impeça de fumar. Ele precisa de ajuda para abandonar esse vício. A mãe dele precisa de ajuda para que ele abandone esse vício.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cigarro, cigarrilha, charuto, cachimbo e fumígeno (produz fumaça ou fumo)

"PROJETO DE LEI Nº 577, DE 2008
Mensagem nº 138/08, do Sr Governador do Estado São Paulo, 28 de agosto de 2008. Senhor Presidente Tenho a honra de encaminhar, por intermédio de Vossa Excelência, à elevada deliberação dessa nobre Assembléia, o incluso projeto de lei que proíbe o consumo de cigarros, c
igarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, na forma que especifica, e cria ambientes de uso coletivo livres de tabaco. A medida decorre de estudos realizados no âmbito da Secretaria da Saúde, consoante tendência mundial fundada em critérios de prevenção e preservação da saúde pública, e busca promover o assentamento de normas destinadas à criação de ambientes de uso coletivo livres de tabaco. Comporta salientar, reproduzindo destaque dado pelo Senhor Secretário da Pasta, que há muitos anos existem estudos científicos que estabelecem a relação do uso do tabaco com problemas de saúde, com grande significado para a saúde pública, conforme, aliás, apontado pelo INCA - Instituto Nacional do Câncer: “milhares de estudos acumulados, até o momento, evidenciam o uso do tabaco como fator causal de quase 50 doenças diferentes, destacando-se as doenças cardiovasculares, o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas”. A matéria é objeto da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco – CQCT (Tratado Internacional de Saúde Pública), aprovado pelo Congresso Nacional (Decreto legislativo nº 1.012, de 2005) e promulgado pelo Presidente da República (Decreto nº 5.658, de 2006), em cujo artigo 8º se lê: “1. As Partes reconhecem que a ciência demonstrou de maneira inequívoca que a exposição à fumaça do tabaco causa morte, doença e incapacidade.
2. Cada Parte adotará e aplicará, em áreas de sua jurisdição nacional existente, e conforme determine a legislação nacional, medidas legislativas, executivas, administrativas e/ou outras medidas eficazes de proteção contra a exposição à fumaça do tabaco em locais fechados de trabalho, meios de transporte público, lugares públicos fechados e, se for o caso, outros lugares públicos, e promoverá ativamente a adoção e aplicação dessas medidas em outros níveis jurisdicionais”.
Como se vê, esse tratado determina que os Países signatários impeçam, em ambientes fechados, a exposição de pessoas à fumaça do tabaco, o que está em harmonia com o artigo 196 da Constituição Federal, que atribui ao Estado o dever de proteger a saúde. Os ambientes livres de fumo visam preservar o direito de todos à saúde, fumantes e não fumantes, sejam eles os freqüentadores dos ambientes coletivos, sejam eles os trabalhadores que ali exercem sua atividade. É certo que esse objetivo insere-se na competência concorrente dos entes federativos e que o propósito da Lei federal nº 9.294, de 15 de julho de 1996, entre outros, é preservar a saúde, e, portanto, igualmente é certo o cabimento de legislação estadual ou municipal mais rigorosa, de forma a garantir tal direito. No caso de ambientes livres de fumo, respeitado o mínimo previsto na legislação federal, pode o Estado, no exercício da competência concorrente para legislar sobre proteção e defesa da saúde, editar normas mais restritivas ao tabagismo.
Cabendo aos Estados e Municípios complementar a legislação federal, qualquer medida que busque ampliar a proteção à saúde, restringindo o fumo, estará cumprindo a norma constitucional, já que esse bem jurídico tutelado se sobrepõe à liberdade de fumar.
De par com isto, cuida o projeto de efetivar também a defesa do consumidor, garantia fundamental afirmada no inciso XXXII do artigo 5º e princípio inscrito no inciso V do artigo 170, ambos da Constituição Federal, materializada no Código de Proteção e Defesa do Consumidor (Lei federal nº 8.078, de 11 de setembro de 1990).
