domingo, 23 de dezembro de 2007

Cordeiro e quiche

Não é nada para quem sabe e gosta, mas é tudo para quem é aprendiz.
Prendi os cabelos e resolvi preparar minha primeira quiche de queijo.
Livro de receitas? Não.
O PC conectado sobre a mesa da cozinha, com a receita recém recebida por e-mail a desafiar a ousadia da tela de cores vivas.
O bom de receita é incrementá-la e emprestar toque pessoal que faça diferença.
Usei noz moscada, manjericão e alguns tipos diferentes de queijos.
A massa ficou mais tempo na geladeira e a temperatura do forno foi desconsiderada.
O mesmo fiz com a paleta de cordeiro – tenra, pequena, do jeito que gosto, sem o forte odor de bicho grande e velho.
Para o cordeiro usei ramo das ervas que aprecio e pus a peça em marinada por mais tempo. Ousada. Ficou muito boa, mas sem o sabor especialíssimo do cordeiro preparado pela minha mãe. Para chegar àquela perfeição são necessários muitos anos de treino e costeletinhas, pernis e paletas s
em fim.
Aprendi o segredo do correto uso do papel alumínio para o cordeiro.
Em verdade acho que gosto de compartilhar o espaço chamado cozinha com que entende.

A confraria dos pescoços especiais

Há dois dias, enquanto tomava meu delicioso, gelado e doce suco de melancia e escolhia o agrado de chocolate e canela para meu filho, deixei o cão amarrado do lado de fora da super casa de pães.
Ao sair encontrei uma mulher alegre e carinhosa, que fazia a maior folia com o cão.
Encantada parei para curtir a brincadeira e iniciamos agradável conversa que durou bastante tempo, as duas, ali, em pé na calçada, numa agradável tarde de começo de verão.
Falamos sobre o cão, o bem que sua presença faz e com gestos elegantes, discretos, apresentamos nossos pescoços, as duas confreiras da nova e especial irmandade dos sinais verticais na região entre o tronco e a cabeça.
O meu, bem mais recente, completou sete meses; o dela, mais respeitoso e solene, a considerar a hierarquia que existe em qualquer associação, ocorreu há doze anos.
Desatendida toda coincidência e mantida e mansidão das ações que ocorrem sem mais nem por que e enriquecem a vida da gente, desde que os corações estejam abertos e as mentes receptivas, reconheço que identifiquei na alegre, vivaz e simpática Vânia – motociclista de primeira ordem – uma parte minha que resgato e a certeza que, realmente, o sinal do pescoço identifica especial sina e confere passagem por interessante portal
Compartilhar generosamente experiências e conhecimentos permite a elucidação de dúvidas muitas vezes desconsideradas por profissionais especializados que deveriam, por ofício, entender o que ouvem e saber sobre o que falam.
Às vezes, o jaleco caiado se transforma em armadura sem cor, que reflete todo tipo de luz e nada retém ou absorve.
Não digo que o advogado criminalista deve ser preso para melhor defender seus possíveis clientes, nem que os médicos devem ter a pele queimada para melhor entender seus pacientes traumatizados, mas é imprescindível considerável dose de compaixão e solidariedade. Honestidade. Competência.
Algumas rotas errantes serão corrigidas.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Amor e neurociência

Esclarecimento banal sobre conhecimento que cada ser, verdadeiramente pensante, traz dentro de si. Amar faz bem e estar perto da pessoa amada é essencial. O resto, simplesmente, não existe. As marcantes prolactina e ocitocina relembram que a química é fundamental e independente - surge quando bem entende e permanece por vontade própria. Certas coisas não são controláveis, nem substituíveis.


