domingo, 2 de maio de 2010

In small towns by the river we all want to walk with the gods

Remembrance

Why did we think it was trivial
that it would rain every summer,
that nights would be still with sleep
and that the green fern would uncurl
ceaselessly, by the roadside.

Why did we think survival was simple,
That river and field would stand forever
invulnerable, even to the dreams of strangers,
for we knew where the sun lay resting
in the folded silence of the hills.

This summer it rains more than ever.
The footfall of soldiers is drowned and scattered.
In the hidden exchange of news we hear
that weapons are multiplying in the forest.

The jungle is a big eater,
hiding terror in carnivorous green.

Why did we think gods would survive
deathless in memory,
in trees and stones and the sleep of babies;
now, when we close our eyes
and cease to believe, god dies.

For as long as remembrance
men stared at fire and water.

We dwell in the mountains and do not know
what the world hears about us.
Foragers for a destiny,
all the days of our lives
we stare at the outline of the hills,
lifting our eyes to the invincible sky.

*        *        *

No more dreams

The days are nothing.
Plant and foliage grow silently,
at night a star falls down,
a leopard leaves its footprints.

The wind blows into my eyes
sometimes it stirs my heart
to see the land so plain and beautiful.

If I sit very still
I think I can join the big mountains
in their speechless ardour.

Where no sun is visible
the hills are washed with light.
The river sings
love floats!
love floats!
But I have no dreams.  

A criança eterna acompanha-me sempre. A direção do meu olhar é o seu dedo apontando. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons são as cócegas que ele me faz, brincando nas orelhas

Semana de exames, inúmeros exames, no primeiro dia nove horas passadas em um laboratório, quatro quadras depois do começo da avenida Paulista, e um consultório, oito quadras depois do final da mesma avenida. A Paulista tem 2,8 km. Tempo, cansaço e exames demasiados.
No último consultório eu não conseguia ficar sentada, ler, distrair-me com as palavras cruzadas. Exausta eu me esforcei para não cochilar na poltrona. Eu cochilei na poltrona.
Tentei a mesma forma de superação imediata, assimilada à época do tratamento e exames posteriores à descoberta do câncer: Caminhar. Caminhei pelo bairro do Paraíso, por mim bem conhecido, e com tristeza vi que a loja Catedral, aberta em 1947, deixou de existir (depois da Brasserie Victoria era na Catedral que encontrávamos as melhores esfihas e melhor o pão árabe de São Paulo). Passei em frente de lojas que existem no bairro há mais de trinta anos, vi lojas novas, prédios construídos em terrenos anteriormente ocupados por belas casas, a sorveteria Alaska, desde 1954, no mesmo local. Lembrei da filha de Cora Coralina, senhora elegante e educada, que era nossa vizinha no prédio. Lembrei das histórias que a filha contava sobre a mãe poetisa.
Lembrei do morador do nono andar, marido de uma senhora elegante e sofisticada, que passava os finais de tarde no bar da esquina. Garota eu ainda não entendia o que era o alcoolismo. Vi o garoto mendigo, hoje um homem mendigo, amparado em duas muletas e em pior estado do que estava tempos atrás. O rosto, porém, é o mesmo, apesar da vida dura da rua, do maltrato, da total ausência de saúde e higiene.
Desta vez, talvez pelo cansaço interno e externo, transformei parte do caminhar em apreciação e lembrança. É interessante como as pessoas que fizeram parte de nossa vida parecem personagens: A filha da poetiza, a senhora elegante, o senhor alcoólico, o senhor alto e meio esquisito, pelo meu filho apelidado de brucutu, todas personagens de um passado recuperado em dias de leveza da alma, paradoxo do corpo cansado.
No caminho pela avenida Paulista até o segundo consultório, entrei na casa da rosas e procurei alguma exposição que pudesse proporcionar-me alento para seguir a diante. Nada. Um vídeo curto feito por Leminski sobre Kafka numa sala e na outra, espaço com fotografias de Haroldo de Campos em sua casa no bairro de Perdizes, também passava um vídeo sem som. Ver a imagem de Alice Ruiz, num palco, em frente ao microfone a ler determinado livro e não ouvir sua leitura foi frustrante. Não houve outro meio salvo apreciar o imóvel, imaginar como era a vida de seus moradores (a casa das rosas foi projetada por Ramos de Azevedo e serviu de moradia para sua filha), buscar qual seria a sensação matinal ao abrir as portas da varanda para apreciar os jardins rendados e enfeitados de rosas, lembrar da minha meninice e dos meus passeios pela Paulista e o encantamento que aquela casa proporcionava. Foi com respeito e reverência que senti o corrimão, apreciei o vitral, caminhei pela alameda, me impressionei com o orquidário. Aquela casa tem história, em suas paredes estão fixados sonhos, choros, alegrias e uma boa parte da vida.
Segui em frente e no prédio da FIESP vi o cartaz da exposição de Maureen Bisilliat (parte do acervo do Instituto Moreira Saller) e resolvi presentear-me com a poesia e a prosa em forma de fotografia, que a talentosa irlandesa nos ofertou: “Muito dos capítulos que compõem esta exposição tiveram seus começos na obra dos prosadores - Euclides da Cunha, Guimarães Rosa e Jorge Amado – ou de poetas, como João Cabral e Adélia Prado; outros sintetizam situações vividas durante os anos de glória jornalística da Editora Abril- As caranguejeiras, Mangueira, e, por último, China – cujo interesse como documentação parece aumentar com o passar do tempo. A série pele preta deriva de meus tempos de estudante, quando freqüentava ateliês de modelo vivi, atenta à anatomia, à movimentação do corpo e à iluminação. No Xingu, através de Orlando e Cláudio Villas Bôas e sob sua sábia orientação, encontrei um povo hospitaleiro, harmonioso e cheio de humor.
Já os reis, rainhas e valetes do tabuleiro sertanejo de Ariano Suassuna foram visitados em seus reinados, com o apoio de bolsas concedidas pela Fundação Guggenheim e pelo CNPQ/Fapesp, enquanto ao Japão fui convidada pela Fundação Japão, ancorada nos escritos de Kawabata e Lafeadio Hearn.
Um chamado ao passado, esta exposição tem me dado, apesar das dúvidas sem fim, o prazer de um reencontro com um eu perdido no tempo: um algo de mim em outras dimensões.” Maureen Bisilliat.
Sai da exposição de Bisilliat revigorada e com a certeza: Eu voltarei para apreciar mais tanta lindeza.
Imagens da casa das rosas feitas com o celular
Poesia de Alberto Caeiro

