sexta-feira, 20 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
Ser consciente
Se tivéssemos a real capacidade de entender o que significa amar, teríamos comportamentos bem diferentes, diríamos palavras bem diversas, viveríamos nossas vidas de forma desigual e faríamos com que a felicidade do ser amado fizesse parte da nossa própria felicidade. Isso é um resumo de vida construtiva, saudável e feliz, cuja viabilidade é plena, a realização ao alcance de todos e a execução de extrema facilidade, desde que tenhamos a real capacidade de entender o significado de amar.
Para compreender o real significado do amor é necessário ser consciente.
Em relação à consciência consideramos duas possibilidades básicas: Estar consciente e Ser consciente.
“Estar consciente é fazer uso da razão ou da capacidade de raciocinar e de processar os fatos que vivenciamos. É ser capaz de pensar e ter ciência das nossas ações físicas e mentais. A consciência permite-nos a lucidez e a percepção que temos em relação ao mundo.” Uma dose a mais daquele vinho tinto espetacular, por exemplo, pode alterar o estado de nossa consciência.
“Ser consciente não é um estado momentâneo em nossa existência, mas refere-se à nossa maneira de existir no mundo. Está relacionado à forma como conduzimos nossas vidas e, especialmente, às ligações emocionais que estabelecemos com as pessoas e as coisas no nosso dia a dia. Ser dotado de consciência é ser capaz de amar!”
O Ser consciente vincula-se ao lado subjetivo e compreende o sentido ético de nossa existência. “A consciência não é um comportamento, nem algo que possamos fazer ou pensar. A consciência é algo que sentimos. Ela existe antes de tudo, no campo da afeição e dos afetos. Mais do que uma função comportamental ou intelectual a consciência pode ser definida como uma emoção.
A consciência é um senso de responsabilidade e generosidade baseado em vínculos emocionais de extrema nobreza com outros seres (animais, humanos) ou até mesmo com a humanidade e o universo como um todo.”
A consciência nos orienta para o caminho do bem, nos impulsiona a tomar decisões aparentemente irracionais, baseia nossas atitudes cotidianas, nossa bravura, coragem, nosso sacrifício. “A consciência nos abraça e conduz pela vida afora, porque está em plena comunhão com o mais poderoso combustível afetivo: o amor.”
Todas os seres conscientes se emocionam com vários fatos da vida, sentem as belas melodias, apreciam a exuberância da natureza, se alegram com os gentis atos de amor, vibram frente à superação de obstáculos pelas pessoas, se comovem com situações trágicas, se indignam diante do desrespeito e da injustiça, exercem a compaixão. "A consciência genuína nos impulsiona a ir ao encontro do outro, colocando-nos em seu lugar”.
Todos que são conscientes sentem empatia.
Somente os conscientes possuem julgamento moral interno, senso ético, sentem culpa, remorso, inquietação mental, constrangimento por terem desapontado, magoado, enganado alguém.
Por outro lado, os seres desprovidos de consciência são calculistas, frios, incapazes de tratar as pessoas com verdadeiro respeito e consideração, não possuem escrúpulos, não sentem culpa nem remorso, desconhecem o arrependimento, são dissimulados, mentirosos, manipuladores e visam apenas seu próprio benefício, o que é prático e vantajoso para si. Porém, para sua total infelicidade, são incapazes de estabelecer vínculos afetivos verdadeiros e de se colocar no lugar do outro. Desconhecem a empatia.
O gradativo aprendizado resulta em maior compreensão e as palavras ouvidas, as ações propostas não realizadas, a dureza e as constantes omissões adquirem real dimensão.
