quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Repeteco


Nos dias que fiquei quieta em casa, para que o mal-estar passasse, assisti novamente a alguns filmes e reconheci a mesma emoção, além de detalhes que haviam passado despercebidos da primeira vez. No ti muovere (2004) de Sergio Castellitto, baseado no livro de sua mulher, Margaret Mazzantini, é uma rasteira nos mais românticos e sonhadores.

O próprio Sergio (diretor-ator) é o competente cirurgião incapaz de chorar, sarcástico, vazio e infeliz no casamento, até encontrar Penélope Cruz, a quem estupra, se sente culpado, volta a procurá-la e com ela redescobre seus sentimentos e emoções. Sua mulher finge que nada sabe e ele, cada vez mais infeliz, toma sua decisão tarde demais.

Castellitto e Cruz estão perfeitos e ela traz de volta as verdadeiras emoções que comumente esquecemos.

O mesmo ator está em Mostly Martha (2001), de Sandra Nettelbeck, e faz par romântico com Martina Gedeck com direito a remake idêntico, em todos os detalhes e por isso irritante, no filme No reservations (2007) de Scott Hicks.
El hijo de la novia (2001) de Juan José Campanella, traz Norma Aleandro e qualquer filme com Norma Aleandro costuma valer a pena.
Além dos temas habituais que afligem a todos que atingem a meia idade, quinze dias na UTI por conta de complicações cardíacas fizeram o dono do restaurante, vivido por Ricardo Darín, repensar a vida, rever seus valores e tomar novas decisões.
Sua mãe tem Alzheimer e está internada num asilo e seu pai, eterno apaixonado, está com ela todos os dias e decide oficializar sua união de quarenta e quatro anos com o casamento religioso. É o amor que prevalece o tempo todo neste filme.
Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (2001) de Jean-Pierre Jeunet, é pleno de detalhes e delicioso de assistir mais de uma vez.

Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Serge Merlin e Jamel Debbouze estão afinadíssimos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Lucidez

O Homem Lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela, assim como ele nunca tem memórias. O Homem Lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal. O Homem Lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência. Ele sabe que por opção, ou por acidente, é possível cair no abismo a qualquer momento interrompendo a sessão do circo. Pode também o Homem Lúcido optar pela vida: Aí, então, ele esgotará todas as suas possibilidadades. Ele passeará pelo seu campo aberto pelas suas vielas floridas. Ele saberá ver a beleza em tudo. Ele terá amantes, amigos, ideais, urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças. E se atingido por um desses emissários saberá suportá-lo com coragem e com mansidão e morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais, em idade avançada, cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura. Pairará, então, sobre a memória do Homem Lúcido uma aura de bondade. Dir-se-á: Aquele amou muito. Aquele fez muito bem às pessoas.
A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O Homem Lúcido porém, esse que optou pela vida com o consentimento dos deuses, tem o poder magno de alterar essa lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria, porque essa é uma cortesia que a Natureza faz aos Homens Lúcidos.

Este texto é lido por Cabral (Domingos de Oliveira) na cena final de seu filme Separações (2003), o mesmo personagem que acredita que as pessoas que se amaram muito devem continuar amigas, senão a vida seria cruel demais.

