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domingo, 4 de março de 2012

O perdão




Alteramos a máxima cartesiana “penso, logo, existo” para “penso, logo, incomodo” e, às vezes, através de nossos pensamentos nos tornamos  eficientes no auto-incomodo.
Este tema surgiu em conversa entre amigas queridas, mestras da fluidez, da leveza, do ânimo e do entusiasmo e, também, exímias provocadoras de libertadoras catarses - o perdão. 
Parece fácil, não? Afinal, perdoar presume vontade e querer perdoar deveria ser suficiente, mas não é.
Em primeiro lugar considere o indivíduo e seus amalgamas, seus valores e limitações, suas crenças, sua totalidade complexa. O senso comum ou o bom-senso tem sua importância, porém, entre a ofensa ou tristeza recebida e a capacidade de perdoar pode haver um abismo.
Todos sabem que o impacto do mal recebido é proporcional à intimidade permitida e quanto mais íntimo o agressor, mais contundente sua atitude negativa e mais complexo o perdão.
Em segundo lugar considere o arrependimento de quem causou o mal e projete o pior cenário: O causador do mal é incapaz de sentir empatia e não reconhece o prejuízo por ele causado, logo, não sente qualquer arrependimento. 
Ora, se a ofensa foi causada por pessoa íntima incapaz de sentir-se arrependida, o perdão pode situar-se anos luz de distância e para acontecer exigiria os empenhos e desprendimentos da Madre Teresa e da Irmã Dulce somados. 
Como se vê, perdoar pode não ser fácil.
É necessário perdoar? Sim, e esta é afirmação plena de “se" e “depende". Regra geral perdoar é necessário para libertar-se e seguir adiante, embora, é possível seguir adiante sem perdoar. 
Em particular ao cristão que professa a oração primária e nela acredita, a incapacidade de perdoar, no mínimo, gera a incongruência no momento do perdão solicitado: “perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos aos nossos ofensores”, opa! Mas aquela ofensa é imperdoável, então, Senhor, por favor perdoe todo o mal que eu causei e desconsidere a minha incapacidade de perdoar o mal recebido, pedido que poderia ser complementado com a mágoa nossa de cada dia nos dai hoje, pois não? Não é à toa que a incapacidade de perdoar pode prejudicar a própria fé e aumentar ainda mais a abrangência negativa da ofensa recebida: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus, 6:14-15) - os que têm fé necessitam do perdão do divino, necessitam perdoar para serem perdoados.
Assim, o dilema persiste e se amplia: Como perdoar quem não se arrepende e como não perdoar se também peço perdão?
O perdão é libertador: Libera o ofendido e lhe retira o mal recebido (ou deveria retirar-lhe o mal recebido) e libera o agressor da culpa. No entanto, o perdão presume o total esquecimento? Ele é incondicional? E a questão inicial: Como perdoar quem não se arrepende? O perdão pode ser confundido com tolerância ou permissão? 
Cá entre nós, se já não bastasse toda a tristeza recebida, você ainda assume a incumbência de resolver todos os dilemas correlatos e as questões filosóficas e éticas que há milênios afligem a humanidade?
Simplifique sua vida e apazigue sua mente com solução solitária e eficaz: Perdoe a você mesmo e liberte-se. Liberte-se da culpa e de todo o sofrimento inútil. Liberte-se. Imagine a quantidade imensa de pessoas que deixam irmãos, amigos, filhos, pais, amantes desaparecem de suas vidas antes de trocarem preciosas palavras de clemência e absolvição, imagine a quantidade imensa de assuntos mal resolvidos que poluem nossa vida emocional, liberte-se. Você mesma pode terminar todos os assuntos dentro de si e isso é essencial. Trata-se de um ritual libertador: Represente mentalmente uma conversa entre almas, o acerto e o perdão celebrado em outra dimensão, ofereça e peça perdão e aos poucos você se sentirá eximida e fora desse acerto, você perceberá que a sua participação no relacionamento negativo findou e com ele terminaram todas as tristezas inacabadas e ocas. E se no futuro surgirem pensamentos e sentimentos tristes, é para o local desse ritual libertador que você os mandará. É para isso que existem os rituais, com eles criamos lugares seguros nos quais descansam nossos sentimentos mais profundos de alegria ou trauma, sentimentos que não precisamos carregar.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Conversa íntima

If there is something to desire,
there will be something to regret.
If there is something to regret,
there will be something to recall.
If there is something to recall,
there was nothing to regret.
If there was nothing to regret,
there was nothing to desire.