Citações do livro "Mentes perigosas" de Ana Silva
Imagem de Lemony Snicket's a series of unfortunate events (2004)
quarta-feira, 18 de março de 2009
Indiscutível talento
Era uma vez um ator britânico, filho de dois atores britânicos
(Margaret Scudamore e Roy Redgrave), que era embalado pela mãe com sonetos shakespearianos e foi considerado um dos maiores atores ingleses do século XX e um dos melhores intérpretes da obra de Shakespeare, que também virou Sir, Sir Michael Redgrave, e casou-se com a atriz Rachel Kempson, Lady Redgrave, com quem teve três filhos, todos atores: Vanessa, Corin e Lynn, que cresceram e se casaram e tiveram filhos. Vanessa casou-se com o cineasta Tony Richardson, com quem teve Joely Richardson e Natasha Richardson e, depois, teve Carlo Gabriel Nero, roteirista e cineasta, filho do ator Franc
o Nero. Corin casou-se duas vezes, teve cinco filhos e a segunda, Jemma Redgrave, também é a
triz e, por sua vez, Lynn é feliz em seu único casamento e seus três filhos, nenhum deles ator ou atriz.Conto essa pequena história que merece um gráfico genealógico, resumo bem as informações e até embaralho um pouco os dados só para dizer que sempre admirei a arte de Vanessa Redgrave e sua verdade no ativismo sócio-político e aprendi a admirar as atuações de suas filhas (quem consegue esquecer Natasha Richardson em The Parent Trap de 1998?) e que fiquei triste com a morte prematura de Natasha e a dor da mãe Vanessa.
Eu sei, mas não deveria
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que
gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
segunda-feira, 16 de março de 2009
O que dizer? O que fazer para que não aconteça?
Meu Deus! O que dizer desta parte do mundo que está tão doente e precisa de remédio eficaz e urgente, para que o mal pare e desapareça de vez?Lógico que revoltam todos os detalhes da experiência vivida pela garotinha (e por tantas outras meninas e meninos vítimas de abuso e violência) e está nela a maior preocupação, o foco de todos os recursos para que a violência e o abuso sexuais sofridos – jamais deveriam ter acontecido! – deixem a menor quantidade de sequelas possível. Deveria ser dela todo o amparo e preocupação: uma menina de nove anos!
Parir filho é muito complicado porque com a criança vem a responsabilidade e o constante e incansável zelo.
Eu me separei bem jovem e meu filho, um garotinho lindo, estava nos seus primeiros anos de vida. Responsabilidades integrais e solitárias, acrescidas pelo cuidado com a mãe recém viúva, fizeram com que o longo relacionamento seguinte passasse longe de casa e somente após muito observar, fosse seletivamente aproximado do filho, quando a certeza do respeito e do bem querer tornou-se inequívoca. Reconstruir a vida sempre foi desejado, mas em primeiro lugar estava a criança e o esforço para que o ambiente familiar fosse saudável e equilibrado.
Lembro da conversa sobre os comentários que uma das primeiras amigas brasileiras de minha mãe fez sobre a possível retomada da vida e as filhas, então no início da adolescência: Com as meninas em casa, disse a dona Eurídice, outro homem não entra. Lembro que ao conhecer esse comportamento achei exagerado, mas ela estava certa. A Dona Eurídice, que ensinou aos meus pais a boa musica regional brasileira, era mulher bonita, concursada, tinha independência financeira e soube separar os namorados das filhas, em defesa delas. Tudo isso, na década de cinquenta, começo dos anos sessenta.
A violência e o abuso sexual sofridos por crianças apodrecem a todos nós; é algo inconcebível, doentio e perverso.
Falar sobre o aborto e sobre a excomunhão? Ora, mas quem em sã consciência poderia ser a favor do aborto? A interrupção da gravidez não é meio válido para retirar a responsabilidade, ou, para amenizar os efeitos de relação sexual, leviana ou não, consentida e praticada por adultos capazes, mas sem qualquer segurança e proteção. Adultos capazes e coerentes tomam todas as precauções para que a gravidez não aconteça. Enfatizo: Relação sexual consentida e praticada por adultos em pleno gozo de suas faculdades mentais. A precaução, portanto, deve anteceder ao fato. Por isso, tanto quanto desconsidero mulheres que engravidam intencionalmente para através do filho se firmarem econômica e socialmente, desconsidero homens que são capazes de uma única palavra cruel“tire!” ou da desonesta covarde e irresponsável omissão.
Mas, no caso noticiado, a vítima é uma menina de nove anos! Deveria uma criança de nove anos de idade parir outra criança?
Quanto à excomunhão, foi por demais divulgada no Brasil e na África do Sul pelo Star, na Itália pelo Corriere della Sera, nos EUA pelo New York Times e na França pelo Le Fígaro. Presumo que o psicopata autor do gravíssimo delito também foi excomugado, pois não? Li no jornal que a garotinha era violentada desde os seis anos e que a irmã, agora adolescente, também havia sido violentada pelo psicopata a quem a mídia qualifica como padrasto.
