segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Contra todo tipo de abandono

Por onde começar?
Há tanto abandono, tanto desamparo.
O insuportável e inaceitável abandono de pessoas, sentimentos, animais, valores e atitudes corretas. Abandonamos nosso próprio planeta e, às vezes, nos abandonamos.
Conjugamos com imensa facilidade – e impunidade – os verbos deixar, desamparar, fugir, desistir, afastar, desleixar e ficamos impermeáveis ao melhor que a vida nos oferece: A liberdade e a generosidade.
Nossa pequenez transformou em mesquinha a nossa mente e a nossa alma; transformou nossa existência vazia, sem lembranças.
Todas as formas de abandono parecem estar vinculadas ao receio que temos de perder nosso conforto (ou o que julgamos ser o nosso conforto), de nos comprometermos, de assumirmos responsabilidades, de nos entregarmos e até mesmo de nos enganarmos. O abandono também parece ser resultado da ambição desmedida, que não aceita amarras e nada respeita.
O amparo e o acolhimento, contrários ao abandono, podem (e deveriam) ser exercidos por todos, não importa a forma e desde que firmados pela responsabilidade e pela dedicação. A responsabilidade e a dedicação vinculam e é do vínculo, principalmente emocional, que fugimos.
Eu quero muito que as campanhas se unifiquem e todas se voltem contra o abandono. Todos devem ser contra o abandono: O abandono de pessoas, principalmente crianças, idosas e enfermas; o abandono de nós mesmos (os vícios, os males, o desrespeito, a infelicidade); o abandono dos melhores sentimentos; o abandono do nosso planeta; o abandono dos valores e das atitudes corretas (da moral, da ética); o abandono dos animais. Todos devem colaborar e tal qual a fome (outra forma de abandono), o abandono deixará de existir.
Ninguém é obrigado a adotar se não tiver condições – é melhor não adotar sem condições emocionais, físicas e materiais, mas sempre há alguma atitude que podemos assumir para extinguir de vez o abandono.
Pode parecer batida esta imagem, mas imagine o fim da sua vida e olhe para trás. O que você vê? O que você leva?


Na caminhada pela Paulista entrei no casarão nº 1919, uma feirinha de miscelânea, com bugigangas, raridades e surpresas. No final da feirinha as gaiolas de cães abandonados recolhidos pelo Instituto de Zoonose da capital. O olhar, é o olhar do ser abandonado que mata a gente por dentro.
O responsável pelos cães não sabia explicar as causas do abandono. Foi o que tentei fazer aqui.

The memory of the field is lost with the loss of its herbs

"The rush of battle is often a potent and lethal addiction, for war is a drug."

Eu também entrei na onda e assisti ao filme The Hurt Locker (Guerra ao Terror), 2008, “da mulher de James Cameron” - quanto engano nessa qualificação.
Nos anos oitenta, Kathryn Bigelow foi supervisora de scripts, atriz, roteirista e dirigiu seu primeiro filme.
Em 1991, conquistou o sucesso com Point Break (Caçadores de emoção) sobre gangue de surfistas, liderada por Patrick Swayze, que roubava bancos e desafiava o perigo em imensas ondas ao redor do mundo e o policial boa pinta, Keanu Reeves, infiltrado na quadrilha. Imagens sensacionais, adrenalina e emoções garantidas.
Após dez filmes a cineasta, que foi casada com Cameron por dois anos e meio (1989/1991), filmou The Hurt Locker, sobre a guerra contra o Iraque e equipe de soldados especializados no desarme das inúmeras bombas espalhadas por terroristas em solo iraquiano. Guardadas as devidas proporções lembrei de Marguerite Yourcenar e sua brilhante obra escrita em primeira pessoa, “Memórias de Adriano”, sobre a vida do imperador romano.
A tensão e a violência são magistralmente apresentadas através de excelente trabalho de câmera, assim como são representados os dilemas morais, éticos, a manutenção da humanidade e da solidariedade em ambiente tão hostil, além dos distúrbios emocionais sofridos pelos soldados norte-americanos. Sem qualquer julgamento sobre a guerra, tampouco sobre o comportamento dos soldados, Bigelow realizou um dos melhores filmes de guerra, apreciado mesmo por quem não gosta do tema.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Mimi, la vache

A primeira cow parade aconteceu em 1998, de um jeito muito bem-humorado, na suíça Zurique, e expandiu-se pelo mundo, como uma das mais criativas formas de arte de rua. As multicoloridas e divertidas vaquinhas estiveram aqui, em 2005, e voltaram para este verão paulistano.

