Nada é como se abrisse
ou cintilasse
com a brisa correndo na negrura
E não é uma cúpula
ou umas estrias
noturnas
Porém há uma visão
quase
como uma haste tensa
que mal cintila
e é toda ela um surto
que se dissemina
dentro de si
E assim transmuta a sombra
com a sombra mesma
e por nós respira
* * *
Sílabas.
O álcool de Dezembro é frio e rouco.
O cigarro amargo. É um cigarro clínico.
Sílabas.
Com sílabas se fazem versos.
O tampo da mesa é liso.
Uma colher é uma forma complexa
familiar e deliciosa.
Um copo é nítido
como um criado sem servilismo.
Uma mulher condensa-se
no olhar do poeta.
Um corpo. Duas sílabas.
O dinheiro à justa. A gola da gabardina
para tapar a nuca
e os ouvidos.
Sílabas.
* * *
Eu vi o seu sorriso sob a sombra das folhas
e vi-o adormecer. Senti que mergulhava
em plácidas águas. Um tesouro
fulgurava entre as pedras e os limos.
Que tranquila a paixão, toda silêncio e luz!
Como um grande barco verde a folhagem navegava.
O coração do estio pulsava nas cigarras.
O sorriso do deus era um começo infinito.
O desejo no sono abria-se completo
numa corola de água, fogo e ar.
Os símbolos desfizeram-se em imediatas evidências.
Estávamos no seio da realidade ardente.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O celular e o cordeiro
Se desconsiderarmos os exageros e os aspectos burlescos tão bem representados pela família da noiva, principalmente, pela tia Voula, que sofrera a “bobopsia” de um tumor e encontrara sua “irmã gêmea”, os gregos são alegres, afetuosos, orgulhosos de sua história, reconhecem os radicais de todas as palavras e preparam alimentos deliciosos. Mais uma da alegre tia, tão bem representada por Andrea Martin no filme My big fat Greek wedding (Casamento grego), 2002, de Joel Zwick: Os gregos consideram a carne de carneiro branca e saudável, por isso, tia Voula prepararia carneiro para o noivo vegetariano.
Eu gosto da carne de carneiro, corrijo, de cordeiro e prefiro os menores pela ausência de cheiro forte, pelo sabor e maciez após o preparo.
Minha casa é equidistante a três lojas de uma rede de supermercados e, infelizmente, reconheço a diferença da qualidade dos produtos e do atendimento oferecidos pelas três unidades. Não deveria ser assim, afinal, os preços cobrados não apresentam desigualdade alguma.
No natal eu queria preparar cordeiro, no réveillon também, mas os responsáveis pelos setores de carnes culparam o fornecedor pela ausência do produto. Entrou janeiro, fevereiro e em uma das lojas o fornecedor continuou a levar a culpa, enquanto, na outra, sábado passado, marquei hora para buscar as peças de cordeiro antes de serem expostas na vitrine: Pernil, palheta, carré e tulipas. “A senhora é dona de restaurante?” perguntou o gentil atendente (Não, apenas esperei três meses para comprar produto antes encontrado semanalmente - pensei, não falei). Sorri e agradeci.
E o celular? Há quinze dias estou sem celular (com preguiça de instalar o novo chip no aparelho) e confesso sentir-me muito bem sem mais essa amarra. Há quase vinte anos aderi à telefonia móvel e sempre a considerei exceção, acessório em caso de urgência ou na inexistência de telefone fixo. Ora, se você se mobiliza com o celular, então, se mobilize para encontrar as pessoas e manter contatos diretos, desenvolver empatia, conviver melhor. O celular escraviza seu usuário, afasta a convivência e é motivo de exagero praticado pelos que vivem dependurados em seus aparelhos – ainda mais agora, com os super celulares que recebem e mandam emails.