Coffee time

Era para ser uma coisa boba, as imagens que surgissem, sem muita procura, para suavizar a coisa toda e ficou uma coisa boba com jeito de coisa minha. Minha mãe sabia preparar delicioso café grego, maravilhosos doces gregos e era capaz de reconhecer e interpretar as imagens formadas na xícara pela borra do café.
Mamãe tinha múltiplas qualidades: Além de ser inteligente, culta, corajosa, cativante, verdadeira e natural, ela preparava delícias, reconhecia de imediato a verdade de cada um e ainda via o futuro na xícara de café. Quantos sabiam sobre essa capacidade? Somente nós, ela não divulgava seus méritos.
- Veja, minha filha, aqui está o sol e perto do sol está a cadeira... Mas tem certeza que você não consegue ver essas imagens, minha filha?
Por outro lado, o café grego que meu pai mais gostava era preparado por mim, a garotinha amada dele, porque eu caprichava na espuma (kaimaki) que ficava no topo
da xícara. Eu apenas acertava o tempo exato de tirar o brik (panelinha especial para preparar o café grego) do fogo.
Doces, deliciosos doces preparados com massa finíssima, amêndoas, nozes, pistaches, amanteigados com glaçúcar por cima e os preparados com mel. Figos verdes em calda. Maravilhosos. Além do grego básico, as palavras que todos conhecem, com a explicação dos significados e significâncias.
Aqui, continua a ser amoroso o lugar. Foi assim que transformei o punch coffee no café mais desejado que poderia existir, ao trazer meus pais de volta, os doces gregos, a harmonia, a alegria e a imensa dedicação de cada ato, para sair da mesmice e do vazio que nada trazem, nada mudam e não fazem bem.
Ao trazer esta herança divina que me foi outorgada, limpo intenções, equilibro energias e deixo no ar suave perfume de jasmim.
O resto é piada, imagens tolas com dizeres bem humorados para deixar mais à
vontade a vontade que não evolui. O café grego é moído bem fino, muito fino, na hora.
Obturação, é da amarela que eu ponho.
Pimenta e cravo,
mastigo à boca nua e me regalo.
Amor, tem que falar meu bem,
me dar caixa de música de presente,
conhecer vários tons pra uma palavra só,
Espírito, se for de Deus, eu adoro,
se for de homem, eu testo
com meus seis instrumentos.
Fico gostando ou perdoo.
Procuro sol, porque sou bicho de corpo.
Sombra terei depois, a mais fria.
* * *
Estou alegre e o motivo
beira secretamente à humilhação,
porque aos 50 anos
não posso mais fazer curso de dança,
escolher profissão,
aprender a nadar como se deve.
No entanto, não sei se é por causa das águas,
deste ar que desentoca do chão as formigas aladas,
ou se é por causa dele que volta
e põe tudo arcaico, como a matéria da alma,
se você vai ao pasto,
se você olha o céu,
aquelas frutinhas travosas,
aquela estrelinha nova,
sabe que nada mudou.
O pai está vivo e tosse,
a mãe pragueja sem raiva na cozinha.
Assim que escurecer vou namorar.
Que mundo ordenado de bom!
Namorar quem?
Minha alma nasceu desposada
com um marido invisível.
Quando ele fala roreja
quando ele vem eu sei,
porque as hastes se inclinam.
Eu fico tão atenta que adormeço
a cada ano mais.
Sob juramento lhes digo:
tenho 18 anos. Incompletos.
Adelia Prado

terça-feira, 8 de setembro de 2009

De dia noite e de noite dia

Acordar de madrugada com o barulho da forte chuva e observar o cão atento a olhar para a janela e nos proteger. O cão se esparrama sobre seu edredom, dorme rápido, sono gostoso profundo, relaxa, ronca e de imediato reage ao menor barulho ou ao barulho que virá - sentem o cheiro, será? Ou são intuitivos? Sim, sem dúvida os cães tem olfato e audição apurados, mas reagirem no momento exato que o humano decide alguma coisa, é demais. E isso foi comprovado por estudo feito na Inglaterra: Os cães não se posicionam a espera de seus donos quando esses se aproximam de casa, mas quando seus donos decidem que é hora de ir para casa, não importa onde estejam. É espantoso.
O nosso cão poderia ser insone pois ele jamais abandona seu estado de vigília, seu papel de protetor da “matilha” que ele mesmo escolheu, assumiu e apesar da rapidez de sua reação, ele dorme bem, muito bem. Com meus estados de vigília, os que eu assumi enquanto meus pais estavam doentes, meu filho era bebê e depois que ele passou a sair às noites, eu desenvolvi persistente insônia, não relaxava, estava sempre alerta ao menor barulho, pronta para atender a menor necessidade. Cumpri com esmero esse meu papel e somente agora aprendo a relaxar e a dormir bem. Fui da forte chuva à insônia, volto à chuva. Nesta terça à manhã virou noite e à noite virou manhã. O céu estava tão escuro, chovia forte, com pequenos intervalos e, de repente, a chuva recomeçava com intensidade, pingos grossos, sem possibilidade de nos proteger. As pessoas eram pegas pela chuva a atravessar a avenida e não conseguiam passar para a outra calçada por conta da corrente de água que de imediato se formava. Meu filho e eu fomos pegos de surpresa, ao sairmos da farmácia e subirmos meio quarteirão da avenida, pela água que em segundos se formou e subiu até os nossos tornozelos. Água abundante que descia a avenida e ganhou mais volume graças a caçamba cheia de entulhos parada em local impróprio, que juntava mais água da rua transversal. Fazermos o que? Nos protegermos em qual lugar? A única opção era seguirmos em frente chegarmos em casa, tirarmos as calças, meias e sapatos encharcados, colocá-los para lavar, tomarmos banho e passarmos álcool nos pés. Sem qualquer ilusão quanto a sujeira que aquela água levou e lavou. Foi divertido? Sim, foi. Pequena aventura urbana. Caminhávamos rápido o garotão com meu guarda-chuva todo florido e eu com meu impermeável da Hettemarks, que meu pai trouxe de Copenhague, só a ponta do meu nariz pra fora - mon manteau c’est vintage et mois aussi. Voltávamos da drogaria, da compra do antiinflamatório e do remédio necessário para a cura do mal do século. Voltávamos do almoço começado às três e quarenta da tarde em um de nossos restaurantes preferidos, depois de boa parte do dia no pronto-socorro. Do filho que acompanhou a mãe ao pronto-socorro e colocou ordem na bagunça e exigiu da enfermeira atendimento imediato por conta da pressão alta e do choro quieto e incontrolável que tive encostada em seu ombro enquanto esperávamos pelo médico. Foi dia de mal-estar e pronto-socorro, mas nada impede que mesmo o dia que começa noite e acaba dia, com as cores do céu ameno descarregado de toda a água acumulada, seja amoroso e divertido, na medida do possível e do impossível.

