terça-feira, 7 de julho de 2009

Planetinhas isolados - a autoajuda não beneficia pessoas com baixa autoestima

Se tivéssemos real noção da nossa dimensão, se nos conhecêssemos de verdade, se compreendêssemos e respeitássemos nossas limitações - ao menos a maior parte delas, se aprendêssemos a conviver conosco e gostássemos dessa convivência, se aprimorássemos nossa melhor parte e com isso, cada vez mais desenvoltos, nos tornássemos capazes de sentir apreço por nós, sentirmos afeição por nós e passássemos a nos estimar mais, toda a carga externa que nos foi direcionada perderia força, valor e, com isso, efeito.
Não é fácil sobrevivermos às mães perfeccionistas, aos pais super zelosos e protetores, à inevitável tribo cruel das primeiras escolas, às rejeições de afeto, à competição desleal nas atividades profissionais e ao desrespeito geral oriundo da atual falta de valores, sem que, aos poucos, tenhamos nossa própria avaliação afetada e a consideração que nos dedicamos diminuída.
À rigor, os massacrantes padrões superficiais que aceitamos - e o fato de os aceitarmos é o mais triste de tudo - para nos sentirmos alguém (principalmente, para aparentarmos ser alguém) nos impõem metas tão elevadas quanto superficiais. Juventude, beleza, magreza, carisma, riqueza, alegria, desenvoltura, articulação, virilidade e simpatia, todas essas qualificações e mais algumas, talvez, nos tornassem capazes de esquecermos os dias que ficávamos do lado de fora da piscina do clube do qual não éramos sócios, dos bailinhos que não dançamos, dos presentes que não ganhamos, dos comentários destrutivos, do abandono e de tantas coisas que normalmente acontecem na vida de todos, sem exceção. O paradoxal é que para curarmos as fissuras internas e as feridinhas que ficam e às vezes sangram e doem, não optamos por aprimorar nosso conteúdo, mas por alterar a aparência, que, por si, é tão efêmera.
Com o conteúdo oco, sensível e triste a busca pelo bem estar interno aumenta e, muitas vezes, nos apoiamos no vasto material de autoajuda disponível (ou em relacionamentos equivocados disponíveis) na tentativa de fortalermos nossa autoestima. Como, você não é feliz? Você é obrigado a ser feliz! Os manuais de autoajuda falharam? (assim como os relacionamentos equivocados?) Então, você é um caso perdido. Mas, para quem?
 
Repetir pensamentos positivos para si pode acabar tendo efeito contrário ao desejado em indivíduos com baixa autoestima, afirma um estudo de pesquisadores canadenses. Frases encorajadoras e positivas a respeito de si funcionam apenas para quem já tem autoestima alta. Os pesquisadores das universidades de Waterloo e de New Brunswick pediram a participantes do seu projeto que repetissem para si mesmos a frase “sou uma pessoa adorável”. Depois, eles analisaram a impressão dos participantes sobre si. No grupo com baixa autoestima, os que tentaram este recurso de autoajuda se sentiram piores do que antes. Já pessoas com alta autoestima se sentiram – levemente – melhores após repetir o mantra positivo. Os psicólogos pediram então que os participantes listassem pensamentos positivos e negativos a respeito de si. Eles descobriram que, paradoxalmente, aqueles com baixa autoestima se sentiam melhor quando podiam ter pensamentos negativos a respeito de si, e não quando eram obrigados a se focar nos pontos positivos.
Em um artigo na revista científica Psychological Science, os cientistas sugerem que, assim como elogios exagerados, asseverações puramente positivas tais como “eu me aceito completamente” podem produzir pensamentos contraditórios em indivíduos com baixa autoestima. “Repetir afirmações positivas pode beneficiar algumas pessoas, como indivíduos com alta autoestima, mas sair pela culatra no caso das pessoas que mais precisam deles”, afirmou a psicóloga que coordenou a pesquisa, Joanne Wood. Ela destacou, entretanto, que os pensamentos positivos funcionam como parte de uma terapia mais ampla. A ideia de que as pessoas devem “se ajudar” a fim de se sentir melhor foi elaborada há 150 anos pelo médico escocês Samuel Smiles. Seu livro sobre o tema, que trazia orientações como “os céus ajudam aqueles que se ajudam”, vendeu 250 mil cópias. Hoje, o negócio da autoajuda virou uma indústria multibilionária.

Imagem de Alexandre Duret-Lutz

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O mais antigo exemplar da Bíblia conhecido até agora

Segundo notícia veiculada pela BBC o exemplar mais antigo da Bíblia, escrito em grego sobre folhas de pergaminho no século 4, foi colocado na internet. Das 1.460 páginas encontradas, cada uma medindo 40 cm por 35 cm, 800 já teriam sido restauradas por especialistas e estão à disposição para consulta na internet. Os visitantes poderão ver imagens de mais de metade do manuscrito Codex Sinaiticus. O projeto envolveu especialistas da Grã-Bretanha, Alemanha, Egito e Rússia, e, segundo eles, apresenta muitas possibilidades de pesquisa no futuro.
"O Codex Sinaiticus é um dos maiores tesouros escritos do mundo", afirmou Scot McKendrick, diretor de manuscritos ocidentais da Biblioteca Britânica, em Londres. "Este manuscrito de 1,6 mil anos é uma janela para se entender o desenvolvimento do início do Cristianismo, e se trata de uma evidência em primeira mão de como o texto da Bíblia foi transmitido de geração a geração", disse McKendrick. "A disponibilidade do manuscrito virtual para estudiosos de todo o mundo cria oportunidades para trabalhos de pesquisa conjuntos que não seriam possíveis até o momento."
Por 1,5 mil anos, o manuscrito ficou preservado em um mosteiro na Península do Sinai, no Egito. Em 1844, ele foi encontrado e dividido entre Egito, Rússia, Alemanha e Grã-Bretanha. Acredita-se que o documento resistiu ao tempo porque o ar do deserto é ideal para a conservação do pergaminho, e porque o mosteiro permaneceu intocado por todos esses anos.
Para marcar o lançamento do site www.codexsinaiticus.org, a Biblioteca Britânica está realizando uma exposição em sua sede, em Londres, que incluiu vários artefatos históricos ligados ao manuscrito.
21:26 αβιμελεχ ουκ εγνω τιϲ εποιηϲ εν το πραγμα τ ουτο · ουδε ϲυ μοι α πηγγει λαϲ ουδ ε εγω ηκουϲα αλλ η̣ ϲη μερον
27 και ε λ̣αβ ε αβρααμ πρ ο̣βατα και μοϲχουϲ και εδωκεν τω αβ ι̣με λεχ και διεθ εντο αμφοτερ οι διαθη κην
28 και εϲτηϲε̣ αβραα μ̣ επτα αμνα δαϲ των προ β ατω ν μο
33 τω φρεα̣ τι του ορκου και ε̣πεκα λεϲατο ε̣κει̣ τ ο ονο̣μα τ ου κυ · θϲ α̣ιωνιοϲ
34 π̣αρωκηϲε δε αβρα α μ εν τη γη τ ω̣ν φυλ̣ ιϲ τιειμ · η μεραϲ π̣ο̣λλαϲ

