quarta-feira, 14 de abril de 2010

Como nosso cérebro e nosso corpo de meia-idade se dispõem a curar nosso passado


pensar letras
sentir palavras
a alma cheia de dedos
Alice Ruiz



Afastem as crianças do computador. Esta conversa é dedicada às garotas adultas, independentes, mulheres que encaram a vida, seguram as rédeas, aceitam desafios profissionais e pessoais, empenham seus melhores esforços para a existência de um mundo, no mínimo, melhor.
Talvez desconsideremos as mulheres que olhem para seus próprios umbigos, ou, quem sabe, valorizemos as mulheres que conhecem seu corpo, umbigo incluso, e parte da sua psique.
Por isso, "a alma cheia de dedos", verso precioso de Alice Ruiz: É do jeito que eu me sinto agora, plena de dedos, cuidadosa, segurando a fala (a escrita) e as ideias, impondo diversos filtros entre o que penso e exponho, apesar dos cinquenta anos e cinco meses incompletos; apesar de sozinha ter cumprido responsabilidades duras; apesar de jamais ter desconsiderado qualquer demanda da vida.
Foi na madrugada de uma quarta feira qualquer que, meio insone, assisti ao início de um programa no canal GNT e comentei com meu pijama de flanela: Onde está o controle da TV? Não quero assistir a um programa erótico. Que engano, querida! O documentário "Clitóris, prazer proibido" - título em português tão limitado quanto infeliz - do original “Le clitoris ce cher inconnu”, de Michèle Dominici, realizado por Variety Moszynski e Stephen Firmin, é um concerto harmonioso e afinado composto por escritores, educadores, urologistas e psiquiatras sobre a sexualidade feminina, especificamente, o prazer e o clitóris, o órgão do nosso corpo que teria essa única função.
É frustrante, quase incapacitante, admitirmos que a sexualidade feminina seja tão pouco estudada e conhecida. Talvez porque ainda tenhamos a tendência limitada de associarmos a nossa sexualidade ao interdito, ao indevido, ao castigo e ao pecado.
Mesmo o currículo das aulas sobre sexo, a educação sexual ministrada em algumas escolas, é permeado pelo contraditório: Pretendemos que nossos filhos sejam sexualmente educados, mas, em nossas casas (ou fora delas) mantemos comportamentos equivocados ou, às vezes, invocamos o tabu; pretendemos que nossos filhos sejam sexualmente educados e entendemos que a matéria se esgota na prevenção: Meninas, não engravidem! Meninos e meninas, não contraiam doenças sexualmente transmissíveis!
Sem retirarmos a importância da fundamental profilaxia (a profilaxia é aliada da saúde, logo, da própria vida) temos que ensinar também sobre o prazer, para que a mente e o corpo mantenham diálogo são.
Neste documentário fiquei encantada com a participação da psiquiatra Leonore Tiefer, a única pessoa até agora capaz de explicar a sexualidade e o prazer com eu entendo: Simples, verdadeiro e resultado da convivência diária de boa qualidade.
Sobre a sexualidade e o prazer:  (tradução livre dos dizeres da Dra. Tiefer) “Vocês sabem o que traz prazer a uma mulher? Que o homem esteja presente ao seu lado. Que o homem se interesse pelas crianças, se lembre do aniversário da mãe dela, jogue fora o lixo... Para a mulher essas atitudes simples e ternas criam a sensação específica de segurança, de ser amada e bem cuidada, de ter um homem atencioso e verdadeiramente dedicado a ela e essa emoção, esse conhecimento imediato, intuitivo, de se sentir amada e protegida, produz na mulher o relaxamento, a tranquilidade e vários fenômenos físicos interessantes. É extremamente errado acreditar que a sexualidade é algo praticado na cama. A sexualidade é algo que nasce na relação entre duas pessoas, construída vinte e quatro horas por dia, sete dias da semana.”

segunda-feira, 12 de abril de 2010

The silent haughtiness of every man who has deeply suffered finds all forms of disguise necessary in order to be protected from the contact with anything that is not alike in grief

Eu complemento o texto sobre a eutanásia, "o suicídio assistido", com este link da BBC esquecido na pasta do material pesquisado, que traz mais informações sobre a difícil escolha da Dra. Anne Turner.
Por mais que o tema morte seja por nós temido e evitado é, justamente, pelo fato de estarmos vivos, esperançosos, lúcidos e saudáveis, que podemos iniciar diálogo respeitoso e sensato sobre fatos que compõem nossa existência.