Violino

Entender os sinais do nosso organismo é arte.

Feriado na segunda feira é muito bom. É o acordar com vontade de realizar algo, mas sem a necessidade de realizar algo. Sol forte, muito calor, as cores do dia. Comecei pela pequena bagunça que deixamos na cozinha: Domingo fizemos pic-nic em casa, folia gostosa, risadas e relaxamento em família. Roupas divididas em grupos e o passeio na máquina, com direito ao molho prolongado e ao duplo enxágue. Olhei para os vasos que compõem a mini-jungle e pensei no displicente cuidado esquecido de cada planta, busquei a tesoura e o pequeno ancinho, sentei no chão e retirei folhas mortas, galhos secos, mexi na terra, aguei. Foi prazer de horas, no momento exato e do jeito que deveria ser. Até para tirar galhos e folhas secas existe o tempo certo. Veio a crise de choro, a dor de garganta, o mal estar. Cansaço e chateação. Ando sensível a chateações, quero distância de chateações. Banho tomado, terra e lágrimas lavadas, toneladas a menos e o caminho até a drogaria para medir a pressão. Escrevo e penso no quanto o choro foi bom. Choro com a boca aberta, sem pudor nem receio de careta de choro rasgado escancarado e barulhento, que sai de dentro da gente feito gêiser, limpa, alivia e se tornou a trilha sonora para a poda das plantas. Foi por isso, pelo choro liberto, que não temi cortar galhos e tirar folhas - cada pedaço seco que ia ao chão era uma parte seca minha que deixava de existir. Às vezes deixamos o seco acumular por dentro e é muito ruim.
Da drogaria ao lugar preferido, com vontade de água gelada, sorvete refrescante e a leitura em paz do livro que eu trazia comigo. Quatro pessoas distintas a ocuparem mesas diferentes e o abençoado silêncio que eu tanto quis encontrar. Barulho bom de passarinho, o som do feriado com sol. Não, não, minha senhora, pra que desandar a contar os dramas vividos em Cuba, comentar sobre os cortiços super povoados, a fome, os dois dólares que alimentavam uma família inteira, tudo isso só para aguçar o palavrório do senhor da mesa próxima sobre as agruras sofridas pelo povo romeno durante o governo comunista. De repente, na mais adorável doçaria ao ar livre, circundada por árvores, pássaros, tranquilidade, calma e paz, a inesperada competição entre Fidel e Ceausescu, em busca da identificação do povo que mais teria sofrido sob os mandos e desmandos de dois símbolos decadentes. Era a competição do sofrimento. Senti minha cabeça doer, a garganta arranhar e fiquei meio tonta com a composição surreal de situações mais surreais ainda. Sequer consegui me concentrar no livro que escolhi para ler. Pensei em me aproximar e perguntar se os dois não gostariam de mudar de assunto e falar sobre amor, encanto, quem sabe juntos partirem para uma tarde de carinho que os deixasse realizados, alegres e bem mais leves, começo de um novo relacionamento. Imaginem só a vantagem, senhora Fuentes e senhor Comanecci, ambos a cantar Habaneras, Guarachas e, por fim, a dançar o sirba. O senhor toca violino?
Passei no supermercado, voltei para casa e dormi. Já estava doente.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Calças curtas


Ah, menino, que coisa feia! Mais uma vez você é pego com calças curtas. Curtíssimas. Você não se cansa de tanta traquinagem, menino? Você não se cansa de tanto mentir? Vovozinha deixou bem claro: Não pise nas jacas caídas no chão do quintal! E você ainda jogou a culpa na espevitada Cotinha? Mas a coitadinha só faz o você quer (até conseguir o que ela quer). Ah, menino malvado, menino travesso!
Imagem de Otto Stupakoff

domingo, 6 de setembro de 2009

Try to keep things light

I trapped a spider in a glass,
a fine-blown wineglass.
It shut around him, silently.
He stood still, a small wheel
of intricate suspension, cap
at the hub of his eight spokes,
inked eyes on stalks; alert,
sensing a difference.
I meant to let him go
but still he taps against the glass
all Marcel Marceau
in the wall that is there but not there,
a circumstance I know.