Não é a única resposta

O texto abaixo foi publicado recentemente na mídia e reforça a única resposta em favor da nossa saúde e bem-estar físico e mental: Não.
Experimentar, curtir, se divertir, viajar, aumentar a coragem, sentir-se poderoso, relaxar, sentir-se capaz, achar-se potente, fugir, esquecer – não importa o motivo, a resposta é não
Igualmente, não às drogas prescritas por médicos irresponsáveis: Um dos inibidores de apetite mais indicado, comumente, causa hipertensão, aumenta o índice das enzimas hepáticas e o volume do fígado. Determinados antiinflamatórios prejudicam o sistema renal e por aí vai. Não às drogas "socialmente aceitas", não às drogas irresponsavelmente prescritas e não às drogas ilícitas.
Todos sabem que uma taça de vinho tinto é antioxidante, auxilia o coração e faz parte da dieta mediterrânea, mas seu uso presume moderação - uma taça e uma só. O cigarro comprado na banca de jornal da esquina é causa de câncer (já saímos do campo da possibilidade e ingressamos na certeza).
As drogas são o maior problema a partir da pré-adolescência e também de profissionais atuantes em diversas atividades. É crescente o uso de cocaína, bebidas alcoólicas, maconha e anfetaminas por pessoas nas mais diversas escalas hierárquicas, em inúmeras empresas, que não suportam a pressão, a concorrência, as metas e prazos. Assim, se a idade do primeiro contato com drogas diminuiu dos 14 para os 11 anos, o uso de drogas por pessoas na faixa de trinta, quarenta e cinquenta anos, aumentou demasiadamente. E o pior: Todos têm consciência dos malefícios causados.
O problema se agrava ainda mais quando o vício não é assumido; quando desculpas são utilizadas para justificar, por exemplo, que a maconha seria menos prejudicial que o cigarro; quando a droga se torna requisito essencial para qualquer tipo de convivência.
As drogas iniciaram a deterioração dos relacionamentos profissionais e são causa do aumento do índice de comportamentos emocional e fisicamente abusivos, até mesmo violentos, nas empresas.


Quando uma história envolvendo drogas está acontecendo com um cara famoso da TV, ou com o primo da amiga da vizinha, é fácil, fácil, julgar. E enxergar de longe que o fulano está entrando numa roubada daquelas. Porém, quando esse enredo que mistura aventura e terror começa a ser representado por pessoas que você conhece bem - e de quem realmente gosta - fica mais complicado decidir qual vai ser o seu papel na trama. Nessas horas, por mais que saiba que as drogas - todas elas! - são capazes de arruinar sua vida, é muito comum se deixar levar pela curiosidade, pela curtição do momento, pela vontade de ser aceita por aquelas pessoas, custe o que custar.
Porém, como a gente sabe que um único vacilo pode resultar num acidente fatal, ou numa dependência da qual seria difícil se livrar, consultamos alguns especialistas para ajudá-los com ótimos argumentos contra todas as investidas dos que entraram nessa onda.

"As drogas vão fazer você viajar e esquecer dos seus problemas."
POR QUE DIZER NÃO: Dependendo da droga, você vai ter mesmo uma sensação de relaxamento, euforia, e pode até experimentar algumas alucinações. Durante o tempo em que durar o efeito, vai se sentir poderoso, mais corajoso do que nunca. O fato é que o barato dura segundos. Quando muito, minutos. E, depois, seus problemas voltarão a ter exatamente o mesmo tamanho. "Na verdade, é provável que após experimentar a droga, você se sinta pior. Porque, junto com o prazer, sempre vêm prejuízos físicos e emocionais. Além disso, quem entra nessa, num momento de tristeza e dificuldade, estará muito mais propenso a se viciar do que aquele que topou usar só por curiosidade", explica a psiquiatra Jackeline Giusti, do Ambulatório de Adolescentes e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (FMUSP). Ou seja: basta experimentar uma única vez, para correr o risco de virar escravo. "Não há nenhuma garantia de que, ao usar qualquer droga, a pessoa não vá se viciar, porque todos os tipos de droga causam dependência. A única maneira segura de se proteger é não experimentar. E isso é uma escolha de cada um", complementa.

"Beber não tem nada de mais. Todo mundo bebe."
POR QUE DIZER NÃO: Por mais que seja permitido e até aceito socialmente, o álcool é uma das mais perigosas drogas. Como atua no sistema nervoso central, a bebida tem um poder enorme de causar dependência e, para sentir os mesmos efeitos, será necessário consumir doses cada vez mais altas. O uso excessivo, por sua vez, leva a alterações psicológicas e mentais. Isso, sem falar na parte física, nos danos para o fígado, coração e outros órgãos. A parte psicomotora também pode ficar seriamente comprometida. "Mas o pior efeito do álcool é mesmo a mudança de comportamento que ele provoca nas pessoas, que podem ficar mais agressivas e impulsivas, tomando atitudes impensadas", explica o psicofarmacologista Elizaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

"Se você me ama de verdade, tem que entrar nessa comigo."
POR QUE DIZER NÃO: Alguém que realmente quer o seu bem jamais lhe fará uma proposta como essa. Na verdade, o que essa pessoa deseja é obter aprovação: quanto mais pessoas ela puder convencer a entrar na mesma onda, menos culpada se sentirá. O que é, de qualquer forma, uma atitude egoísta. Se a papagaiada veio de algum amigo, ou mesmo de um namorado, você até pode respeitar a escolha. Mas daí a entrar na roubada, também, há uma grande distância. "O melhor que você pode fazer por um amigo ou namorado que está envolvido com drogas é mostrar que consegue viver muito bem sem elas, que não depende desses estímulos para sair, fazer amigos e se divertir. Tente o raciocínio contrário: se essa pessoa a ama de verdade, vai parar de usar, em vez de convencê-la a entrar nesse buraco também", ensina a psiquiatra.