E a mãe dessas meninas? Essa mãe vivia em outra casa, em outra cidade, em outro planeta?
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Fora do ar

Ando assim, fora do ar, concentrada em uma única coisa, por conta das coisas que não conseguem pedir direito; do não comprometimento dos que recebem para colaborar; por conta do acumulo cumulo; por não saber pensar 'que se dane'; por considerar apenas a qualidade total. Estou cansada por dentro.
Mas isso passa. Passará em quarenta e oito horas e vinte e oito minutos, vinte e nove... O bom é que descubro e é tão bom descobrir coisas novas, descobrir-se capaz: Que legal! Eu consigo fazer isso. Aprendi a fazer mais isso. Boa menina!
Geraldo Carneiro
sempre fui bem tratado como um príncipe e fui me afeiçoando aos privilégios
aos florilégios e às vilegiaturas
que me couberam neste reino etéreo
e deletério, porque o esquecimento
é tão inevitável quanto a vida
e a morte é toda feita de mistério.
procuro ouvir a sorte nos meus búzios
como o Bilac ouvia suas estrelas,
coisa que nunca ouvi, mas compreendi
mesmo não tendo credo acreditável.
fui construindo assim meu edifício
sobre essa arquitetura de quimeras,
cujo arquiteto talvez fosse cego,
ou gênio, ou simplesmente ausente.
* * *
é daqui mesmo que eu te conheço?
ah, não? então de que outro lugar será
que eu não te conheço? se eu fosse místico
talvez redecifrasse a tua face
de alguma encarnação imemorial
(ou desde o princípio dos tempos,
antes que os deuses desinventassem
os carnavais do caos).
mesmo não sendo místico diria
desse pequeno prenúncio de apocalipse:
agora sim compreendo a música das esferas,
os teoremas de Arquimedes de Siracusa,
a mecânica celeste, e todos os demais
mistérios do reino deste mundo: só quero
conhecer-te ainda nesta encarnação:
antes que a minha alma improvável
se arremesse na província do nada,
a morada dos seres sem amor
Imagem de Einsenstaedt
domingo, 15 de março de 2009
Preferências
Fizemos uma enquete bobinha, de começo de noite, depois de muito trabalho e a consequente preguiça que vem com o começo do relaxamento do cansaço acumulado: O que mais atrai você? Sem tempo para pensar! Fale a primeira coisa que vier a mente.- Ah, tem um jeito certo, sabe. É isso, o jeito certo.
- O olhar.
- As mãos. Adoro mãos grandes, fortes, bem cuidadas.
- Os dentes.
- O sorriso.
- O bumbum.
- As pernas.
As respostas variam tanto e demonstram que não há modelo único. Apesar de coincidirmos na preferência por alguns homens considerados bonitos e atraentes: atores, modelos, desportistas profissionais, todos com visuais bem cuidados e elaborados, mesmo quando desleixados com barbas malfeitas ou casuais, os visuais continuam elaborados na medida certa. Mas nenhuma de nós escolheria o George Clooney para pai dos nossos filhos, quer dizer... não sei... de repente ter a vista do lago Como na janela lateral do quarto de dormir deve ser muito bom... e lógico, o próprio Clooney...
Não há parâmetro. O que é importante para uma, não significa nada para outra e talvez esteja aí, nessa diversidade de preferências, a condição de ser feliz sem qualquer competição desleal. Deveria ser.
Pode ir dizendo, queridinha, como sempre todas contaram suas vidas, você as escuta com atenção, as entende, ameniza suas mazelas, reforça seus ânimos e entusiasmos, solta algum comentário bem engraçado, mas não abre o que vai aí, por dentro. É justamente isso o que me atrai: Gosto de homens altos, normalmente altos, porque sou brasileira com estatura mediana e valorizo o aconchego perfeito, raramente encontrado; e fico atraída, me deixa eternamente apaixonada o homem que sabe me fazer rir do jeito certo, que canta comigo nas horas mais incertas, que acompanha minhas peraltices quando menos se espera. Não troco o raro aconchego e a raríssima química, a alegria, a leveza que vem com o bom humor, a sintonia tão fina e a paz, por qualquer mansão às margens do Como. Por nada. Como explicar isso?