I love a god. He does nothing for policital reasons

Meu marido está em um relacionamento sério, mas não é comigo

Da série “rident castigat mores

Entre a organização das coisas, a retirada da minha nova Cédula de Identidade, consultas tratamentos e exames, eu resolvi reavivar o meu antigo e combalido perfil no Facebook e ingressar no Twitter.
No Facebook eu recuperei amigos (poucos) tão queridos e preciosos, pessoas que me conhecem desde que eu nasci e que me chamam pelo meu apelido de infância. É aconchegante ser chamado pelo apelido de infância. Encontrei primos conhecidos e alguns sequer imaginados. Descobri duas mulheres gentis e valorosas, que tive o prazer de conhecer durante almoço no restaurante da Livraria Cultura. As duas, em dias diferentes, gentilmente compartilharam suas mesas comigo. Uma é especialista em vinhos e a outra, mestra do teatro brasileiro, conclui seu doutorado em Paris. 
Há alguns anos, ainda em Brasília, eu ingressei no maravilhoso mundo dos sites sociais através das mãos carinhosas do meu filho, que criou o meu perfil no Orkut. Hoje, eu reconheço que o início foi bem traumático: O impacto do comportamento outdoor dos que pretendem fortalecer seus relacionamentos, através da divulgação de imagens e informações pessoais, é devastador e os cacos emocionais se esparramam por todos os lados. Descobrir-se traída, desiludir-se e constatar mentiras on line é castigo que eu não desejo a ninguém. Tampouco desejo a qualquer criatura ser alvo da desfaçatez dos que reportam perfis sãos, como se falsos e prejudiciais fossem. Uma coisa é certa: Não há tempo, muito menos energia, para ser assíduo em qualquer site social.
Em relação ao Facebook é preocupante o uso contínuo dos aplicativos de jogos, aparentemente inocentes, que induzem ao vício (é inconcebível dedicar horas preciosas aos joguinhos disponíveis). Já o Twitter é excelente para quem quer conhecer novidades, se impressionar com a criatividade, se perder com tanta informação e rir com o bom humor inteligente de alguns participantes - lá, a seleção é fundamental. 
Na internet a simples observação, sem qualquer intuito prejudicial, auxilia a compreender a diferença entre o que é dito e o que é realizado.  Compreender e enxergar são verbos que, às vezes, podem doer, além de limitar a sublimação indevida - nós, as mulheres peritas na arte de sublimar.
Outro exame interessante é a involução dos relacionamentos sexuais, financeiros e sociais – propositadamente, evito a qualificação amorosos. Vivemos época de comportamentos interessantes e de natureza duvidosa, que levam ao mesmo espaço na internet a família, a mulher e a mulher: A primeira casada e a segunda em um relacionamento sério, ambas, com o mesmo homem. Acredito que este é um dos motivos que faz com que psicanalistas e escritores famosos frequentem sites sociais: o vasto e rico material disponivel para seus livros e programas. É interessante constatar que em nosso país escrevemos mais do que lemos livros. Todos escrevem.
Sem dúvida  a internet abrange os mais variados temas e eu não duvido que, a partir de hoje, uma boa parte da discussão entre os dois candidatos políticos mais famosos se realize no Twitter.  Molière deveria viver no século XXI.

Complemento:

- Querida Gerana, eu não resisti e divulguei o seu imperdível blog.
Eu tenho poucos "seguidores" (esta é uma das caracteristicas engraçadas daquele site: "seguidores" e "seguidos", lista volátil, que também compreende perfis falsos e links maliciosos) e dentre os que talvez me acompanhem, se encontra  essa moça inteligente e articulada a quem eu quis apresentar o "leitora crítica".

- Eis alguns participantes interessantes:
Millôr Fernandes
Flávio Gikovate
Augusto Nunes
Anthony Bourdain
Anderson Vanderbilt Cooper
além das indicações de livros do New YorkerPenguin Group, NY Times, Little Brown, British Library, notícias e dicas do Estadão e da Folha.   