"Maconha é natural, não faz tão mal quanto o cigarro."
POR QUE DIZER NÃO: "A maconha é tão 'natural' quanto o cigarro, pois ambos são feitos a partir da folha de uma planta. Isso não quer dizer que sejam inofensivos. As substâncias cancerígenas, por exemplo, estão presentes nas duas drogas", alerta Elizaldo. A droga ainda prejudica a memória , diminui a fertilidade do homem e, na mulher, pode levar a alterações no ciclo menstrual. "O uso prolongado e constante da maconha também pode provocar mudanças de atitudes. Para se ter uma ideia, quinze dias depois de fumar um cigarro desse tipo, a pessoa ainda sentirá seus efeitos: uma certa moleza, preguiça e desânimo. Com o tempo, esses sintomas se acentuam, e o usuário tende a se isolar e a perder totalmente o interesse por outras atividades que não envolvam a droga. As consequências vão aparecendo aos poucos; a maconha é silenciosa, porém, pode ser bastante perigosa", alerta Jackeline.

"Experimenta, só hoje!"
POR QUE DIZER NÃO: dependência que, como vimos, existe desde a primeira dose, há a possibilidade de comprometer para sempre a sua saúde. "Uma pessoa que tem problema cardíaco e não sabe, por exemplo, pode ter uma complicação séria se fumar maconha, já que ela acelera o ritmo cardíaco. Com o ecstasy, há riscos de elevação da temperatura corporal e da pressão arterial a níveis muito altos, o que pode levar a acidentes fatais. Isso sem falar na mudança de comportamento que as drogas promovem. Sentindo-se forte, invencível, é fácil se envolver numa briga, num acidente de trânsito ou em outra confusão do tipo. Por tudo isso, os perigos existem desde a primeira experiência", alerta o psicofarmacologista. Como se não bastasse, sob o efeito de drogas você estará mais suscetível a se envolver com alguém que nem conhece, fazer sexo sem camisinha, contrair uma doença . Exagero? Não, se você imaginar que estará meio fora de si, sem condições de refletir sobre o que está fazendo.

"A cocaína dá um barato inesquecível."
POR QUE DIZER NÃO: Feitos a partir da mesma substância, tanto a cocaína quanto o crack são drogas capazes de gerar efeito rápido e bastante intenso. Por isso mesmo, viciam facilmente, e tendo experimentado uma única vez, é difícil conseguir parar de usar. No organismo, provocam um estado de hiperatividade, insônia e falta de apetite. Usuários de crack podem passar vários dias sem comer e, em um mês, perderem até dez quilos. Em pouco tempo, é comum que comecem a abrir mão, também, da higiene, ficando com aquele aspecto de "farrapo humano". Os efeitos das duas drogas sobre a saúde são devastadores: a pressão arterial se eleva durante o uso, e o coração pode bater mais rapidamente. Então, é grande o risco de taquicardia, e até de uma parada. A morte também pode ocorrer devido à diminuição da atividade de centros cerebrais que controlam a respiração. O uso em doses mais altas pode, ainda, produzir alucinações muito desagradáveis, que os usuários chamam de "paranoia" ou "noia".

"A gente usa drogas só de vez em quando, não somos dependentes. Você também pode experimentar e parar quando quiser."
POR QUE DIZER NÃO: O que não faltam são zilhões de pesquisas demonstrando que esse blábláblá é história pra boi dormir! Na real, o papo é bem outro. "Todas as drogas causam dependência e, com o tempo, é preciso aumentar cada vez mais as doses para se conseguir o mesmo efeito. A pessoa não tem consciência disso, ninguém se vicia por querer. Mas, com o uso, acaba acontecendo. Até que, em alguns meses ou anos, ela tenta parar, e começa a sentir aquela vontade incontrolável de usar, que é o que nós chamamos de "síndrome da abstinência". Aí, percebe que, por mais que aquilo lhe faça mal, não consegue viver sem", explica Jackeline. Daí pra frente, as histórias são as mais trágicas: a pessoa começa a abrir mão do convívio com a família, com os amigos, esquece seus compromissos. É um caminho, muitas vezes, sem volta.