"Definir o amor tem sido assunto reservado aos poetas. Mas a neurociência, quem diria, já pode dar os seus pitacos - ao menos para explicar por que amar e ser amado são desejos tão fortes e presentes em nossa espécie. Considerados inviáveis dez anos atrás, dada a subjetividade do assunto, exames do cérebro de voluntários que contemplam imagens da pessoa amada ou a abraçam são hoje em dia bem aceitos pela ciência. Esses estudos mostram de que é feita a experiência do amor pelo cérebro. A presença do ser amado ativa o sistema de recompensa, trazendo sensações de prazer, felicidade e bem-estar como um todo, que, de quebra, nos ensinam a associar a tais sensações positivas o objeto de nosso amor e nos fazem querer continuar em sua presença e até ansiar por ela. Essa ânsia é especialmente intensa quando o amor é reforçado por sexo - o bom sexo, voluntário e prazeroso, que, com o orgasmo, leva à liberação de hormônios como a ocitocina, que ativam ainda mais o sistema de recompensa. Se o amor é correspondido, a presença da pessoa amada é também calmante. Mesmo longe de levar ao orgasmo, um abraço já aumenta a liberação de ocitocina, que, além de estimular o sistema de recompensa, reduz a atividade das estruturas do cérebro responsáveis pelo medo e facilita a aproximação. Abraços amorosos nos deixam menos temerosos e desconfiados e, por conseguinte, mais confiantes no outro, otimistas e dispostos a abaixar a guarda. Sentir-se amado é um grande ansiolítico. Quem de fato recebe a atenção e os cuidados do objeto do seu amor não se sente sozinho e tende a ter respostas mais saudáveis ao estresse, inclusive com a produção de quantidades menores do hormônio cortisol - aquele responsável pelos estragos do estresse crônico. Receber um abraço dessa pessoa já basta também para diminuir instantaneamente o nível de cortisol no sangue. Até o sexo é ansiolítico, por levar, com o orgasmo, à liberação de prolactina - uma grande responsável pela sensação de bem-estar e relaxamento físico e mental que se seguem. Dar apoio moral é uma grande demonstração de amor, crucial para manter saudável a resposta ao estresse de quem o recebe. Mas dar carinho a quem se ama é a mais inequívoca demonstração de amor, tão importante que conta com um sistema de nervos específico para detectá-la. Por isso, não basta amar; é preciso fazer o outro se sentir amado."


(Suzana Herculano-Houzel é neurocientista e professora da UFRJ. Texto publicado em 20.12.07, na Folha de São Paulo.)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Jingle bells

"Jingle bells, jingle bells
Jingle all the way,
Oh what fun it is to ride
In a one-horse open sleigh"

Feliz natal, feliz ano novo, vida nova, tudo de bom, bom dia, tudo bem? eu te amo, olá, bom final de semana, blá blá blá blá blá blá blá blá.

Avalanche de compromissos, presentinhos, lembranças, confraternizações,
pseudo trocas, excessos, carências, viagens, teatros, camuflagens, tristezas e angustias travestidas de esperança, quereres, assanhamentos, ansiedades, intrusões.
Esta época do ano e a carga que surge com as datas pré-determinadas para, obrigatoriamente, tentar ser feliz e renovar a dispensa de desejos, vontades, comandos e desmandos em prol de cada umbigo.

Neste acerto de contas que vem com o final de cada período, quero o melhor para todos que durante o ano inteirinho estiveram presentes, juntos, ao lado, secaram lágrimas, deram abraços fortes, foram humanos, olharam com firmeza e dedicação, compartilharam segredos, definiram solidariedade, torceram, fizeram carinho, oraram pela cura, puxaram orelhas, compreenderam, dedicaram-se, ofertaram-se, entregaram-se, compartilharam-se com verdade, honestidade e sem qualquer contrapartida. É para estes, minha boa vibração.

Igualmente, para os desvalidos, solitários, desesperançados, maltratados, injustiçados e desconsiderados, para que não recebam doações culposas e hipócritas, mas para que conquistem a condição de prevalecer suas dignidades.

A fartura aparente sobre as mesas está impregnada pela carestia da circunvizinhança. Este não é, de fato, o real espírito.

O natal e o ano novo acontecem dentro de cada um, sem datas específicas, sem rituais ou sortilégios. Começam pela paz interna, fluem pela fé e sempre resultam em milagre.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Debaixo das Oliveiras

"Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.

O mês em que a brisa me pôs nas mãos
uma harpa de folhas
e a terra me emprestou
sua flauta e sua lua.
Maré viva. Meu sangue atravessado
por um cometa visível a olho nu
tangido por satélites e aves de arribação
navegado por peixes desconhecidos.

Este foi o mês em que cantei
como quem morre e ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba.

O mês em que subi a uma colina
dentro de minha casa
olhei a terra e o mar
depois cantei
como quem faz com duas pedras
o primeiro lume. Palavras
e pedras. Palavras e lume
de uma vida.

Este foi o mês em que fui a um lugar santo
dentro de minha casa.
O mês em que saí dos campos
e me banhei no rio como quem se baptiza
e cantei debaixo das oliveiras
as mãos cheias de terra. Palavras
e terra
de uma vida.

Este foi o mês em que cantei
como quem espelha ao vento suas cinzas
e cresce de seu próprio adubo
carregado de folhas. Palavras
e folhas
de uma vida.

O mês em que a mulher
tocou meus ombros com sua graça
e me deu a beber
a água pura do seu poço.
Este foi o mês em que o filho
derramou dentro de mim
o orvalho e o sol
de sua manhã.

O mês em que cantei
como quem de si se perde e reencontra
nas coisas novamente nomeadas.