* * *

This business of driving
reminds us of our fathers.
The low purr of fifth gear,
the sharp fumes, the biscuity
interior – has brought them,
ever-absent, nearer.
And has brought us, two
women in our thirties,
to this strange pass,
a car wash in Belfast;
where we’ve puzzled
and opted for ‘Executive
Service’ (meaning
detergent) and have minded
the instructions to wind up
our windows and sit
tight when the red light
shows, and find ourselves
delighted by a wholly
unexpected privacy
of soap suds pouring, no,
cascading in velvety waves.

And when spinning blue brushes
of implausible dimensions
are approaching the vehicle
from all directions,
what can we do
but engage in a kiss
in a world where to do so
can still stop the traffic.

And then to the rinse,
and in view once again
of incurious motorists
idling on the forecourt,
we are polished and finished
and (following instructions)
start the ignition (which
reminds us of our fathers)
and get into gear
and we’re off
at the green light.

* * *

There was no secret
murmured down through a long line
of elect; no dark fakir, no flutter
of notes from a pipe,
no proof, no footage of it –
but I did it,

Guildhall Square, noon,
in front of everyone.
There were walls, bells, passers-by;
a rope, thrown, caught by the sky
and me, young, up and away,
goodbye.

Goodbye, goodbye.
Thin air. First try.
A crowd hushed, squinting eyes
at a full sun. There
on the stones
the slack weight of a rope

coiled in a crate, a braid
eighteen summers long,
and me –
I’m long gone,
my one-off trick
unique, unequalled since.

And what would I tell them
given the chance?
It was painful; it took years.
I’m my own witness,
guardian of the fact
that I’m still here.

Cores incompetentes

- Ah, isso não é amarelo.
- É amarelo, sim.
- Não tem jeito de amarelo, o amarelo não faz assim.
- Tenho certeza que é amarelo.
- Mas o amarelo não tem essa cor esquisita.
- Garanto que é amarelo.
- O amarelo é mistura do vermelho com o verde e isso aí, é mistura de ciano com magenta, soma de cruz credo com Deus me livre.
- Acredite em mim, é amarelo.
E o planeta ficou todo oliva, o verde meio desbotado, sem vida, sem
alegria, sem verdade e sem prazer.

- Céus! Não acredito! De novo? Você não acha que é demais? Desta vez é laranja.
- Não, você se engana, isso é azul.
- Olha bem o jeito de laranja, o comportamento de laranja, a ousadia de laranja e novamente a necessidade de divulgar a laranjada toda.
- Você se sente insegura, né? Não fique assim, não existe qualquer motivo, é azul.
- De uma saturação espectral à outra saturação espectral, até você parece meio alaranjado. Você ta doente?
- Deixa de lado o laranja eventual. Você também, não, por favor. É azul.
Em hipótese nebular pretendem deixar um planeta todo laranja, em outra galáxia, em outro sistema solar, no meio dos protoplanetas de sistema espectral muito distante, séculos-luz distante.

sábado, 5 de setembro de 2009

Sem exagero

Ansiei por este feriado, por este final de semana prolongado. Preciso de pausa, descanso. Ausência de horário, dormir.
O calor dessas duas semanas foi de lascar. Calor, secura, nada faltou para lembrar a seca forte do centro-oeste - aqui tem poluição, lá terra vermelha, as duas entopem os poros, sujam as roupas, dificultam o respirar. Nos últimos dias não sai para almoçar, evitei o calor, estava sem fome, quis aproveitar o silêncio da música nos fones de ouvido, colocar o trabalho em dia, retomar a rédea e evitar a decisão dos afazeres sobre a forma de viver a minha vida. Afazeres soltos são tiranos a comandar tudo. Não mais.
O corpo mandou mensagens claras, bem entendidas, de certo um pouco esquecidas - fingi que as deixei de lado para não atrapalhar a lida - até a chegada desta pausa e da retomada do rumo. Afinal, riqueza minha, só depende de você. Dormir gostoso, muito gostoso.
Nesta manhã a cidade estava viva, movimentada, alegre, transmitiu boa energia. Durante a caminhada conversa com filho e o cão a nos acompanhar. Anotar na agenda: Relembrar ao filho sobre a delícia dos bons relacionamentos, os raros, que fazem bem de verdade.

Você exagera, puxa sua corda e dá conta de tudo. A corda retesada e depois solta adota rumo certo e se enrola, sem cerimônia, em você.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Respirar lentamente, apaziguada

Um espelho em frente de um espelho: imagem
que arranca da imagem, oh
maravilha do profundo de si, fonte fechada
na sua obra, luz que se faz
para se ver a luz.
* * *
Quero um erro de gramática que refaça
na metade luminosa o poema do mundo,
e que Deus mantenha oculto na metade noturna
o erro do erro:
alta voltagem do ouro,
bafo no rosto.

