domingo, 4 de abril de 2010

Anastassi

Christos Anesti!

Alithos Anesti!

"Cristo ressuscitou dos mortos, pisando a morte com a morte, e dando a vida aos sepultados"

sábado, 3 de abril de 2010

Some good tension over all

Sou fã de Robert Downey Jr., principalmente, de sua inteligente irreverência e para mim este é motivo de sobra para gostar do filme Sherlock Holmes (2009) de Guy Ritchie. Mas não foi só a presença de Mr.Downey, que conseguiu manter-me atenta e até rever algumas cenas para curtir mais a diversão oferecida. O cineasta Guy Ritchie (Snatch, 2000, Revolver, 2005 e RocknRolla, 2008, dentre outros filmes) fez questão de apresentar um detetive humano, falível, depressivo, lutador de rua, cheio de vícios e manipulador e seu “sócio”, Dr. John Watson, um ludopata bom de briga. Dois personagens desprovidos da empáfia dedutiva do Sherlock tradicional, que não apreciam centenas de xícaras de chá, não tocam violino bem, nem mantém os diálogos intermináveis encontrados em outros filmes do mesmo personagem, mas que conseguem nos envolver com boa ação.
Talvez Sir Conan Doyle tenha feito uma careta de desaprovação, mas, cá entre nós, havia muita poeira e algumas teias de aranha sobre os cânones Sherlockianos.
A minha torcida é por um novo filme com o mesmo trio: Robert Downey Jr., Jude Law e Guy Ritchie.

Certos dias eu acordo assim, atrevida

Consideremos o salário mínimo de R$ 510,00. Se um cidadão brasileiro possui sua cédula de identidade em perfeita ordem e estado de conservação, ou seja, o documento efetivamente cumpre a sua função, por que esse respeitável cidadão deve locomover-se até determinado local, aguardar em fila, contar com a boa vontade das pessoas que o atenderão, para renovar documento apto?
Tenho em mãos minha cédula de identidade e vejo que os dados permanecem: Meu nome, o nome dos meus pais, a data do meu nascimento, a impressão digital do meu polegar direito (impressão digital não envelhece, nem muda de jeito), além de uma foto 3x4 lindinha, uma graça essa menina. Pois este documento válido recebeu a qualificação “acervo” gentilmente dito pela atendente do setor de triagem de documentos. Acervo?
Eis o requerido para a desnecessária renovação da minha cédula de identidade: Uma foto 3x4 (não tão recente, afinal, há uma década meu rostinho continua o mesmo) e o RG original.
Como? Certidão de casamento? Mas eu não sou casada.
Se eu casei? Lógico que eu casei. Casei uma vez e divorciei, logo, o meu nome continua o mesmo, do jeito que está datilografado aí, no acervo.
Cópia autenticada da certidão de casamento averbada? Mas esse documento não está relacionado no site oficial. Lá está escrito: Brasileiros nascidos em São Paulo devem trazer a cédula de identidade original e uma foto 3x4 recente (sussurrei a palavra recente). Meio confusa a atendente do setor de triagem de documentos encaminhou-me ao setor de administração. Mais confusa ainda, a responsável pelo setor de administração encaminhou-me ao setor verde, mesa 50, para falar com a supervisora Tibúrcia (preservo o real nome da moça).
Tibúrcia Maria não estava em sua mesa. Espero, espero mais um pouquinho e, de repente, a descubro meio escondida, entre as mesas do fundo da repartição pública. Lanço meus olhares suplicantes para Tibúrcia e deixo claro que de lá não sairei por nada - os olhos dizem muito.
Conclusão: O protocolo para a retirada da minha nova cédula de identidade, no próximo dia cinco, está em minha frente.
A Ti foi gentil, compreensiva e aceitou a entrega posterior da cópia autenticada da certidão de casamento averbada.
Meu casamento religioso foi na Catedral Metropolitana Ortodoxa de São Paulo, no bairro do Paraíso, e meu casamento civil aconteceu depois, num intervalo entre as fotos e a festa animada, em um bufê que fica aqui, no bairro. Logo, eu resolvi que caminharia com o cão até Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, para a obtenção da cópia autenticada do documento prometido.
Como? Mas eu só preciso de uma cópia autenticada da minha certidão de casamento averbada. Eu não preciso da segunda via da minha certidão de casamento averbada para que a senhora tire uma cópia autenticada. A senhora não consegue tirar cópia do livro de registros? Ninguém pediu para que a senhora tire cópia do livro de registros. Jogo de palavras e mentes aguçadas, a cartorária Episcopilda (preservo o real nome da senhora) tem bastante traquejo e me fez pagar R$ 32,45 pela descartável segunda via da minha certidão de casamento averbada e R$ 2,53 por cada cópia autenticada, no total de duas, uma vez que na parte da frente da certidão há um espaço vazio imenso e no verso duas linhas digitadas. Perguntei para Episcopilda Maria se seria uma boa casar com o dono de algum Cartório e no final, Pi e eu matamos saudades dos bons tempos das aulas de Direito Civil.
Volto ao salário mínimo de R$ 510,00. Se um cidadão brasileiro, que tenha casado uma única vez (raro, não?), é obrigado a renovar desnecessariamente sua cédula de identidade, ele pagará R$ 24,63 para a emissão da segunda via do documento, R$ 42,57 para a cópia autenticada da certidão de casamento averbada, o valor cobrado por uma foto 3x4 e R$ 4,20 para dois bilhetes de metrô.
Assim, sobrarão R$ 438,60 para...