http://www.codexsinaiticus.org/en/manuscript.aspx?book=27

Para que fiques


Poema de Lya Luft

domingo, 5 de julho de 2009

Faça caretinha você é monitorado

Um dos livros mais impressionantes e deprimentes que li, 1984, foi escrito por George Orwell, ou melhor, Eric Arthur Blair, jornalista, ensaísta, poeta e escritor inglês, que demonstrou claramente seu desprezo pelos regimes totalitários.
A revolução dos bichos, outra obra sua, é primorosa ao descrever o quanto todos somos iguais e o quanto alguns conseguem ser mais iguais do que os outros.
É impossível deixarmos de nos impressionar com a constante vigilância do estado onipresente, capaz de alterar a história, destruir crenças, adulterar dados, suprimir sentimentos, manipular as pessoas, excluir a liberdade e a privacidade de todos, com o único objetivo de manter sua própria estrutura inabalada e cada vez mais fortalecida. Não bastava ao personagem Wiston temer e respeitar o Grande Irmão, era necessário adorar o Grande Irmão.
Muitos consideram 1984 uma metáfora das sociedades modernas e acreditam que Orwell - ele escreveu esse livro
no interior da Inglaterra, tuberculoso e em crise depressiva pela morte de sua mulher - quis avisar-nos sobre os perigos da sociedade moderna.
Lembrei-me desse livro porque me descubro incomodada com o padrão de segurança existente em todos os locais frequentados, não importa quantas vezes: Consultórios médicos, escritórios, laboratórios... Se antes tentávamos calcular o tempo que levaríamos de um lugar ao outro, baseados em variantes como o trânsito, a chuva e o dia da semana, agora, para não atrasarmos também devemos considerar o tempo gasto em portarias
, para que os responsáveis pelos serviços de segurança peçam nosso documento, digitem nossos dados, perguntem o número de nosso telefone, nosso email e endereço - será que as empresas de segurança pretendem vender nossos dados para serviços de telemarketing? - tirem nossa bendita fotografia, momento no qual o/a recepcionista recebe a luz de Cartier-Bresson e busca nosso melhor ângulo, telefonem para a pessoa que nos espera há mais de meia hora, entreguem nosso crachá e nos liberem para a fase de tortura na catraca (ainda não pensaram em algum curso rápido, que nos auxilie na descoberta do lugar certo para encostarmos / enfiarmos / retirarmos o crachá em tantas catracas diferentes, que estão por aí, a desafiar nossa limitada inteligência). Ufa! Até na banca de jornal encontro o aviso sorria você está sendo filmado. De repente percebo que esse incômodo pode ser melhor compreendido através do artigo a seguir do Jornal Folha de São Paulo. É assustador o número de câmeras que nos vigiam diuturnamente. Câmeras, radares, serviços de segurança, paranóias que infernizam nossas vidas e têm eficácia duvidosa - a não ser em relação ao ganho imenso das empresas que os fabricam, instalam e administram - porque ainda dependem de ações complementares do estado. Veja só, que maravilha, as câmeras na entrada do prédio e no elevador fizeram imagens perfeitas da quadrilha que promoveu o arrastão! E?...

SP já possui uma câmera para cada 16 habitantes
Até o metrô começou monitoramento do interior dos vagões em tempo real
Para associação de empresas do setor de vigilância eletrônica, cidade tem pelo menos 600 mil câmeras, em uma estimativa conservadora.
De Vinícius Queiroz Galvão
Quem anda num dos cinco novos vagões com ar-condicionado da linha verde do metrô não sabe, mas deveria sorrir, porque está sendo filmado. Os novos comboios têm 26 câmeras - quatro por vagão, mais duas externas no primeiro e no último carro da composição. A imagem é transmitida em tempo real para um monitor na cabine do maquinista. Até o final deste ano, outros 16 novos trens com a mesma tecnologia devem entrar em operação, e mais 98 antigos estão em reforma para se equipar de câmeras. Menos de dois anos atrás, o Metrô inaugurou um centro de controle de segurança para monitorar as estações, que hoje têm 930 câmeras vigiando as plataformas -e os usuários. Em um ano, elas serão 1.318. "Mentira que estamos sendo filmados. Como não tem aviso disso?", diz Ângela Gonzaga, que andava anteontem na linha que cruza a avenida Paulista.Os olhos biônicos do sistema de transporte subterrâneo são um indicativo de que a cidade está cada vez mais na mira das lentes de vigilância. Dados da Abese, a associação das empresas de segurança eletrônica, mostram, na estimativa mais conservadora, que São Paulo já tem 600 mil câmeras, uma para cada 16 paulistanos. Há dez anos, elas eram 50 mil. "No momento em que sai de casa, todo mundo já passa a ser gravado. Tudo é possível de ser monitorado", diz Selma Migliori, presidente da entidade. As poucas exceções livres de gravação são o interior de banheiros e de provadores de roupa. Instaladas recentemente até em cemitérios para evitar o furto de restos mortais e de objetos dos túmulos, as câmeras estão instaladas nas regiões com maior circulação de pessoas, como a avenida Paulista e no comércio popular da rua 25 de Março, e em bairros de maior poder aquisitivo, como Jardins, Itaim Bibi e Morumbi. Num condomínio, um sistema de circuito interno de TV pode custar
R$ 100 mil. Só a prefeitura tem 3.585 câmeras, controladas em sua maioria pela Guarda Civil, pela SPTrans, pela Secretaria da Educação (para vigiar as escolas públicas) e pelo departamento de trânsito. A Polícia Militar tem mais cem instaladas e outras 30 em teste. As da CET nas marginais, por exemplo, têm alcance de quatro quilômetros em zoom. A primeira delas, ainda em operação, foi instalada há 25 anos. Todas passam por restauração para modernização e devem ficar prontas em outubro. Somados radares e câmeras, a companhia de tráfego tem 605 aparelhos para monitorar o trânsito e aplicar multas. "Tendo a violência como desculpa e o medo das pessoas como justificativa, invade-se a intimidade. O nível de neurose e o medo aumentaram, mas a sensação de segurança da população não é maior com esse aparato", diz Sérgio Kodato, coordenador do Observatório da Violência da USP.

Divisão, unificação, ideias distintas

No dia 9 de novembro de 1989, como todos, vibrei com a queda do muro de Berlim e acreditei que uma nova era começava.
Fiquei emocionada com a reação das pessoas, com o fim do regime totalitário, com a retomada dos direitos individuais. Me encantei com a extinção da divisão artificial de uma única cidade, um povo e nação. Em cada lado do muro - 66,5km construídos na madrugada de 13 de agosto de 1961 - uma República: A Federal da Alemanha (RFA) e a Democrática da Alemanha (RDA) e, atrás delas, dois blocos distintos de países e ideologias representavam a divisão maior do capitalismo e do socialismo. Muro e blocos, duas figuras nada maleáveis. Aquele parecia ser um muro tão artificial quanto intimidante, que por si não foi capaz de conter anseios distintos, a liberdade, ou, até mesmo a possibilidade de ir, nem que fosse para querer voltar. Por isso, foi fortalecido com redes eletrificadas, alarmes, torres de observação e grades guardadas por ferozes cães de guarda e seus guardas. A forte segurança convivia com grafites multicoloridos, que talvez tentassem equilibrar a energia. A queda do muro teria representado o fim da Guerra Fria e o começo de novos problemas consequentes das diferenças entre os dois lados da mesma cidade. Constantemente aprendemos que as diversas repúblicas não compreendem ideais e conceitos idênticos, nem similares. Caiu o muro, fez-se história, mas o chão continua marcado pelo percurso do paredão limítrofe artificial e surgiram outras marcas, ainda surgem.
Em agosto daquele ano eu estive em Bonn, então capital da Alemanha Ocidental, e lembro que fiquei surpresa com a leveza, o colorido e a alegria alemã, que encontrei naqueles dias ensolarados de música nas praças, do delicioso jeito daquela cidade mais movimentada e pulsante do que a suíça Zurich - de onde eu vinha - e que eu considerava tão linda, tão adorável, tão organizada, tão limpa, à época, um dos meus lugares no mundo. Ah seu eu tivesse a menor suspeita de que aquele muro cairia três meses depois, eu teria ficado para me emocionar mais, para presenciar aquela parte da história.
Nos anos seguintes eu não conseguia entender como amigos alemães, moradores de Bonn e outras cidades próximas, aceitavam com prazer e orgulho o desconto de parte de seus salários para auxíliar a unificação alemã, oficialmente ocorrida em três de outubro de 1990. Nós não conhecemos esse desprendimento cívico e a cada medida compulsória demonstramos nosso estéril descontentamento. Não que deixemos de ser solidários, ao contrário, o brasileiro é um dos povos mais solidários do mundo, mas já estamos cansados de tantos tributos e descontos em nossos salários.