"Se você fumar dois ou três cigarros por dia, não pega nada..."
POR QUE DIZER NÃO: Basta fumar apenas um cigarro por dia para aumentar os riscos de sofrer de doenças como pneumonia, câncer (de pulmão, laringe, faringe, esôfago, boca, estômago, etc.), infarto, bronquite, enfisema pulmonar, derrame e úlcera. Por causa da nicotina, também podem surgir náuseas, dores abdominais, dores de cabeça, entre outros sintomas desagradáveis. Além disso, quem começa fumando dois ou três cigarros por dia dificilmente continuará se satisfazendo com essa mesma quantidade por muito tempo. "A nicotina é altamente viciante, uma das drogas mais difíceis de deixar. Para piorar, ela provoca no organismo algo que chamamos de tolerância. Ou seja: será preciso fumar cada vez mais para sentir bem-estar", explica a psiquiatra Jackeline Giusti.

"As drogas ajudam a perder a timidez e a se soltar mais."
POR QUE DIZER NÃO: É pura verdade que alguns tipos de drogas provocam a desinibição. Em alguns casos, extrovertida até demais, mas esse não é o único motivo para não se render ao argumento. "Com o tempo, a pessoa pode acabar desenvolvendo uma dependência perigosa: só conseguirá conviver com os demais quando estiver sob o efeito de alguma droga. Então, na verdade, não está ganhando, está perdendo. Além de não vencer a timidez de um modo efetivo, estará trazendo um problema enorme para a sua vida", alerta Jackeline. Então, que tal encarar essa sua limitação e procurar ajuda especializada? Pode ser uma terapia, um curso de dança, teatro ou música. São maneiras saudáveis de lidar com a timidez - e que realmente funcionam!

"Agito sem ecstasy não tem graça!"
POR QUE DIZER NÃO: "O comprimidinho é capaz de liberar toda a serotonina que o organismo tem nas terminações nervosas, trazendo uma incrível sensação de alegria e bem-estar. Só que o "efeito rebote" é terrível: na sequência, vem o sentimento de tristeza, angústia e sensação de vazio, porque zerou todas as reservas daquela substância no organismo", explica a psiquiatra. Ela conta que atendeu um paciente com sérios problemas psicológicos, causados pela ingestão de meio comprimido, apenas. "Ele desenvolveu síndrome do pânico", diz. O risco de depressão, pela abstinência, também existe. "Como o ecstasy acelera o ritmo cardíaco, aumenta a pressão e a temperatura corporal, há, ainda, o perigo de passar mal, desmaiar, e até de sofrer complicações fatais ao usar essa substância", alerta a especialista.

"Ninguém saberá."
POR QUE DIZER NÃO: É impossível prever o efeito de uma droga no seu organismo, por mais inofensiva que ela pareça. "Com as drogas, não há nenhum tipo de controle de qualidade, e você nunca sabe se as substâncias químicas que está ingerindo são mesmo as prometidas pelo sujeito que as fez chegar até as suas mãos", adverte Jackeline. No caso das drogas permitidas, uma bobeada pode levá-la ao hospital. No caso das ilícitas, além dos riscos para a saúde, há ainda o perigo de ir parar na delegacia. Pode ter certeza de que, ao pegar você num flagra desses, reconquistar a confiança dos demais vai dar um trabalho daqueles! Não vale a pena arriscar, né?

Se você já entrou nessa a dica dos especialistas é: procure ajuda para pular fora, o quanto antes. "Converse com quem você confie, explique o que está acontecendo, e deixe bem claro que quer parar, mas, sozinho, não sabe como fazer isso. Um tratamento psicoterápico ou psiquiátrico pode ajudar a reaprender a viver sem drogas, o que não é fácil sem o apoio de um profissional especializado", indica Jackeline. Durante o tratamento, os médicos podem receitar, ainda, remédios que ajudam a controlar os efeitos da abstinência. Alguns serviços oferecem também um acompanhamento para os familiares.

Vício + boa forma = furada

Você já ouviu falar em drunkorexia? Essa palavra complicada é nada menos que uma disfunção alimentar, que faz a pessoa ingerir bebidas alcoólicas no lugar das refeições, com a finalidade de conseguir um corpo mais magro. O problema é que, quando se troca os alimentos pelo álcool, o organismo não consegue absorver os nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo. Além disso, a drunkorexia pode afetar o coração, o fígado, o pâncreas, o estômago, o esôfago e o intestino.

Orientações da psicanalista Elizandra Souza

Começar

Pela folia de mais um começo, um novo ciclo, ânimo reforçado, se bem que todos os dias são novos começos ou recomeços, novas chances, nova sorte, nova vida.
Hoje os chineses comemoram o início de novo período - o ano 4708, representado pelo tigre -  mas isso pouco importa, o que vale é a novidade, a nova fase, a alegria, a esperança, o novo jeito de olhar. Então, que seja um tigre manso, protetor e justo.
Que tal, com ou sem motivo, comemorar? Enfeitar nosso espaço, ouvir boa música, preparar refeição bem gostosa, compartilhar, começar um novo livro, mudar o corte do cabelo, trocar as fotos dos porta-retratos, mudar a posição dos móveis, perdoar, escolher coisas para doar, deixar a tristeza longe, desconhecer o medo, querer amar, ousar sem prejudicar, crer, elevar o espírito livre. Começar.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cada lugar nos mostra uma vida clara e desmedida, enquanto o tempo oscila e nos oculta que é curto e ambíguo porque nos dá a morte e a vida

A tristeza vai transformar-se em alegria,
E o sol vai brilhar no céu de um novo dia,
Vamos sair pelas ruas, pelas ruas da cidade.
Peito aberto,
Cara ao sol da felicidade

E no canto de amor assim,
Sempre vão surgir em mim, novas fantasias,
Sinto vibrando no ar,
E sei que não é vã, a cor da esperança,
A esperança do amanhã.