Cleaning up the messy - part III

Papéis, fotos, cartões e mais, muito mais

Janelas abertas, o cão ao lado esparramado no chão, boa música. E dança, por que não? É muito bom dançar sozinha em casa, cantar e dançar, dançar sem cantar, dançar de qualquer jeito e de um jeito que o cão resolve que é mais seguro se deitar em seu canto preferido, longe desta humana que se redescobre.
Dias gostosos a rasgar papéis, limpar, encontrar coisas desconhecidas – os pertences de minha mãe, curtir fotos, reler mensagens, me emocionar com cartas e rir com cartões. Encontrar uma lira guardada dentro de um envelope, que estava no meio da papelada no chão do quartinho (que era da bagunça) na área de serviço. Fazer festa com a inesperada surpresa, rir com a inteligente e amorosa traquinagem da velha senhora e agradecer o reforço de nossas pazes. Mais papéis, mais coisas desconhecidas e esquecidas, até um vidrinho antigo de remédio forrado com algodão e três dentinhos de leite dentro. Os meus dentinhos de leite. Será que os pais continuam a fazer esse carinho? O que eu devo fazer com este vidrinho? Devo guardá-lo para mostrá-lo aos meus netos? Meu filho também teve seu primeiro dentinho de leite guardado num vidrinho de remédio forrado com algodão. Quanto ao dentinho de leite da frente, ora, o meu se transformou num pingente incrustrado em ouro, de gosto meio duvidoso. Eu o encontrei e também não sei o que fazer com ele. Com carinho e alegria organizei uma parte do que vi pela frente. Escrevi e colei etiquetas, ordenei, mudei e criei ambientes, troquei vasos de plantas de lugar.
Separei coisas para que sejam aproveitadas por outros, levei outras para consertar. Muitas vezes nos esquecemos dos consertos e descartamos coisas com incrível facilidade a aumentar a poluição deste planeta. Todo dia faço questão de cuidar de um espaço, aspergir água de rosas, impregnar-me neste ambiente que, por um tempo, ficou ausente de mim. No começo da noite, o corpo meio cansado, a camiseta molhada de suor, o banho, o descanso e, finalmente, a paz.