Gerana, você viu minha foto no Facebook? Então, querida, entre lá, para que possamos conversar. 

domingo, 11 de abril de 2010

Eutanásia

Este tema é complexo e divide opiniões. Tudo o que envolve o thánatos, a morte, é de difícil compreensão e aceitação. A morte é um dos grandes mistérios e para amenizar seu impacto buscamos informações em diversas fontes – todas baseadas em crenças – e comumente adotamos alguma fé. Ressurreição, reencarnação, ou, o simples fim, não compõem o diálogo proposto neste texto, mas, sim, a condição de escolhermos a morte, ou melhor, definirmos a nossa morte com o devido amparo médico e legal.
A palavra eutanásia é forte e paradoxal por unir o eu (milagre da vida) ao thánatos. Logo, raramente dissociamos da eutanásia o desamor, a desesperança e o desespero. Entendemos que a eutanásia agride e ausenta o eu-fiel do tempo, que não comandamos, e da vida, que não nos pertence.
O Estado pretende tutelar nossa existência, portanto, dentre outras ações consideradas delituosas a legislação proíbe a eutanásia. A intenção do legislador é proteger-nos contra a ação daqueles que poderiam nos impor dano de tal forma intenso e insuportável, a ponto de retirar a nossa vontade e capacidade de viver. Imagine uma criatura sádica e vil que, aos poucos, aniquila a auto-estima de sua vítima e a induza à própria destruição. Alguns doutrinadores qualificam esse procedimento de “homicídio disfarçado”.
No tempo da faculdade de Direito, mais ingênuos e inexperientes, discutíamos sobre a efetiva "indução ao suicídio" praticada pelo malfeitor ao dizer a vitima, criatura desesperançada em pé à beira do telhado: "Mais um passinho, um passinho só e todos os seus problemas acabarão." À época, desconhecíamos a extensão dos danos emocionais causados por terceiros.
Qual é a sua interpretação do artigo 122 do Código Penal Brasileiro? “Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar auxílio para que o faça”.


Eis a minha constatação: Há dez dias meço palavras, conto letras e refaço frases para descobrir-me incapaz de demonstrar-lhes, de forma eficaz, o que penso sobre este tema e sobre o respeito pela dignidade e lucidez dos gravemente enfermos. Perseverança, superação e fé são conceitos constantes e fortes, que me fizeram oscilar a favor e contra a eutanásia. Concluo que cada situação merece análise e procedimentos exclusivos.
Assim, sugiro duas obras que deveriam ser assistidas, para que este tema não seja esquecido: O filme “A short stay in Switzerland”, 2009, de Frank McGuinness, com a primorosa interpretação de Julie Walters e “Mar adentro”, 2004, de Alejandro Amenábar, e a genial interpretação de Javier Bardem.
Para relembrar Julie Walters é uma das mais ativas atrizes inglesas e atuou em Billy Eliot (2000), Harry Poter, Calendar Girls (2003) e, recentemente, em Mamma Mia! (2008). Javier Bardem dispensa comentários. Ambos representam histórias e personagens reais: A médica Anne Turner e o pescador Ramón Sampedro. A BBC recebeu críticas pela apresentação de “A short stay in Switzerland”, o que me entristece pelo comportamento que ainda adotamos, ao deixarmos de lado assuntos que incomodam. O fato é que a vida não vem com manual de instrução e evitar o diálogo sobre temas difíceis não é a melhor solução.
Eu prometi que encontraria o texto dito por Bardem no final do filme. Cumpro a promessa: “Mar adentro, mar adentro, e na leveza do fundo... onde se realizam os sonhos... se juntam duas vontades para realizar um desejo. Seu olhar e meu olhar. Como um eco, repetindo sem palavras.
Mais adentro, mais adentro. Até mais além de tudo, pelo sangue e pelos ossos. Mas eu acordo sempre, e sempre quero estar morto para continuar com a minha boca enredada em seus cabelos.”

domingo, 4 de abril de 2010

Colcha de retalhos mágicos

Eu vim aqui prestar contas de poucos acertos, de erros sem fim. Eu tropecei tanto as tontas, que acabei chegando no fundo de mim. O filme da vida não quer despedida e me indica: ache a saída, e pede socorro onde a lua que encanta o alto do morro, que gane que nem cachorro correndo atrás do momento que foi vivido.Venha de onde vier, ninguém lembra porque quer. Eu beijo na boca de hoje as lágrimas de outra mulher. Cinquenta anos são bodas de sangue, casei com a inconstância e o prazer. Perdôo a todos, não peço desculpas, foi isso que eu quis viver. Acolho o futuro de braços abertos citando Cartola: Eu fiz o que pude. Aos cinquenta anos insisto na juventude
Paulinho da Viola

Dois CDs de Paulinho da Viola, vinte e oito músicas deliciosas na voz incomparável desse mestre, cantor e compositor. Esta é a minha trilha sonora agora, enquanto costuro a minha colcha de retalhos mágicos.