Qual a relação entre “o escafandro e a borboleta”, o celular e o cordeiro? Além do cordeiro lembrei que o amaciante de roupas, o leite em pó, limões, ervas para tempero, vinagre e o azeite estavam no fim e descobri que o carrinho de compras pequeno não mantém qualquer relação com o peso das coisas compradas. Eu não quis esperar duas horas para que as compras fossem entregues em casa; eu quis telefonar para que meu filho viesse me ajudar, mas o número do celular dele está armazenado no meu celular, precisamente na tecla de discagem rápida. Foi a única vez, em quinze dias, que senti falta desse aparelho. Boa menina que sou, carreguei tudo sozinha e preparei o almoço, tal qual a independente dona galinha, e seu delicioso bolo, da história infantil.
Imagem obra de George Seurat
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Rapidelas
Uma das coisas gostosas para fazer no calorão deste verão é cortar os cabelos curtinhos, nuca batida e sentir quilos, toneladas a menos na cabeça. Cabelos são pêlos mortos alvos de muito esforço, química e tratamentos sem fim. Conferimos demasiada importância aos cabelos e, às vezes, esquecemos da nossa própria essência. Pêlos mortos.
Durante anos os espartilhos sufocaram, esquentaram e limitaram os movimentos femininos. As mulheres usavam espartilhos apertados, mais apertados, muito mais apertados. Com o tempo os espartilhos foram substituídos pelos corsets com ganchinhos para prender as meias de seda. Os corsets também esquentavam, mas não sufocavam, nem limitavam os movimentos. Meias elásticas, as cruéis meias elásticas tão difíceis de serem vestidas e tiradas. Liberdade! A geração anterior queimou sutiãs e aboliu as amarras de nossos corpos e mentes. Agora, jovens usam cintas para parturientes e a linha completa de shapewears (compre o body-shaping bege e ganhe o branco, além do invisible bra, do super espremedor de frutas e da escada multifuncional) feitos de nylon stretch extra-firme. Regredimos e voltamos a nos sufocar. Estamos cada vez menos naturais.
De repente, a horda desrespeitosa e barulhenta ocupa a calçada e mantém cercado o grupelho de calouros coloridos, com cabelos e camisetas cortadas. Rola bebida forte de manhã cedo, sim, mal estar, abuso e maltrato. Todo semestre é a mesma coisa: Há nas hordas meninas e meninos cruéis e sádicos – uma parte do futuro deste país.
Quantos minutos para descer de elevador até o térreo? Foi o tempo suficiente para conhecer minha vizinha psicóloga, professora de ética na universidade do bairro. Ética. Segundo ela, tema sem interesse e fora de moda. No primeiro dia de aula 30% dos alunos compareceram. Ética é matéria ensinada aos futuros economistas e administradores de empresas. Nossa conversa, estendida até a calçada da frente do prédio, também foi sobre maneiras criativas para tornar a ética matéria interessante e sobre a necessidade de ensinar ética aos economistas e administradores de empresas atuantes.
Talento nos dois lados da câmera
O talento de Annie Leibovitz é indiscutível e a Vanity Fair publicou uma série de imagens e vídeos do trabalho da fotógrafa com cineastas e atores dos melhores filmes de 2009.
É interessante curtir a pose do vitorioso James Camaron, diretor de Avatar; o carinho entre Almodóvar e Penélope Cruz, de Los Abrazos Rotos; o irrequieto Quentin Tarantino a morder a orelha de Christoph Waltz (excelente e realista a atuação de Waltz) de Inglourious Basterds; o trio animado de Precious: Gabourey Sidibe, Mo'Nique e Lee Daniels.
A publicação enfatiza o perfeito sincronismo entre Leibovitz e os onze profissionais da telona por ela retratados, mas quem acompanha seu trabalho sabe que um de seus segredos é deixar as pessoas à vontade e agregá-las as suas ideias criativas, sem imposição ou impaciência.
(Imagem reprodução)
Musicologia
Esta relação foi publicada em 2008, pela Rolling Stones, e como toda lista dos melhores do mundo ou de todos os tempos, é imperfeita, discutível e incompleta. Mas a base considerada pela publicação é válida, respeitável e foi formada por músicos talentosos e reconhecidos, jornalistas especializados, produtores e representantes de gravadoras.