Este foi o mês em que atravessei montanhas
e cheguei a um lugar onde as palavras
escorriam leite e mel.
MILAGRE MILAGRE gritaram dentro de mim
as aves todas da floresta.

Então reparei que era o lugar do poema
o lugar santo onde cantei
entre mulher e o filho
como quem dá graças.

Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras."

Manuel Alegre

Obrigada, meu amigo Jorge Uzueli, por sempre me ensinar tantas coisas importantes.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Paradoxos

"O homem brilha pela ausência


Creio que, das cartas que tenho recebido, a de Jandira é uma das mais interessantes. Ela explica, às primeiras palavras, a natureza do seu drama: 'Acontece comigo uma coisa interessante. Brigo muito com Adalberto. E só acho, verdadeiramente, graça nele na sua ausência.' Aparentemente, o caso de Jandira é extraordinário. Uma mulher que prefere o bem-amado longe! Uma mulher que não deseja vê-lo! E, no entanto, este é um caso bastante comum. Direi mais: - a maioria das mulheres acha mais encanto no ausência que na presença do seu namorado, noivo ou esposo. Absurdo? Paradoxo? Não nada disso. Pura e simples evidência de todos os dias. E o fenômeno me parece lógico e natural. Senão, vejamos. Nós sabemos que todos os homens amam, inclusive os esquimáus. Portanto, milhões e milhões de homens. Dentro dessa quantidade tremenda - quantos homens cultos, inteligentes, interessantes? Uma minoria ínfima, irrisória. No caso da população brasileira, por exemplo. Digamos que tenhamos, no Brasil, vinte milhões de homens. Seria pedir muito querer vinte milhões de galãs de fitas de cinema. Impossível, absolutamente impossível. Se todo mundo fosse interessante, haveria uma valorização súbita e irresistível do homem desinteressante. E, por um motivo muito simples: é que ele se tornaria raro, excepcional, ultracotado. Mas, por enquanto, o que existe, multiplicado por não sei quanto, é o namorado ou noivo ou esposo desinteressante. Chegamos, então, a um ponto crucial: que deve fazer a mulher de um cidadão nessas condições? Antes de mais nada, não nos cabe nem mesmo direito de desejar que o chamado homem desinteressante desapareça. Porque assistiríamos a um espetáculo tenebroso; ou seja: o súbito despovoamento do mundo. Logo, ele deve sobreviver. E as mulheres são obrigadas a apelar para esse tipo de homem, porque o outro quase não existe. Conheço mulheres que nascem, criam-se, envelhecem e morrem, sem, jamais, terem visto um indivíduo que, do ponto de vista amoroso, seja ótimo. Muito bem. Digamos que eu me apaixone por um cidadão assim. Não posso achar a mínima graça na sua presença, porque ele é desinteressante. Tenho dois caminhos: ou deixar as coisas como estão, ou romper com ele. Mas romper não resolve nada. Porque deixo um cidadão sem encanto, e vou achar outro, nas mesmas condições (salvo a hipótese, improvável, de uma descoberta sensacional). Que faço eu? Se a presença do meu amado não me empolga, nem nada, apelo para a sua ausência. Recurso infalível! Sob a sua presença, eu o vejo como ele é, na realidade. Quero dizer, limitado, sem espírito, sem inteligência e, às vezes, feiísssimo. Já na ausência, tudo muda. Vejo-o não como ele é, mas como eu o quero, pois o que funciona é a minha livre criadora imaginação. Componho, para mim mesma, para meu regalo especial, a imagem de um homem fabuloso, que nada tem a ver com o meu amado; ou por outra, é o meu amado, mas exaltado, transfigurado, superaperfeiçoado. Eis por quê, na maioria dos casos, os homens ganham tanto com a ausência. O caso de Jandira pode se enquadrar perfeitamente nesses termos. Ela gosta de um homem que, de corpo presente, não a consegue impressionar, não consegue lhe transmitir nenhuma sensação de deslumbramento. Já que ela não deseja acabar com o romance, deve ver o menos possível o seu namorado e procurar valorizá-lo, durante a ausência. É a única solução para o caso."

Myrna


("O consultório sentimental de Nelson Rodrigues" - Diário da Noite, 1949)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Rumi

“Se alguém lhe perguntar como se desvela
a mais perfeita sensação do gozo,
eleve os olhos e diga

Assim.

E quando alguém mencionar
a graça do céu noturno,
suba no telhado, dance, e diga

Assim?

Se alguém quiser saber o que é
o espírito, ou a essência de Deus,
incline a fronte em sua direção,
mantenha o rosto colado

assim.