Em 1998 voltei à Alemanha, por conta de um curso de aperfeiçoamento, e senti que o encanto, ao menos na região que fiquei - Colônia e arredores - havia mudado.
Passados vinte anos, assisti a documentário sobre a queda do muro. Fiquei impressionada com o depoimento de um jornalista alemão, de alguns soldados e de um casal (que horas antes havia conseguido fugir para a Hungria) sobre os dias que antecederam à queda do muro. A ida de Gorbatchev à Alemanha Oriental e seu encontro com Erich Honecker, o incentivo à mudança e a resistência. Para completar, li a seguinte matéria no Jornal Folha de São Paulo. Tudo isso faz pensar e pode ser considerado um forte sinal, uma espécie de pré-aviso, só não sabemos ainda sobre o que:
 

Maioria dos alemães orientais sente que a vida era melhor no comunismo
Der Spiegel, por Julia Bonstein
A apologia da República Democrática Alemã está em alta, duas décadas depois da queda do muro de Berlim. Os jovens e os mais ricos estão entre os que desaprovam as críticas segundo as quais a Alemanha Oriental era um "Estado ilegítimo". Numa nova pesquisa, mais da metade dos antigos alemães orientais defendem a RDA. A vida de Birger, nascido do Estado de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental no nordeste da Alemanha, poderia ser vista como uma história do sucesso alemão. O muro de Berlim caiu quando ele tinha dez anos. Depois de se formar no colegial, ele estudou economia e administração em Hamburgo, morou na Índia e na África do Sul, e depois conseguiu um emprego numa companhia na cidade ocidental de Duisburg. Hoje, Birger, 30, planeja velejar no Mediterrâneo. Ele não quis usar seu nome verdadeiro nesta reportagem, porque não quer ser associado à antiga Alemanha Oriental, que ele vê como "um rótulo com conotações negativas." Mesmo assim, sentado num café em Hamburgo, Birger defende o antigo país comunista. "A maioria dos cidadãos alemães orientais tinham uma vida boa", diz ele. "Com certeza, não acho que aqui é melhor." Por "aqui", ele quer dizer a Alemanha reunificada, que ele submete a comparações questionáveis. "No passado havia a Stasi [polícia secreta da Alemanha Oriental], e hoje existe (o ministro de interior da Alemanha Wolfgang) Schäuble - ou o GEZ (o centro de arrecadação de impostos das instituições de rádio e televisão públicas da Alemanha) - que coleta informações sobre nós." Na opinião de Birger, não há diferenças fundamentais entre a ditadura e o momento atual. "As pessoas que vivem na linha de pobreza hoje não têm liberdade para viajar."
Birger não é de forma alguma um jovem sem instrução. Ele está consciente da espionagem e da repressão que aconteceram na antiga Alemanha Oriental, e, segundo ele, "não era uma coisa boa que as pessoas não pudessem sair do país, e muitos foram oprimidos". Ele não é fã do que acredita ser uma nostalgia desprezível pela antiga Alemanha Oriental. "Eu não construí um templo para adoração dos pickles Spreewald na minha casa", disse ele, referindo-se à conserva que fazia parte da identidade da Alemanha Oriental. De qualquer forma, ele não perde tempo em argumentar contra os que criticam o lugar que seus pais chamavam de lar: "Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje". Como um defensor da ditadura da antiga Alemanha Oriental, o jovem compartilha da visão da maioria das pessoas da parte oriental da Alemanha. Hoje, vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem a antiga Alemanha Oriental. "A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá", dizem 49% dos entrevistados. Oito por cento dos alemães orientais se opõem veementemente a todas as críticas à sua antiga terra natal e concordam com a declaração: "a RDA tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje".
O resultado dessas pesquisas, divulgado na sexta-feira em Berlim, revela que a glorificação da antiga Alemanha Oriental atingiu o cerne da sociedade. Hoje, não é mais uma mera nostalgia eterna que chora a perda da RDA. "Uma nova forma de Ostalgia (nostalgia pela antiga RDA) se constituiu", diz o historiador Stefan Wolle. "A ânsia pelo mundo ideal da ditadura vai muito além das antigas autoridades governamentais." Até os jovens que quase não tiveram experiência com a RDA a estão idealizando hoje. "O valor de sua própria história está em jogo", diz Wolle. As pessoas estão ignorando os defeitos da ditadura, como se as críticas ao Estado fossem um questionamento de seu próprio passado."Muitos alemães orientais percebem as críticas ao sistema como um ataque pessoal", diz o cientista político Klaus Schroeder, 59, diretor de um instituto na Universidade Livre de Berlim que estuda o antigo Estado comunista. Ele alerta a respeito dos esforços para subestimar a ditadora SED por parte dos jovens cujo conhecimento sobre a RDA é derivado principalmente de conversas familiares, e não tanto daquilo que aprenderam na escola. "Nem mesmo metade desses jovens na parte oriental da Alemanha descrevem a RDA como uma ditadura, e a maioria acredita que a Stasi era um serviço de inteligência normal", concluiu Schroeder num estudo de 2008 feito com estudantes. "Esses jovens não podem, e na verdade não querem, reconhecer o lado sombrio da RDA."
"Retirados do paraíso." Schroeder fez inimigos com declarações como essa. Ele recebeu mais de quatro mil cartas, algumas delas furiosas, em resposta a reportagens sobre seu estudo. Birger, de 30 anos, também enviou um e-mail paraSchroeder. O cientista político agora compilou uma seleção de cartas típicas para documentar o clima opinativo no qual a RDA e a Alemanha unificada são discutidas na parte oriental da Alemanha. Parte do material proporciona um insight chocante sobre os pensamentos dos cidadãos decepcionados e irritados. "Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu", escreveu uma pessoa, e um homem de 38 anos "agradece a Deus" por ter tido a chance de viver na RDA, acrescentando que só depois da reunificação da Alemanha ele observou a existência pessoas que temiam por sua existência, pedintes e pessoas sem-teto. A Alemanha de hoje é descrita como um "Estado de escravos" e uma"ditadura do capital", e alguns autores das cartas rejeitam a Alemanha por ser, em sua opinião, muito capitalista ou ditatorial, e certamente não democrática. Schroeder acha essas declarações alarmantes. "Temo que a maioria dos alemães orientais não se identifiquem com o atual sistema socio-político." Muitos dos autores das cartas são pessoas que não se beneficiaram da reunificação da Alemanha ou que preferem viver no passado. Mas também incluem pessoas como Thorsten Schön. Depois de 1989, Shön, um artesão de Stralsund, cidade do mar Báltico, a princípio atingiu um sucesso depois do outro. Apesar de não ser mais dono do Porsche que comprou depois da reunificação, o tapete de pele de leão que ele comprou numa viagem à África do Sul - uma das muitas que fez ao exterior nos últimos 20 anos - ainda está estendido no chão de sua sala de estar. "Não há dúvida: eu tive sorte", disse o homem de 51 anos. O grande contrato que ele conseguiu durante o período após a unificação tornou as coisas mais fáceis para Schön abrir seu próprio negócio. Hoje ele tem uma visão clara de Strelas und direto da janela de sua casa avarandada.
"As pessoas mentem e trapaceiam em todo lugar hoje." Objetos de Bali decoram sua sala de estar, e uma versão em miniatura da Estátua da Liberdade fica ao lado do seu DVD player. Apesar de tudo, Schön senta-se no sofá e conta com entusiasmo sobre os bons evelhos tempos na Alemanha Oriental. "Antigamente, as áreas de camping eram lugares onde as pessoas desfrutavam da liberdade juntas", diz ele. O que ele mais sente falta hoje é "daquele sentimento de companheirismo e solidariedade". A economia da escassez, completada pelas trocas, era "mais como um hobby". Se ele tem uma ficha na Stasi? "Não estou interessado nisso", diz Schön. "Além do mais, seria muito desapontador."
Sua avaliação sobre a RDA é clara: "No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje". Ele quer ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga Alemanha Oriental. E quando Schön começa a reclamar da Alemanha unificada, sua voz contêm um elemento de satisfação consigo mesmo. Aspessoas mentem e trapaceiam em todo lugar hoje, diz ele, e as injustiças de hoje são simplesmente perpetradas de uma forma mais astuta do que na RDA, onde não se ouvia falar de salários de fome e pneus de carro cortados. Schön não tem nada a dizer sobre suas próprias experiências ruins na Alemanha atual. "Estou melhor hoje do que antes", diz ele, "mas não estou mais satisfeito." O pensamento de Schön envolve menos a lógica fria do que a necessidade de defender seu ponto. O que o torna particularmente insatisfeito é "o modo falso como o Oeste pinta o Leste hoje". A RDA, diz ele, "não era um Estado injusto", mas "meu lar, onde minhas conquistas eram reconhecidas". Schön repete obstinadamente a história de como levou anos de trabalho duro para ele começar seu próprio negócio em 1989 - antes da reunificação, ele acrescenta. "Aqueles que trabalharam duro também foram capazes de se dar bem na RDA". Isso, diz ele, é uma das verdades que são persistentemente negadas nos programas de debate, quando os alemães ocidentais "agem como se os alemães orientais fossem todos um pouco tolos e ainda deveriam estar de joelhos em gratidão pela reunificação". O que exatamente há para ser celebrado, Schön se pergunta? "Memórias tingidas de cor-de-rosa são mais fortes do que as estatísticas de pessoas tentando escapar e os pedidos de vistos de saída, e ainda mais fortes do que os arquivos sobre assassinatos no muro de Berlim e sentenças políticas injustas", diz o historiador Wolle. São as memórias de pessoas cujas famílias não foram perseguidas e vitimizadas na Alemanha Oriental, de pessoas como Birger, de 30 anos, que diz hoje: "Se a reunificação não tivesse acontecido, eu também teria tido uma vida boa". Depois de se formar na universidade, diz, ele teria sem dúvida aceitado uma "posição de gerência em alguma empresa", talvez da mesma forma que seu pai, que era o presidente de uma cooperativa de fazendeiros. "A RDA não tinha nenhuma influência na vida de um cidadão da RDA", conclui Birger. Essa visão é compartilhada por seus amigos, todos eles com estudo superior e filhos de ex-alemães orientais, nascidos em 1978. "Reunificação ou não", concluiu o grupo de amigos recentemente, de fato não faz diferença para eles. Sem a reunificação, suas opções de viagem seriam Moscou ou Praga, em vez de Londres e Bruxelas. E o amigo que trabalha no governo em Mecklenburg hoje provavelmente teria sido um oficial leal ao partido na RDA. O jovem expressa suas visões de forma equilibrada e com poucas palavras, apesar de parecer um pouco desafiador em alguns momentos, como quando diz: "Eu sei, o que estou dizendo não é tão interessante. A história das vítimas é mais fácil de contar." Birger não costuma mencionar sua origem. Em Duisburg, onde ele trabalha, quase ninguém sabe que ele é da Alemanha Oriental. Mas nessa tarde, Birger está disposto a contradizer "a história escrita pelos vitoriosos". "Na percepção do público, há apenas vítimas e carrascos. Mas as massas ficam à margem." Eis alguém que se sente pessoalmente afetado quando o terror e a repressão da Stasi são mencionados. Ele é um acadêmico que sabe "que ninguém pode consentir com os assassinatos no muro de Berlim". Entretanto, no que diz respeito às ordens dos guardas no muro de matar os que tentassem fugir, ele diz: "Se há um grande sinal ali, você não deveria ir lá. Foi totalmente negligente". Isso levanta uma antiga questão mais uma vez: existia uma vida real em meio à fraude? Subestimar a ditadura é visto como o preço que as pessoas pagam para preservar seu auto-respeito. "As pessoas estão defendendo suas próprias vidas", escreve o cientista político Schroeder, descrevendo a tragédia de um país dividido.
(Tradução: Eloise De Vylder)