O gostoso de ler esta matéria é conhecer mais sobre alguns ícones e outros não tão ícones assim, os influenciados e os influenciáveis, quem votou em quem, além dos melhores hits de cada escolhido. É descobrir que Don Henley participou das músicas que mais gosto da Stevie Nicks, dos Eagles e de Bruce Hornsby; o quanto Paul Rodgers influenciou o trabalho do Queen; conhecer o som de Ronnie Spector e suas Ronnettes; lembrar da dupla melosa e romântica formada pela Roberta Flack e pelo Donny Hathaway; relembrar Otis Redding, Lou Rawls, Sam Cooker e os sucessos da Gladys Knight com os Pips; ficar feliz por não ser a única fixada na voz do Robert Plant e do Steve Perry; conhecer mais o som de John Lee Hooker, lembrar que Frank Valli contou com os 4 Seasons para firmar seu sucesso e que Eric Burdon "costumava ser um animal".
Enjoy.
01 Aretha Franklin
02 Ray Charles
03 Elvis Presley
04 Sam Cooke
05 John Lennon
06 Marvin Gaye
07 Bob Dylan
08 Otis Redding
09 Stevie Wonder
10 James Brown
11 Paul McCartney
12 Little Richard
13 Roy Orbison
14 Al Green
15 Robert Plant
16 Mick Jagger
17 Tina Turner
18 Freddie Mercury
19 Bob Marley
20 Smokey Robinson
21 Johnny Cash
22 Etta James
23 David Bowie
24 Van Morrison
25 Michael Jackson
26 Jackie Wilson
27 Hank Williams
28 Janis Joplin
29 Nina Simone
30 Prince
31 Howlin' Wolf
32 Bono
33 Steve Winwood
34 Whitney Houston
35 Dusty Sprinfield
36 Bruce Springsteen
37 Neil Young
38 Elton John
39 Jeff Buckley
40 Curtis Mayfield
41 Chuck Berry
42 Joni Mitchell
43 George Jones
44 Bobby "Blue" Bland
45 Kurt Cobain
46 Patsy Cline
47 Jim Morrison
48 Buddy Holly
49 Donny Hathaway
50 Bonnie Rait
51 Gladys Knight
52 Brian Wilson
53 Muddy Waters
54 Luther Vandross
55 Paul Rodgers
56 Mavis Staples
57 Eric Bourdon
58 Christina Aguilera
59 Rod Stewart
60 Björk
61 Roger Daltrey
62 Lou Reed
63 Dion
64 Axl Rose
65 David Ruffin
66 Thom Yorke
67 Jerry Lee Lewis
68 Wilson Pickett
69 Ronnie Spector
70 Gregg Allman
71 Toots Hibbert
72 John Fogerty
73 Dolly Parton
74 James Taylor
75 Iggy Pop
76 Steve Perry
77 Merle Haggard
78 Sly Stone
79 Mariah Carey
80 Frankie Valli
81 John Lee Hooker
82 Tom Waits
83 Patti Smith
84 Darlene Love
85 Sam Moore
86 Art Garfunkel
87 Don Henley
88 Willie Nelson
89 Solomon Burke
90 The Everly Brothers
91 Levon Helm
92 Morrissey
93 Annie Lennox
94 Karen Carpenter
95 Patti LaBelle
96 B.B. King
97 Joe Cocker
98 Stevie Nicks
99 Steven Tyler
100 Mary J. Blige
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Começa por brincar às escondidas com os nossos pensamentos
Estresse contínuo, alimentação equivocada, sedentarismo e hábitos nocivos (consumo exagerado de bebidas alcoólicas, cigarros, consumo de alimentos impregnados por pesticidas e demais produtos químicos) auxiliam o surgimento do câncer.
Dieta pode evitar 19% dos cânceres
A prática de atividades físicas e uma alimentação saudável são os principais fatores de proteção
Levantamento divulgado pelo Inca faz projeções específicas para o Brasil; estima-se o surgimento de 375.420 casos em 2010
Combinar alimentação saudável, controle de peso e prática de atividade física é capaz de prevenir 19% dos casos de câncer no país, aponta o relatório "Políticas e Ações para a Prevenção do Câncer no Brasil, Alimentação, Nutrição e Atividade Física" divulgado ontem pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) em parceria com o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer.