Cartola e Roberto Nascimento

Filho e cão na praia e o carnaval corre solto em todas as cidades. Sábado de sol, barulho de água corrente da piscina do hotel ao lado.
Vejo a chave do carro e penso: São Paulo está com menos movimento, que tal retomar essa rédea e deixar o receio de lado? Reformulo a frase e corrijo a palavra principal: Não se trata de receio, mas de prudência, respeito e responsabilidade. No final de novembro de 2008, no Recife, após escalar os escombros de algumas casas, uma delas em demolição, para tirar fotografias dos prejuízos causados pela queda de um avião, voltei para minha terra com tendões rompidos, quistos e forte inflamação nos dois tornozelos – para espanto do primeiro ortopedista, que examinou a ressonância inicial e disse que jamais vira dois tornozelos naquele estado.
A partir daquele momento, deixei de lado o carro e me senti insegurança para caminhar: temia a forte dor, temia cair e me machucar mais.
Minha médica justificou a incapacidade que alguns de seus colegas têm para se expressarem devidamente e, aos poucos, retirou meu medo de caminhar. Caminhe, dizia ela, caminhe o quanto conseguir, no seu tempo, no seu limite, mas não deixe de caminhar. Você resolverá tudo isso com o tempo.
Desde outubro de 2009, descartada qualquer malignidade nos tornozelos e definida a necessidade de fisioterapia (que será marcada na próxima semana), passo horas a caminhar a ponto da massagista, que me atendia em 2004 e a quem procurei no mês passado, perguntar se faço musculação. Apenas caminho. Somente uso tênis e caminho. Caminho e deixo toneladas de pensamentos pelas ruas, avenidas e praças. Descubro recantos, odores, encantos e cores desta cidade, tudo no meu tempo e no meu compasso. Nas poucas vezes que meu filho caminhou ao meu lado, acompanhei seu passo e displicentemente o ultrapassei. Brinco. Sempre faço folia.
Hoje subirei a avenida próxima e seguirei pela minha avenida do coração para buscar uma encomenda que fiz, para curtir minha livraria preferida, conhecer os filmes recém lançados, tudo no meu tempo. Liberdade. A caminhada é o meu samba nos pés.
Imagem de Lilian Bassman

Complemento:
Obrigada, Gerana. Você me faz bem.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

As long as I'm able to combine even two words I exist

The paintings
The amazing painter
More fineart in Bob Dylan website

Another life

Love after love

The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other's welcome,

and say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you

all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,

the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.

*        *        *

A far cry from Africa

A wind is ruffling the tawny pelt
Of Africa, Kikuyu, quick as flies,
Batten upon the bloodstreams of the veldt.
Corpses are scattered through a paradise.
Only the worm, colonel of carrion, cries:
"Waste no compassion on these separate dead!"
Statistics justify and scholars seize
The salients of colonial policy.
What is that to the white child hacked in bed?
To savages, expendable as Jews?
Threshed out by beaters, the long rushes break
In a white dust of ibises whose cries
Have wheeled since civilizations dawn
From the parched river or beast-teeming plain.
The violence of beast on beast is read
As natural law, but upright man
Seeks his divinity by inflicting pain.
Delirious as these worried beasts, his wars
Dance to the tightened carcass of a drum,
While he calls courage still that native dread
Of the white peace contracted by the dead.

Again brutish necessity wipes its hands
Upon the napkin of a dirty cause, again
A waste of our compassion, as with Spain,
The gorilla wrestles with the superman.
I who am poisoned with the blood of both,
Where shall I turn, divided to the vein?
I who have cursed
The drunken officer of British rule, how choose
Between this Africa and the English tongue I love?
Betray them both, or give back what they give?
How can I face such slaughter and be cool?
How can I turn from Africa and live?

*        *        *

Midsummer, Tobago

Broad sun-stoned beaches.

White heat.
A green river.

A bridge,
scorched yellow palms

from the summer-sleeping house
drowsing through August.

Days I have held,
days I have lost,

days that outgrow, like daughters,
my harbouring arms.