Imagem de Brassai

sábado, 4 de julho de 2009

Nosso lado mulherzinha

Que tal uma bolsa-rosa ou uma bolsa-cebola para os nossos dias mulherzinha ecológica?
A artista plástica Kathleen Dustin apresenta essa proposta diferente, com suas esculturas funcionais.





O desafio lançado pelo cérebro para a conquista da longevidade saudável

A capacidade mental começaria a diminuir aos 27 anos
Uma pesquisa sugere que a capacidade mental de uma pessoa atinge o auge aos 22 anos e começa a deteriorar aos 27 anos, marcando o início do processo de envelhecimento.

Timothy Salthouse, da Universidade de Virgínia, descobriu que raciocínio, agilidade mental e visualização espacial, alguns aspectos da função cognitiva, entram em declínio perto dos 30 anos de idade. Assim, os tratamentos que objetivam amenizar o processo de envelhecimento deveriam começar mais cedo, bem mais cedo. O estudo, publicado na revista Neurobiology of Aging, foi feito ao longo de sete anos e incluiu 2 mil pessoas saudáveis, com bom nível de instrução e idades entre 18 e 60 anos. Os participantes tiveram que resolver quebra-cabeças, lembrar-se de palavras e detalhes de histórias, além de identificar padrões em grupos de letras e símbolos, testes já utilizados por médicos para procurar sinais de demência. Em nove dos 12 testes realizados, a média de idade dos indivíduos que tiveram o melhor desempenho foi de 22 anos. A idade em que se observou uma piora marcante no desempenho dos participantes em testes de agilidade mental, raciocínio e habilidade para resolver quebra-cabeças visuais foi 27. Funções como a memória ficaram intactas até os 37 anos, em média, e as habilidades baseadas no acúmulo de informações, tais como desempenho em testes de vocabulário e conhecimentos gerais,
aumentaram até os 60 anos de idade.

O estresse causado pelo excesso de trabalho poderia aumentar o risco de declínio mental e, possivelmente, de demência. Uma das facetas do conhecido e pouco considerado karoshi, a morte pela excesso de trabalho
Demência é um termo genérico que descreve a deterioração de funções como memória, linguagem, orientação e julgamento. Existem vários tipos de demência, mas o mal de Alzheimer, com dois terços dos casos, é a forma mais comum. Estudo realizado por médicos finlandeses analisou 2.214 funcionários públicos britânicos de meia idade e descobriu que aqueles que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham menos habilidades mentais do que os que faziam o horário normal. A pesquisa, divulgada na publicação científica American Journal of Epidemiology, descobriu que os que trabalhavam demais tinham problemas com a memória de curto prazo e a lembrança de palavras. Os pesquisadores afirmam que os fatores mais importantes podem incluir o aumento de problemas do sono, depressão, estilo de vida prejudicial à saúde e o aumento do risco de doenças cardiovasculares, possivelmente ligados ao estresse. "As desvantagens das horas extras devem ser levadas a sério", afirmou a pesquisadora que liderou a pesquisa Marianna Virtanen, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional.
Efeito é cumulativo: Os funcionários públicos que participaram do estudo fizeram cinco testes diferentes para avaliar a função mental, uma vez entre 1997 e 1999 e novamente entre 2002 e 2004. Os que faziam mais horas extras tiveram pontuações menores em dois dos cinco testes, que avaliavam raciocínio e vocabulário.Os efeitos eram cumulativos, quanto mais longa a semana de trabalho, piores eram os resultados nos testes. Os empregados que trabalhavam em excesso tinham menos horas de sono, relatavam mais sintomas de depressão e consumiam mais bebidas alcoólicas do que os que trabalhavam apenas no horário normal. O professor Mika Kivimäki, que também trabalhou na pesquisa afirmou que os cientistas vão continuar com o estudo."É particularmente importante examinar se os efeitos são duradouros e se o excesso de trabalho pode levar a problemas mais graves como demência". Cary Cooper, especialista em estresse no local de trabalho na Universidade de Lancaster, Grã-Bretanha, afirmou que já se sabe há algum tempo que trabalhar em excesso de forma regular pode prejudicar a saúde em geral, e agora este estudo sugere que também pode haver danos ao funcionamento mental."Isto deve enviar uma mensagem aos empregadores de que insistir que as pessoas trabalhem em excesso na verdade não é bom para os negócios", disse. "Mas a minha preocupação é que em uma recessão as pessoas trabalhem mais. (...) As pessoas irão para o trabalho mesmo se estiverem doentes, pois querem mostrar comprometimento e garantir que não sejam os próximos funcionários demitidos", acrescentou.


Pessoas calmas, mais relaxadas e sem propensão a se estressar, têm menor risco de demência
Pesquisa divulgada na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, envolveu 506 idosos que no início do estudo não sofriam de demência. O grupo recebeu questionários para apurar detalhes sobre sua personalidade, estilo de vida e concluiu que pessoas mais calmas e relaxadas têm 50% menor risco de desenvolver demência em comparação às pessoas com tendência a se estressar. Os participantes foram acompanhados por seis anos e, durante esse período, 144 deles desenvolveram demência.
Personalidade: As questões relativas à personalidade identificaram participantes com diferentes graus de estresse, de extroversão no diálogo com outras pessoas, de participação regular em atividades sociais e de lazer .Os participantes que não se estressavam com facilidade eram calmos e satisfeitos, enquanto que os que se estressavam facilmente eram emocionalmente instáveis, negativos e ansiosos. Os extrovertidos receberam uma pontuação mais alta no questionário e eram socialmente ativos e otimistas, em comparação as pessoas com pontuação mais baixa, geralmente reservadas e introspectivas. "No passado, estudos mostraram que estresse crônico pode afetar partes do cérebro, tais como o hipocampo, possivelmente levando à demência, mas outros resultados sugeriram que ter uma personalidade calma e extrovertida combinado com um estilo de vida socialmente ativo pode reduzir ainda mais o risco de se desenvolver demência", disse o médico Hui-Xin Wang, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia. "A boa notícia é que fatores ligados ao estilo de vida podem ser modificados, ao contrário de fatores genéticos, que não podem ser controlados. Mas estes são resultados preliminares, então, ainda não está claro como exatamente a atitude influencia o risco de demência", disse Wang.