De acordo com o levantamento, que faz projeções específicas para o Brasil, a união desses fatores poderia evitar 63% dos casos de câncer de boca, faringe e laringe; 60% dos tumores de esôfago; 52% dos casos que atingem o endométrio; 41% dos cânceres de estômago; 34% de pâncreas e 37% dos casos de câncer colorretal. O Inca estima o surgimento de 375.420 casos novos de todos os tipos de câncer em 2010.
"Este é primeiro levantamento que traz dados específicos para o Brasil relacionando incidência dos tumores com fatores de risco. Traz também um conjunto de ações que, juntas, têm um grande potencial de proteção contra o câncer", afirma Cláudio Noronha, coordenador da Divisão de Prevenção e Vigilância do Inca.
"Os resultados não são uma surpresa, pois já se sabia que a obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de uma série de tumores, especialmente os de fígado, pâncreas e endométrio. A importância disso é a compilação desses dados e a conscientização das pessoas", avalia o endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do Laboratório de Investigação de Metabolismo e Diabetes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Segundo dados do relatório, o controle do peso, mesmo sem a prática de atividade física constante, também seria eficaz no controle do câncer, podendo evitar 13% dos casos.
Para a nutricionista Luciene Assaf de Matos, do Hospital A.C.Camargo, no entanto, aliar uma boa alimentação à prática de exercícios físicos é fundamental. "A alimentação não trabalha sozinha. A pessoa pode até ter o peso adequado, mas o estilo de vida sedentário ao longo dos anos não é saudável."
Medidas: De acordo com Noronha, a publicação também chama a atenção para medidas simples de serem aplicadas no dia a dia da população para tentar manter hábitos saudáveis. "Cerca de 10% dos cânceres são determinados por fatores hereditários. Os outros 90% dos casos são decorrentes do padrão de vida que a pessoa leva, incluindo exposição a infecções, agentes tóxicos, padrão de alimentação, entre outras coisas que podem ser evitadas."
Custo para o SUS: De acordo com o Inca, o SUS (Sistema Único de Saúde) registra cerca de 546 mil internações por câncer anualmente - estima-se que são 259 mil internações na saúde suplementar. Cada internação no SUS custa, em média, R$ 1.446,34 para os cofres públicos.
Unindo alimentação saudável, atividade física e peso adequado, o Inca estima que haveria uma economia de R$ 84 milhões, em 2010, nos gastos com tumores de boca, faringe e laringe, esôfago, pulmão, estômago, colorretal e mama.
"O Brasil, de modo geral, ainda gasta muito com o tratamento do câncer por falta de uma política adequada de prevenção. Vivemos em um país cercado pelo mar e, mesmo assim, o consumo de peixe é baixíssimo, pois é muito caro para a maioria da população. E o peixe é infinitamente mais saudável do que a carne vermelha", diz a nutricionista Matos.
Segundo Noronha, os dados servirão de base para a elaboração de políticas de saúde pública e uma das prioridades serão as escolas. "A ideia é fazer a proteção primária, para evitar que a pessoa adoeça. Por isso, por exemplo, vamos recomendar que as escolas proíbam a venda de alimentos industrializados nas cantinas e restrinjam as máquinas de venda de comida e bebida prontas", diz.
Imagem de Amr Abdallah Dalsh
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
If to remember is to find salvation, to forget is to be cursed to return to life
Magnitude
You cannot catch me in a fist
lock me in a room
transport me in tiny vehicles
a six-yard sari is hardly enough for me
I don’t fit into readymade blouses
Between the front and the backdoor
within two rooms and a portico
the year-round festivals
cannot frame me.
Hey you, the man on the beach
play as much as you can
and return home.
My waves have to carry
many more ships ashore.
* * *
Tell me a tale
Let there be seven seas, thunderstorms,
fire-spitting dragons in it.
Let there be a pet parrot, eating pearls,
mocking his demon master.
Let there be trouble at every step,
an unending maze, no way out.
I know all that and I am not scared.