Sambo feito gringa maluca. Não faz mal. Falo com levíssimo sotaque, tenho rosto de estrangeira, sou branquela, o que, naturalmente, compõem toda a fantasia. Só o cão não entende muito bem o que acontece, mas quem resiste ao som de Paulinho da Viola?

Sentimentos em meu peito eu tenho demais, a alegria que eu tinha nunca mais. Depois daquele dia em que eu fui sabedor, que a mulher que eu mais amava nunca me teve amor. Hoje ela pensa que estou apaixonado, mas é mentira está dando um golpe errado. Agora estou resolvido a não amar a mais ninguém, porque sem ser amado não convém.
Paulinho da Viola

Ah, Gerana, como fico feliz com seus preciosos comentários. Sim, eu também senti falta, muita falta, principalmente, deste diálogo especial composto por palavras tão plenas. Não há letra ou acento gramatical que deixe de conter inúmeras experiências, sentimentos, origens, crenças, boa energia, bondade e força. São essas coisas raras que acontecem e a gente abraça sem pensar, sequer imaginar como nessa ‘multidão internética’ conseguimos criar laços tão felizes.

Por favor, fale sempre, fale mais. Não se engane, Gerana, parece que o depressivo é refratário ao que é dito, mas é nas amorosas palavras que ele se apega nos piores momentos. As verdadeiras palavras amorosas são as cordas que o ajudam a sair do abismo. E há outro segredo, um dos procedimentos da melhora: Reconhecer os hábitos depressivos e deles se afastar.

Obrigada, querida Regina. Confesso que fiquei cheia de dedos, bem temerosa e olhava para as imagens da obra de Athos Bulcão e pensava que eu não tenho o direito de alterar o feito do mestre com um pingo sequer, quanto mais com uma poesia inteira. E Neruda, por sua vez Neruda merece ter seus versos carinhosamente acomodados sobre o que é belo. Daí a ousada poesia sobre poesia. Assim também fiz com os versos de Antonio Cicero e Paulo Henriques Britto. Estamos famélicos de boa arte e eu não entendo como a obra de Athos Bulcão não receba a atenção e a preservação merecida, assim como não entendo como nos esquecemos da poesia em nosso dia-a-dia. Cansei de ouvir pessoas dizerem que não gostam de poesia: pois quem não gosta de poesia “é ruim da cabeça e doente do pé”, não, do coração. Às vezes sou feita de ousadias.

Canto pra dizer que no meu coração já não mais se agitam as ondas de uma paixão. Ele não é mais abrigo de amores perdidos, é um lago mais tranqüilo onde a dor não tem razão. Nele a semente de um novo amor nasceu, livre de todo rancor, em flor se abriu. Venho reabrir as janelas da vida e cantar como jamais cantei esta felicidade ainda. Quem esperou, como eu, por um novo carinho e viveu tão sozinho, tem que agradecer quando consegue do peito tirar um espinho. É que a velha esperança já não pode morrer.
Paulinho da Viola

Com a diferença dos calendários litúrgicos Juliano e Gregoriano, neste ano, a Páscoa dos Católicos Ortodoxos e Romanos foi na mesma data, o que me deixou feliz, leve e serena, por ser capaz de manter a quietude da Sexta-Feira Santa acompanhada pela tranquilidade da cidade. Eu lembro que em casa, ainda criança, Sexta-Feira Santa era dia de carinhosa contemplação: não havia música, nem a TV era apreciada e à noite íamos à missa mais bela do ano, composta por cânticos de melodia ímpar, bênçãos, água benta com perfume de flores aspergida sobre todos e a procissão do epitáfio florido. Na manhã do dia anterior eu acompanhava minha mãe, que era responsável pela liga beneficente das senhoras gregas, até a Catedral, para enfeitarmos com flores o sagrado epitáfio. Essas lembranças me alimentam e me fortalecem nos piores momentos. Por isso, faço questão da missa da Sexta Feira Santa e do Sábado de Aleluia, a primeira às oito horas da noite e a segunda às 23h 30min., para reforçar a fé e transmitir minha melhor herança ao meu filho. Meu herdeiro não terá bens para inventariar, o meu testamento é cumprido em vida e ao meu único beneficiário dedico o ensinamento que posso e o amor que aprendi.

