Mostrando postagens com marcador cleaning up the messy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cleaning up the messy. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de abril de 2010

Cleaning up the messy - part III

Papéis, fotos, cartões e mais, muito mais

Janelas abertas, o cão ao lado esparramado no chão, boa música. E dança, por que não? É muito bom dançar sozinha em casa, cantar e dançar, dançar sem cantar, dançar de qualquer jeito e de um jeito que o cão resolve que é mais seguro se deitar em seu canto preferido, longe desta humana que se redescobre.
Dias gostosos a rasgar papéis, limpar, encontrar coisas desconhecidas – os pertences de minha mãe, curtir fotos, reler mensagens, me emocionar com cartas e rir com cartões. Encontrar uma lira guardada dentro de um envelope, que estava no meio da papelada no chão do quartinho (que era da bagunça) na área de serviço. Fazer festa com a inesperada surpresa, rir com a inteligente e amorosa traquinagem da velha senhora e agradecer o reforço de nossas pazes. Mais papéis, mais coisas desconhecidas e esquecidas, até um vidrinho antigo de remédio forrado com algodão e três dentinhos de leite dentro. Os meus dentinhos de leite. Será que os pais continuam a fazer esse carinho? O que eu devo fazer com este vidrinho? Devo guardá-lo para mostrá-lo aos meus netos? Meu filho também teve seu primeiro dentinho de leite guardado num vidrinho de remédio forrado com algodão. Quanto ao dentinho de leite da frente, ora, o meu se transformou num pingente incrustrado em ouro, de gosto meio duvidoso. Eu o encontrei e também não sei o que fazer com ele. Com carinho e alegria organizei uma parte do que vi pela frente. Escrevi e colei etiquetas, ordenei, mudei e criei ambientes, troquei vasos de plantas de lugar.
Separei coisas para que sejam aproveitadas por outros, levei outras para consertar. Muitas vezes nos esquecemos dos consertos e descartamos coisas com incrível facilidade a aumentar a poluição deste planeta. Todo dia faço questão de cuidar de um espaço, aspergir água de rosas, impregnar-me neste ambiente que, por um tempo, ficou ausente de mim. No começo da noite, o corpo meio cansado, a camiseta molhada de suor, o banho, o descanso e, finalmente, a paz.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cleaning up the messy

A escrivaninha rebelde

Finalmente, a escrivaninha ocupa o lugar merecido e empertiga-se entre o espelho e o baú, a mostrar todos os seus lados de madeira trabalhada, diante da janela aberta com vista para os prédios que ocupam uma quadra da avenida e ruas adiante, até um ponto que a visão alcança, sem concreto nem outras janelas, só o céu meio nublado desta Sexta-Feira Santa.
Foi ousada esta escrivaninha, de perninhas finas e elegantes, encontrada sem prévio planejamento em uma loja de Brasília, na tarde de passeio com uma querida amiga. À época, com a escrivaninha fez par a poltrona de madeira com rodinhas e desenho de coisa antiga e também veio o banquinho com cobertura de gobelin florido, para apoio das pernas um pouco inchadas pela idade de minha mãe.
São sete as suas gavetas e uma delas, a maior de todas, sem dúvida era a mais atrevida e rebelde, pois insistia em ficar trancada a desafiar a desrespeitosa curiosidade de quem quer que fosse. Alguém já viu gaveta com vontade própria, que se tranca à toa? Gaveta sem qualquer conteúdo importante, muito menos comprometedor, apenas repleta de papéis desordenados e sem valor, que ocupavam espaços livres de um móvel cuja dona não tinha tempo para mais nada além de trabalhar, trabalhar e trabalhar um pouquinho mais. Como foi maltratada esta escrivaninha. Agora, as coisas boas prevalecem e graciosa ela está no lugar merecido, organizada, com o cheirinho bom do líquido que limpa e preserva a matéria da qual é feita, todas as gavetas livres e alegremente destrancadas.


Às vezes, gavetas trancadas apenas servem para aguçar a curiosidade abusada dos que não têm traquejo algum para conversar sobre qualquer coisa que incomode – por menos que incomodasse e por menos importante que fosse. Somente aguçam e repetem: Que atitude foi aquela, de invadir de tal forma agressiva o que lhe foi confiado.