All such tales end with a
‘living happily ever after’.
Tell me a tale
of the breath-choking hugs
under the neem tree
where dreams turn into his promises.
Tell me a tale
which can make me cry and howl
like a wounded animal
at the end of which
they come together
like lost children
finding each other by chance.
Once upon a time
there lived a princess
and the washer boy
was in love with her . . .
Such tales are rarely false.
* * *
Woman and blood
Tiny fingers cut and bleed
despite the warning not to touch
the knife.
Blood finally stops with a bandage
the little sobs continue even
after the hug and kiss.
All of a sudden growing up
brings new problems
Question papers are far easier
The next is still unknown.
Blood drops
on the playground
cycle seat
degree certificate
carpet in the hall
some bench some corner of a
park
cinema theatre
on the first love letter
wedding mandap
and on . . . the bed.
Later,
it’s a great effort to stop the blood
on it stands the honour of the
family
dynasties have tumbled
battles fought, hearts broken
even deaths are justified.
When finally it stops
my God, it’s like the churning of the ten oceans
and the butter emerges
bringing smiles to all the faces
White blood from the swollen
breasts
flows endless. Innumerable
legends,
myths and songs of praise . . .
It’s okay if the young pigeon
turns into a vulture later, it’s okay.
Then one day,
it really stops.
Permanently.
Tears, hopelessness,
even talks of hormone treatments.
But it’s time for getting ready to
go.
Someone once said
‘Blood relation means . . .’
I stopped him midway
‘I know, I am a woman.’
You cannot catch me in a fist
lock me in a room
transport me in tiny vehicles
a six-yard sari is hardly enough for me
I don’t fit into readymade blouses
Between the front and the backdoor
within two rooms and a portico
the year-round festivals
cannot frame me.
Hey you, the man on the beach
play as much as you can
and return home.
My waves have to carry
many more ships ashore.
* * *
Tell me a tale
Let there be seven seas, thunderstorms,
fire-spitting dragons in it.
Let there be a pet parrot, eating pearls,
mocking his demon master.
Let there be trouble at every step,
an unending maze, no way out.
I know all that and I am not scared.
All such tales end with a
‘living happily ever after’.
Tell me a tale
of the breath-choking hugs
under the neem tree
where dreams turn into his promises.
Tell me a tale
which can make me cry and howl
like a wounded animal
at the end of which
they come together
like lost children
finding each other by chance.
Once upon a time
there lived a princess
and the washer boy
was in love with her . . .
Such tales are rarely false.
* * *
Woman and blood
Tiny fingers cut and bleed
despite the warning not to touch
the knife.
Blood finally stops with a bandage
the little sobs continue even
after the hug and kiss.
All of a sudden growing up
brings new problems
Question papers are far easier
The next is still unknown.
Blood drops
on the playground
cycle seat
degree certificate
carpet in the hall
some bench some corner of a
park
cinema theatre
on the first love letter
wedding mandap
and on . . . the bed.
Later,
it’s a great effort to stop the blood
on it stands the honour of the
family
dynasties have tumbled
battles fought, hearts broken
even deaths are justified.
When finally it stops
my God, it’s like the churning of the ten oceans
and the butter emerges
bringing smiles to all the faces
White blood from the swollen
breasts
flows endless. Innumerable
legends,
myths and songs of praise . . .
It’s okay if the young pigeon
turns into a vulture later, it’s okay.
Then one day,
it really stops.
Permanently.
Tears, hopelessness,
even talks of hormone treatments.
But it’s time for getting ready to
go.
Someone once said
‘Blood relation means . . .’
I stopped him midway
‘I know, I am a woman.’
Miscelânia musical
Finalmente o conteúdo do itunes foi recuperado, ampliado e organizado. Meus CDs mais queridos, além dos CDs e do conteúdo do itunes do meu filho e as músicas trocadas na internet, todos os itens ordenados com suas capas.O que mãe e filho compartilham? Puddle of Mudd, 3 Doors Down, U2, Beyonce, Aerosmith, Ben Harper, Black Eyed Peas, Peter Gabriel, Blur, Coldplay, Bruce Springteen, Creed, Dire Straits, EBTG, Foo Fighters, Groove Coverage, Radiohead, Supertramp, Jason Mraz, Lady Gaga,Tracy Chapman, Jamiroquai, Outkast, Lenny Kravitz, M People, Seal, Q-Tip e raras bate-estacas (ou tortura musical) como chamo a música com batida única e repetida. Adiante surge uma bifurcação e nossos gostos musicais se separam.