Por ter trabalhado até tarde na véspera, passei o réveillon sozinha e muito bem, enquanto o garotão e o cão foram com a família da namorada para a praia. Nesta Páscoa a praia fez novo apelo, enquanto eu observava o que seria decidido pelo moço bonito, a pressão por ele recebida, as condições que lhe foram impostas, sua capacidade de negociação diplomática e, principalmente, a importância que ele dedica aos ritos religiosos da semana santa. Eu não tenho um adolescente pseudo-independente que poderia ser freado com o meu olhar mais duro, mas um homem de quase trinta, bem mais resistente aos meus olhares. Foi assim, minha Páscoa: A namorada do meu filho ficou em casa, ele foi responsável pelo almoço de sexta-feira, ela pelo almoço de sábado e hoje, os dois foram almoçar com os pais dela que voltaram da praia e eu curto a liberdade e a paz deste espaço. Agora, concertos de oboé de Bach tocados por Heinz Holliger.

Neste ano, Gerana, a cozinha pascal ficou por conta das “crianças”. Mas na cruzada organizacional, eu sei que surgirá o precioso livro de receitas de minha mãe, e eu copiarei as minhas preferiras para que você possa curti-las.

O sinal da cruz

Fazer o sinal da cruz se reveste de especial importância, pois, à maneira católica ortodoxa, equivale a uma profissão de fé.
Estendemos unidos os dedos polegar, o indicador e o médio da mão direita, enquanto os outros dois, o anelar e o mínimo, se apóiam na palma da mão; e assim levamos a mão à fronte, ao peito, ao ombro direito e, finalmente, ao ombro esquerdo, enquanto invocamos a Santíssima Trindade: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Os três dedos unidos (polegar, indicador e médio) simbolizam as três pessoas da Santíssima Trindade, um só Deus. Os dois dedos (anelar e mínimo) apoiados na palma da mão simbolizam a dupla natureza de Jesus Cristo: divina e humana, enquanto a palma da mão simboliza o ventre da Santíssima Virgem Maria, no qual o Deus-Homem se encarnou.
Leva-se a mão à fronte e, em seguida, ao peito, porque Cristo, o Verbo Eterno, desceu dos céus, como é dito da Profissão de Fé, o Credo, e se encarnou; depois tocamos o ombro direito porque o Credo diz que o Senhor, após se encarnar, exercer seu ministério salvífico, morrer e ressuscitar por nós, "subiu aos céus e sentou-se à direita do Pai."
Enquanto fazemos o sinal da cruz, estamos também pedindo ao Senhor que nos conceda bons pensamentos (fronte), bons sentimentos (peito) e forças (ombros).
Tal maneira de persignar-se era comum na Igreja Universal até o século XIII (primeiro cisma da Igreja Católica) e foi conservado no Oriente Cristão, na ordotoxia.
Entendendo, pois, a razão e o sentido desta prática de nossa fé, devemos fazer o sinal da cruz sem pressa e não impensadamente.




Profissão de Fé

O Credo Niceno-Constantinopolitano

Creio em um só Deus, Pai onipotente, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só senhor, Jesus Cristo, filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado e não criado, consubstancial ao Pai, por quem tudo foi feito. O qual, por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo na Virgem Maria e se fez homem. Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. E ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras, e subiu aos céus e sentou-se à direita do Pai. E novamente virá com glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor vivificante, que do Pai procede e que, com o Pai e o Filho, juntamente é adorado e glorificado, e que falou pelos profetas. E na Igreja una, santa, Católica e apostólica. Professo um só batismo, para remissão dos pecados. Espero a ressureição dos mortos e a vida do século futuro. Amém. 

As imagens foram encontradas no site ecclesia e o texto sobre o sinal da cruz está no livro da Divina Liturgia de São João Crisóstomo da Catedral Ortodoxa de São Paulo

Kirie eleisson

Renascimento

Anastassi

Christos Anesti!