sábado, 14 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Eu vou para Maracangalha
Entender é parte importante da vida, até para saber o que fazer, ou não fazer, como contribuir, o jeito certo de agir para realizar o bem e não sofrer. Permitir ao outro o correto e completo entendimento, sem meandros, sem meias verdades ou meias mentiras (que sempre se transformam em mentiras inteiras), também é forma de respeito.A telepatia ainda não faz parte dos meios de comunicação
utilizados, mesmo que, às vezes, um ou outro se esqueça que as mensagens telepáticas costumam se perder entre a origem e o destino e não cumprem suas funções. E, por fim, a tão invocada e interessante coerência em determinadas situações desaparece por completo e deixa as pessoas sem rumo e sem qualquer entendimento. Até parece um círculo fraco e pleno de vício. Existiria solução para isso? Talvez. Quem sabe mudar a conduta e simplesmente não levar a sério, muito menos acreditar – Puxa! Mas do jeito que você foi educada e os valores que você considera, não levar alguém a sério e não acreditar é o mesmo que desrespeitar! Mas é exatamente o que a telepatia incompreensível e incoerente lhe oferece: Desrespeito.
- Eu volto para Maracangalha.
- Como, não entendi? Afinal, eu nem sabia que você havia partido da Maracangalha.
Claro que a coisa toda tem antecedentes registrados, com alarde, pelas próprias partes desde o começo coniventes e cientes, em digitais, fotos e números em série arquivados em boletins no Departamento de Água e Esgoto, não, no Departamento de Assuntos Sentimentais, que fica lá, bem alto, perto do Departamento Algum Dia Finalmente Compreendo e Me Arrependo, afinal, acredita-se que empatia não é palavra enfeite. Mas prossigamos com o passado mais recente, que antecede ao chapéu de palha maracangalhense.
- Eu vou me movimentar.
Ops. Já ouvi isso antes, desse jeito, com todas as palavras ditas e até prazos para a movimentação, mas ficou a inércia: Eu vou me movimentar 1, seguido pelo eu vou me movimentar 2, acompanhado pelo eu vou me movimentar 3 e o 4. Portanto, esse seria o quinto movimento anunciado e não realizado.
Assim, mais um eu vou me movimentar, seguido por dias silenciosos ausentes e concluído por eu volto para Maracangalha só pode ser brincadeira e das ruins.
E consegue ficar pior quando o eu vou me movimentar é seguido pelo volto para Maracangalha, com o arremate para depois me movimentar de vez.
Alguns recheios diferentes no bolo para tentar mudar o sabor indigesto, mas o gosto amargo rejeita qualquer disfarce.
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Fórmulas para a vida a dois
Será que existe alguma fórmula mágica que transforme os encontros que ocorrem nesta vida em relacionamentos felizes e duradouros? Não acredito. Entendo que com o tempo e a vivência, cada um reconhece e aprimora seu jeito, compreende melhor suas expectativas e cria sua própria fórmula para ser feliz no amor.
As pessoas não mudam, ah, não mudam, não. Apenas se adaptam e a adaptabilidade é característica que varia e encontra-se forte em alguns e fraca em outros, além de ser incompatível com a imposição do jeito único de um, afinal, são dois, ou, deveriam ser apenas dois.
As pessoas não mudam, ah, não mudam, não. Apenas se adaptam e a adaptabilidade é característica que varia e encontra-se forte em alguns e fraca em outros, além de ser incompatível com a imposição do jeito único de um, afinal, são dois, ou, deveriam ser apenas dois.
Acredito muito no amor e em sua força.
O amor no sentido amplo e o amor entre um homem e uma mulher. Acredito que se a convivência diária não compreender carinhosa dedicação, excelente sexo, cuidado com os detalhes, amorosa criatividade e respeito, estará fadada ao fracasso dos relacionamentos mornos, pesados e tediosos.