E quando alguém evocar a velha poesia
das nuvens que, aos poucos, encobrem a lua,
afrouxe pouco a pouco os nós da tunica.

Assim?

Se alguém quiser saber como Jesus
levantou os mortos das tumbas,
não tente explicar o milagre.
Beije seus lábios.

Assim. Assim.

E quando alguém perguntar
o que é morrer por amor,
faça um sinal

aqui.

Se alguém quiser saber quão alto é,
hesite, e meça com seus dedos
os espaços entre as rugas da sua testa.

Deste tamanho.

A alma às vezes larga o corpo,
e então retorna. Se alguém não acreditar,
volte para a minha morada.

Assim.

Quando os amantes sussurram,

estão contando a nossa
história

Assim.

Eu sou um céu onde espíritos vivem.
Mergulhe neste azul profundo
onde a brisa espalha segredos

Assim.

Quando alguém perguntaro que
há de se fazer,
acenda a vela em suas mãos.

Assim.

Como o perfume de José
chegou a Jacó?

Shhhhhhh!

E como retornou
o suspiro de Jacó?

Shhhhhhh!

A brisa suave limpa os olhos.

Assim.

Quando Shams retornar de Tabriz,
seu rosto há de mostrar-se atrás da porta,
e nos surpreenderá.

Assim.”

Obrigada, amigo Felipe, pelo lindo poema.

Sentimos mais Rumi e aprendemos algo
sobre os dervishes em Kônia, na Turquia.

Sensorial

Certos prazeres sutis e suaves são tão plenos e intensos,
que me fazem duvidar do real significado de certas palavras.
No puro mundo sensorial tudo deixa de ser.

Agregar

Certas pessoas têm a capacidade de agregar.
Outras dispersam.

Preguiça gostosa

Domingo é o dia do melhor almoço-conversa que temos.
Sair de casa? Preparar gostosuras?
Carne vontade de comer carne gostosa com certos acompanhamentos.
Picanha para ser mais precisa.
Você leva o cão para o banho e eu cuido do almoço.
Sim, cuidei do telefonema para o almoço e arrumei a mesa do jeito
que merecemos.
Surpresa!

Condimentados affairs

Feijoada rápida em sábado calorento
não é das melhores coisas nesta vida.
Feijoada boa é acompanhada por papo
gostoso, bebidinhas e tempo de sobra.

Materna e filial

Dedicamos-nos amorosa condescendência.
Mantive a imagem por uma semana, antes de mostrá-la ao meu filho.
A manutenção da imagem é prova suficiente do quanto sou humana e falível.
Bem sei o quanto este tema o chateia porque me faz sofrer.
Por me amar ele não quer que eu sofra.
Mesmo assim, não se esquivou de analisar cada detalhe.
Conhece.
Expôs o que viu.
Aprendeu a ver mais do que eu.
Oferece o que sente com mais clareza do que eu.

Materna

A pouca diferença entre mãe e filho permite vivências similares.
O filho deixa de ser filho e a mãe deixa de ser mãe – como se

fosse possível – e nos tornamos melhores amigos.

sábado, 8 de dezembro de 2007

War is over ! We want it











A melodia do meu samba põe você no lugar

"Me larga, não enche
Você não entende nada
Eu não vou te fazer entender
Me encara de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, não quer ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver
Me deixa viver
Me deixa viver
Me deixa viver
Cuidado, oxente!
Está no meu querer poder fazer você desabar
Do galho
Nem tente
Manter as coisas como estão por que não dá
Não vai dar
Quadrado, demente
A melodia do meu samba põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar
Me deixa cantar
Me deixa cantar
Me deixa cantar
Eu vou clarificar a minha voz
Gritando nada mais de nós
Mando meu bando anunciar
Vou me livrar de você
Harpia, aranha
Sabedoria de rapina e de enredar, de enredar
Galinha, pirata
Minha energia é que mantém você suspenso no ar
Pra rua, se manda
Sai do meu sangue, sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata, malandro

Me deixa gozar
Me deixa gozar
Me deixa gozar
Me deixa gozar
Vadio, vampiro
O velho esquema desmorona desta vez pra valer
Tarado, mesquinho
Pensa que é o dono, eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À toa, vadio
Começa uma outra história aqui na luz deste dia D
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou viver mil
Eu vou viver sem você
Vadio, vampiro
O velho esquema desmorona desta vez pra valer
Tarado, mesquinho
Pensa que é o dono, eu lhe pergunto quem lhe deu tanto axé?
À toa, vadio
Começa uma outra história aqui na luz deste dia D
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou viver mil
Eu vou viver sem você
Eu vou viver sem você
Na luz desse dia D
Eu vou viver sem você. "