Cleaning up the messy - part II

De dentro para fora

Talvez você já tenha se sentido triste, sem ânimo, sem força, sem cor, vazio e árido por dentro, sem vontade para nada, sem capacidade para apreciar uma linda manhã ensolarada. Aliás, um belo dia de sol se transforma num acinte, que contraria o nublado sem vida interno.
Música? A essencial música companheira de todas as horas fica de lado, é totalmente esquecida. Livros? Revistas? Jornais? Letras mágicas adoradas que juntas se transformam em sentenças, parágrafos tão apreciados e fundamentais deixam de existir. Você praticamente deixa de existir. Seu rosto perde a beleza, sua pele perde a maciez, seu cabelo se transforma e seu olhar... seu olhar reproduz exatamente o que você sente. Não há o mínimo resquício do viço, do sopro diferenciado que cada um traz dentro de si. Dormir é tão difícil, acordar é tão difícil, viver é tão difícil. Um dia, uma semana, alguns meses, anos. A frequência contínua define o nome disso que a gente sente: Eu não acordei um dia assim; durante anos eu vivi assim. A forma por mim encontrada para tentar abrir a concha, conseguir me comunicar e não afastar tanto o mundo, foi a superação física das caminhadas sem fim por locais, às vezes, desconhecidos. Caminhar para me sentir capaz, para cansar bem o corpo e anestesiar a mente.
Depressão esse é o nome. É doença, não é charme e muito menos frescura. Dói, limita e incapacita. A depressão machuca a alma da gente, a ponto da gente não ver mais graça na maior graça que recebemos de graça; e ao tentar fazer graça eu falo da vida. Essa doença danada que desequilibra a nossa química, ainda nos induz a fazer as piores escolhas: O alimento cheio de gordura e sem valor nutricional, o doce mais doce que puder existir, o desamor mais cruel que se puder encontrar. Eu não diria que o depressivo poderia ser interditado pela possível incapacidade de administrar sua própria vida, mas eu afirmo que todo o depressivo deveria ter alguém que, realmente, o ame por perto, para lembrar-lhe como ele é, lembrar-lhe sua essência e natureza, além de afastar os que não deveriam ser. A desordem interna reflete na desordem do meio, assim como a desordem do meio agride o nosso interno. Não é à toa que tantos espaços estão tão bagunçados. De dentro para fora e de fora para dentro. Todos temos os nossos limites por que não somos feitos de aço, nem de pedra. Limpar a desordem e organizar. A grande diferença: Organizar com carinho e alegria. Graças a Deus o reconhecimento da depressão e o esforço para a cura.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cleaning up the messy

A escrivaninha rebelde

Finalmente, a escrivaninha ocupa o lugar merecido e empertiga-se entre o espelho e o baú, a mostrar todos os seus lados de madeira trabalhada, diante da janela aberta com vista para os prédios que ocupam uma quadra da avenida e ruas adiante, até um ponto que a visão alcança, sem concreto nem outras janelas, só o céu meio nublado desta Sexta-Feira Santa.
Foi ousada esta escrivaninha, de perninhas finas e elegantes, encontrada sem prévio planejamento em uma loja de Brasília, na tarde de passeio com uma querida amiga. À época, com a escrivaninha fez par a poltrona de madeira com rodinhas e desenho de coisa antiga e também veio o banquinho com cobertura de gobelin florido, para apoio das pernas um pouco inchadas pela idade de minha mãe.
São sete as suas gavetas e uma delas, a maior de todas, sem dúvida era a mais atrevida e rebelde, pois insistia em ficar trancada a desafiar a desrespeitosa curiosidade de quem quer que fosse. Alguém já viu gaveta com vontade própria, que se tranca à toa? Gaveta sem qualquer conteúdo importante, muito menos comprometedor, apenas repleta de papéis desordenados e sem valor, que ocupavam espaços livres de um móvel cuja dona não tinha tempo para mais nada além de trabalhar, trabalhar e trabalhar um pouquinho mais. Como foi maltratada esta escrivaninha. Agora, as coisas boas prevalecem e graciosa ela está no lugar merecido, organizada, com o cheirinho bom do líquido que limpa e preserva a matéria da qual é feita, todas as gavetas livres e alegremente destrancadas.


Às vezes, gavetas trancadas apenas servem para aguçar a curiosidade abusada dos que não têm traquejo algum para conversar sobre qualquer coisa que incomode – por menos que incomodasse e por menos importante que fosse. Somente aguçam e repetem: Que atitude foi aquela, de invadir de tal forma agressiva o que lhe foi confiado.

Crianças e adolescentes, nossas crianças e adolescentes


A querida comunidade Vivendo Amando e Aprendendo, quero dizer, a querida ong VAA, em parte inspirada nos ensinamentos do escritor Leo Buscaglia, é a filha desejada da querida, valorosa e perseverante psicóloga Márcia Regina da Silva, que dedica-se aos outros de maneira incomparável, de grão em grão, com realizações possíveis e ao alcance de cada um de nós.
As crianças e os adolescentes com câncer são os beneficiados pelo amor imenso de Márcia.