Verão

Estas opções foram publicadas ontem, na mídia, e segundo especialistas amenizariam a sensação de calor.
Acredito que o resumo é água, mais água, muita água: Água para bebermos o tempo todo, água para as plantas que já temos em casa, água à vontade para o cão de estimação, água armazenada em moringas de barro (as da marca Salus são as melhores e não deixam a água com qualquer gosto ou cheiro, além de purificarem o líquido), água mineral aspergida no rosto, no pescoço e no colo, água de rosas ou de laranjeira (R$ 15,00 a garrafa) aspergida no ambiente, nos sofás, lençóis e travesseiros, banho morno, chás (lembrem dos filmes sobre o verão na Índia, à época da colonização inglesa, e das xícaras de chá vespertinas), janelas abertas e a corrente natural de ar que atravessa a casa. Frutas, mais frutas e saladas temperadas com azeite, sopas leves e nada de alimentos embutidos. Filtro solar, óculos escuros com lentes apropriadas, chapéu (de algodão ou de palha) e roupas leves. Vasos com temperos, principalmente, manjericão, alecrim o hortelã perto das janelas, trazem agradável e refrescante aroma para a casa.
Trazer plantas novas, com este calor, para nosso ambiente seria o mesmo que condená-las ao fim célere; travesseiros de latex aerados com o tempo esfarelam, o que impede a retirada do tecido que os envolve para lavagem.
Desacelere o passo, controle o compasso e afaste as chateações. E o principal: Bom humor. 

A FLOR CERTA
Algumas flores têm um perfume que cria uma atmosfera de frescor, como a madressilva, que é uma espécie trepadeira. A flor de laranjeira também é ótima opção. E a angélica, encontrada em floriculturas nesta época do ano, é uma boa opção perfumada para arranjos.

ÁGUA NA HIPOTENSÃO
Para evitar queda de pressão relacionada ao calor, tome muita água. Se o dia já amanheceu quente, tome dois copos logo após se levantar. E continue se hidratando, com água ou sucos, a cada duas horas. Se houver queda de pressão, vá para um lugar fresco e deite-se, mantendo as pernas mais elevadas do que a cabeça. E esqueça aquela velha história de comer sal: não funciona, pode aumentar a retenção de líquidos e, em pessoas predispostas, desregular a pressão arterial.

BEBA
Estoque bebidas geladas com "temperos" refrescantes: chá de capim-limão, suco de abacaxi misturado com chá-verde etc.

CORTINAS
Feche-as nas horas mais quentes do dia, para diminuir a entrada de calor. O importante é que elas sejam de tecidos leves, sintéticos ou naturais -os que esquentam mais são os mais "fechados", com muitos fios por centímetro. Os tecidos mais vazados permitem melhor ventilação. Por isso, um tecido que é "leve" por ser feito com fios bem finos, como a organza ou o voal, não é necessariamente o melhor, porque pode ter a construção mais fechada. As cores devem ser claras. Se a cortina é dupla (composta por um xale e uma cortina mais leve atrás), feche apenas a parte de dentro.

PERSIANAS ESPECIAIS
Cortinas celulares (tipo de persiana com folha em formato de colmeias que cria isolamento térmico) reduzem a passagem do calor exterior, além de permitirem boa circulação do ar.

BLECAUTE
Em um ambiente em que bate sol direto durante boa parte do dia, pode-se usar esse tipo de cortina para maior isolamento térmico. Impedindo a entrada da luz, a entrada excessiva do calor também é bloqueada. Há, no mercado, blecautes importados que têm proteção contra raios UV.

TELA SOLAR
Esse tipo de cortina reduz em até 70% a entrada dos raios solares. O material tem pequenas aberturas, por isso não prejudica a luminosidade.

REFEIÇÕES
Troque a tradicional dupla arroz e feijão por porções de carboidratos que podem ser servidas frias, como cuscuz marroquino com legumes ou salada de grãos. Introduza frutas nas saladas -como cubos de manga, gomos de tangerina, lascas de morango ou ameixa. Outra dica é usar suco de laranja gelado com ervas e outros condimentos para temperar saladas.

RESPIRE
Há um pranayama da ioga que serve para refrescar o corpo. Chama-se "sitickari". Encoste a língua na parte de trás dos dentes. Relaxe os lábios e inspire lentamente, deixando o ar entrar pelas laterais da boca e sentindo o ar fresco passar pelas mucosas internas da bochecha e pela língua. Solte o ar lentamente pelo nariz. Repita de dez a 15 vezes. Originalmente, o exercício é feito sentado, com as pernas cruzadas, mas pode ser feito em qualquer posição.

ERVAS AROMÁTICAS
Na falta de espaço, vasos de hortelã, manjericão e outras ervas colocados no parapeito da janela cumprem uma dupla função: além de servirem como uma minicortina verde, exalam um aroma que causa a sensação de frescor.

MAQUIAGEM
No calor, quanto menos camadas de produtos sobre a pele, melhor. Uma dica é usar maquiagem que já tenha filtro solar na fórmula ou substituir a base por bloqueador solar com cor. Há também filtros solares em spray com efeito refrescante.