Alithos Anesti!

"Cristo ressuscitou dos mortos, pisando a morte com a morte, e dando a vida aos sepultados"

sábado, 3 de abril de 2010

Some good tension over all

Sou fã de Robert Downey Jr., principalmente, de sua inteligente irreverência e para mim este é motivo de sobra para gostar do filme Sherlock Holmes (2009) de Guy Ritchie. Mas não foi só a presença de Mr.Downey, que conseguiu manter-me atenta e até rever algumas cenas para curtir mais a diversão oferecida. O cineasta Guy Ritchie (Snatch, 2000, Revolver, 2005 e RocknRolla, 2008, dentre outros filmes) fez questão de apresentar um detetive humano, falível, depressivo, lutador de rua, cheio de vícios e manipulador e seu “sócio”, Dr. John Watson, um ludopata bom de briga. Dois personagens desprovidos da empáfia dedutiva do Sherlock tradicional, que não apreciam centenas de xícaras de chá, não tocam violino bem, nem mantém os diálogos intermináveis encontrados em outros filmes do mesmo personagem, mas que conseguem nos envolver com boa ação.
Talvez Sir Conan Doyle tenha feito uma careta de desaprovação, mas, cá entre nós, havia muita poeira e algumas teias de aranha sobre os cânones Sherlockianos.
A minha torcida é por um novo filme com o mesmo trio: Robert Downey Jr., Jude Law e Guy Ritchie.

Certos dias eu acordo assim, atrevida

Consideremos o salário mínimo de R$ 510,00. Se um cidadão brasileiro possui sua cédula de identidade em perfeita ordem e estado de conservação, ou seja, o documento efetivamente cumpre a sua função, por que esse respeitável cidadão deve locomover-se até determinado local, aguardar em fila, contar com a boa vontade das pessoas que o atenderão, para renovar documento apto?
Tenho em mãos minha cédula de identidade e vejo que os dados permanecem: Meu nome, o nome dos meus pais, a data do meu nascimento, a impressão digital do meu polegar direito (impressão digital não envelhece, nem muda de jeito), além de uma foto 3x4 lindinha, uma graça essa menina. Pois este documento válido recebeu a qualificação “acervo” gentilmente dito pela atendente do setor de triagem de documentos. Acervo?
Eis o requerido para a desnecessária renovação da minha cédula de identidade: Uma foto 3x4 (não tão recente, afinal, há uma década meu rostinho continua o mesmo) e o RG original.
Como? Certidão de casamento? Mas eu não sou casada.
Se eu casei? Lógico que eu casei. Casei uma vez e divorciei, logo, o meu nome continua o mesmo, do jeito que está datilografado aí, no acervo.
Cópia autenticada da certidão de casamento averbada? Mas esse documento não está relacionado no site oficial. Lá está escrito: Brasileiros nascidos em São Paulo devem trazer a cédula de identidade original e uma foto 3x4 recente (sussurrei a palavra recente). Meio confusa a atendente do setor de triagem de documentos encaminhou-me ao setor de administração. Mais confusa ainda, a responsável pelo setor de administração encaminhou-me ao setor verde, mesa 50, para falar com a supervisora Tibúrcia (preservo o real nome da moça).
Tibúrcia Maria não estava em sua mesa. Espero, espero mais um pouquinho e, de repente, a descubro meio escondida, entre as mesas do fundo da repartição pública. Lanço meus olhares suplicantes para Tibúrcia e deixo claro que de lá não sairei por nada - os olhos dizem muito.
Conclusão: O protocolo para a retirada da minha nova cédula de identidade, no próximo dia cinco, está em minha frente.
A Ti foi gentil, compreensiva e aceitou a entrega posterior da cópia autenticada da certidão de casamento averbada.
Meu casamento religioso foi na Catedral Metropolitana Ortodoxa de São Paulo, no bairro do Paraíso, e meu casamento civil aconteceu depois, num intervalo entre as fotos e a festa animada, em um bufê que fica aqui, no bairro. Logo, eu resolvi que caminharia com o cão até Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, para a obtenção da cópia autenticada do documento prometido.
Como? Mas eu só preciso de uma cópia autenticada da minha certidão de casamento averbada. Eu não preciso da segunda via da minha certidão de casamento averbada para que a senhora tire uma cópia autenticada. A senhora não consegue tirar cópia do livro de registros? Ninguém pediu para que a senhora tire cópia do livro de registros. Jogo de palavras e mentes aguçadas, a cartorária Episcopilda (preservo o real nome da senhora) tem bastante traquejo e me fez pagar R$ 32,45 pela descartável segunda via da minha certidão de casamento averbada e R$ 2,53 por cada cópia autenticada, no total de duas, uma vez que na parte da frente da certidão há um espaço vazio imenso e no verso duas linhas digitadas. Perguntei para Episcopilda Maria se seria uma boa casar com o dono de algum Cartório e no final, Pi e eu matamos saudades dos bons tempos das aulas de Direito Civil.
Volto ao salário mínimo de R$ 510,00. Se um cidadão brasileiro, que tenha casado uma única vez (raro, não?), é obrigado a renovar desnecessariamente sua cédula de identidade, ele pagará R$ 24,63 para a emissão da segunda via do documento, R$ 42,57 para a cópia autenticada da certidão de casamento averbada, o valor cobrado por uma foto 3x4 e R$ 4,20 para dois bilhetes de metrô.
Assim, sobrarão R$ 438,60 para...