Música pode retardar Alzheimer
Estudo feito nos Estados Unidos indicou que pacientes com Mal de Alzheimer talvez possam retardar o desenvolvimento da condição por meio de música, que serve como potente estimulante no resgate da memória. O pesquisador Petr Janata, da Universidade da Califórnia, monitorou com um exame de ressonância magnética (fMRI) a atividade cerebral de 13 voluntários enquanto ouviam trechos de 30 canções diferentes em fones de ouvido e concluiu que a região do cérebro associada à música também está associada às memórias mais vívidas de uma pessoa - o cérebro parece servir de centro que liga música conhecida, memórias e emoções. Para aumentar as chances de que os participantes associassem ao menos algumas das canções com lembranças do passado, o pesquisador selecionou músicas que foram sucesso no período em que cada voluntário tinha entre oito e 18 anos de idade. Logo após o exame de ressonância magnética, os voluntários completaram um questionário sobre o conteúdo e a vividez das lembranças que cada canção familiar havia despertado: Se a música era conhecida, se era boa e se estava associada a algum acontecimento, incidente ou lembrança.

Os questionários revelaram que, em média, cada participante reconheceu entre 17 e 30 trechos. Desses, cerca de 13 eram moderadamente ou fortemente associados com uma lembrança autobiográfica. Músicas que estavam associadas a lembranças mais importantes foram as que provocaram as respostas mais emotivas. Mais tarde, comparando os questionários com as imagens registradas pelo exame de ressonância magnética, Janata descobriu que o grau de importância da lembrança era proporcional à quantidade de atividade no córtex pré-frontal, confirmando que esta região do cérebro associa música e memória. Segundo Janata, lembranças de canções importantes do ponto de vista autobiográfico parecem ser poupadas em pessoas com o Mal de Alzheimer.
Esse estudo foi publicado na revista científica Cerebral Cortex e ajuda a explicar por que a música pode despertar reações fortes em pessoas com o Mal de Alzheimer. A região ativada durante o experimento, o córtex pré-frontal (logo atrás da testa), é uma das últimas áreas do cérebro a se atrofiar à medida em que a doença progride. "O que parece acontecer é que uma música conhecida serve de trilha sonora para um filme mental que começa a tocar em nossa cabeça", disse o especialista. "Ela traz de volta as lembranças de uma pessoa ou um lugar, e você pode de repente ver o rosto daquela pessoa na sua mente. Agora podemos ver a associação entre essas duas coisas - música e memória". Tendo isso em vista, um dos objetivos do especialista é usar suas pesquisas para desenvolver terapia baseada em música para pessoas que sofrem da condição: "Equipar pacientes com tocadores de MP3 e listas personalizadas de canções pode talvez ser uma estratégia efetiva e econômica para melhorar sua qualidade de vida".


Passatempos podem adiar perda de memória associada à idade avançada
Pesquisadores da Clínica Mayo, do Estado de Minnesota, analisaram 200 pessoas entre 70 e 89 anos com leves problemas de memória e compararam estas pessoas com um grupo que não apresentava os sintomas. Aqueles que, na meia idade, se ocuparam com leitura, jogos ou em hobbies como costura ou tricô, apresentaram 40% menos risco de ter o problema. Anos depois, estas mesmas atividades reduziram o risco entre 30% e 50%. "Este estudo é empolgante, pois demonstra que o envelhecimento não precisa ser um processo passivo", disse o autor do estudo e neurocientista Yonas Geda. "Simplesmente ao fazer um exercício cognitivo você pode se proteger contra perda de memória no futuro".
Televisão: O estudo descobriu também que assistir televisão não conta como atividade para adiar a perda de memória. Na verdade, segundo o estudo, passar períodos longos em frente à televisão pode acelerar a perda de memória. No grupo pesquisado pelos cientistas, os que assistiram televisão por menos de sete horas por dia também mostraram probabilidade 50% menor de desenvolver perda de memória do que aqueles que passavam um tempo maior do que este. Existe uma grande necessidade de encontrar formas de evitar a demência. Exercitar e desafiar seu cérebro, ao aprender novas habilidades, pode ser divertido e auxiliar na redução do risco de demência.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A competente exposição da complicada mente feminina


The women (2008) de Diane English - Imagine num mesmo filme Meg Ryan, Annette Benning, Cloris Leachman, Candice Bergen, Carrie Fisher, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith, Bette Midler e Eva Mendes. Acrescente o roteiro inteligente pleno de diálogos rápidos e a clara exposição das situações e medos pelos quais passam as mulheres, com excelente humor: Solidão, maternidade não realizada, perda da carreira, excesso de filhos, competição amorosa, competição profissional, sexualidade, insegurança, perda da juventude, melhores amigas, filhos adolescentes e a outra.

A partir destes elementos a melhor pedida é apreciar a atuação de todas, principalmente, a irreverência de Bette Midler e a genialidade de Cloris Leachman, que aos oitenta e três anos dá um show.
Meg Ryan é a mulher de um bem sucedido executivo da Wall Street, mora em uma linda casa em Connecticut, tem duas empregadas, uma filha adolescente com quem não se entende, dedica seu tempo às obras assistenciais e à vida social e desde a faculdade é a melhor amiga de Anette Benning, editora bem sucedida de uma revista feminina.


Debra Messing é a calma e conciliadora mãe de quatro garotinhas, está grávida pela quinta vez e não desistirá até ter um menino, enquanto Jada Pinkett-Smith é a escritora gay de sucesso. As quatro tornam-se ainda mais unidas ao
descobrirem a traição do marido de Meg Ryan com a spray-girl, a calculista, estonteante e sexy vendedora de perfumes da Saks, Eva Mendes. A cena na qual as três solidárias amigas decidem enfrentar a outra é hilária; a manipuladora Eva Mendes ao telefone com o tolo apaixonado é impagável, assim como as reações da filha e da mãe (Candice Bergen) de Meg Ryan.

Lógico que a dura crise emocional impulsiona Meg Ryan a sair de seu protegido casulo cor-de-rosa e assumir a vida multicolorida com todas as opções existentes além de, ironicamente, tornar Eva Mendes parte integrante do coro que clama pelo respeito e correção nas relações amorosas.
Não, apesar de ter Nova York como cenário, The women em nada lembra Sex in the city e as personagens dos dois filmes não correram qualquer risco de se tornarem réplicas sem qualquer criatividade. Mas por que Mick Jagger está ao lado de Bette Midler na comemoração do lançamento do filme? Nada bobinho, ele é um dos produtores de The women.

Quando o interno e o externo se unem

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe, os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás", o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus cujo Filho é o Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos, se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão. Puro susto e terror.
Adélia Prado

É tão bom, no meio da manhã, receber o telefonema inesperado de uma amiga para almoçarmos juntas, escolhermos livros e colocarmos a vida em dia e, um pouco antes do final do expediente, surgir a idéia de um cinema, conversas leves e boas risadas para encerrarmos bem a semana. Os encontros e as atividades sem prévia combinação e preparo, trazem especial leveza e nos deixam suaves. Muito mais suaves. Sexta feira à noite, a avenida Paulista parecia mágica pelas cores, pela movimentação e pela alegria que se espalhava no ar - ou era a magia interna e eterna, que saia por todos os poros e encantava o lugar. Um tipo de alegria diferente, que embriaga um pouco a gente e ameniza nossa perspectiva de tempo e espaço. Me fez lembrar o quanto eu sentia saudade dessa reta cheia de prédios e surpresas, durante o tempo de outras retas e traços tão diferentes do planalto central. Algo acontece e se prepara para revelar-se no momento certo e será tão especial e maravilhoso. Será. É.

Gondoleiras

Minorias vitoriosas

As vitórias importantes são dadas como trivial ligeiro. Derrotas é que são o quente. Essas pegam espaço. Vendem.