Marguerite Yourcenar - Le paradoxe de l'écrivain (2/3)



Um livro lembrado na última semana: "Memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar

When Harry met Sally - um dos filmes lembrados na semana passada

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Prazer de pura percepção os sentidos sejam a crítica da razão

Poesia de Paulo Leminski

Gentileza, educação e honestidade nos diversos sites sociais - panos caídos



Há tantos comportamentos equivocados praticados nos diversos sites sociais. A regra básica, para entendimento geral, é : Não faça alarde de sua vida amorosa e, principalmente, não magoe ninguém!

Brasília vista do espaço


Imagem de Brasília divulgada no Twitter pelo astronauta Soichi  Noguchi, International Space Station.

Dez curtas sobre o corpo humano


Cut up, variations sur le corps: dix films


Dez curtas metragens produzidos por franceses,  ingleses, alemães norte-americanos e holandeses, sobre o corpo humano.

Vou lhe falar. Lhe falo do sertão. Do que não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda sabe, só umas raríssimas pessoas

“Aprecio imagens aliadas à escrita, frases escolhidas definindo melodicamente a linha da orquestração. Em livros como os de Diane Arbus, de Nan Goldin, há essa orquestração: ritmos, silêncios, acordes, vazios, a palavra, escolhida da produção literária ou pinçada do testemunho biográfico, vem da fala íntima da pessoa, destilada. Seria quase como escrever com a imagem e ver com a palavra.”  Maureen Bisilliat

Até o próximo dia 04 de julho, a admirável exposição das fotografias da talentosa Maureen Bisilliat, estará no Centro Cultural FIESP, na avenida Paulista, 1313, cidade de São Paulo. Na obra de Bisilliat vemos poesia e prosa em forma de fotografia. Dividida em quatro temas sequenciais, encontramos a Bahia ("bahia amada amado"), o sertão de João Guimarães Rosa, a beleza do negro ("pele preta"), as "mulheres caranguejeiras" da Paraíba, os vaqueiros do nordeste enaltecidos por Ariano Suassuna, os índios ("Xingu/terra") acompanhados por Villas Bôas. Há ainda uma parte da Bolívia, da China e do Japão. 

Imagem de Maureen Bisilliat, casamento no sertão, obra pertencente ao acervo do Instituto Moreira Salles.