Estar com alguém ao lado, não significa acomodar-se, mas a cada dia renovar a conquista, preparar-se para o outro, fortalecer a paixão, tornar o sexo mais gostoso, estar realmente presente na relação, realizar o que o outro aprecia compartilhar o bom e o ruim, tudo isso de forma mutua. A conquista amorosa é diária: você se prepara para mim e eu me preparo para você, normalmente, amorosamente, porque me faz bem preparar-me para você e lhe faz bem preparar-se para mim e não por que tenhamos que agir dessa ou daquela maneira. Se assim não for crescerá o vazio, as expectativas pessoas pesarão cada vez mais, o desamparo atávico de um prevalecerá sobre o desamparo atávico do outro, a busca fora da relação acontecerá e com ela a mentira, a artimanha, a manipulação conjunta: você busca fora e eu sei, mas finjo que não sei; ou, o pior de tudo, negociamos sua carência e criamos um teatro. Não dá para viver com mentira e nem na mentira.
A ideia de que os opostos se atraiam talvez funcione nos princípios da física, mas não é o ideal entre um casal. São as semelhanças que atraem, além das notas comportamentais que cada um traz de sua existência, que compensam as notas do outro e criam a verdadeira harmonia.
A inovação está na semelhança de caráter. Ter caráter é fundamental, pressuposto, opa, para mim é importante. Mas para aqueles sem caráter ou com caráter fraco, o caráter do outro será forte motivo para a incompatibilidade – daí a bem lembrada semelhança até no caráter e na honestidade.
Enfim, é preciso estar inteiro e pleno, é preciso ter química, gosto e cheiro certos, é preciso não precisar do outro, encontrar leveza, serenidade e suavidade, bom humor e riso fácil, paz, especial aconchego e acima de tudo, é preciso amar sem medo.
Estar com alguém ao lado, não significa acomodar-se, mas a cada dia renovar a conquista, preparar-se para o outro, fortalecer a paixão, tornar o sexo mais gostoso, estar realmente presente na relação, realizar o que o outro aprecia compartilhar o bom e o ruim, tudo isso de forma mutua. A conquista amorosa é diária: você se prepara para mim e eu me preparo para você, normalmente, amorosamente, porque me faz bem preparar-me para você e lhe faz bem preparar-se para mim e não por que tenhamos que agir dessa ou daquela maneira. Se assim não for crescerá o vazio, as expectativas pessoas pesarão cada vez mais, o desamparo atávico de um prevalecerá sobre o desamparo atávico do outro, a busca fora da relação acontecerá e com ela a mentira, a artimanha, a manipulação conjunta: você busca fora e eu sei, mas finjo que não sei; ou, o pior de tudo, negociamos sua carência e criamos um teatro. Não dá para viver com mentira e nem na mentira.
A ideia de que os opostos se atraiam talvez funcione nos princípios da física, mas não é o ideal entre um casal. São as semelhanças que atraem, além das notas comportamentais que cada um traz de sua existência, que compensam as notas do outro e criam a verdadeira harmonia.
A inovação está na semelhança de caráter. Ter caráter é fundamental, pressuposto, opa, para mim é importante. Mas para aqueles sem caráter ou com caráter fraco, o caráter do outro será forte motivo para a incompatibilidade – daí a bem lembrada semelhança até no caráter e na honestidade.
Enfim, é preciso estar inteiro e pleno, é preciso ter química, gosto e cheiro certos, é preciso não precisar do outro, encontrar leveza, serenidade e suavidade, bom humor e riso fácil, paz, especial aconchego e acima de tudo, é preciso amar sem medo.
O primeiro ingrediente para um relacionamento duradouro reside na escolha do parceiro: quanto maiores as afinidades de gostos e interesses, mas, principalmente, de caráter, melhor.
Gente honesta deve se relacionar com gente honesta. Isso é essencial, pois, se a aliança se faz com alguém que mente ou que é mais para egoísta, por exemplo, os problemas ficarão agravados depois do casamento.
Outro fator é não ser ingênuo ou otimista: convém pensar que ao casar, todos os problemas e dificuldade pioram, sim! As pessoas se acomodam e mostram mais a sua face negativa.
Assim, é preciso que tudo, inclusive o sexo, esteja 100% durante o namoro porque talvez venha a piorar um pouco.
Um terceiro conselho: um relacionamento não permanece encaixado e funciona bem automaticamente. Ou seja, é preciso cuidado, atenção com o outro, esforço para que as afinidades e projetos de vida continuem convergentes. Isso não é fácil e exige muita atenção sobre os próprios anseios, os do parceiro e cuidado nas conversas e negociações. Aliás, elas devem existir o tempo todo porque os pontos de vista serão divergentes em muitos aspectos e os diálogos tem que ser respeitosos para serem produtivos.