Chuva desejada

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Confiança sincera

Como funciona a mentira
Quando você é jovem, há uma lição que é martelada na sua cabeça mais do que qualquer outra: diga a verdade. Diga a verdade, dizem para você, e ficará tudo bem. Então por que a sua mãe liga para o chefe dizendo que está doente quando não está, e por que seu pai diz para sua mãe que o vestido que ela está usando não a deixa gorda? Eles não aprenderam essa lição quando eram pequenos, e você e eu também não.
Mentir não é um sinal de depravação moral (a não ser que seja). Mentir é um sinal de avanço cognitivo. Essa ação requer um cérebro fértil e altamente funcional para pegar uma coisa tão simples como a verdade e mudá-la, burlando a decepção que causaria a outra pessoa com a honestidade de um coroinha.
O problema com a verdade é que ela nem sempre serve aos nossos propósitos, promove nossas carreiras ou nos livra de problemas. Quando podemos pegar a via da imaginação e realização dos nossos desejos, seríamos loucos de não passear pelo caminho enganoso em busca de nossos objetivos, certo?
Crianças mais novas acreditam que sempre estão sendo vigiadas, e que a mamãe (ou outra figura de autoridade) sabe de tudo. Por essa razão, elas são mais propensas a dizer a verdade no começo. Conforme vão crescendo, elas começam a testar a mentira: o cachorro é azul, minha camiseta é feita de cobre, foi o biscoito que me contou. Para os ainda mais novos, mentir é uma série de experimentos sobre causa e efeito. Quando uma mentira funciona? Que tipo de mentira? O que é uma mentira acreditável? Vão me pegar no pulo alguma vez, ou devo continuar mentindo até que a verdade seja uma lembrança distante para as duas partes?
Por volta dos 2 ou 3 anos, as crianças percebem que não estão sob constante observação de um “Olho da Verdade” onipresente e onisciente. Uma criança típica de 4 anos distorce a verdade a cada duas horas, enquanto uma de 6 anos conta uma mentira a cada 90 minutos. Elas estão aplicando seus estudos sobre a mentira em direção ao objetivo geral de todos os que distorcem a verdade: ganhar vantagem, evitar problemas e parecer melhor aos olhos dos outros. Quanto mais velhas as crianças ficam, mais se tornam hábeis na mentira. E elas nunca param.
O básico sobre a mentira
A habilidade de mentir é um feito cognitivo. Enquanto nós desprezamos a prática com um ponto de vista moral e ético, o ato de mentir não é normalmente feito sem que haja uma boa razão. Mentiras são ditas por algum dos seguintes motivos:
Esconder algo e evitar problemas. Danos quase sempre não têm volta, e é rara uma situação em que admitir a culpa tenha um resultado positivo (ao menos em curto prazo). Essas mentiras são ditas para evitar repercussão e responsabilidade.
Preservar a reputação. Um ex-viciado em drogas pode mentir sobre o tempo em que ficou na instituição de tratamento, especialmente para um potencial empregador ou futuro interesse amoroso. Uma mentira como essa serve para evitar vergonha e embaraço.
Evitar magoar os sentimentos de alguém - as reais intenções. Crianças aprendem logo cedo a ser educadas, não apontar defeitos físicos e dizer “obrigado” mesmo que ganhem algo de que não gostaram. Essas “mentiras inofensivas” são distinguidas das outras porque não carregam más intenções.
Aumentar status ou reputação. Algumas mentiras são ditas sem nenhum estímulo externo óbvio, como a demanda por uma resposta para uma pergunta específica. Esse tipo de mentira é muitas vezes narcisista por natureza, dita para fazer o mentiroso parecer mais completo, qualificado ou talentoso como meio de ganhar pontos positivos aos olhos dos outros.
Manipular. Essas mentiras não são evasivas ou defensivas, mas antes agressivas e maliciosas por natureza. Tais mentiras são ditas para ganhar riqueza, amor, favorecimento ou qualquer outra vantagem para danificar a reputação de outra pessoa ou espalhar inverdades prejudiciais.
Controlar informações. Como oposto de transmitir uma falsidade, a mentira indireta é segurar ou esconder fatos importantes. Isso é frequentemente visto como uma forma mais aceitável de mentir, já que a pessoa não constrói mentiras, mas apenas esconde a verdade. Uma parte da informação escondida pode alterar completamente a compreensão de um evento, levando as cortes americanas a exigir não somente a verdade, mas toda a verdade.
Personalidade
Alguns tipos de personalidade são mais passíveis de mentir do que outros:
Mentirosos patológicos são geralmente sociopatas, não têm um senso claro de certo e errado e mostram ausência de remorso quando prejudicam outros. Sociopatas contam algumas das melhores mentiras, já que não se sentem mal por agir assim e não mostram sinais de culpa ou preocupação. Sociopatas mentem para ganho próprio, e suas mentiras desviam fortemente para a manipulação.
Mentirosos compulsivos mentem como primeira opção, mesmo quando não há razão ou vantagem para agir assim. Experiências na infância, como viver em um ambiente abusivo onde mentir pode ser necessário para a sobrevivência ou bem-estar emocional, são frequentemente responsáveis pela mentira compulsiva.