I asked forgiveness for having survived

"Maléficos, ardilosos, frios, calculistas, insensíveis, inescrupulosos, cruéis, manipuladores, transgressores de regras sociais e absolutamente livres de constrangimentos e julgamentos morais. Passam por cima de qualquer pessoa apenas para satisfazer seus próprios interesses. Sabem exatamente o que fazem e não sofrem nem um pouco com isso. São destituídos de compaixão, culpa ou remorso. 4% da população apresentam esse lado sombrio da mente.
O conceito de consciência transcende teorias religiosas, psicológicas e científicas. A consciência baseia-se em nossa habilidade de amar, de criar vínculos afetivos. A consciência genuína nos impulsiona a ir ao encontro do outro, colocando-nos em seu lugar e entendendo a sua dor (ideia permeada pela empatia). É pela consciência que pedimos desculpas sinceras aos que magoamos e ferimos num momento de equívoco. A consciência também nos comove com situações trágicas, nos traz indignação frente ao mal, nos inspira a zelar pelo nosso animal de estimação, nos leva a apreciar uma bela melodia.
Os perversos são desprovidos da consciência, logo, desconhecem a responsabilidade ética que é base essencial das relações emocionais com os outros. Há os que jamais experimentaram, nem experimentarão a mínima inquietude mental, ou o menor sentimento de culpa ou remorso, por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo tirar a vida de alguém. Admitir a existência de criaturas com essa natureza é quase uma rendição ao fato de que o mal muitas vezes está próximo e convive entre nós."
"Mentes perigosas" de Ana Beatriz Silva.

Que nosso Deus nos proteja! Sem dúvida o mal existe e encontra-se abrigado em mentes perigosas. A leitura do livro da psiquiatra Ana Beatriz Silva nos assusta e alerta, ao tentar nos auxiliar no reconhecimento de criaturas perversas.
Para que reconhecer o perverso? Para que identificar o psicopata? Para afastar-se dele. Para evitar que a nossa existência e o nosso emocional sejam devastados pelas atitudes e dizeres dessas criaturas incapazes de sentir empatia, desconhecedoras do arrependimento e totalmente insensíveis ao outro. Para nos preservamos e para mantermos nossa salubridade física e mental. A convivência com o perverso é devastadora e alimenta nosso pior lado, dado a crueldade de suas ações: Fortalece o nosso medo e a nossa insegurança, aniquila a nossa capacidade de reação, desenvolve nossa desesperança e nos faz portadores de doenças crônicas. É pela observação que, aos poucos, nos tornamos capazes de identificar o comportamento, as intenções e as constantes mentiras de um psicopata. É a consideração exclusiva de seus próprios interesses, que torna o psicopata um nômade emocional: Ao longo da vida a criatura perversa mantém inúmeros relacionamentos e repete seus procedimentos e ações. A padronização de seus comportamentos não é sinal de baixa inteligência, apenas da segurança sentida pelo perverso na conquista de seus interesses. É a ausência do arrependimento que torna impossível ao psicopata a redenção. Decência e remorso são palavras cujos conceitos lhe são desconhecidos.
Além do afastamento e da observação, a orientação de profissionais da saúde competentes auxilia a manutenção do necessário distanciamento que devemos manter dos psicopatas.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O grande erro da mulher

