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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Each day a realistic and small step
It seems so easy to do, as it’s easy to forget. How to help yourself with the big little things that make a huge difference in your life, without loosing your freedom, smoothly and softly ? Make a deal to yourself, try at least. Step by step, whenever it’s possible, the way you prefer. These are some tips:
- Focus on positive self talk. Be kind to yourself. Congratulate yourself every time you take a step towards your resolution goal. Be your own best cheerleader.
- Avoid berating yourself if you should fall back or break a resolution. Just brush yourself off and start over again.
- Stick to your resolution by considering it a promise to yourself, not a test of your willpower.
- Avoid people and situations that put you in temptation’s path.
- Keep a sticky note in a prominent place so that you see it every day, reminding yourself of your resolutions.
- Be realistic. Make sure your plan is a realistic one that can fit into your lifestyle.
- Don’t count on anyone; don’t try to change other people, or other lives. This is a task between you and yourself.
- Make changes as easy and convenient as possible. Don’t waste your good energy.
- Focus on positive self talk. Be kind to yourself. Congratulate yourself every time you take a step towards your resolution goal. Be your own best cheerleader.
- Avoid berating yourself if you should fall back or break a resolution. Just brush yourself off and start over again.
- Stick to your resolution by considering it a promise to yourself, not a test of your willpower.
- Avoid people and situations that put you in temptation’s path.
- Keep a sticky note in a prominent place so that you see it every day, reminding yourself of your resolutions.
- Be realistic. Make sure your plan is a realistic one that can fit into your lifestyle.
- Don’t count on anyone; don’t try to change other people, or other lives. This is a task between you and yourself.
- Make changes as easy and convenient as possible. Don’t waste your good energy.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Peças em movimento
Duas diversões garantidas e interessantes
.É muito bom jogar gamão, antecipar possibilidades e desenvolver estratégias.
É muito bom, também, jogar mahjong e aprimorar a atenção.
Aprendo a diversão paciente e tranquila, que independe do trabalho do corpo e exige o exercício da mente. Justo eu, que não conseguia ficar quieta por muito tempo e logo me distraia.
A garota curiosa e inquieta existe, mas aprendeu a ceder espaço à mulher mais serena, contemplativa. Ambas se completam, tem seus encantos, seus defeitos e não resistem a uma boa folia.
É muito bom, também, jogar mahjong e aprimorar a atenção.
Aprendo a diversão paciente e tranquila, que independe do trabalho do corpo e exige o exercício da mente. Justo eu, que não conseguia ficar quieta por muito tempo e logo me distraia.
A garota curiosa e inquieta existe, mas aprendeu a ceder espaço à mulher mais serena, contemplativa. Ambas se completam, tem seus encantos, seus defeitos e não resistem a uma boa folia.
Mirta Rosemberg
In my mother’s daywomen were provable.
My mother sat next to my grandmother
and both were completely of flesh and bone.
I am barely a stable outcome
of that surplus of reality.
And in the anxiety of the indefinite past,
in the durative aspect of electing,
I write now: an elegy.
In my mother’s day
women were abiding,
completely bone and flesh.
My mother put on the necklace
of silver and turquoise stones
my father had brought her from Sweden
and sat at the table like some exotic spices,
so that everything would become larger than life
and any fiction possible.
In my mother’s day, women
were a crux: my mother told
my brother and me: ‘when I came out of school,
I went to where my father worked,
in Santa Fe, and his workmates told him she’s a biscuit,
your daughter’s a biscuit, and I never knew what they meant,
saying I was a biscuit’, a sponge cake when she was very sick,
exquisite porcelain for us still,
and my brother pressing her for more: ‘And?’
I don’t know what a biscuit is. Some exotic spice,
something, in any case, special? Perhaps
she roamed delicately round the house, brushing her eighties
as one brushes a wound
with a bit of gauze.
In my mother’s day
women were very visible.
My mother looked at herself in mirrors
and I never managed to take in
her image with my eyes. She was beyond me
and I intuited her from afar like something yearned for.
Like now,
an elegy.
To the adorable little girl
fixed in the remoteness of the photo,
who at eight already seemed
larger than life: I miss you,
although I did not know you. That was before
you gave me life
in a barely natural size.
All the same,
an elegy.