Cleaning up the messy - part III

Papéis, fotos, cartões e mais, muito mais

Janelas abertas, o cão ao lado esparramado no chão, boa música. E dança, por que não? É muito bom dançar sozinha em casa, cantar e dançar, dançar sem cantar, dançar de qualquer jeito e de um jeito que o cão resolve que é mais seguro se deitar em seu canto preferido, longe desta humana que se redescobre.
Dias gostosos a rasgar papéis, limpar, encontrar coisas desconhecidas – os pertences de minha mãe, curtir fotos, reler mensagens, me emocionar com cartas e rir com cartões. Encontrar uma lira guardada dentro de um envelope, que estava no meio da papelada no chão do quartinho (que era da bagunça) na área de serviço. Fazer festa com a inesperada surpresa, rir com a inteligente e amorosa traquinagem da velha senhora e agradecer o reforço de nossas pazes. Mais papéis, mais coisas desconhecidas e esquecidas, até um vidrinho antigo de remédio forrado com algodão e três dentinhos de leite dentro. Os meus dentinhos de leite. Será que os pais continuam a fazer esse carinho? O que eu devo fazer com este vidrinho? Devo guardá-lo para mostrá-lo aos meus netos? Meu filho também teve seu primeiro dentinho de leite guardado num vidrinho de remédio forrado com algodão. Quanto ao dentinho de leite da frente, ora, o meu se transformou num pingente incrustrado em ouro, de gosto meio duvidoso. Eu o encontrei e também não sei o que fazer com ele. Com carinho e alegria organizei uma parte do que vi pela frente. Escrevi e colei etiquetas, ordenei, mudei e criei ambientes, troquei vasos de plantas de lugar.
Separei coisas para que sejam aproveitadas por outros, levei outras para consertar. Muitas vezes nos esquecemos dos consertos e descartamos coisas com incrível facilidade a aumentar a poluição deste planeta. Todo dia faço questão de cuidar de um espaço, aspergir água de rosas, impregnar-me neste ambiente que, por um tempo, ficou ausente de mim. No começo da noite, o corpo meio cansado, a camiseta molhada de suor, o banho, o descanso e, finalmente, a paz.