ELETRÔNICOS
Se todos estão ligados, há mais fontes geradoras de calor no ambiente. Ligue apenas o que estiver usando e desligue quando mudar de atividade. Além de refrescar, é mais ecológico.

MORINGAS
Água fresca é mais indicada do que a gelada. Ela mantém a sensação de frescor por mais tempo. Para ter sempre água fresquinha, conserve-a em moringas. A cerâmica e a porcelana são materiais com bom isolamento térmico, impedindo que a temperatura ambiente esquente a água. As moringas de porcelana são mais caras, mas têm a vantagem de não deixar gosto na água.

HORTELÃ
Coloque folhas da erva na forma para fazer gelo -além de gelar, os cubos deixarão a água ou o suco perfumado e a erva aumenta a sensação de frescor.

LÂMPADAS
Ao diminuir a potência delas, há menos geração de calor; além disso, o ambiente a meia-luz passa a sensação de mais frescor. Para ambientes onde não se quer usar lâmpada fria, uma solução é colocar um dimmer e controlar a intensidade a luz.

ROUPAS DE CAMA
Use lençol de puro algodão. Nesse caso, ao contrário do que acontece com as cortinas, um tecido natural de trama mais fechada (como algodão com mais de 200 fios/cm) é melhor, porque permite maior troca térmica entre o corpo e a superfície de contato e absorve melhor o suor.

AROMATIZADORES
Alguns aromas aumentam a sensação de frescor. O óleo essencial de hortelã-pimenta e o de laranja podem ser usados no banho ou para aromatizar ambientes, em casa ou no trabalho. Na ducha, pingue de três a cinco gotas no chão. Também podem ser acrescentadas uma ou duas gotas ao sabonete em gel ou dez gotas aos aromatizadores de ambiente.

PLANTAS NAS JANELAS
Os ambientes voltados para a face norte são os que mais esquentam. Nesses, vale a pena criar uma "cortina verde", com jardineiras e vasos de plantas em frente à janela. Vasos grandes também podem criar uma barreira na varanda, para esta não se tornar uma enorme porta de entrada para o calor.

TRAVESSEIROS
Prefira os de látex. Eles têm uma estrutura aerada, com furos, que aumenta a ventilação, por isso não esquentam. Os de espuma de poliuretano e de penas de ganso não são os mais indicados para as noites muito quentes. Para quem sofre demais com o calor, há também colchonetes de látex, que medem cerca de três centímetros de altura e podem ser colocados sobre o colchão.

MOLHE-SE
Quando não dá para tomar uma boa ducha, um "banho de gato" ajuda. Molhar alguns pontos do corpo com água fresca diminui a temperatura do sangue que circula no local. Molhe os pulsos e as têmporas: como são pontos com artérias mais superficiais, o efeito refrescante é mais rápido.

SOFÁ
Excesso de tecidos acumula calor, portando as mantas sobre os estofados podem sair de cena até a temperatura baixar. Exceção: se o estofado é de tecido que "esquenta" (como veludo), colocar um tecido claro, de fios naturais, por cima isola o calor do estofado e absorve o do corpo. O melhor é, no lugar de mantas, fazer capas de sarja ou linho -esses tecidos não têm o caimento ideal para serem usados como mantas soltas.

ESPELHOS D'ÁGUA
Pequenos espelhos d'água com plantas aquáticas refrescam o ambiente. Para a eliminação das larvas de Aedes aegypti (vetor da dengue), coloque, para cada litro d'água, 10 ml de água sanitária com 2,5% de cloro ativo uma vez por semana.

PRATO FRIO
Use acompanhamentos frios para as carnes grelhadas: caponata de beringela, fatias de abobrinha e cenoura grelhadas e resfriadas, abóbora em cubos com molho de laranja. Evite frituras e excesso de álcool nas refeições. Bebidas alcoólicas desidratam e aumentam a temperatura do corpo.

HIDRATANTES
Com o calor, a pele produz mais óleo e qualquer produto tem mais dificuldade em ser absorvido. Para manter a hidratação, troque os cremes espessos e óleos por hidratantes à base de gel ou espuma.

TREPADEIRAS
Cercas vivas ou trepadeiras sobre os muros aumentam o isolamento térmico da casa toda. As espécies trepadeiras também podem ser usadas em janelas com grades.
Gabriela Cupani e Iara Biderman, publicado no jornal Folha de São Paulo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A good head and a good heart are always a formidable combination



Cresci com as sugestões feitas pelos meus pais sobre excelentes escritores, leituras fundamentais e foi através de minha mãe, na década de oitenta, que conheci Nadine Gordimer e entrei em seu mundo. Nobel de literatura em 1991, o que mais impressiona na obra dessa escritora sul-africana, nascida em 1923, é sua coragem para, desde a década de cinquenta, escrever com realismo impressionante sobre o apartheid, os movimentos contrários e expor as dificuldades – pessoais, morais e materiais – impostas pela cruel política da segregação racial. Escrever sobre seu país, sem jamais ter deixado de viver na África do Sul; sem a proteção da distância geográfica ou de algum asilo político. Admiro Gordimer e a considero paradigma essencial, em tempo tão carente de bons exemplos.