Vera Pavlova

Pedi tanto, não fiz promessa para não barganhar com Deus, mas pedi e pedi e pedi mais ainda, eu, que sempre peço de forma coletiva: a união e a proteção da família, a cura dos enfermos, luz divina sobre aqueles que necessitam de sabedoria e não peço algo só para mim, que não aproveite ao outro. Acho ruim e mesquinho incomodar o Pai com minhas coisas tão pequenas.  Mas eu acreditava tanto, então, pedi a realização do meu pedido - justo, devido, honesto - e pedi paz, felicidade e que a paz e a felicidade formassem um lindo manto sobre os demais.
Você não crê em Deus? Mas entende o que escrevo, porque alguma fé você deve ter. Não? Nenhuma fé? Cético de tudo? Você acredita no big bang e na criação do mundo através da explosão de inúmeros vulcões, na junção de placas (tectônicas?) e na separação de outras placas com mais vulcões ativos e o gelo a esfriar o ânimo da Terra.
Mas você entende que existem pessoas que professam um só batismo e crêem em um só Deus. Pois faço parte desse grupo fiel. Não, não sou evangélica, carismática, não faço parte de qualquer movimento religioso e respeito todas as religiões e crenças do bem – do mal quero distância, muita distância, infinita distância. Não recorro ao sincretismo tão nosso, tão brasileiro, de quem acende vela na igreja e corre até a moça da banca de ervas, na feira-livre, com a lista encomendada pelo conselheiro do centro de predileção. Acho que isso pode criar confusão nos diversos canais, além de dar mais trabalho: igreja, vela, centro, ervas, moça da barraca de ervas. 
Acendo vela na igreja e lamparina em casa diante dos ícones ortodoxos. Só. Foi assim que aprendi com meus pais e é assim que ensinei ao meu filho. Isso de fé a gente sente e tem.
Se aquele meu raro pedido particular foi atendido? Foi e graças a Deus não foi atendido exatamente do jeito que eu pedi – fui bem clara e racional ao pedir. Eu recebi mais, muito mais. Meu pedido foi atendido do jeito especial que Deus tem de ser do alfa ao omega, de conhecer todos os tempos, de conhecer todas as alma, de querer o melhor para nós e assim corrigir os pedidos baseados em nosso conhecimento parcial e tantas vezes equivocado. Saiba pedir (ou conheça bem o que você pede) não é assim que nos ensinaram? Deus melhorou e atendeu meu pedido e ainda por cima me protegeu de todo o mal, amém.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Maria, Nossa Mãe e Senhora

Há certos lugares nos quais vivenciamos nossa fé e sentimos amor incondicional e plena paz.
São João teria acompanhado Nossa Senhora durante e após o Calvário de Cristo e, segundo consta, teria cuidado de Nossa Mãe até sua última morada, na cidade de Éfeso, na atual Turquia. Em junho de 2000, com imenso respeito, emoção e amor, caminhei pelo bosque de oliveiras e entrei na casa simples de pedras, que seria a última habitação terrena de Maria. A paz do local é incrível e a sensação que nos proporciona inigualável. Lá, pela primeira vez na vida, me ajoelhei e pedi algo em especial para mim. Neste dia, 15 de agosto, data na qual minha religião considera a partida de Nossa Senhora para o céu, revivi com detalhes cada momento da peregrinação e do amor em abundância sentidos naquele ano. Resgatei, confirmei e fortaleci a fé, entreguei-me sem receio ao amor incondicional por Nossa Senhora, extingui a aridez e agradeci por todas as bênçãos. Palavras são poucas e incapazes de expressar certos sentimentos.

domingo, 20 de janeiro de 2008

São Jorge

Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meu inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia








terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Epifania - O Batismo do Senhor

A missa de epifania no dia seis de janeiro deste ano, foi uma das mais belas. Alimentou o corpo, a mente e a alma.
A bênção das águas, a procissão do clero, o ramo de manjericão molhado na água benta aspergida sobre nós. Não há sensação igual.

Ó Senhor, batizando-te no rio Jordão, manifestou-se a adoração da Santa Trindade. Porém, a voz do Pai testemunhou chamando-te Filho Amado. E o Espírito, como pomba, confirmou a exatidão da palavra. Ó Cristo Deus, que vieste e iluminaste o mundo, glória a Ti. Amém.