And to the other one of the photo that I hope
to conserve, the beautiful woman who holds
the book before her daughter aged one year
in the sham of reading:
I love you for what lasts, and it is sufficient
to read in the present, although your star’s
gone out.
For her,
an elegy.
Now I am the photograph
and you the developing fluid. Your death
turns me into myself: like an applied science,
I am cause and effect,
trial and error, this void
of nothingness that beats against the heart
like an empty husk.
An elegy,
more and more right each time.
sábado, 24 de janeiro de 2009
A ala das perguntinhas bestas
Você já traiu? Mas que perguntinha besta. E por incrível que pareça, cada vez fico menos à vontade para responder a verdade: Não, eu nunca traí. Quando eu digo que nunca traí pareço meio esquisita, um bichinho exótico verde com bolinhas amarelas, azuis, vermelhas e um imenso laço de fita cor de rosa na cabeça, que vive no meio da fauna homogênea xadrez preto e branco. Às vezes acho que me enxergam como alguma mártir, a mais nova aspirante a Joana D'Arc, a justiceira de plantão que segura sua espada afiada sobre as cabeças dos traidores impios e selvagens: Cortem todos os pescoços !
Mas o fato é que nunca traí, por que não tenho estrutura emocional para trair. Simples, assim.
Acho que deve ser muito trabalhoso e eu sou desatenta, distraída, careço da organização que todos que traem parecem ter. Não presto atenção aos detalhes, não seria capaz de criar apelido padrão para não escorregar no nome errado (todas as mulheres viram bebê, tchutchuquinha, meu amor ou coisa parecida e os homens são os môs, amorecos, benhês), não conseguiria mentir sobre reunião inexistente, não me lembraria de comprar perfumes idênticos, não me preocuparia com lugares diferentes, com maneiras e manias distintas, onde estacionar o carro, a logística, a criação do álibi mais que imperfeito: Olha, hoje encontrarei o Fulano e direi ao meu marido que saí para jantar com você.
Eu não suportaria o teatrinho animado na hora da traição e o pesado teatro representado ao lado do traído. É muito teatro para meu gosto, dá trabalho e eu não tenho a menor paciência para isso.
Não duvido que se algum dia eu traísse, eu teria crise de choro incontrolável e somente encontraria alguma paz de espírito ao confessar a traição. Eu sou assim, não tem jeito e não mudo. Por isso, não traio. Seria um desastre.
Ah, lembrei-me de outro motivo importante: Quem trai não tem sossego e eu preciso viver sossegada com a pessoa que amo. Eu preciso de paz.
Normalmente, quem trai teme ser traído e não consegue confiar, não abandona o constante e desgastante vigiar o outro, fica atento ao comportamento, aos menores detalhes, sofre e faz o outro sofrer. E para isso, também, não tenho a menor vocação.
Já me disseram que eu deixo solto meu amor. Deixo e isso não quer dizer que eu ame menos, que eu não dê importância ao homem que amo, ou, que eu não ligue ser for traída, muito pelo contrário: Tenho sensibilidade aguçada para sentir as menores mudanças no e do ser amado e reconheço que sofro com isso. Mas eu não acredito que a perseguição massacrante traga algum resultado. Não adianta grudar no parceiro o dia inteiro, ou, grande parte do dia, nem mesmo exercer a vigília ponderada - aquela que é acirrada, mas parece não existir. Isso é coisa de mulher esperta, experiente, que camufla sentimento e tem sabedoria de harpia.
Que tal outra perguntinha besta? Pois aí vai: Você perdoaria uma traição? Uma, só uma? Você tem certeza que pergunta sobre uma única traição? Ora, se eu perdoaria uma traição. Eu não sei e esse não saber representa imensa evolução do meu comportamento, pois antes, nos anos iniciais da vida amorosa, eu era categórica ao afirmar que jamais perdoaria ter sido traída. Hoje, eu não sei.
Ainda no campo das perguntinhas bestas, existe outra mais atual e em certos casos inevitável: Como você consegue saber que ele a trai e ainda por cima controlar essa bagunça toda? Que força maléfica é essa exercida por certas mulheres que firmam acordos com o homem que tem ao lado e assim assumem o controle de tudo? Foi ela quem deixou você assim nervoso, né? ela não lhe faz bem, meu amor; não se esqueça da hora do jantar em casa, querido; combinado: todas as noites em casa, finais de semana e feriados em casa, você dormirá sempre ao meu lado; você estará sempre comigo para que as crianças - normalmente adultos feitos - não sofram; para que os vizinhos não comentem; para que as empregadas não comentem; para que os porteiros não comentem; para que o mundo não comente e eu tenha o controle sobre tudo o que você faz, inclusive sobre o relacionamento paralelo que você mantém. Tema bem explorado pelo dramaturgo Somerset Maugham em sua obra Constantina. Infelizmente para a evolução dos relacionamentos amorosos a síndrome de Constantina - a que tudo sabia, controlava e fingia desconhecer, ainda existe.