Nelson Mandela comemora vinte anos de liberdade e sua história, seus feitos, suas conquistas são por todos conhecidas. 


"- After climbing a great hill, one only finds that there are many more hills to climb.
- Does anybody really think that they didn't get what they had because they didn't have the talent or the strength or the endurance or the commitment?
- Education is the most powerful weapon which you can use to change the world.
- For to be free is not merely to cast off one's chains, but to live in a way that respects and enhances the freedom of others.
- I detest racialism, because I regard it as a barbaric thing, whether it comes from a black man or a white man.
- I dream of an Africa which is in peace with itself.
- I dream of the realization of the unity of Africa, whereby its leaders combine in their efforts to solve the problems of this continent. I dream of our vast deserts, of our forests, of all our great wildernesses.
- I learned that courage was not the absence of fear, but the triumph over it. The brave man is not he who does not feel afraid, but he who conquers that fear.
- If the United States of America or Britain is having elections, they don't ask for observers from Africa or from Asia. But when we have elections, they want observers.
- If there are dreams about a beautiful South Africa, there are also roads that lead to their goal. Two of these roads could be named Goodness and Forgiveness.
- If you talk to a man in a language he understands, that goes to his head. If you talk to him in his language, that goes to his heart.
- If you want to make peace with your enemy, you have to work with your enemy. Then he becomes your partner.
- In my country we go to prison first and then become President.
- It always seems impossible until its done.
- It is better to lead from behind and to put others in front, especially when you celebrate victory when nice things occur. You take the front line when there is danger. Then people will appreciate your leadership.
- Let freedom reign. The sun never set on so glorious a human achievement.
- Let there be work, bread, water and salt for all."

Oscar 2010

Os mesmos rapazes que disputaram Meryl Streep no filme It's complicated, 2009, serão os apresentadores do Oscar 2010. Pode ser bem divertido.

Há praças onde esculpir um lírio, zonas sutis de propagação do azul, gestos sem dono, barco sob as flores, uma canção para ouvir-te chegar

Quero a leveza em tudo, muito mais no carregado, no insuportável.
Não é sem motivo que assumi os versos de Alice Ruiz:
"À beira do insuportável
Essa qualidade rara
Ser insubordinável"
Do mesmo modo a megera domada é diariamente editada - a que não é megera, nunca foi.
E mesmo a insubordinação de revolucionária nada tem, é mansa, baseada em valores reais, na correção, no sacrifício: o auto-sacrifício, em detrimento da saúde, do divertimento, da paz, daí o esforço constante pela leveza.
Dezembro passado eu temporariamente parei os procedimentos médicos e laboratoriais, salvo aqueles que eu podia cumprir nos sábados, para dedicar-me integralmente ao trabalho, colocar tudo em dia antes de sair em férias. Em janeiro, durante os vinte dias de férias, precisei desfazer o forte cansaço acumulado, e os médicos também se ausentaram alguns dias.
Voltei ao hospital do câncer, à fadiga, à espera, às senhas, às palavras cruzadas para distrair a mente, ao sorriso e ao olhar carinhoso dedicado aos que sofrem.
Mais “bobópsias” (termo usado pela Tia Voula no Casamento grego), mais bobópsias com parte do resultado conhecido.
Devo aprender como transformar o medo em leveza.
Devo aprender como tirar do garotão seu medo da procura e fazê-lo entender que  as descobertas precoces favorecem a vida. Devo tirar do garotão a armadura que, às vezes, ele veste, para não demonstrar o receio que tem de perder a mãe.  

Os cinquentinhas

O sorriso de minha mãe

Encontrei este texto nos pertences de minha mãe, escrito com sua letra tão característica.
O sorriso dela, o lindo sorriso dela, jamais será esquecido e hoje, é o que  a torna presente em nossas vidas. 

Um sorriso não custa nada, embora proporcione alegria.
Enriquece quem o recebe, sem deixar pobres aqueles que o oferecem.
Dura só alguns segundos, mas, muitas vezes, vive na nossa lembrança para sempre.
Ninguém é tão rico, ou tão poderoso, para não precisar dele; e o rico, por mais rico que seja, ficará ainda mais rico oferecendo seu sorriso.
Um sorriso traz a felicidade para dentro da casa, cultiva o bom humor no trabalho e é a coroa da amizade.
É o melhor antídoto que a natureza dispõe contra as preocupações e as tristezas.
Não pode ser emprestado, comprado, pedido, nem roubado, porque o sorriso só tem valor ao ser oferecido.
Algumas pessoas estão tão cansadas e amargas, que se sentem incapazes de sorrir - sorria para elas. Não existe quem precise mais de um sorriso, quanto quem não pode mais sorrir.