Antigamente, as concessões eram grandes porque os casais imaginavam que tinham que fazer tudo juntos. Quase sempre havia um que concedia e o outro, o mais egoísta, que abusava da tolerância do mais generoso. Além disso, a idéia que estava em vigor era a de que ao homem cabia dirigir a vida a dois.
Isso não é mais verdade: as moças representam 60% dos estudantes universitários, de modo que em breve estarão mais bem preparadas e ganhando mais que a média dos homens. A independência sexual e financeira da mulher, junto com os avanços tecnológicos de utilização individual (IPod, computador, DVD, etc) tem feito crescer a individualidade das pessoas, o que é uma ótima notícia. Assim, em vez de concessões, que por vezes tem que ocorrer, a chave de um relacionamento sereno é o respeito pelas diferenças, gostos e individualidades. Ou seja, quando se gosta da mesma coisa, se faz junto. Quando um gosta e o outro não, cada um faz o que gosta e se encontram depois. Ambos felizes. Quem faz as concessões acaba se aborrecendo internamente e não raramente arruma uma briga por algum motivo fútil.
Nenhum de nós consegue resolver completamente a sensação de desamparo que nos acompanha desde o nascimento. Por isso mesmo gostamos de ter um parceiro amoroso. Podemos lidar com essa sensação individualmente. Um dos recursos é, por exemplo, manter-se ocupado e entretetido tanto com o trabalho como com leituras, esportes, cinema, amigos, etc.
O que tem que ser claro é que o parceiro sentimental não tem que ser o remédio definitivo, único e permanente para o nosso desamparo. O nosso desamparo é problema nosso! O parceiro, quando presente, nos ajuda muito, mas não é sua obrigação nos aliviar o tempo todo das sensações íntimas dolorosas.
É possível, sim, que o amor permaneça igualmente intenso e gratificante por toda a vida. É claro que terá altos e baixos, dependendo do comportamento do parceiro e do nosso estado de alma. O que desaparece é o componente do medo que está associado à paixão: paixão = amor + medo. O medo é relacionado com o risco de ruptura, além do medo da felicidade, condição com a qual acabamos por nos acostumar.
Com o casamento, os temores de ruptura diminuem muito e o medo se atenua. Aí, o essencial é não se acomodar e tratar de conservar a riqueza de conversas. A intimidade depende também de um fator essencial: não julgar o parceiro o tempo todo.
Existem muitas pessoas que não sabem ouvir a não ser com a ideia de encontrar e apontar os defeitos do outro. Isso é horrível, pois acaba levando o outro a se calar, a omitir tudo aquilo que poderá ser passível de crítica. Com isso, a intimidade se prejudica e, ao longo do anos, pode vir a se romper de modo radical.
Já afirmei que a harmonia conjugal depende essencialmente das afinidades, principalmente as de caráter. É impossível confiar em um parceiro que mente, que é insincero. Com o tempo isso destrói o eventual encantamento e o amor desaparece.
A rotina não perturba o cotidiano a não ser quando ela é muito chata! Rotinas agradáveis, compartilhadas com alegria, são uma dádiva. Não é a rotina que destrói o relacionamento, mas a falta de criatividade de modo que só sobra o cotidiano que é forçosamente repetitivo. Para que as pessoas continuem a ser interessantes para seus parceiros é preciso que elas se reciclem, renovem seu repertório, tenham interesses e se dediquem a eles. O casamento não é chato, chatas são as pessoas que não progridem, que não leem, não assistem a filmes, não acompanham as notícias, não tem nada de novo para dar. Chatas são as pessoas que acham que seus parceiros estão no mundo para entretê-las e não percebem que elas mesmas devem encontrar os meios de fazer a vida agradável. As pessoas esperam do parceiro o que deveriam buscar em si mesmas.
Amor é o sentimento que temos por quem nos provoca a adorável sensação de paz e aconchego que neutraliza momentaneamente nosso desamparo. Amor não é entretenimento, não é parque de diversões. Aventuras devem acontecer juntos ou separados, em atividades profissionais, intelectuais, projetos de viagem, etc.
Texto de Flávio Gikovate e imagem Cassavetes
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