Por falar em capas, considerei a capa de um dos CDs do garotão, sem a mínima graça: Em um fundo amarelo-canário a figura de um gramofone e o título “Velhas”. Ora, velhas! Gramofone? As músicas consideradas “velhas” são clássicos (já repararam como quase tudo pertencente ao passado recente é rotulado clássico? O filme Porky’s, 1982, de Bob Clark, por exemplo, virou um clássico.) das décadas setenta e oitenta. Meu filho nasceu no começo da década oitenta e cresceu com essa trilha sonora.
Agora, quero compartilhar o conteúdo do meu itunes com o garotão e torço para que ele curta as velharias, as novidades e as semi-novidades: Afro Celt Sound System, Paul McCartney (de Ram e Band on the Run para frente), Andrew Bird, Erykah Badu, Al Stewart (Year of the cat), Credence, Brand New Heavies, Vampire Weekend, Basement Jaxx, Doobie Brothers, Dave Mathews Band, The Fray, Hugh Masekela, Jamie Lidell, Lindsey Buckingham, Paul Weller, Kings of Leon, MGMT, Daryl Hal and John Oates, Jorge Drexler, Beck, Radioclit, Rascal Flatts, Jakob Dylan, Little Joy, Wilco, Spandau Ballet, Talk Talk, The 5th Dimension, The Cranberries, The Beting Straits, The Style Council, The Pretenders, Bat for Lashes… E para você curtir os preferidos da sua avó, tem uma seleção de primeira do Tom Jones, do Elvis Presley e da Elis Regina.
Minha torcida fervorosa, direcionada e quase nada tendenciosa, filhão, é para que você goste de Keith Jarret, Chick Corea, Herbie Hancock e deles você conheça Miles Davis e John Coltrane e descubra a coleção de Ken Burns. Foi mais ou menos assim, que você também se formou em Direito, né?
Imagem de Dennis Stock
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Esses estranhos que nós amamos e nos amam
Ontem foi dia de cartas, cartões e fotografias da década de noventa, oitenta, até a década de trinta, coisas de meus pais e minhas. Horas de aconchego, saudade, sorrisos, risadas gostosas e danças, animada pela música.
A eternidade pode durar três dias e um átimo pode durar três anos.
Precisei do tempo certo para ser capaz, curtir e carinhosamente organizar tantas coisas.
Há momentos sensíveis nos quais tudo combina e a magia é o resultado da harmonia, que liberta o espírito e a mente.
Escolhi algumas fotos para escanear, mandar por email e compartilhar o bem-estar.
Colagem
(com versos de Desnos, Maiakovski e Rilke)
Palavras,
sereis apenas mitos
semelhantes ao mirto
dos mortos?
Sim,
conheço
a força
das palavras,
menos que nada,
menos que pétalas pisadas
num salão de baile,
e no entanto
se eu chamasse
quem dentre os homens me ouviria
sem palavras?
Carlos de Oliveira
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Tristeza
Morre, aos 75 anos, o jornalista e escritor argentino Tomás Eloy Martínez
O jornalista e escritor argentino Tomás Eloy Martínez morreu neste domingo aos 75 anos após anos de luta contra um câncer.
Martínez nasceu em 1934, na cidade de San Miguel de Tucumán, colaborava como colunista nos jornais "El País", "La Nácion" e "New York Times". Em 2009, ele recebeu o prêmio Ortega y Gasset de jornalismo.
Martínez foi o principal autor de romances políticos da Argentina. Perón e Evita ganharam projeção dramática e tratamento ficcional, tendo a verdade histórica como ingrediente essencial dos livros "Romance de Perón" e "Santa Evita".