Narcisistas mentem para ganhar glória e estima desmerecidas aos olhos dos outros.
Pessoas com transtorno de personalidade limítrofe (borderline) sofrem mudanças de humor e têm comportamento fora de controle, como abuso de drogas, jogos de azar e sexo promíscuo. Esse tipo pode contra mentiras como um esforço para lidar com as conseqüências desses comportamentos.
Pessoas com transtorno de personalidade histriônica desejam desesperadamente amor e atenção e contarão mentiras que, apesar de não serem precisas, podem refletir a verdade emocional da situação. “Estou tão doente que eu poderia morrer” e “se você me deixar, eu me mato” são dois exemplos de mentiras contadas por esse tipo.
Sinais típicos
Não existe um único modo de descobrir os sinais de uma mentira, mas sim uma constelação de possíveis sinais que podem “vazar” do mentiroso durante o ato. Vamos discutir os sinais verbais e não verbais:
Primeiro, vamos examinar alguns sinais não verbais da mentira. Um sinal que escapa à maioria das pessoas é demonstrar microexpressões, que são expressões super rápidas que passam pelo rosto das pessoas contra sua vontade e sem que elas percebam. Isso fornece uma visão de seus verdadeiros sentimentos sobre algum assunto. Enquanto a maioria das pessoas não procura por tais pistas, muitos de nós detectamos essas expressões sem nos dar conta do que acabou de acontecer. A informação que colhemos – detectando um olhar de raiva por um milissegundo durante um sorriso, por exemplo – é muitas vezes atribuída à intuição ou “sexto sentido”. Se sua intuição diz que alguma coisa não está certa com aquela pessoa, você muito provavelmente deve ter detectado uma microexpressão no rosto daquela pessoa que não combina com o que ela está dizendo.
Outro sinal não verbal da mentira é um sorriso forçado, que geralmente envolve apenas os músculos da boca e não os outros do rosto. Um sinal típico é um sorriso ou outro gesto – como fazer que “sim” com a cabeça enquanto nega alguma coisa – que contradiz o que está sendo dito. Quando interagimos normalmente, fala e linguagem corporal acontecem naturalmente, sem pensamento específico. No entanto, quando mentimos, não só temos que avaliar a verdade, construir uma mentira plausível e verbalizá-la, precisamos ainda decidir quais gestos corporais combinam com a mentira, ou que representam melhor uma verdade. Pensar em tudo isso leva a palavras e linguagem corporal que não combinam.
Alguém que está mentindo pode se sentir atacado e assumir uma posição defensiva. A pessoa pode se afastar do questionador, cruzar os braços e até ir para mais longe ainda. Mentirosos ficam notavelmente inquietos, especialmente durante uma pausa na conversa.
Há outras pistas não verbais que muitas pessoas acreditam ser um sinal exato de mentira mas não são, como piscar muito, coçar o rosto ou o nariz, ou colocar a mão na boca enquanto fala. Esses sinais são apenas bons indicadores quando são uma mudança no comportamento normal da pessoa (isso é, o comportamento que antecede imediatamente a suposta mentira). Talvez a pessoa que esteja piscando muito tenha algum cílio no olho, e a garota que está cobrindo a boca é apenas tímida; no entanto, se a pessoa não pisca com frequência durante os três primeiros relatos mas pisca muito ou coça o pescoço enquanto fala sobre um 4º assunto, esse último merece uma análise melhor.
Uma pessoa contando uma mentira também deixa vazar pistas verbais que apontam para a desonestidade. Já que precisa inventar uma resposta, o mentiroso irá passar mais tempo procurando a palavra certa enquanto conta a mentira. A pessoa pode trocar as palavras ou demorar muito para responder. Para ter mais tempo de pensar, o mentiroso não usa abreviações de palavras (opta por “estava” em vez de “tava”) e pode repetir as perguntas (“Onde eu estava ontem à noite?” ou “Você quer saber o que eu estava fazendo ontem?”).Como eles precisam criar uma realidade à parte da verdade, mentirosos têm dificuldade de saber quanto da nova história precisam contar e quase sempre acabam detalhando fatos desnecessários.
Recursos utilizados na mentira
Você pode elogiar o jantar horroroso que seu amigo fez, ou dizer aos policiais que você não sabe como as drogas foram parar no seu carro, mas o fato é que todos nós mentimos alguma vez. Elas podem ir desde pequenas mentirinhas inofensivas, que servem apenas para manter a situação social ou os relacionamentos, até grandes mentiras quase infames.
Ficar calmo. A pessoa para quem você está mentindo estará observando de perto sua fala e seu comportamento. O ato de mentir pode acelerar seu batimento cardíaco ou aumentar sua pressão sanguínea. Comporte-se como se você não tivesse nada a esconder. Cuidado com sua própria irritação de ser colocado no centro das atenções – isso pode causar micro expressões de desprezo ou raiva.
Ser simples. Mentir requer muita imaginação e esforço. Enquanto inventamos cenários e realidades, nossas mentes completam todos os detalhes que são úteis. Mentirosos tendem a contar muitos detalhes irrelevantes, e fazem isso para “provar” que a mentira é a verdade. Frequentemente, essa informação extra salta aos olhos porque tem muito pouco ou nada a ver com a questão. Manter a mentira simples faz com que seja mais fácil os “fatos” parecerem corretos. Adicionar detalhes fará apenas com que você tropece quando for questionado sobre eles, porque essa informação extra não adicionará nada à mentira coerente e plausível.