Certas mulheres não possuem o physique du role da garota de programa. Audrey Hepburn em 'Bonequinha de luxo', Shirley MacLaine em 'Irma La Douce' e até Julia Roberts em 'Uma linda mulher'. Não tem, não adianta. Simples, assim.
Rui Pires Cabral
É o frio que nos tolhe ao domingo no Inverno, quando mais rareia
a esperança. São certas fixações
da consciência, coisas que andam
pela casa à procura de um lugar
e entram clandestinas no poema.
São os envelopes da companhia
da água, a faca suja de manteiga
na toalha, esse trilho que deixamos
atrás de nós e se decifra sem esforço
nem proveito. É a espera
e a demora. São as ruas sossegadas
à hora do telejornal e os talheres
da vizinhança a retinir. É a deriva
noturna da memória: é o medo
de termos perdido sem querer
a nossa vez.
* * *
Mas há uma saída? Imagina
na insónia as florestas que crescem
a essas horas noutras regiões, os comboios
que as atravessam para alcançar um destino
no futuro dos outros.
Há uma saída? Imagina
a noite cheia de cidades violentas,
o retumbar das máquinas nos subterrâneos
e a chuva a cair no plástico negro
dos morangais, todo o sofrimento
e incerteza do mundo.
E de manhã, repara, está bonito
o tempo. Os amigos acordam no quarto ao lado,
descem à cozinha para fazer o café.
Mas há uma saída?
* * *
Os amigos levados pela vida
são os mais difíceis de aplacar, os mais
tiranos. Bárbaros de um país desconhecido,
bebem à taça os venenos do silêncio e crescem
desmedidamente na distância, desentendidos
da nossa solidão. E pensar que já fomos
irmãos de armas, que desenterrámos tesouros
nas mesmas ilhas, nos livros
mais inóspitos. Como são as coisas.
Terá sido tudo em vão? Dir-se-ia
que estávamos predestinados às mesmas
canções, a uma espécie mais certa de amor.
Pois sim. Nem sequer compreendemos
o que nos aconteceu.
são os mais difíceis de aplacar, os mais
tiranos. Bárbaros de um país desconhecido,
bebem à taça os venenos do silêncio e crescem
desmedidamente na distância, desentendidos
da nossa solidão. E pensar que já fomos
irmãos de armas, que desenterrámos tesouros
nas mesmas ilhas, nos livros
mais inóspitos. Como são as coisas.
Terá sido tudo em vão? Dir-se-ia
que estávamos predestinados às mesmas
canções, a uma espécie mais certa de amor.
Pois sim. Nem sequer compreendemos
o que nos aconteceu.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Amizade pós amor
No ano retrasado, querido amigo escreveu texto sobre a impossibilidade de existir amizade entre pessoas que mantiveram relacionamento amoroso. Parece colocação pomposa, mas pensei na palavra exata e confesso que me perdi entre namorados, casados, amantes, companheiros e tantas outras qualificações que inventamos para designar aqueles que mantiveram relacionamentos tão variados quanto os existentes. Quero incluir todos os que estiveram amorosa e verdadeiramente envolvidos, e a palavra verdadeiramente não está aí para enfeite.Ele pediu-me comentário em seu blog e eu quis corresponder ao pedido, mas parei na confusão interna que o tema causou. Lógico que sim, foi a resposta imediata. É claro que pessoas que se amaram de verdade, e por alguma razão da vida não continuaram juntas, podem perfeitamente manter boa amizade. A base não poderia ser outra que a experiência vivida.
Retomo antiga imagem que me impressionou durante o tradicional choppinho com bobagens após o expediente: Década de oitenta, a então gerente de recursos humanos, desprovida da dura couraça usada no trabalho, ao contar seus amores concluiu que seus dedos das mãos e os dedos dos pés não seriam suficientes.