Destaco duas conquistas que mal foram destacadas pelos meios de comunicação, locais ou otherwise, conforme se diz no Brasil após a reforma. Que reforma? Todas. Vive-se aí sob o signo da reforma e as pessoas, mesmo as bem informadas, insistem em fazer vista grossa e ouvidos de mercador, para usar de dois lugares-comuns que todos entendem e estão na bica de serem reformados.

Comecemos por baixo. Pelos baixinhos.

É, os de pouca estatura refletindo sua pouca idade. Isso mesmo. Criança.

Deverá chegar aqui, ainda este ano, o novo celular já em ação e radiação (espalhem, espalhem) na Irlanda, cognominado (irlandês vive cognominando tudo) The Firefly, ou seja, O Vagalume. O danado esse destina-se às gentes de quatro anos de idade. Mental e física.

O Vagalume tem apenas cinco botões. Dois são para emergências: chamar o papai e a mamãe. O que é uma imensa tolice. Basta berrar por eles, pomba!

Os outros três botões não ficou claro a que se destinam. Ao menos para mim, ferrenho anti-celularista desde as HQ de Dick Tracy, nas décadas de 30 e 40. Eu dou um doce (para ficar nas décadas citadas) a quem me explicar o que uma criança de quatro anos pode fazer com um celular, a não ser enfiar o maldito engenho no nariz, ou botar na boca e morrer de celularose na faringe. Depois reclamam dos brinquedos fabricados na China.

Eu e você, apesar de brasileiros, sabemos que é impossível conduzir uma conversação mesmo indigente com uma “pessoinha” de quatro anos. Elas nada têm de interessante a dizer. São completamente destituídas de qualquer informação, útil ou inútil, e nunca que vão querer desligar o Vagalume.

Resumindo: as gentinhas – e não estou menosprezando – de quatro anos já dão bastante trabalho sendo do que jeito que são. Desnecessário complicar as coisas, fornecendo agora, inclusive, os meios (nunca se sabe) de se organizarem.

À outra vitória, igualmente dúbia:

Agora, em fins de junho, as mulheres venezianas romperam com uma tradição de 900 anos e conseguiram o direito de serem, elas também, gondoleiros. Gondoleiras, para ser preciso.

Pois é. Você aí, viajado, um verdadeiro globetrotter, passou por certo em Veneza, a Recife italiana, viu os pombos na praça São Marcos, usou de expressão compenetrada nos museus e nas igrejas, talvez tenha até singrado aqueles canais pouco sãos, e nunca reparou: era tudo gondoleiro.

De camisa listrada, chapéu de palha com fitinha, mas masculinos, si signore. Acabou a sopa, finito é o minestrone.

Depois das autoridades locais terem introduzido, em 2007, um curso de navegação de gôndola, só para mulheres, as formandas agora formam fila para se lançarem às águas mansas da Serenissima para conduzir turistas tolos e sem graça. As gondoleiras, se forem muito, mas muito sem caráter, poderão ainda cantarolar aos berros O Sole Mio, Cuore Ingrato e outros clássicos da canção italiana do sul do país e que nada têm a ver com a cidade.

A primeirona a navegar a lendária embarcação chama-se Giorgia Boscolo, tem 23 anos, é mãe de dois filhos e, depois do esfalfante curso de 400 horas, declarou-se feliz e orgulhosa de participar dos quadros gondoláveis. Segundo ela, levar adiante uma gôndola é sopa perto de parir uma criança.

Um gondoleiro que se encontrava nas cercanias fez uma cara séria. Mais tarde, confidenciou a um amigo: “Agora, só me resta alistar-me na Legião estrangeira.”

Ivan Lessa

http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/07/090703_ivanlessa_tp.shtml

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Last chance

O que esses dois têm em comum? Salvo a eventual similaridade entre taças de chardonnay seco e algumas doses a mais de whisky, entre algum livro sempre ao alcance das mãos e a solitária vida repetitiva, ou ainda, entre a total falta de entusiasmo em seus trabalhos e a incapacidade crônica de lidarem com outras pessoas. Ah, sim, os dois estão em constante defesa emocional e mantém a mesma postura física - os braços cruzados - ela mais alta, bem mais alta, a imaginar uma cabaña rústica na Espanha e um rio perto para o banho diário (o local ideal para escrever o seu próprio livro) e ele a amargar a carreira de talentoso pianista de jazz, que não teve. Fora essas eventuais similaridades, ou totais discrepâncias, nada poderia atraí-los, a não ser a imensa insegurança que sentem e o fato de ambos serem extremamente eficazes ao boicotarem, ao máximo, suas próprias vidas.
Com um quê de Before Sunrise (1995, Richard Linklater) a considerar o encontro inesperado do viajante com a estrangeira solitária e de An Affair to Remember (1957, Leo McCarey) na ausência manjada ao encontro marcado no dia e horário que marcaria o início de suas vidas, é o humor dos dois - muitas vezes mordaz e irônico - que os torna tão especiais. Ele retirou a armadura de inapropriado e fracassado, que em algum momento da vida resolveu vestir, e a ajudou a derrubar o muro que ela mesma havia construído ao redor de si. Como começariam sua história e se seriam felizes juntos? Nem ele e tampouco ela sabem, mas ele prometeu que dariam certo e ela não teve qualquer dúvida, nem nós da platéia.
A mãe dela, uma mulher triste e acuada, que sonhava ir à Grécia com a filha solitária - sempre teremos a Grécia para irmos - e vivia assustada com as atividades suspeitas da vizinhança, além de telefonar de cinco em cinco minutos para a filha, redescobre a vida e acaba com o vizinho polonês, gentil e bem interessante, que defumava cadáveres, quer dizer, carne, na cabana de seu quintal.
Last chance Harvey (2008) de Joel Hopkins, com Emma Thompson e Dustin Hoffman, Eileen Atkins, Kathy Baker e James Brolin. Todas belíssimas, distintas e plenas, com suas rugas, seus cabelos e corpos normais.



Sou super fã de Emma Thompson desde seu tempo com Kenneth Branagh, os filmes baseados nas obras de Shakespeare, o suspense noir do casal que retoma vidas passadas e tantas outros trabalhos que fizeram juntos - Emma parecia um apêndice de Kenneth, e mais ainda do seu tempo pós-Kenneth, da Emma plena, complexa e ao mesmo tempo leve, capaz de mergulhar fundo em Carrington (1995), Sense and sensibility (1995), o genial The winter guest (1997) belíssimo trabalho realizado com sua mãe Phyllida Law, a presa política torturada de Imagining Argentina (2003), de suas brincadeiras em Harry Potter and the prisioner of Azkaban (2004) Nanny McPhee (2005) e Harry Potter and the order of Phoenix (2007), sem esquecer do interessante roteiro de Stranger than Fiction (2006) sobre a escritora em crise, no qual também contracena com Dustin Hoffman, além de Queen Latifah e Will Ferrell.

The Happy Planet Index (HPI)

A map of the world that does not include utopia is not worth even glancing at.
Oscar Wilde

The future is not the result of choices among alternative paths offered by the present, but a place that is created - created first in the mind and will, created next in activity. The future is not some place we are going to, but one we are creating. The paths are not to be found, but made, and the activity of making them changes both the maker and the destination.
John Scharr



Each country's HPI value is a function of its average subjective life satisfaction, life expectancy at birth and ecological footprint per capita.

The Happy Planet Index (HPI) is an index of human well-being and environmental impact introduced by the New Economics Foundation (NEF) in July 2006.
This index was designed to challenge well-established indices of countries' development, such as Gross Domestic Product (GDP) and Human Development Index (HDI) which are seen as not taking sustainability into account.

With the highest levels of reported life satisfaction, and the highest happy life years, Costa Rica stands out in the HPI even before considering its ecological footprint. It has the fifth-lowest poverty index in the developing world and the proportion of people living on less than $2 a-day is lower than in Romania - an EU member. What makes these results even more remarkable is that it achieves this with a quarter of the footprint of the USA.

Costa Rica has a democracy and takes very deliberate steps to reduce its environmental impact. Unique in world for having combined its ministries of energy and the environment back in the 1970s, a staggering 99 per cent of its energy comes from renewable sources. Further explanations for Costa Rica first place:
-Rich natural capital.
-Equal treatment of women.
-Strong political participation.
-Solid social network of friends, families and neighbourhoods, allowed by a sensible work-life balance.
-The abolition of the country's army in 1949, freeing up government money to spend on social programmes.