Manter-se estável. É importante que você mantenha seus maneirismos e humor estáveis, durante e depois da mentira. Se você está se sentindo nervoso antes de mentir, continue parecendo nervoso. Se você estiver relaxado antes de alguém fazer uma pergunta inesperada, continue relaxado. É a mudança no tom da voz e na linguagem corporal que pode dar pistas a alguém que você está fabricando fatos. Uma vez que o questionário acabar, não relaxe subitamente ou pareça aliviado. Se você estiver agitado enquanto mente, continue agitado quando a mentira acabar. A pessoa que está de guarda em uma torre procura por movimentos ou mudanças no ambiente, e assim também é a pessoa que procura por uma mentira. Dê a ela o menos possível para trabalhar.
Fazer com que o ouvinte goste de você. Você está tentando contar uma mentira, e o ouvinte quer ouvir a verdade. Você deve fazer com que ele acredite que a mentira é verdade. Pense dessa forma: nós suspeitamos menos daqueles de quem gostamos, em parte porque perturbaria a relação se você acreditasse que está sendo enganado.
Além disso, nos sentimos ofendidos com mentiras porque elas são sinais de desrespeito. Então quando mentimos, não devemos dar nenhuma razão para que o ouvinte duvide de nosso valor ou da nossa percepção do valor dele. Pense: ambos somos adultos. Gostamos um do outro. Você tem uma pergunta? Aqui está a resposta, e vamos seguir em frente. Não se submeta à aprovação da pessoa ou tente agradá-la demais. É isso que mentirosos fazem. Não inclua frases como “você está bravo comigo?”. Por que uma pessoa ficaria brava com você se você não está mentindo? Ela quer a verdade, mas também quer acreditar que você não mentiria.
Como saber se alguém está mentindo
Se você fosse acusado de assassinato, ficaria sob uma enorme pressão para mentir se fosse culpado. O risco é alto, e esse tipo de pressão pode levar a pistas físicas que podem te denunciar. Uma pessoa servindo prisão perpétua por assassinato, no entanto, virtualmente não sentiria nenhuma pressão quando mentisse sobre o assassinato, porque ela já está presa – a mentira não teria nenhuma conseqüência futura. Nesse caso, não são os detalhes verbais, e nem a linguagem corporal, que seria sua ruína.
Como separar os mentirosos dos que contam a verdade
Estabeleça um padrão de comportamento. Mentirosos podem olhar diretamente nos seus olhos, e quem conta a verdade pode ficar inquieto e parecer evasivo, então não procure uma característica específica. Primeiro, estabeleça comportamento, humor e maneirismos da pessoa naquele ponto particular do tempo, antes que você comece o questionamento. A pessoa está relaxada ou nervosa? Brava? Distraída? Repare no quanto ela pisca ou mantém contato visual. A pessoa toca na própria mão ou rosto enquanto fala?
Procure desvios no padrão de comportamento. A chave para detectar mentiras é procurar por desvios de um padrão de comportamento. Se a pessoa normalmente não mantém contato visual e pisca muito, mas encara você quando responde alguma pergunta em particular, esse é seu sinal de perigo. Procure por pausas pequenas antes de respostas – esse é o tempo que o cérebro deles precisa para fabricar dados. O mentiroso pode agir como se estivesse ofendido por estar sendo questionado, mas subitamente afável quando a mentira está sendo contada, ou vice versa.
Ouça. Às vezes, pode não haver pistas visuais ou na linguagem corporal que acompanhem a mentira. Você tem que contar com a informação verbal que recebe. Os fatos somam algo à informação? A pessoa está contando muitas informações que não são relacionadas à pergunta? Se alguém conta muitos detalhes, pergunte mais coisas. Esses detalhes podem ser a ruína dessas pessoas. Após inteirar-se de todos os pequenos detalhes, reveja o questionamento em toda a linha do tempo ou curso da história. Agora, foque novamente em algum detalhe pequeno. A história ainda bate? A pessoa está criando novos detalhes para explicar porque os outros detalhes não estão batendo com a história?
Pause. Para a maioria das pessoas, mentir – e a circunstância que requer contar uma mentira – é estressante. Se você está interrogando alguém, pause entre uma das respostas dele ou dela e sua próxima pergunta. Intervalos são um pouco desconfortáveis para a maioria das pessoas em uma interação social, e muito mais para uma pessoa que está tentando contar uma mentira. Essa pausa pode parecer uma eternidade torturante para um mentiroso. Veja se ele está inquieto, se tem microexpressões ou está com uma postura defensiva.
Mude de assunto. A melhor notícia que um mentiroso pode receber é saber que a mentira acabou. Quando a pessoa acredita que o tópico da conversa mudou, ela pode parecer visivelmente relaxada. Uma pessoa nervosa pode ficar aliviada, uma pessoa agitada pode sorrir. Essa tática também permite que você continue procurando desvios no padrão de comportamento ou até um retorno a ele.