Ora, sem que hoje esse comentário me cause o mesmo impacto, reconheço que continuo do jeito que sempre fui e meus relacionamentos ganham na duração, mas perdem na quantidade, limitando-se a alguns dedos de uma única mão.
De dedos para pessoas, no meu caso com tão pouca diversidade a tarefa não é nada cansativa, decidi que comentaria, não, que escreveria pura apologia sobre a amizade pós amor e confirmaria sua plena possibilidade, para horror do meu amigo, que tanto se entristeceu com o fim de seu relacionamento, a ponto de auto denominar-se caçador de zumbis. Zumbi era a ex. Não consegui escrever. Não consegui. Entendo que pressupostos fundamentais para que o amor de verdade vire amizade de verdade, são o bem querer verdadeiro pelo outro e o relacionamento ter sido muito bem resolvido e seu término ter ocorrido com honestidade, respeito e todos os cuidados dedicados para que não restem tristezas, mágoas e dúvidas.
Ano passado, fui à Belo Horizonte para reunião com cliente e com os habituais atrasos dos voos tive que dormir na cidade. Findo o compromisso de trabalho, rápido jantar, banho para relaxar, liguei para querida amiga mineira e colocamos a vida em dia.
Ela me deixou tão feliz e surpresa ao comentar sobre o novo namorado, as aulas de dança que faziam juntos, a futura casa em Lagoa Santa, o quanto ele a tratava bem e ela se sentia realizada, a apresentação à família, o carinho complementar e a realização sexual, a afinidade e os gostos parecidos, ainda mais porque eu estava preparada para consolá-la por conta do relacionamento anterior, via internet, com um americano que literalmente estagnou a vida dela por quase uma década, e a recente notícia da morte dele, por ela recebida através de um e-mail mandado por alguém das bandas de lá. Desde o começo achei estranha aquela história e, às vezes, fui dura e realista em meus comentários - não menos do que ela também foi nos pertinentes comentários que fez para mim. Passados poucos meses dessa viagem, no começo de dezembro, e-mail triste comentou sobre o fim do namoro relâmpago. Ai, meu Deus! Combinamos horário no msn e num domingo ficamos horas a conversar, os primeiros vinte minutos dedicados aos carinhosos amparo e incentivo tão necessários e o restante do tempo entremeado por gargalhadas e comentários espirituosos. Bom humor é fundamental nesta vida. Foi nessa ocasião que a pergunta voltou: Você acha que devo manter a amizade? Ah, o lógico que escrevi lá em cima virou não sei, a certeza anterior ficou meio atrapalhada e a inédita dúvida reconheceu que cada relacionamento tem suas diferenças e que a palavra depende é a mais apropriada. No caso dela, sim. É óbvio que toda a ansiedade com o americano estranho foi depositada nos ombros do moço que sabe dançar e o assustou. O coitado foi intimidado pela forte expectativa dela, para cumprir em semanas o que o outro planejou por anos, teve muito tempo e oportunidades para cumprir, mas não conseguiu. Ainda bem que minhas melhores amigas são coerentes, honestas, reconhecem seus equívocos e consertam a vida. Sei que essa amizade fará muito bem a ela e que ela retribuirá, pois é excelente pessoa.
Concluo que a decisão de manter ou não a amizade está no que foi vivido: Você teve um bom companheiro, fiel e dedicado, alguém que esteve sempre ao seu lado, principalmente, nos seus piores momentos e lhe dedicou toda atenção e carinho que você necessitou? Mentira, maltrato, traição, descaso e ofensas foram palavras inexistentes entre vocês? Você teve ao seu lado alguém que a fez crescer, que a valorizou e protegeu, que reconheceu seus medos e anseios e a ajudou a enfrentá-los? Você se sentia à vontade com ele e juntos vocês riam à toa, gargalhavam com as mínimas coisas e se sentiam leves e felizes? Minha cara consulente, se suas respostas foram sim para todas as perguntas, então, sem qualquer dúvida seu ex é alguém com bom coração e será legal vocês serem amigos. Mesmo por que o jeito de escolher amigo não mudou.