Cleaning up the messy - part II

De dentro para fora

Talvez você já tenha se sentido triste, sem ânimo, sem força, sem cor, vazio e árido por dentro, sem vontade para nada, sem capacidade para apreciar uma linda manhã ensolarada. Aliás, um belo dia de sol se transforma num acinte, que contraria o nublado sem vida interno.
Música? A essencial música companheira de todas as horas fica de lado, é totalmente esquecida. Livros? Revistas? Jornais? Letras mágicas adoradas que juntas se transformam em sentenças, parágrafos tão apreciados e fundamentais deixam de existir. Você praticamente deixa de existir. Seu rosto perde a beleza, sua pele perde a maciez, seu cabelo se transforma e seu olhar... seu olhar reproduz exatamente o que você sente. Não há o mínimo resquício do viço, do sopro diferenciado que cada um traz dentro de si. Dormir é tão difícil, acordar é tão difícil, viver é tão difícil. Um dia, uma semana, alguns meses, anos. A frequência contínua define o nome disso que a gente sente: Eu não acordei um dia assim; durante anos eu vivi assim. A forma por mim encontrada para tentar abrir a concha, conseguir me comunicar e não afastar tanto o mundo, foi a superação física das caminhadas sem fim por locais, às vezes, desconhecidos. Caminhar para me sentir capaz, para cansar bem o corpo e anestesiar a mente.
Depressão esse é o nome. É doença, não é charme e muito menos frescura. Dói, limita e incapacita. A depressão machuca a alma da gente, a ponto da gente não ver mais graça na maior graça que recebemos de graça; e ao tentar fazer graça eu falo da vida. Essa doença danada que desequilibra a nossa química, ainda nos induz a fazer as piores escolhas: O alimento cheio de gordura e sem valor nutricional, o doce mais doce que puder existir, o desamor mais cruel que se puder encontrar. Eu não diria que o depressivo poderia ser interditado pela possível incapacidade de administrar sua própria vida, mas eu afirmo que todo o depressivo deveria ter alguém que, realmente, o ame por perto, para lembrar-lhe como ele é, lembrar-lhe sua essência e natureza, além de afastar os que não deveriam ser. A desordem interna reflete na desordem do meio, assim como a desordem do meio agride o nosso interno. Não é à toa que tantos espaços estão tão bagunçados. De dentro para fora e de fora para dentro. Todos temos os nossos limites por que não somos feitos de aço, nem de pedra. Limpar a desordem e organizar. A grande diferença: Organizar com carinho e alegria. Graças a Deus o reconhecimento da depressão e o esforço para a cura.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cleaning up the messy

A escrivaninha rebelde

Finalmente, a escrivaninha ocupa o lugar merecido e empertiga-se entre o espelho e o baú, a mostrar todos os seus lados de madeira trabalhada, diante da janela aberta com vista para os prédios que ocupam uma quadra da avenida e ruas adiante, até um ponto que a visão alcança, sem concreto nem outras janelas, só o céu meio nublado desta Sexta-Feira Santa.
Foi ousada esta escrivaninha, de perninhas finas e elegantes, encontrada sem prévio planejamento em uma loja de Brasília, na tarde de passeio com uma querida amiga. À época, com a escrivaninha fez par a poltrona de madeira com rodinhas e desenho de coisa antiga e também veio o banquinho com cobertura de gobelin florido, para apoio das pernas um pouco inchadas pela idade de minha mãe.
São sete as suas gavetas e uma delas, a maior de todas, sem dúvida era a mais atrevida e rebelde, pois insistia em ficar trancada a desafiar a desrespeitosa curiosidade de quem quer que fosse. Alguém já viu gaveta com vontade própria, que se tranca à toa? Gaveta sem qualquer conteúdo importante, muito menos comprometedor, apenas repleta de papéis desordenados e sem valor, que ocupavam espaços livres de um móvel cuja dona não tinha tempo para mais nada além de trabalhar, trabalhar e trabalhar um pouquinho mais. Como foi maltratada esta escrivaninha. Agora, as coisas boas prevalecem e graciosa ela está no lugar merecido, organizada, com o cheirinho bom do líquido que limpa e preserva a matéria da qual é feita, todas as gavetas livres e alegremente destrancadas.


Às vezes, gavetas trancadas apenas servem para aguçar a curiosidade abusada dos que não têm traquejo algum para conversar sobre qualquer coisa que incomode – por menos que incomodasse e por menos importante que fosse. Somente aguçam e repetem: Que atitude foi aquela, de invadir de tal forma agressiva o que lhe foi confiado.

Crianças e adolescentes, nossas crianças e adolescentes


A querida comunidade Vivendo Amando e Aprendendo, quero dizer, a querida ong VAA, em parte inspirada nos ensinamentos do escritor Leo Buscaglia, é a filha desejada da querida, valorosa e perseverante psicóloga Márcia Regina da Silva, que dedica-se aos outros de maneira incomparável, de grão em grão, com realizações possíveis e ao alcance de cada um de nós.
As crianças e os adolescentes com câncer são os beneficiados pelo amor imenso de Márcia.

A cidade de São Bernardo do Campo fica bem próxima da Capital de São Paulo.