São direitos básicos do consumidor, segundo o artigo 6º, inciso I, do Código, a proteção da vida e saúde nas relações de consumo de produtos e serviços, de modo que a proibição do tabagismo vem ao encontro da preservação do bem-estar geral do consumidor por ocasião da sua presença, forçosa ou voluntária, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, objeto da restrição imposta pelo projeto. Portanto, ainda sob este aspecto, mostra-se imprescindível a edição de normas que assegurem ao consumidor a defesa do seu direito de não ser exposto ao tabagismo passivo, notoriamente nocivo e grave. Trata-se, enfim, de passo decisivo no sentido de propiciar melhores condições da saúde à população paulista. Por fim, importa ressaltar que a medida legislativa ora proposta acompanha a evolução do Supremo Tribunal Federal quanto à necessidade de adaptação da legislação às regras contidas nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. De fato. Situação semelhante ocorreu no caso da proibição de uso de produtos derivados do amianto, alçado à apreciação daquela Corte , que reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 12.684, de 26 de agosto de 2007, sob o fundamento de que a lei paulista está respaldada pela Convenção 162 da Organização Mundial do Trabalho – OIT, também ratificada pelo Congresso Nacional. Enunciados, assim, os motivos que embasam a propositura, submeto o assunto ao exame dessa egrégia Assembléia Legislativa. Reitero a Vossa Excelência os protestos de minha alta consideração. José Serra GOVERNADOR DO ESTADO A Sua Excelência o Senhor Deputado Vaz de Lima, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado. Lei nº , de de de 2008 Proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, na forma que especifica, e cria ambientes de uso coletivo livres de tabaco. O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:
Artigo 1º - Esta lei estabelece normas de proteção à saúde e de responsabilidade por dano ao consumidor, nos termos do artigo 24, incisos V, VIII e XII, da Constituição Federal, para criação de ambientes de uso coletivo livres de produtos fumígenos.
Artigo 2º - Fica proibido no território do Estado de São Paulo, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco.
§ 1º - Aplica-se o disposto no “caput” deste artigo ao recintos de uso coletivo, total ou parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por parede, divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios, onde haja permanência ou circulação de pessoas.
§ 2º - Para os fins desta lei, a expressão “recintos de uso coletivo” compreende, dentre outros, os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis.
§ 3º - Nos locais previstos nos parágrafos 1º e 2º deste artigo deverá ser afixado aviso da proibição, em pontos de ampla visibilidade, com indicação de telefone e endereço dos órgãos estaduais responsáveis pela vigilância sanitária e pela defesa do consumidor.
Artigo 3º - O responsável pelos recintos de que trata esta lei deverá advertir os eventuais infratores sobre a proibição nela contida, bem como sobre a obrigatoriedade, caso persista na conduta coibida, de imediata retirada do local, se necessário mediante o auxílio de força policial.
Artigo 4º - Tratando-se de fornecimento de produtos e serviços, o empresário deverá cuidar, proteger e vigiar para que no local de funcionamento de sua empresa não seja praticada infração ao disposto nesta lei.
Parágrafo único - O empresário omisso ficará sujeito às sanções previstas no artigo 56 da Lei federal nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 – Código de Defesa do Consumidor, aplicáveis na forma de seus artigos 57 a 60, sem prejuízo das sanções previstas na legislação sanitária.
Artigo 5º - Qualquer pessoa poderá relatar ao órgão de vigilância sanitária ou de defesa do
consumidor da respectiva área de atuação, fato que tenha presenciado em desacordo com o disposto nesta lei.
§ 1º - O relato de que trata o “caput” deste artigo conterá:
1 - a exposição do fato e suas circunstâncias;
2 - a declaração, sob as penas da lei, de que o relato corresponde à verdade;
3 - a identificação do autor, com nome, prenome, número da cédula de identidade, seu endereço e assinatura.
§ 2º - A critério do interessado, o relato poderá ser apresentado por meio eletrônico, no sítio de rede mundial de computadores –“internet” dos órgãos referidos no “caput” deste artigo, devendo ser ratificado, para atendimento de todos os requisitos previstos nesta lei.
§ 3º -O relato feito nos termos deste artigo constitui prova idônea para o procedimento sancionatório.
Artigo 6º - Esta lei não se aplica:
I - aos locais de culto religioso em que o uso de produto fumígeno faça parte do ritual;
II - às instituições de tratamento da saúde que tenham pacientes autorizados a fumar pelo médico que os assista;
III - às vias públicas e aos espaços ao ar livre;
IV - às residências;
V - aos estabelecimentos específica e exclusivamente destinados ao consumo no próprio local de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, desde que essa condição esteja anunciada, de forma clara, na respectiva entrada.
Parágrafo único - Nos locais indicados nos incisos I, II e V deste artigo deverão ser adotadas condições de isolamento, ventilação ou exaustão do ar que impeçam a contaminação de ambientes protegidos por esta lei.
Artigo 7º - As penalidades decorrentes de infrações às disposições desta lei serão impostas, nos respectivos âmbitos de atribuições, pelos órgãos estaduais de vigilância sanitária ou de defesa do consumidor.
Artigo 8º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio dos Bandeirantes, aos de de 2008. José Serra"



O negrito foi utilizado, exclusivamente, para destacar a parte do texto que mais chamou a atenção desta não fumante, que também é mãe de fumante, filha de fumante, com histórico de câncer na vida.