A cidade de São Bernardo do Campo fica bem próxima da Capital de São Paulo.

sábado, 20 de março de 2010

Outono 2010

Iniciar o outono com poemas do mestre Giorgos Seféris, traduzidos por José Paulo Paes.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O último poema deste verão

Poesia sobre poesia
Pablo Neruda sobre obra de Athos Bulcão

Estou amando outra vez

O calor intenso deste verão que acaba foi alento das manhãs preguiçosas e das tardes com o corpo solto para o descanso ansiado, necessário. Sonhos, muitos sonhos trazidos por anjos que há anos eu me esqueci de ouvir. Está tudo aqui, latente.
Suor, água, brisa benvinda e travessa que entrou por todas as janelas e trouxe a brandura antecedente da paz.
Caminhadas longas sob o sol forte para desafiar os limites imaginados, sentidos e diluídos na superação das pesadas amarras invisíveis.
O rejuvenescimento de cada ruga recém descoberta e a carícia dos fios brancos escondidos entre os infinitos castanhos ousados, matizes indescritíveis a desdizer o tempo passado. Qual tempo?
O calor intenso deste verão que acaba trouxe nova paixão nunca antes sentida. Eu não só amei na estação finda: Eu me apaixonei por mim.

This is the future, we are already there and it's the same as the present

A stray dream

It’s a happy dream though in it you were
Humping some dancer in a run down gaff

A seafront hotel out of season where
I’m in a kitchen on the single bed

I’ve pulled from a drawer like the silk scarf
Of the seafront carny man who’s filling in for

ManDuck The Magician star of stage and screen
I saw earlier that day at the end of the pier

I had sheets of Belfast linen but you
Had the dancer. And had her again

While the dawn struggled to break on the sea
And break on the quick and the slow and the dead

When I woke the next morning under the bed
Dustdevils, feathers and some child’s brown shoes

*        *        *

Old skin

staggering towards me
I’ve cast you off

years ago
shrugged you off

left you, put you down at the side of the road
for ravening

by any passing predator
old skin – when your face splits open

in recognition –
you know me now

but not what bar you left me in –
what else would you say but

‘how’re ya, me oul skin’

*        *        *

Ashes

The tide comes in; the tide goes out again
washing the beach clear of what the storm
dumped. Where there were rocks, today there is sand;
where sand yesterday, now uncovered rocks.

So I think on where her mortal remains
might reach landfall in their transmuted forms,
a year now since I cast them from my hand
– wanting to stop the inexorable clock.

She who died by her own hand cannot know
the simple love I have for what she left
behind. I could not save her. I could not
even try. I watch the way the wind blows
life into slack sail: the stress of warp against weft
lifts the stalling craft, pushes it on out.  

Relações modernas, reações antigas


O tema é recidivo e eu ainda pergunto: Para quê?
Fora a abordagem medíocre da mídia: Sandra Bullock saiu de casa após descobrir a traição do marido cinco anos mais novo. O que, de fato, deve chamar nossa atenção? A traição do marido da atriz ou a diferença de idade do casal? Talvez a saída de Sandra da casa?
Na segunda notícia citaram algo sobre a “maldição do Oscar”, quem sabe, possível substituto do cansado bicho papão.
Eu li a notícia inicial, li o arrependido pedido de desculpas de Jesse G. James na revista People, vi imagens antigas do feliz casal na mesma revista (Ô, Jesse, caramba! Que fotos bonitas de vocês dois juntos – quantas tatuagens você tem, rapaz. Reparei no olhar e no sorriso de Sandra ao seu lado. Será que, realmente, valeu à pena cair na cova comum dos que traem? Traição é ato batido e feio, Jesse. Trair é coisa cansativa, desonesta e fora de moda) e vi no UOL as imagens da auto-intitulada “Bombshell” McGee, a tatuagem em formato de moça, que teria divulgado seu relacionamento de onze meses com Mr. James.
Escrevo sobre o tema porque, há quinze dias, as coisas mais comoventes ditas pela emocionada Sandra Bullock ao receber o Oscar de melhor atriz, foram sobre o incentivo constante de sua mãe e a proteção que, do céu, ela propiciou à filha para a conquista do Oscar e de James, seguido por um olhar apaixonado para o marido, que retribuiu com o semblante emocionado. Poucas horas após a entrega do Oscar, no programa especial que Oprah Winfrey fez no Kodak Theatre, para entrevistar os quatro ganhadores dos prêmios de melhor ator, atriz e coadjuvantes, Sandra reiterou seu amor pelo marido e sua preocupação com a ausência dele do trabalho para acompanhá-la: Ele é projetista, disse Sandra, e quando ele não trabalha oitenta pessoas ficam sem produzir.
Lembrei do comentário de uma amiga sobre a desfaçatez de seu diretor que, num desses sites sociais, extrapolou o bom senso e a moral ao manter em seu perfil a mulher e a amante, com quem troca mensagens, imagens, carinhos e a amante, que se desmancha em romantismo, divulga imagens suas com o moço casado, assume que o par ideal é o dela, além de detestar intromissões. A amante detesta intromissões. Com o tempo descobrimos que o absurdo também pode ser risível. Então, imaginemos que, no mundo atual e virtual, de seu perfil no Facebook (quase todos estão no Facebook) Mr. James tenha marcado encontros, criado procedimentos diários e trocado mensagens amorosas com a “Bombshell”, enquanto Sandra, bem, enquanto Sandra se empenhava para ganhar o Oscar.