Setembro 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Musa

É mais casta do que eu
e só bebe água mineral.
Furtiva, insolente, caprichosa,
às vezes desaparece-me de casa
durante meses. Apetece-me
bater-lhe. Mas talvez a culpa
seja minha. Passo tanto tempo
a coçar a cabeça ou no terraço
a ver passar os aviões.
É natural que se farte de mim,
raramente estou em casa
quando chega, prefiro dormir
a ver televisão com ela
sentada nos meus joelhos.

Amiúde me pergunto
se compensam os tormentos
a que me força.
Meteu na cabeça fazer
de mim poeta, quando
o que eu gostaria era de ser
aviador. (Mas tenho medo
das alturas, e ela sabe-o.
Aproveita-se da minha
debilidade.)

Obriga-me a ficar de olhos
abertos
durante o sono, a estudar os
caninos que a vida me mostra,
o manual dos elementos, a
história
calamitosa dos meus erros.
É preciso ter estômago
para tanta solidão. Não admira
que muitas vezes a traia
com a Helena, com o bourbon
dos amigos, com o voo violeta
do jacarandá no Largo do
Viriato.
Mas não adianta, não sente
ciúmes,
ela própria me empurra
para os braços do mundo.

É tão exigente, tão snob, tão
tinhosa. Por ela, não havia
domingos nem feriados,
não havia verão. Era sempre
toda a vida um quarto escuro
com filmes de série B e
uma banda sonora de tiros,
soluços,
gargalhadas de teatro
anatômico.
Marca-me duelos – é louca! –
com temíveis espadachins,
à vista dos quais a minha alma
treme dos pés à cabeça. Diz que
me faz bem sangrar um bocado,
que é minha amiga, talvez.

Fria, severa, calculadora,
tenta o que pode para contrariar
a minha natureza ruidosa,
paciente, sentimental.
Diz que é uma porcaria
escrever com lágrimas, recita
Mallarmé, levanta-se de noite
para me rasgar os poemas.
Não é fácil aturá-la.

Só para me irritar, muda
o nome de todas as coisas:
se vê um massacre chama-lhe
acre de terra lavrada,
vê um mendigo chama-lhe
trigo, vê uma porta
e chama-lhe susto.
Às vezes pergunto-me
se não será parva.

A verdade é que não sou feliz
com ela, apenas um pouco
mais solitário.
Mas sem ela – vejam que
tristeza, que abandono, que.

domingo, 30 de agosto de 2009

Empatia

Sim, sim eu sei. Há tempos eu sei, mas não queria acreditar. Nem sempre saber e acreditar nos guiam pelo mesmo caminho. Sempre achei exagerado o cuidado recomendado sobre o desejado. Ora, mas o desejado só pode ser o melhor pra nós. Quanto engano. De repente acordamos e fazemos as pazes com Deus e a vida, pela proteção recebida com a negativa do anelado. Tudo começa por saber bem o que queremos. Saber o que queremos e querermos o nosso bem, sem provocar o mal a ninguém. Dá até pra sentir inédito nojinho.