É certo que algumas coisas mudaram, conquistamos mais ônus do que bônus e nos enganamos com a ideia de  sermos  livres, apesar do pensamento tacanho e provincial ainda limitar nossos comportamentos, inclusive os que deveriam ser simples e naturais.
Outro dia ao ler o texto publicado no blog 02 neuronios (“ela está almoçando sozinha? tadinha"), percebi que  passados vinte e cinco anos, muita coisa ainda não mudou.
Existe coisa mais corriqueira e banal do que apreciarmos sozinhas nossas refeições em algum restaurante? Nós, mulheres independentes, criadoras solitárias de nossas proles, trabalhamos bem mais do que os homens em prol da manutenção de nossos empregos (sim, enquanto o homem mata um leão por dia a mulher mata dois leões, além de consolar as leoas), ganhamos menos e com certa elegância conseguimos conviver em um mundo cuja essência é machista.
Em 1985, enquanto meu adorado pai, hemiplégico por conta de alguns derrames e com câncer na pleura, passava seus dias no hospital, era eu, findo o horário de visita sempre postergado mais e mais, quem saía do hospital arrasada, faminta e sem a mínima vontade de voltar para casa para não compartilhar com os meus a tristeza e a amargura sentidas.
Assim, após o dia emocional e fisicamente estafante eu ia ao restaurante Box, na rua Padre João Manuel quase esquina com a alameda Franca (lugar então decorado com aerofólios de carros da fórmula 1) para me alimentar, recuperar a energia e retirar parte da tristeza, antes de abraçar o meu lindo pimpolho. Eu ia ao Box porque era o restaurante corriqueiro dos meus tempos de namoro e casamento e porque lá, à época, por mais de uma década, os garçons conheciam a mim e ao meu ex-marido, e um daqueles garçons, não lembro seu nome, mas tenho seu rosto bem guardado na memória, sem que eu pedisse era o meu fiel protetor: Ele postava-se elegante e discretamente em pé, próximo à mesa da frente. Eu nunca fui incomodada, tampouco maltratada e salvo a atitude protetora e discreta daquele garçom, eu nunca me senti diferente.
Em Brasília, lá pelos idos de 1993, a coisa era bem triste. Almoçar ou jantar sozinha em algum restaurante frequentado pela côrte era o mesmo que tornar-se a moça amarrada na roda de madeira diante do experiente atirador de facas. No caso, ferozes atiradoras de facas, com excelente pontaria e olhar fulminante. O preconceito na Capital provinciana vinha da ala feminina.
Em 2010, é inadmissível que as mulheres ainda sintam-se intimidadas e constrangidas a frequentar sozinhas qualquer lugar público: Restaurantes, cafés, cinemas, museus... Não somos seres eminentemente gregários e dependentes, tampouco precisamos de duplas ou grupos para sobreviver socialmente. Ao contrário, temos nossos próprios gostos, saberes e bons momentos de silêncio são sempre benvindos e apreciados.
Pois lá fui eu, na quinta passada, após consultas no Hospital do Câncer e descarte de nova malignidade, almoçar em um restaurante quase grego, na esquina da rua Augusta com a rua Antônio Carlos. Eu estava em júbilo com o resultado negativo dos exames e quis apreciar uma bela porção de calamares fritos, acompanhados por um filê de salmão com legumes. O que mais combinaria com as lulas fritas do que uma bela e gelada cerveja grega, da região de Thessalônica? Detalhe: Eu não costumo beber por não sentir necessidade e, também, por que os medicamentos que tomo não combinam com álcool. Meus Deus! Ocorre que naquele momento eu vislumbrei somente duas alternativas para comemorar minha alegria: Dançar pela avenida Paulista ou brindar à saúde – orações e agradecimentos foram feitos depois. 
O educado garçom do lugar cometeu dois pequenos enganos: De cara chamou-me de “querida” (em troca foi tratado por senhor) e perguntou-me se eu tinha certeza que gostaria de tomar a tal cerveja. Ponto para mim ou para ele? Será que ele pensou: hum, essa moça não tem cara de quem bebe, por isso, devo protegê-la, ou, xi, essa moça ta diferente e vai me dar trabalho se tomar essa cerveja. Macacos e galhos em seus devidos lugares, a gentileza é muito legal em qualquer situação, aqueles foram os melhores calamares fritos que eu comi e aquela foi a melhor cerveja que eu bebi.
Subi a rua Antônio Carlos, atravessei a avenida da Consolação e feliz, voltei a pé para casa.

Earth day

Healing the planet

quarta-feira, 21 de abril de 2010

The sky flows like dreams

Penélope Cruz está com tudo, Javier Bardem incluso, mas ao ver Meryl Streep na capa da Vogue francesa, fica a certeza que o verdadeiro talento (e beleza) não reconhece qualquer limite.

Feriado de sol na cidade de São Paulo - atividades prosaicas - diário fotográfico

De manhã, ânimo para ir ao Instituto Pasteur, na mais paulista das avenidas, para tomar a vacina contra a gripe h1n1. Alguém se lembrou da vacina? Eu não. Eu descobri que entrei na fase do filho levar a mãe para tomar vacina e a chamada “doença crônica” incluiu-me na faixa dos jovens até 29 anos. Não é o máximo? Na fila formada na calçada, alegre e bem humorada igual ao dia, uma mãe e sua filha, ambas, estudantes universitárias, contabilidade e direito, respectivamente, a formatura da mãe será seis meses antes da formatura da filha. Não é o máximo? A filha comentou que há vários pais no curso noturno de Direito e são os filhos que os buscam da faculdade. Ah, eu não vou dizer que é o máximo! Mas é o máximo que a minha geração tenha filhos que se preocupem com a nossa saúde e nosso aprimoramento cultural. A avenida Paulista estava linda.

Depois, uma passeio rapidinho para curtir a exposição dos vestidos do estilista Giambattista Valli e deixar a dica de seu site para que, ao menos, possa ser aproveitada a adorável trilha sonora My sweet Valentine (se não me engano cantada por Chet Baker).
Como ninguém é de ferro e sempre foi mandatório alguma lembrança pelo bom comportamento na hora da vacina, levamos para casa o melhor bolo de chocolate do mundo, ou, um dos melhores, qualidade está que não teve a ousadia de virar marca:  Camadas de delicioso creme de chocolate e suspiro. Você quer sentir mais o sabor do chocolate? Coma ao natural. Eu gosto dele gelado.
No final da tarde, o calor gostoso e o colorido bonito do outono, um bom passeio acompanhada pelo cão, com algumas paradinhas para apreciar o pé-de-jasmim e os canteiros de diversos temperos.