domingo, 14 de março de 2010

You are a gate opening onto another gate

Colcha de retalhos

Citei rapidamente Mar adentro (2004), obra de Alejandro Amenábar ganhadora do Oscar 2005 de melhor filme estrangeiro, com a magistral interpretação de Javier Bardem e o difícil tema eutanásia, mas prometo que voltarei a abordá-lo em outro texto, com minhas sensações escancaradas, além do belo poema declamado no final do filme, que eu fiz questão de copiar entre lágrimas, o que me fez voltar o DVD inúmeras vezes para não perder uma sílaba sequer.
Não é pela luta do lúcido e coerente Ramón Sampedro que todos choram, mas pelas decisões que a vida faz questão de apresentar.
A vida desafia quem a encara e premia os mais valentes. Valentes são todos que aprendem a superar.

Não citei e pretendo escrever algo sobre a depressão e seus efeitos sobre o depressivo e sobre os demais, que não a conhecem, tampouco a reconhecem grave enfermidade. A depressão pode ser incapacitante e deve ser tratada por médicos especialistas, que acompanhem os enfermos com propriedade. Prescrever antidepressivos, dopaminas e demais medicamentos que alteram a química do cérebro não é coisa simples, nem corriqueira e deve ser feita por bons psiquiatras. Escreverei sobre a palavra psiquiatra que ainda é sussurrada pelos pacientes tementes de retaliação. Meus Deus, quantos tabus!

Igualmente desenvolverei algo sobre a administração de pessoas e procedimentos, atividade complexa que, dentre diversos requisitos, exige vocação e não deveria ser desempenhada por pessoas despreparadas e incapazes para tal feito.

Por fim, algo sobre os que acreditam no real significado das palavras e nelas baseiam-se para a manutenção de diálogo honesto e produtivo. Pé é pé, não é mão, nem pescoço.

Amizade também? Relacionamentos? Plantas? Ervas aromáticas? Mulheres? Filhos? Cães?

O bom de manter um blog é compartilhar, honestamente, experiências e entendimentos. Soltar diminutos fogos de artifício capazes de colorir a visão dos que vivem as mesmas situações, para que compreendam que existe uma saída. Sempre existe uma boa saída e muito a aprender. Escrever com a alma livre como se não houvesse leitores, salvo a querida Gerana, amiga aqui encontrada, que possui generosidade, delicadeza, carinho, inteligência e lucidez infinitos. Gerana é raro e precioso tesouro grego.

No tempo da depressão brava, que deixou atenta a dedicada psiquiatra, perdi a concentração e a capacidade de devorar os livros que caiam em minhas mãos. Perdi a capacidade de ler, aos poucos readquirida através de dois mestres amantes das palavras, dos livros, dos melhores textos e um deles escreveu para mim: Opte pela vida. A única opção é a vida. Obrigada, Rodrigo. Muito obrigada querido amigo R.G.