HPI result table 2009

1.Costa Rica
76.1
2 Dominican Republic
71.8
3.Jamaica
70.1
4.Guatemala
68.4
5.Vietnam
66.5
6.Colombia
66.1
7. Cuba
65.7
8.El Salvador
61.5
9.Brazil
61.0
10.Honduras
61.0
11.Nicaragua
60.5
12.Egypt
60.3
13.Saudi Arabia
59.7
14.Philippines
59.0
15.Argentina
59.0
16.Indonesia
58.9
17.Bhutan
58.5
18.Panama
57.4
19.Laos
57.3
20.China
57.1
21.Morocco
56.8
22.Sri Lanka
56.5
23.Mexico
55.6
24.Pakistan
55.6
25.Ecuador
55.5
26.Jordan
54.6
27.Belize
54.5
28.Peru
54.4
29.Tunisia
54.3
30.Trinidad and Tobago
54.2
31.Bangladesh
54.1
32.Moldova
54.1
33.Malaysia
54.0
34.Tajikistan
53.5
35.India
53.0
36. Venezuela
52.5
37.Nepal
51.9
38.Syria
51.3
39.Burma
51.2
40.Algeria
51.2
41.Thailand
50.9
42.Haiti
50.8
43.Netherlands
50.6
44.Malta
50.4
45.Uzbekistan
50.1
46.Chile
49.7
47.Bolivia
49.3
48.Armenia
48.3
49.Singapore
48.2
50.Yemen
48.1
51.Germany
48.1
52.Switzerland
48.1
53.Sweden
48.0
54.Albania
47.9
55.Paraguay
47.8
56.Palestine
47.7
57.Austria
47.7
58.Serbia
47.6
59.Finland
47.2
60.Croatia
47.2
61.Kyrgyzstan
47.1
62.Cyprus
46.2
63.Guyana
45.6
64.Belgium
45.4
65.Bosnia and Herzegovina
45.0
66.Slovenia
44.5
67.Israel
44.5
68.Korea
44.4
69.Italy
44.0
70.Romania
43.9
71.France
43.9
72.Georgia
43.6
73.Slovakia
43.5
74.United Kingdom
43.3
75.Japan
43.3
76.Spain
43.2
77.Poland
42.8
78.Ireland
42.6
79.Iraq
42.6
80.Cambodia
42.3
81.Iran
42.1
82.Bulgaria
42.0
83.Turkey
41.7
84.Hong Kong
41.6
85.Azerbaijan
41.2
86.Lithuania
40.9
87.Djibouti
40.4
88.Norway
40.4
89.Canada
39.4
90.Hungary
38.9
91.Kazakhstan
38.5
92.Czech Republic
38.3
93.Mauritania
38.2
94.Iceland
38.1
95.Ukraine
38.1
96.Senegal
38.0
97.Greece
37.6
98.Portugal
37.5
99.Uruguay
37.2
100.Ghana
37.1
101.Latvia
36.7
102.Australia
36.6
103.New Zealand
36.2
104.Belarus
35.7
105.Denmark
35.5
106.Mongolia
35.0
107.Malawi
34.5
108.Russia
34.5
109.Chad
34.3
110.Lebanon
33.6
111.Macedonia
32.7
112.Congo
32.4
113.Madagascar
31.5
114.United States of America
30.7
115.Nigeria
30.3
116.Guinea
30.3
117.Uganda
30.2
118.South Africa
29.7
119.Rwanda
29.6
120.Congo, Dem. Rep. of the
29.0
121.Sudan
28.5
122.Luxembourg
28.5
123.United Arab Emirates
28.2
124.Ethiopia
28.1
125.Kenya
27.8
126.Cameroon
27.2
127.Zambia
27.2
128.Kuwait
27.0
129.Niger
26.9
130.Angola
26.8
131.Estonia
26.4
132.Mali
25.8
133.Mozambique
24.6
134.Benin
24.6
135.Togo
23.3
136.Sierra Leone
23.1
137.Central African Republic
22.9
138.Burkina Faso
22.4
139.Burundi
21.8
140.Namibia
21.1
141.Botswana
20.9
142.Tanzania
17.8
143.Zimbabwe
16.6



quarta-feira, 1 de julho de 2009

O cérebro, fatores internos e externos

Alzheimer dá sinal no cérebro décadas antes de se manifestar
Pesquisa britânica sugere que jovens adultos com uma variação genética que aumenta o risco do Mal de Alzheimer apresentam mudanças na atividade cerebral décadas antes dos sintomas da doença aparecerem.
O estudo fornece pistas para que os cientistas
compreendam a razão pela qual algumas pessoas desenvolvem a doença e pode significar a criação de exames que indiquem pessoas em risco. Diferenças na região do cérebro que envolve a memória, conhecida como hipocampo, já foram mostradas em pessoas de meia idade e idosas que possuem uma variação do gene APOE4. Mas a pesquisa britânica é a primeira a mostrar hiperatividade no hipocampo em pessoas jovens e saudáveis e a primeira a mostrar que o cérebro de quem possui esta variação genética se comporta da forma diferente, mesmo durante o descanso. Já se sabia que uma pessoa que tem uma variação do gene APOE4 tem quatro vezes mais risco de desenvolver a doença, pessoas que têm duas cópias do gene apresentam dez vezes mais risco de sofrer de Alzheimer, mas nem todas as pessoas que carregam a variante do gene vão desenvolver a doença. Os pesquisadores destacam até que a maioria dos que têm o APOE4 não vão desenvolver a doença. A pesquisa, realizada pela Universidade de Oxford e pelo Imperial College de Londres, foi publicada na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences. O estudo usou exames de ressonância magnética (fMRI) realizados na Universidade de Oxford para comparar a atividade dentro dos cérebros de 36 voluntários, entre 20 e 35 anos, sendo que 18 deles possuíam pelo menos uma cópia do gene APOE4. Os pesquisadores observaram como os cérebros dos voluntários se comportavam enquanto eles estavam descansando e enquanto eles realizavam uma tarefa relacionada à memória. Mesmo quando os que possuíam o gene APOE4 estavam descansando, os pesquisadores observaram padrões diferentes de atividade cerebral entre os que tinham o gene e os que não tinham. Os exames mostraram diferenças visíveis na forma como o hipocampo se relacionou com o resto do cérebro. "Mostramos que a atividade cerebral é diferente em pessoas com esta versão do gene, mesmo décadas antes do desenvolvimento de qualquer problema de memória", disse Clare Mackay, do Departamento de Psiquiatria e Centro de Ressonância Magnética do Cérebro da Universidade de Oxford, uma das líderes do estudo. "Também mostramos que esta forma de ressonância magnética, na qual a pessoa apenas se deita sem fazer nada, é sensível o bastante para pegar estas mudanças. Estes são os empolgantes primeiros passos em direção à perspectiva de que um simples exame será capaz de distinguir quem vai desenvolver Alzheimer", acrescentou.
Cérebros exaustos : "Nossos cérebros são sempre ativos - nossas mentes vagam mesmo quando não estamos realizando tarefas específicas", disse Christian Beckmann, outro autor do estudo, da Divisão de Neurociência e Saúde Mental do Imperial College de Londres. "Ficamos surpresos de ver que mesmo os voluntários com o gene APOE4 que não estavam fazendo nada, tinham a parte da memória no cérebro trabalhando mais do que nos outros voluntários. Nem todos os portadores do APOE4 vão desenvolver o Mal de Alzheimer, mas faria sentido se em algumas pessoas, a parte do cérebro relativa à memória ficasse exausta com o excesso de trabalho e isto contribuísse para a doença", acrescentou. "Esta teoria tem como apoio estudos que descobriram o padrão oposto em pessoas que desenvolveram o Mal de Alzheimer, com estas pessoas mostrando menos atividades do que o normal na parte do cérebro relativa à memória." Mas, para o neurocientista da Universidade de Cambridge, Peter Nestor, é preciso ver o estudo com cautela. "As descobertas deste estudo são interessantes, mas não devem ser mal interpretada para significar que o Mal de Alzheimer já começa a se desenvolver neste grupo de voluntários saudáveis e jovens. Será um desafio para pesquisas futuras observar se as diferenças observadas naqueles com o gene APOE4 podem oferecer uma pista para descobrir o que torna alguns cérebros mais suscetíveis ao Alzheimer."