Exilado durante todo o período militar argentino (1976-1983) em decorrência da perseguição de um grupo de extrema direita, ele viveu na Europa e na Venezuela.
O último livro de Martinéz lançado no Brasil foi o romance "Purgatório", que retrata a personagem que busca o amante desaparecido por 30 anos e o reencontra sem que tenha envelhecido.
Em entrevista a Folha em julho de 2009, o escritor falou sobre a proximidade entre o tema do livro e a sua época no exílio. "O exílio e o purgatório têm muito em comum. Em ambos a essência é a espera, uma espera que parece infinita, ao mesmo tempo uma espera cheia de esperança".
Publicado no Folha on Line
Há poesia na dor, na flor, no beija-flor, no elevador
A tarde se deitava nos meus olhos
E a fuga da hora me entregava abril,
Um sabor familiar de até-logo criava
Um ar, e, não sei porque, te percebi.
Voltei-me em flor. Mas era apenas tua lembrança.
Estavas longe doce amiga e só vi no perfil da
cidade
O arcanjo forte do arranha-céu cor de rosa,
Mexendo asas azuis dentro da tarde.
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus amigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
Mário de Andrade
Esse é o ótimo livro do antropólogo Claude Lévi-Strauss, sobre São Paulo e o litoral paulista na década de trinta, com texto e imagens adoráveis.
As fotografias de Lévi-Strauss, José Medeiros, Carlos Moskovics, Hildegard Rosenthal, Haruo Ohara, Thomas Farkas, Alice Brill, Otto Stupakoff, Marcel Gautherot e Maureen Bissiliat fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles .
E a fuga da hora me entregava abril,
Um sabor familiar de até-logo criava
Um ar, e, não sei porque, te percebi.
Voltei-me em flor. Mas era apenas tua lembrança.
Estavas longe doce amiga e só vi no perfil da
cidade
O arcanjo forte do arranha-céu cor de rosa,
Mexendo asas azuis dentro da tarde.
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus amigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
Mário de Andrade
Esse é o ótimo livro do antropólogo Claude Lévi-Strauss, sobre São Paulo e o litoral paulista na década de trinta, com texto e imagens adoráveis.
As fotografias de Lévi-Strauss, José Medeiros, Carlos Moskovics, Hildegard Rosenthal, Haruo Ohara, Thomas Farkas, Alice Brill, Otto Stupakoff, Marcel Gautherot e Maureen Bissiliat fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles .
Contra a obscuridade
Up in the air (Amor sem escalas), 2009, de Jason Reitman, com George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman e Zach Galifianakis é uma lição ao mundo corporativo tão esquecido de valores, moral, ética, honestidade, verdade e uma lição sobre a dedicação profissional exagerada e a ausência de vida pessoal. Trata do pesado carma da demissão, ação que, irremediavelmente, polui a essência de quem demite. Jamais minta, diz ele, e não fale ao demitido o quanto demitir é difícil, isso é crueldade, ele ensina. Clooney viaja o ano inteiro para demitir pessoas que ele não conhece, em empresas nas quais ele nunca esteve antes. Nos intervalos dessa atividade desgastante e por ele desempenhada com dignidade e respeito ao demitido, ele ministra palestras que incentivam a ausência de amarras pessoais, caracterizadas por relacionamentos e pela posse de bens. Ele não possui qualquer amarra. Seu único objetivo é conquistar o cartão mais exclusivo de milhas aéreas acumuladas. Neste ponto Clooney se assemelha aos inúmeros empregados que se orgulham e se aproveitam das milhas acumuladas em viagens de trabalho e dos cartões das companhias aéreas, que fazem questão de mostrar e comparar. Seus ensinamentos sobre o respeito, a dignidade e a compaixão para com os demitidos são assimilados por uma colega de trabalho, que passa a acompanhá-lo nas viagens. Ele retira a dura couraça profissional dela e ela o incentiva a retirar a couraça pessoal. Ele consegue se abrir e se envolver, mas com a pessoa errada. O ritmo do filme e o roteiro são excelentes e eu havia me esquecido o quanto Clooney é charmoso e como é lindo seu sorriso.
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