E como fica a amizade do seu amor com a ex dele? Também depende. Se a ex tem caráter é honesta e comporta-se com dignidade, prevalece tudo do jeito que está escrito acima. Afinal, fui casada, tive filho e sou excelente ex para o pai do pimpolho e, consequentemente, para a mulher dele. Sempre fui e sempre serei. Quase vinte anos de comportamento coerente e linear comprovam o que afirmo. Mas se o comportamento da ex do seu amor incomoda e entristece você, por mais amiga que a moça tente parecer e diga ser; se o seu amor recebe presentinhos, mimos, telefonemas e fotografias que ninguém em juízo perfeito mandaria; se o seu amor virou o confidente preferido para depósito de todas as mazelas da vida, do relacionamento alheio, dos problemas com filhos, ascendentes, colaterais e o papagaio, então, acredite que a ex quer excluir a própria solidão e frustração e planeja logo, logo, voltar a ser. Se isso acontecer seu amor não soube amar e, infelizmente, nunca saberá. Você seria amiga dele?
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
O meu melhor pai do mundo
O cuidado necessário para não magoar
Tenho certa ideia sobre a extensão da internet, por isso, em todos os lugares que estão minhas fotografias - (mais de seiscentas dispostas em sites específicos), meus escritos e os perfis disponibilizados em sites sociais - ao longo de quase seis anos, mantenho um único cuidado e não é com a minha privacidade e proteção, mas, e principalmente, com a especial atenção que dedico para não magoar ou entristecer quem quer que seja. Nunca uma única fotografia sequer foi por mim disponibilizada (nem com visualização limitada para grupo reduzido), que expusesse qualquer situação ou trouxesse desconforto e tristeza para qualquer pessoa. O impacto ao descobrir mentiras ditas e situações escondidas através de desnecessárias exposições de imagens e palavras na internet é devastador. É muito difícil, quase impossível de ser superado. Esse é o motivo do meu agir: não quero para ninguém o que senti. Com o tempo também aprendi o quanto é desnecessário e impertinente firmar relacionamentos através da internet. É muito bom alimentar seu amor e com gentileza preservar o que ele tem de melhor, por sinal, comportamento dos realmente dignos, mas a exposição não se enquadra nesses pressupostos. Educação, respeito e elegância continuam firmes na lista dos comportamentos necessários para a boa convivência neste planeta. Anomalia é causar o mal; essa é a maior anomalia de todas.Imagem obra de Carlos Vergara
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Clarice Lispector
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível ser sentido.Eu não quero a verdade inventada.
Gosto muito de Clarice Lispector e identifico pedaços meus em sua escrita. Algumas mulheres escrevem com o ventre e as palavras paridas, tal qual filhos, se agrupam em generosa comunhão. Clarice, Lygia, Lya, Adélia, Cecília, Cora e Ana fazem parte desse grupo privilegiado de escritoras, que trazem à tona a essência de todas nós.
Em setembro do ano passado fui ao Rio de Janeiro, almocei com querida amiga e à tarde tive reunião com cliente no Centro Cultural dos Correios. Antes da reunião, no tempo de espera, resolvi matar saudade do Centro Cultural do Banco do Brasil, um dos meus lugares naquela cidade, e fiquei muito feliz ao encontrar a exposição A hora da estrela, que homenageou Clarice no trigésimo ano de sua morte. Essa mesma exposição, com design de Daniela Thomas e Felipe Tassara, antes da temporada carioca esteve no Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, mas eu não pude apreciá-la e a considerava perdida.
Fiquei fascinada. Curti Clarice, me emocionei com os trechos expostos de sua obra, observei suas belas fotografias e entendi que certas sentenças são espelho que refletem nossa própria imagem. Com reverência abri as gavetas, do que parecia uma imensa cômoda, e encontrei manuscritos, documentos originais, notas e cartas da escritora, que foram disponibilizados pela Fundação Casa de Rui Barbosa e são destinados apenas aos pesquisadores. Aprendi mais com a cronologia dessa sagitariana densa e às vezes misteriosa, tão forte quanto frágil, dual, plena.
Outro dia li entrevista de Lygia Fagundes Teles, que comprovou seu bom humor inteligente e sua leveza de viver. As duas, Lygia e Clarice, estudaram Direito, seguiram suas convicções e desafiaram padrões. Foi Clarice quem aconselhou Lygia a não sorrir nas fotografias, para que as pessoas a considerassem uma escritora competente.
Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever.
* * *
Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a linha abordagem do português fosse virgem e límpida.
* * *
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
* * *
Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente.
Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.* * *
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.
Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem.
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