Solidão pode ser tão nociva quanto o cigarro
O isolamento social prejudica a saúde e pode ser tão nocivo quanto fumar, de acordo com o pesquisador John Cacioppo, professor de psicologia da Universidade de Chicago e um dos mais renomados pesquisadores sobre solidão dos Estados Unidos. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Chicago indica que a solidão afeta o comportamento das pessoas e a forma como seus cérebros funcionam. A pesquisa, apresentada durante a conferência anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), utilizou exames de ressonância magnética (fMRI) para estudar as conexões entre isolamento social e atividade cerebral. Os especialistas verificaram que, em pessoas mais sociáveis, uma região do cérebro conhecida como estriato ventral ficou muito mais ativa quando elas observavam imagens de pessoas em situações agradáveis. O mesmo não ocorreu nos cérebros de pessoas solitárias. O estriato ventral, crucial para o aprendizado, é uma região importante do cérebro, ativada por estímulos que os especialistas chamam de recompensas primárias (como a comida) e recompensas secundárias (como o dinheiro). A convivência social e o amor também podem ativar a região.
Empatia: Os especialistas também verificaram que uma outra região do cérebro, associada à capacidade de empatia com o próximo, ficou muito menos ativa entre os solitários do que nos mais sociáveis quando observavam imagens de pessoas em situações desagradáveis. "Devido aos sentimentos de isolamento social, indivíduos solitários podem ser levados a buscar um certo conforto em prazeres não sociais", disse Cacioppo. O professor cita como exemplos comer ou beber demais. De acordo com reportagem sobre o estudo publicada pelo jornal britânico Daily Telegraph, a solidão prejudica a imunidade, provoca depressão, aumenta o estresse e a pressão sanguínea e também aumenta as chances de uma pessoa desenvolver o Mal de Alzheimer. Indivíduos solitários tendem a ter menos motivação e menos perseverança, o que dificulta a adoção de dietas mais saudáveis e a prática de exercícios. Segundo Cacioppo, um em cada cinco americanos sente solidão. O especialista é um entre cinco autores de um artigo publicado na edição mais recente da revista científica Journal of Cognitive Neuroscience. Como parte do estudo, 23 estudantes do sexo feminino foram testadas para determinar quão solitárias elas eram. Depois, enquanto seus cérebros eram monitorados com exames de ressonância magnética, as participantes observaram imagens de situações desagradáveis (como conflitos humanos) e de situações agradáveis (pessoas felizes). Entre as voluntárias classificadas como solitárias, verificou-se uma menor probabilidade de atividade intensa no estriato ventral quando elas observavam pessoas se divertindo. Embora a solidão possa influenciar a atividade cerebral, a pesquisa também sugere uma relação inversa, ou seja, que a atividade no estriato ventral pode levar a sentimentos de solidão, segundo o pesquisador Jean Decety, outro autor do estudo. "O estudo levanta a possibilidade intrigante de que a solidão pode ser o resultado de uma redução na atividade associada à recompensa no estriato em resposta a estímulos sociais", disse Decety. Ao tentar explicar as razões por trás de um mecanismo como esse nos seres humanos, Cacioppo mencionou as teorias do biólogo britânico Charles Darwin: a necessidade de conexão com o outro teria suas raízes na evolução da espécie. Para sobreviver e criar seus filhos, humanos tiveram de se unir, diz o pesquisador. Altruísmo e cooperação ao longo da evolução humana permitiram que a espécie florescesse. A solidão, como a dor física, teria evoluído nos humanos de forma a produzir uma mudança no comportamento. Esse mecanismo, de acordo com Cacioppo, sinaliza a necessidade ancestral do homem de se agregar socialmente.


Viver sozinho na meia-idade agrava risco do Alzheimer
Um estudo sueco sugere que pessoas que possuem uma variante genética específica e vivem sozinhas na meia-idade estão no grupo de maior risco de sofrer de demência. Dois mil homens e mulheres no leste da Finlândia participaram da pesquisa do instituto Karolinska, em que os estudiosos analisaram o estado conjugal dos participantes e verificaram a presença ou não da variante quatro do gene apolipoproteína E (apoE). A presença dessa variante é considerada o fator genético de risco mais comum para o desenvolvimento de doenças como o mal de Alzheimer. A primeira observação dos pesquisadores suecos foi feita quando os voluntários tinham cerca de 50 anos e a segunda, 21 anos depois. A conclusão foi que pessoas que vivem sozinhas na meia-idade correm duas vezes mais risco de desenvolver a demência do que aquelas que moravam com seus parceiros. Já para as viúvas e viúvos, esse risco mostrou ser três vezes maior. Os pesquisadores concluíram que a chance de desenvolver demência é maior principalmente em pessoas com a variante 4 da apoE que se separaram ou ficaram viúvas antes dos 50 anos de idade e viviam sozinhos.
Desafios cognitivos: O estudo foi divulgado em um artigo da publicação científica British Medical Journal. Krister Hakannson, que liderou o grupo de pesquisadores, afirmou que os resultados do estudo são importantes para prevenir a demência e a debilidade cognitiva. “Viver em um relacionamento com um parceiro pode implicar em desafios cognitivos e sociais que têm um efeito de proteção contra a debilidade cognitiva na velhice”, disse ele. Segundo Hakannson, a “intervenção de apoio” às pessoas que perdem os parceiros pode ajudar na prevenção da doença. Em um editorial também publicado no British Medical Journal, a pesquisadora Catherine Helmer, da Universidade Victor Seglen, em Bordeaux, na França, afirma que a hipótese dos efeitos negativos da viuvez ainda não foi provada. Ela acredita que mais estudos precisam ser feitos para provar a vulnerabilidade genética como um elo entre a viuvez e a demência. Além disso, a pesquisadora afirma ainda que a relação entre demência e a presença da variante 4 do apoE precisa ser tratada com “cautela”, já que a pesquisa é um estudo epidemiológico que observou a incidência da doença em apenas um tipo de pessoas e precisa ser confirmada com outras pesquisas. Em 2005, cerca de 25 milhões de pessoas sofriam de demência ao redor do mundo. Esse número deve subir para 81 milhões até 2040.


Imagem obra de Modigliani

Gostosura - carne

Hoje o dia está com jeito de... Peixe, sopa, carne, vegetais, legumes é assim que começo a escolha do que preparar, sem esquecer o equilíbrio alimentar e a manutenção da boa saúde. O nosso jeito também conta muito, principalmente, ao aprendermos a entender melhor nosso próprio organismo: Tempero mais forte para os dias de baixa energia; refeição leve e nutritiva para enfrentar uma tarde cheia de atividades; açúcar, cravo e canela para mais ânimo; frutas para refrescar; queijos, chás, café na medida certa. Gosto das mais variadas iguarias, mas não aprecio o sabor natural do alimento alterado: A pescada tem que ter sabor de pescada, que não é igual ao sabor do linguado, que em nada se parece com o gosto do camarão. O sabor do filet mignon não se confunde com o da picanha, a abobrinha não tem gosto de brócolis e o tomate em nada se parece com a beterraba.
Não gosto de alimentos que bóiam em molho, nem de molho que tem jeito de sopa. Não entendo por que, por exemplo, às vezes todas as refeições - por mais variadas que sejam - têm o mesmo gosto acentuado de alho, que em demasia, esconde outros sabores.
Não acredito que o resultado do preparo de qualquer alimento seja o melhor, se não estivermos com o coração leve e a mente tranquila. Abundância confirma-se a palavra mestra: Não de temperos ou exageros, mas de bons sentimentos e qualidade. Com a abundância de nossos melhores sentimentos preparamos as melhores refeições.
Cozinhar é a arte da combinação. Combinamos ingredientes e sentimentos.
Gosto de carne de cordeiro e foi num excelente pernil de cordeiro que pensei. Prefiro o pernil fresco e pequeno, para que a carne preparada fique tenra e macia. Não quero que os temperos superem o sabor da carne, mas que harmoniosamente enalteçam o gosto característico do cordeiro, portanto, começo com a combinação básica: flor de sal, pimenta branca recém moída, orégano e azeite extravirgem. As ervas aromáticas ideais dependem do seu toque pessoal. Eu faço questão que sejam frescas e antes de usá-las as deixo de molho em água com vinagre. A quantidade de ervas também fica a seu critério. Eu sou generosa na quantidade de ervas para que seu frescor se impregne no pernil que é assado no forno. Batatas cortadas e dispostas ao redor do pernil para que aproveitem o sumo da carne é excelente pedida.
Para acompanhar salada de rúcula, folhas inteiras de raditio e tomate caqui. Bom apetite.